Destiny
8 Minha nova vida: Parte 4
Notas iniciais
Haviam terminado todas as minhas aulas. Tinha sido difícil explicar pros alunos que eu era mais nova que eles e só estaria ali até o Sr. Figgins conseguir outra professora de matemática. Não havia conhecido muita gente nova, afinal, passei o intervalo na sala dos professores, e, para o meu próprio bem, não queria me misturar, pelo menos, por enquanto. O que me chamou a atenção foi quando o professor de Inglês fez a chamada. Ele disse um nome. Um nome que me lembrava muito alguém. Alguém realmente especial. Um garoto de olhos verdes muito parecido com aquele com gel no cabelo que estava ao lado de Kurt ontem e que me olhou curiosamente e que, por algum motivo, havia faltado hoje. Mas, ele não fora o único, então, para o meu próprio bem, resolvi esquecer esse assunto. Andei pelos corredores lotados em direção à sala de meu tio. De lá, nós iriámos direto para a sala do coral. Quando eu perguntei a ele o que era preciso para eu ingressar no clube, ele me disse que havia se lembrado de que, quando eu era pequena, quer dizer, menor, eu cantava realmente muito bem, só que ele não sabia que eu havia desenvolvido esse talento. Cheguei à sala dele e fomos andando.
- Eu tenho tanta coisa pra falar. – Disse ele. – Que nem sei por onde começar!!!
- Ok, comece falando-me das pessoas que fazem parte disso, pois as “qualidades” de fazer parte disso, eu mesma quero descobrir aos poucos. – Eu disse.
- Tá bom. Primeiramente, saiba que há dois corais na escola. As Troubletones, que é um clube só para garotas, dirigido pela Srta. Shelby e o New directions, que é dirigido por mim.
- Uau, então eu não deveria ingressar para o clube apenas de garotas, tio Shue? – Perguntei, desafiadora.
- Obviamente que não. – Ele me respondeu. – No meu Clube também há meninas, ok? – Disse ele, com medo de me perder. – Enfim. Quem está no MEU clube são: Quinn Fabray, Rachel Berry, Finn Hudson, Kurt Hummel, Tina Cohen-Chang – Essa tal de Tina era da minha turma. – Mike Chang, Rory Flanagan, Noah Puckerman, Artie Abrams e Blaine Anderson. – Nesse momento, o mundo parou. Blaine Anderson? Sério mesmo? Não, isso não podia estar acontecendo, não podia ser o mesmo Blaine de anos atrás. Aquele garoto de olhos verdes que me fazia sorrir todos os dias em que nos víamos. Não, não podia ser ele. Fiquei tão atônita quando escutei essas palavras que paralisei. Tio Will percebeu e começou a estalar os dedos na frente dos meus olhos, dizendo: — Alô? Terra pra Jessie... Tem alguém aí?
-Ah. – respondi, saindo do transe em que me encontrava há alguns segundo atrás. – Desculpa Tio Shue, eu só estava pensando. Hum... Dessas pessoas que você mencionou, 4 são da minha sala. Tina, Artie, Blaine e Rory. Esse Rory é aluno de intercâmbio, né? – Perguntei a tio Shue. Já estávamos na frente da sala do coral e dava para ouvir os alunos conversando e rindo lá dentro.
- Sim, ele é da Irlanda. – Respondeu Tio Shue.
- Ah, deu pra notar que era da Europa pelo sotaque dele. Parece com o meu. – Respondi, sorrindo, o que fez Tio Shue sorrir também.
- É claro, minha querida. Agora vamos entrar. – Disse ele, me dando passagem, como um cavalheiro sempre faz, o que também me lembrou de papai. – Você vai simplesmente adorar esse pessoal.
***
POV Narrador
No momento em que Jessie e Will entraram na sala, todos ficaram em silêncio. Os seniors estavam se perguntando: “O que uma professora de matemática estava fazendo no clube do coral?”. Eles ainda não sabiam de nada. Apenas 3 alunos sabiam que, na verdade, ela era, além de professora, uma aluna, que enganou a todos eles. Aliás, era até mais nova que todos presente naquele recinto.
- Boa tarde pessoal! – Disse o mestre.
- Boa tarde, Sr. Shue. – Responderam seus aprendizes. Um deles, o mais alto de todos, Finn Hudson, questionou:
- Hãm, me desculpa Sr. Shue, mas o que a nossa professora de matemática está fazendo aqui?
- Você ainda não sabe Finn? – Perguntou Artie, o menino de cadeira de rodas. – Ela se fingiu de mais velha só pra poder ficar longe da casa da vovó. É apenas uma menininha mimada que fugiu de casa pra viver sozinha. Em Ohio. Dá pra acreditar? – Quando o menino disse isso, todos no recinto pareceram confusos, menos Kurt e Rachel, que pareciam estar felizes com a notícia, prevendo confusões por aí. Um nó percorreu a garganta de Jessie e ela o engoliu em seco. Se as pessoas já a estavam julgando sem conhecê-la, imagina quando conhecessem? Uma vergonha sem tamanho tomou conta da garota, que ficou ruborizada e quis sair da sala. Mas, seu tio a impediu, segurando o seu braço.
- Já chega pessoal. – Disse o mestre. – E você não vai sair daqui tão cedo, mocinha. – Sussurrou pra sua sobrinha, que esboçou um pequeno sorriso em seus lábios. – E, a propósito, Artie. Essa “menininha mimada” é a minha sobrinha. – Quando ele disse isso, todos ficaram paralisados, sem reação. Artie se sentiu envergonhado e não precisou pedir desculpas, porque apenas o seu olhar já falava por ele e, Sr. Shuester nunca havia sido tão agressivo com ele quanto fora agora. – Então, mais respeito, por favor. Ela está aqui porque vai entrar para o clube do coral, então, como estamos com pouco tempo até as Seccionais, vou deixar que ela fale um pouco sobre ela e vamos começar a escolher nossa lista de músicas e ensaiar, pessoal.
- Hum, ok. – Disse a sobrinha do mestre. – Vou tentar ser o mais rápida que puder, para não atrapalhar. Bom, eu sou a...
- Com licença, pessoal – Interrompeu um garoto de olhos verdes. – Posso entrar Sr. Shue? – Perguntou o menino, que foi respondido com um sinal positivo do mestre. Quando entrou, olhou curioso para a garota que estava de pé, que correspondeu o olhar. Naquele momento, houve uma conexão inexplicável entre os dois. Uma conexão de muitos anos atrás e, finalmente, Jessie teve a certeza de que aquele era SEU Blaine. O garoto saiu do transe por causa de seu namorado que gritava para que ele fosse sentar ao seu lado. E ele foi com uma sensação esquisita. Ele já havia visto aquela garota em algum lugar. Mas, onde?
- Desculpa meu amor. – Disse o garoto de olhos verdes, dando um selinho no namorado. – Eu não vim pra escola mais cedo porque estava passando mal, mas já melhorei. Tina, depois você pode me passar a matéria? – Indagou o garoto.
- Claro que passo, Blaine. – Disse a asiática.
- Desculpa. – Disse a morena que estava de pé. – Mas, será que eu posso continuar? – Nisso, todos ficaram em silêncio e Blaine lançou um olhar curioso para ela, enquanto seu namorado lançava lhe um olhar assassino. – Obrigada. Então, como vocês já sabem, eu sou a Jessica, mas vocês devem me chamar de Jessie, por que...
- Jessica é nome de patricinha. – Ela e o garoto de olhos verdes disseram juntos essa frase e oi aí que Blaine percebeu que ela era a SUA Jessie e ele era SEU Blaine. – Eu não acredito! Jessie é você? Você é a MINHA Jessie? — Ele disse a palavra minha com tanta ênfase e alegria que as pessoas ali presentes estavam começando a duvidar de sua óbvia sexualidade.
- É, até que você não foi tão lerdo dessa vez, senhor Anderson. – Disse a garota, com certo brilho no olhar, que foi correspondido pelo seu amigo, que estava com os olhos quase marejados. – Já vi que ficar longe do mar não é tão ruim assim para os filhos de Poseidon. – Completou Jessie, brincalhona. Todos ficaram sem entender o porquê dela falar “filho de Poseidon”, mas seu amigo sabia o quanto ela era viciada em mitologia, por que fora ela quem o viciou também. Eles se entenderam e Blaine foi ao encontro da baixinha com os braços abertos.
- Sua boba! – Ele disse antes de sufoca-la com seu abraço. Eles não puderam ficar ali por muito tempo, logo foram interrompidos pela tosse forçada do namorado do garoto. Nisso, eles se separaram e ele pôde perguntar:
- Será que eu, aliás, nós podemos saber o que está acontecendo aqui?
- Eu concordo com o Kurt. – Disse o tio da garota. – Vocês já se conhecem?
- Sim. – Disse Blaine.
- Na verdade, nós somos melhores amigos. –Completou a garota. – Até você me abandonar em Nova York, né seu filho de Hera? – Falou, dando um soquinho no ombro do amigo, que tinha um braço enlaçando sua cintura. – A gente se conhece desde que eu tinha 8 anos, quando me mudei pra Nova York. Nós fizemos uma amizade muito grande e, quando eu tinha 10 anos, eu fui “convidada” a pular dois anos escolares, por ter uma capacidade mental e de raciocínio maior que qualquer criança da minha idade.
- Mas, como eu era, aliás, sou alguém muito importante na vida dessa pequena – Disse o garoto, convencido – ela escolheu pular só um ano pra ficar na mesma sala que eu.
- É, foi isso mesmo. – Concluiu a garota, com um sorriso divertido no rosto. – Então, 2 anos depois, Blaine nos abandonou.
- Como assim, nos abandonou? – Perguntou seu namorado, ciumento.
- É, abandonou a mim e aos meus irmãos. Aliás, o Nick sentiu muito a sua falta, Blaine, até hoje ele fala de você.
- Que ótimo. E, me diz uma coisa, como o Anthony está? Aposto que está um rapazinho muito lindo!
- Na verdade – Disse a amiga – Ele morreu. E meu pai também. Por isso eu estou aqui com tio Shue. – Completou ela, com certa tristeza no olhar.
- Ah – Disse o amigo. – Eu realmente sinto muito Jessie.
- Tudo bem, acho que agora é melhor você ir se sentar, para eu terminar. Já estou tomando muito tempo dessa aula. – Disse Jessie, friamente. O garoto a compreendeu e foi se sentar novamente ao lado do namorado. Ela continuou. – Acho que vocês já sabem a maior parte da minha vida agora, mas como estamos em uma aula de coral, eu vejo a necessidade de expor meus gostos musicais. – Todos queriam rir dela. Era realmente engraçado o jeito que ela usava as palavras, ainda mais com aquele sotaque, que a deixava ainda mais fofa. – Bom, eu gosto da maioria dos estilos musicais, mas o meu favorito mesmo é Rock. – Quando ela disse “rock” todos, em particular o garoto com o moicano, riram dela. Todos, exceto Blaine. Ele sabia que era verdade. – Posso saber o motivo da graça? – Perguntou a garota, indignada.
- Desculpa Sr. Shue – Disse Puck. – Fingir que é maior de idade e professora de matemática tudo bem, mas daí, se fingir de roqueira já é demais.
- Ah, senhor Puckerman, você acha que só porque eu tenho esse jeito fofo e estou usando esse vestido florido que minha avó me obrigou a usar, eu não posso ser roqueira? – Perguntou a garota, ainda mais indignada com o comentário do colega.
-Obviamente que não. – Respondeu o garoto.
- Quer que eu prove? – Perguntou ela, arqueando uma sobrancelha, desafiadora.
- Prove se puder. – Disse o garoto, entrando no desafio.
- Ok. Me pergunte qualquer coisa que um poser não saberia responder.
- Hum, ok. Evanescence. É uma banda ou uma cantora?
- Ah, Puck. – Disse a garota de cabelos loiros e curtos. – Essa tá muito fácil, até eu, que andei por menos de duas semanas com os Punks sei responder essa.
- Calada Quinn. – Disse o bad boy. – Essa é mesmo fácil, mas os posers, como ela disse, não sabem a resposta correta.
- É óbvio que é uma banda. A vocalista é a linda morena de olhos azuis Amy Lee. – Disse a morena, como se aquilo fosse a coisa mais fácil do mundo.
- É – Respondeu Puck. — Até que você entende um pouco de Rock sim, mas isso não prova quase nada. O rock precisa ser sentido.
- Ok. – Disse a garota. – Me deem uma guitarra e eu mostro a vocês.
- Ah, finalmente uma garota que toca alguma coisa nesse coral. – Disse Finn. – alguém nos entende Puck. – Completou, dando um soco na mão do amigo.
- Pra sua informação, Sr. Hudson, eu toco guitarra, violão, violino, piano e bateria.
- Uau. – Disse Puck. – Que menina talentosa. – Disse o garoto com moicano, com certo sarcasmo.
- Ah, desculpa, mas eu detectei um sarcasmo vindo de você, senhor Noah? Tio Shue, será que eu posso mostrar o que sei e calar a boca desse babaca?
- Hoje não, Jessie, como disse, temos muito trabalho a fazer. – nisso, a morena estava indo sentar-se com os colegas, cabisbaixa, porém, Rachel não ficou calada:
- E quanto à regra de que todos tem que fazer testes para entrar no clube do coral, Sr. Shue? – Perguntou a morena. – Ela é isenta pra família?
- Não, Rachel. – Disse o mestre, virando-se e soltando o marcador que ia usar pra escrever a tarefa da semana no quadro branco. – Obrigada por me lembrar. Jessie, pode se apresentar.
- Ok, tio Will. Mas se, Rachel, você fez isso pra me desafiar e pensou que eu iria desistir se acha que eu disse isso só pra me “achar”, a senhora está muito enganada.
- Ela tem razão, Rach. – Disse Sr. Shuester, sentando-se ao lado da namorada do quarterback. – Eu não sou o único da família que tem talento. – Completou, dando de ombros, o que fez a garota ficar calada.
- Bom, primeiramente eu vou precisar da ajuda do meu amigo Blaine, pra NOSSA música, aquela da Evanescence que você mesmo me apresentou.
- É claro minha cara. – Todos riram baixinho. Blaine cantando Rock? Aquilo seria mais hilário do que pensavam.
-Ah, você também, como é seu nome mesmo, Quinn. Também vou precisar de você, pra fazer o coro junto comigo. Topa?
- Claro! – Respondeu a loira com entusiasmo. – Por que não. – Quinn e Blaine se levantaram e foram pra junto da garota, que contou à loira a música a ser cantada. Então, ela foi para o piano, e um solo sombrio começou... Um solo que Puck e Finn detectaram que era da música Bring me to live, da Evanescence.
O solo acabou e a garota se levantou, começando a cantar:
How can you see into my eyes like open doors?
Nisso, pegou uma guitarra e começou a cantar e tocar ao mesmo tempo.
Leading you down into my core
Where I've become so numb?
Without a soul, my spirit's sleeping somewhere cold
Until you find it there and lead it back home
Quinn a ajudava em um verso ou outro, suas vozes realmente combinavam, mas agora viria a parte em que o garoto de Kurt entraria.
(Wake me up)
Wake me up inside
(I can't wake up)
Wake me up inside
(Save me)
Call my name and save me from the dark
(Wake me up)
Bid my blood to run
(I can't wake up)
Before I come undone
(Save me)
Save me from the nothing I've become
Nesse momento, Puck percebeu que a garota falava sério e realmente ficou impressionado. Estava em transe. Rachel, idem. Ela estava sentindo uma atração sem sentido por aquela garota. Talvez fosse a pegada bad girl dela, juntamente com seu sotaque fofo. Rachel piscou e afastou aquele pensamento. Ela era HÉTERO Não podia sentir atração por garotas. Pelo menos, não por DUAS garotas ao mesmo tempo. Afinal, ela tinha Finn e ele era o amor de sua vida.
Now that I know what I'm without
You can't just leave me
Breathe into me and make me real
Bring me to life
(Wake me up)
Wake me up inside
(I can't wake up)
Wake me up inside
(Save me)
Call my name and save me from the dark
(Wake me up)
Bid my blood to run
(I can't wake up)
Before I come undone
(Save me)
Save me from the nothing I've become
Bring me to life
I've been living a lie
There's nothing inside
Bring me to life
Nesse momento, os garotos, particularmente Kurt, ficaram impressionados com Blaine. O garoto de olhos azuis ficou até com certo medo do namorado, por ele gritar daquele jeito. Eles realmente estavam falando sério quando disseram que eram roqueiros. Aparência não significava nada mesmo, quando as três pessoas mais fofas daquela sala começaram a cantar daquele jeito, eles formavam um belo trio. Quinn e Jessie cantaram juntas.
Frozen inside without your touch
Without your love, darling
Only you are the life among the dead
Finalmente a voz de Blaine apareceu com destaque quando começaram a cantar essa parte. A música nem havia chegado ao fim e todos já estavam boquiabertos, prontos para aplaudir. Eles não perceberam, mas, nesse instante, algumas meninas apareceram na porta da sala do coral.
All of this time
I can't believe I couldn't see
Kept in the dark, but you were there in front of me
I've been sleeping a thousand years, it seems
Got to open my eyes to everything
Without a thought, without a voice, without a soul
Don't let me die here
There must be something wrong
Bring me to life
As garotas que apareceram também ficaram impressionadas com o talento da menina, que, agora, havia largado a guitarra e se aprofundado nas expressões corporais.
(Wake me up)
Wake me up inside
(I can't wake up)
Wake me up inside
(Save me)
Call my name and save me from the dark
(Wake me up)
Bid my blood to run
(I can't wake up)
Before I come undone
(Save me)
Save me from the nothing I've become
Bring me to life
I've been living a lie
There's nothing inside
Bring me to life
Ela conseguiu segurar a nota final por bastante tempo, o que chamou a atenção de todos, que estavam paralisados. Até mesmo Blaine e Quinn estavam impressionados com o talento da garota. Eles a abraçaram.
- E então, senhores. – Disse a garota, respirando com dificuldade – Isso é “sentir” rock o bastante pra vocês? – Perguntou, com um sorrisinho sarcástico no rosto.
- Eu acho que falo por todos quando digo que estou sem palavras. – Disse Puck, que, pela primeira vez na vida, havia “falado pelo grupo” – Ela merece nossos aplausos, né pessoal?
A resposta foi positiva e todos a aplaudiram, até mesmo Kurt e Rachel. De certa forma, eles estavam felizes por tê-la ali, seria muito mais fácil vencer as Troubletones e os demais corais rivais com ela por perto.
- Ok, ok. – Disse Uma morena latina, Santana, interrompendo os aplausos de Jessie.
- O que vocês estão fazendo aqui? – Disse Sr. Shuester. – Isso é espionagem.
- Relaxa Sr. Shue. – Disse uma garota negra que Jessie identificou como Mercedes, uma das que tinham a desafiado no dia anterior, em sua primeira aula de matemática. – Não estamos aqui pra espionar. Nós só viemos aqui ver o motivo de nós não estarmos conseguindo ensaiar.
- Por que com certeza não era a Berry. Porque a voz é muito boa pra ser dela. – Disse Brittany, a namorada de Santana, o que fez Rachel ficar com uma cara azeda.
- Em falar na Berry. Céus, Jessie, agora que eu me toquei. Você é menor que ela. Como isso é possível? – Disse a latina, que já conhecia a morena há algum tempo, desde o dia em que se viram no parque.
- Ok. – Disse Rachel. – Chega de piadinhas comigo, Santana. E deem o fora daqui, espiãs.
- Fica tranquila Rach. – disse Jessie. – Pelo menos agora EU sou a mais baixa daqui. – Quando ela terminou, todos caíram na gargalhada, inclusive a própria Rachel.
- É eu gostei de você, garota. – Disse Santana. – Por acaso você gostaria de fazer parte das Troubletones? Porque aqui você não terá a chance de brilhar como deve ser. Falo por experiência própria.
- Santana tem razão. – Disse Mercedes. – A Rachel é a favorita do Sr. Shue.
- Não mais que a sobrinha dele. – Disse Jessie.
- Nossa, eu nem sabia que o Sr. Tinha sobrinha, mas tudo bem. Vejo você na aula de matemática. – Terminou Santana e todas as garotas saíram da sala do coral. Por algum motivo desconhecido, Santana não conseguiria, jamais, ser malvada com aquela doce roqueirinha.
- Ok, pessoal. – Disse Sr. Shue. – Agora que a apresentação já ocorreu e Jessie está dentro, vamos começar a ensaiar?
***
POV narrador.
No dia seguinte, na hora do intervalo, Rachel e Kurt puxaram Jessie para sentar-se com eles, isoladamente dos demais membros do New Directions, antes que ela pudesse entrar na sala dos professores.
- Nós queríamos lhe pedir desculpas. – Disse Rachel.
- É nós fomos dois idiotas com você. Ciumentos bobos. – Disse o garoto.
- É eu percebi o ciúme de vocês, principalmente o seu Kurt. – Disse a sobrinha de Will. – Eu os perdoo sim.
- Awnn – Disse Rachel. – Abraço? – Perguntou a morena, que nem precisou de resposta falada, pois, imediatamente os dois abriram os braços e os três se abraçaram e continuaram a conversar, até o sinal tocar. Rachel e Kurt tinham período livre, mas Jessie tinha que ir para a sala. E, os amigos a acompanharam. Tudo estava indo muito bem, até que um dos gorilas do time de Football; Azimio, um negro alto e ligeiramente acima do peso; empurrou Kurt e disse uma palavra ofensiva. Jessie não deixou barato, ela nunca deixava. Era isso o que seus colegas estavam prestes a descobrir.
- O que foi que você disse babaca? – Disse a garota, com raiva.
- Deixa Jessie, eu já estou acostumado... – Disse o garoto. – Aliás, nós estamos acostumados. É esse o tratamento que o clube do coral recebe por aqui e é melhor você se acostumar também.
- Não Kurt. Isso não está certo. – Disse Jessie e saiu atrás de Azimio. Virou-o e disse. – Ei, armário. – Disse ela, se referindo à altura e “peso” do garoto. – Eu estou falando com você!
- Olha o que temos aqui... – Disse o “armário” – Mais um vermezinho do Gay Club. Mas – Continuou, medindo Jessie com os olhos. – Pelo menos é uma vermezinha gostosa.
- Você tenha mais respeito pra falar comigo, rapaz. – Disse Jessie. – Aliás, comigo e com meus amigos ali. Eu quero que você peça desculpas ao Kurt por empurrá-lo e xingá-lo.
- Que xingamento? Está se referindo a quando eu o chamei de Bichinha? Mas eu só disse a verdade, minha linda.
- Olha cara. Deixa eu explicar melhor, já que a educação, pelo jeito, não funciona com você. Ou você pede desculpas pra ele, ou eu lhe obrigo a fazer isso. – Disse a baixinha, cerrando os punhos.
- Deixa quieto, Jessie. – Disse Kurt, ficando entre ela e Azimio. – Vá para sua sala, antes que tome uma advertência no segundo dia de aula.
- É a sua amiguinha tem razão, vá para sua sala que você ganha mais. – Ele disse, e saiu, empurrando Kurt novamente, o que fez Jessie ficar vermelha de raiva. Dessa vez ela não se aguentou e foi para cima dele.
- Ei, panaca. – Gritou a garota. – Por que você não vai brigar com alguém que pode se defender? – Disse, dando um soco na cara do garoto, que ficou atordoado com a pancada e apenas saiu do caminho, com a mão no olho machucado.
- Isso vai ter volta. – Disse, indo para sua sala. Todos no corredor cochicharam sobre o que havia acontecido. Alguns pasmos, inclusive Rachel e Kurt, que estavam boquiabertos com a atitude da pequena.
- Que foi? É isso que dá mexer com os amigos de uma garota que luta desde os 9 anos. – Completou a menina, fazendo os amigos rirem, e foi para sua sala.
***
POV narrador.
Estava na hora d aula do coral. Todos estavam na sala, inclusive Jessie, esperando a chegada do mestre. Quando ele chegou, todos começaram a contar sobre o ato de heroísmo de sua sobrinha e a aplaudiram.
- Droga. – Disse Sr. Shue. – Eu me esqueci de pegar as partituras.
- Deixa que eu vou, tio Will. – Se ofereceu a sobrinha. – Modéstia a parte, eu sou bem mais rápida que o senhor. – O tio fez uma cara feia e todos riram. Ele lhe entregou a chave do carro e ela se foi, enquanto Shuester escrevia algumas músicas na lousa.
Jessie foi correndo como havia prometido e entrou no carro do tio. Enquanto isso, alguns caras se aproximaram dela, que nem havia percebido a presença deles. Ela saiu do carro e eles a seguiram, até que ela percebeu que estava encurralada. Azimio, o cara em que ela havia batido mais cedo, ainda estava com o olho roxo. Ele, que liderava o grupo, disse:
- Eu falei que ia ter volta, gostosa.
Jessie não pôde ver mais nada, se não uns quatro caras vindo pra cima dela. Eles a derrubaram e acertaram os golpes principalmente na região dos olhos e nos lados da cabeça. Jessie estava sangrando muito, até que o “chefe do bando”, Azimio, gritou:
- Já chega pessoal. Isso é pra você aprender a nunca mais mexer com quem está no topo da pirâmide. – Terminou, cuspindo na garota e ele e seu bando se foram, rindo dela. Jessie abria os olhos, mas só conseguia enxergar sombras. Não encontrou forças para se levantar e ficou ali, deitada, se perguntando em pensamento: “Será que isso pode ficar pior?”. De repente, começou a chover. E a garota ficou ali, sangrando e quase inconsciente, debaixo daquela chuva de novembro.
Fale com o autor