Não me lembro direito de como tudo isso aconteceu. Só sei que estava até me acostumando com o clima quente da Califórnia ( o que não foi fácil para alguém que nasceu e foi criada até os oito anos na Inglaterra e, passou os últimos sete anos de sua vida em Nova York). Faziam três meses que eu, juntamente com meu pai e irmão mais velho, tínhamos nos mudado para a casa da vovó, mãe de minha mãe. Têm sido difícil para ela desde que mamãe se fora. Esse foi o motivo de virmos para os Estados Unidos. Depois de sete anos, finalmente ela nos convencera a morar com ela. O bom é que meu pai conseguiu enrolá-la para nós nos mudarmos bem no começo do ano letivo, assim, não teríamos que passar o verão naquele lugar quente como o inferno, não que eu já tenha estado lá, mas enfim...

Tudo acontece como num piscar de olhos. Eu estava lá, estudando como sempre e sendo zoada pelas costas. Rotina. Então eu vejo meu professor de filosofia vindo em minha direção com um olhar de apavorado e meio sem jeito, o que me deixou confusa, já que nós éramos como parceiros. Por que agora ele teria algum receio em conversar comigo? Dez segundos depois, essa pergunta foi respondida e eu entendi o porque daquele olhar preocupado. Eu só não podia acreditar no que ele estava dizendo. Não, não era possível.

De repente, o mundo começou a girar, eu comecei a ouvir vozes em minha cabeça e minha visão ficou turva. Logo após, eu me desliguei do mundo. Literalmente.

***

Quando acordei, estava em minha cama, suada e ofegante e não me lembrava de absolutamente nada, apenas de algumas coisas. "Acho que tive um sonho ruim." disse a mim mesma. "E, foi apenas isso."

Pisquei os olhos para me acostumar com a luz cálida do ambiente. Por que ela estava acesa? Senti meu rosto levemente úmido. Passei a língua sobre meus lábios e senti um gosto amargo, salgado. Levei minhas mãos aos olhos e com a ponta dos dedos senti lágrimas se formando lá e, no segundo seguinte, um aperto no coração. Seria verdade? Não, era apenas uma consequência de meu horrível pesadelo. De repente, ouço alguém bater na porta, o que me tirou de meu devaneio.

- Entra — eu disse, apesar de a porta estar visivelmente aberta. Vejo um homem entrando em meu quarto. Sua cabeça era raspada, sua pele era bronzeada, olhos expressivos, castanhos escuros, idênticos aos meus. Usava o habitual moletom verde que exibia, em letras garrafais, o nome da universidade na qual passava a maior parte de seu tempo. Aparentava ter uns dezessete anos, apesar de ter mais que isso. Seu olhar estava vazio e ele estava com olheiras horríveis. Ele foi se aproximando e eu arrumei forças para me sentar na cama e só então percebi que ainda usava a roupa da escola. Sim, nós usávamos uniformes: camisa social branca que exibia no canto esquerdo o nome e brasão da escola e uma saia (muito curta por sinal) azul-marinho com borda vermelha, também exibindo o brasão e nome da escola, do lado esquerdo. Para completar o "look", tínhamos que usar meias três quartos e sapatos nada confortáveis. Sim, vovó tinha dado um jeito de me colocar em uma escola só pra garotas. Mas, por que eu AINDA estava com aquela roupa horrível?

O garoto se sentou sobre minha cama e soltou um longo suspiro.

- O que foi mano? — perguntei à ele. — Virou a noite na balada de novo e algum gatinho quebrou seu coração? — Disse soltando uma risada — Me fala o nome do desgraçado que eu quebro a cara dele.- Falei, cerrando os punhos, com um olhar divertido, que foi correspondido com um olhar seco e frio.

- Não mana. Nós precisamos conversar sério. Mas, primeiramente, preciso saber se você se lembra de algo. — Perguntou, sério.

- Não — respondi — Apenas de um pesadelo horrível, por que?

- Porque eu não tenho tanta certeza de que isso de que você se lembra tenha sido um pesadelo.

Notas finais
E aí, pessoal, o que acharam? O que será que aconteceu de tão ruim? O segundo capítulo já está quase pronto e só vai faltar digitar, mas eu só vou postar se tiver no mínimo um comentário, o que será a minha alegria, pois eu nunca ganho comentários, então, por favor, comentem!