Meu nome é Ayano Maki Tsuoko e eu tenho 16 anos. Adoro animais, comida e terceiro, sou muito tímida. Não gosto de fazer amizades em novos lugares pois sempre vou deixa-los. Ou melhor, vou deixar um pedaço de mim, e isso é horrível. Então, não farei mais amizades até completar 18 anos, pois quando fizer esta idade não irei mais depender de meu pai. Ele é policial militar, então por conta disso, a cada um ano tem que se mudar para uma nova cidade. Estranho, não? Mas não posso fazer nada a respeito.

Hoje é meu primeiro dia na escola Maguni, e vou ficar na sala 304. Já imagino como é... deve ser um terror total! Mas são apenas adolescentes descobrindo novas coisas. Devo ser compreensiva com eles e não colocar três borrachas em suas gargantas (não me pergunte como aconteceu, foi apenas uma briga).

— Maki! Seu café está pronto, desça!

— Já estou indo mamãe, só espere eu colocar meu uniforme!

Na verdade ainda estou na cama, com vontade de sumir. Mas não posso ser uma decepção da família mais uma vez; então, vou para meu banheiro e vejo meu uniforme em cima da privada com aroma de cereja. Minha mãe é incrível. Passo a mão nele e percebo que é muito macio comparado ao da minha escola antiga. Ele é vermelho e preto, minhas duas cores favoritas no mundo!

Logo depois penteio meus cabelos negros em duas partes, amarrando-os para trás com lacinhos vermelhos. Escovo meus dentes porque tenho mal hálito de manhã, infelizmente. E agora, estou pronta!

— Filha, já se trocou?! — minha mãe entra no quarto e vê uma bagunça na minha cama, logo correndo lá e arrumando — Tem que ser mais organizada senhorita Ayano Maki!

— Deixa mãe, eu arrumo quando chegar da escola.

— Está tudo bem filha. Desça e tome seu café... seu pai quer falar contigo.

De repente, quando minha mãe diz isso meu corpo arrepia. Conversar comigo? Conversar sobre o que? Ele vai brigar comigo? Pelo o que? O que eu fiz?

Desço devagar as escadas e consigo ver o meu pai com um jornal na mão e um café. Meu coração acelera mas prossigo. Após me sentar na mesa, pego meu pão e começo a prepara-lo; mas meu pai nem nota minha presença.

— Mamãe disse que o senhor quer conversar comigo... — meu pai abaixa o jornal e me oferece seu café — Obrigada, dispenso.

— Maki, pegue um pouco de café ou ficará com sono na sala de aula. — ele me olha com uma expressão séria e fria.

— Pai, é sério, eu não quero.

— Está bem, está bem. O que queria falar com você é o seguinte... comprei uma bicicleta para você ir a escola... é perigoso ir apé. Está no quintal.

Depois disso, me levanto rapidamente e me dirijo ao quintal.

— Filha... — meu pai segura meu braço com força — apenas... se cuida. Tudo bem?

Não entendi o porque, mas concordo com a cabeça e logo ele me soltou. Corri para o quintal e vi minha bicicleta. Ela era linda! Totalmente vermelha com o banco e as rodas pretas. A arrumei para quando sair para escola e vi meu pai e minha mãe conversando na cozinha. Eles fazem muitos gestos com as mãos e por linguagem labial dá para ver que estavam se xingando. "Seu lixo", "Eu te odeio", "Você arruinou tudo"; isso é a minha mãe ... "Maldita", "Eu não te amo". Não aguentei e entrei correndo.

— Eu quero o divórcio! — minha mãe gritou estupidamente alto e quando viu que estava lá, atordoada com a situação, tapou sua boca com as suas mãos.

Foi devastador ouvir, logo no começo do dia. E pra piorar, eu não sabia o motivo da briga. Subo para o meu quarto correndo, desviando dos dois. Chegando lá, tranco minha porta e vejo minha cama organizada e as roupas dobradas. Ignoro e pego minha mochila.

— Não é nada, ok? Foi apenas um briga comum de casal... espero que não fique triste.

Destranco minha porta e não olho para o rosto do meu pai. Desço as escadas e já evito minha mãe, indo em direção a minha bicicleta. Subo em cima dela e da minha mochila, pego o meu celular e ligo o GPS. Destino: Escola Maguni. Pedalo rápido para chegar lá o quanto antes. No caminho, três garotas, provavelmente as "abelhas rainhas da escola". As três estavam com os cabelos muito bem penteados e sedosos, além de brilharem bastante. Passei por elas e ouvi várias risadinhas. Me senti desconfortável e pedalei mais rápido. No caminho vejo um garoto tentando arrumar uma bicicleta... partida ao meio

— Tudo bem? — me aproximo e olho mais de perto.

— Minha bicicleta quebrou, acha que vai estar tudo bem? — ele respondeu grosseiramente comigo e nem me olhou nos olhos, mas o compreendi. A bicicleta não tinha concerto e faltava 15 minutos para o sino da escola bater e o portão fechar. Se ele for apé, vai se atrasar.

— Consegue carregar duas pessoas? — pergunto gentilmente.

— Como assim? — ele vira a cabeça para trás e olha nos meus olhos com expressão séria, igual meu pai.

— Carregar nós... — após perceber o quão estúpida era a pergunta, fico quieta.

— Não vou deixar minha bicicleta aqui, muito obrigada. Vá para a escola.

— Você vai se atrasar

— É, eu sei. Obrigada, mas eu dispenso.

Respiro fundo e pego meu celular para conversar com meu pai.

— Alô, filha? Aconteceu alguma coisa? Está ferida?!

— Não pai, nada disso. Um garoto quebrou a bicicleta dele, tem como você pega-la aqui e arrumar, por favor?

— É seu amigo ou namorado?!

— Pai! É apenas um estudante da minha escola. Você pode fazer isso ou não?

— Ok.. me mande uma localização.

— Obrigada pai!

— Filha, preciso lhe cont...

Desliguei o telefone antes que ele pudesse dizer algo pois pressentia que era sobre a briga de hoje cedo e isso, eu quero esquecer. Logo após mando a localização do local e ele visualiza, respondendo "estou a caminho, cuide-se e não deixe que este colega faça algo contigo. Bons estudos querida".

— Garota, eu não preciso de ajuda! — Ele disse e logo virou seu rosto para me olhar e então, vi que ele era diferente... tinha cabelos brancos um pouco grandes, que ficavam no seu olho. Aaah! Ele tem um olho vermelho e um dourado, que com o brilho do sol fica incrível.

— Eu só fiz um favor... — parei pois não sabia o nome do garoto.

— Kaled. Kaled Akabane.

— Prazer, Kaled. Eu sou Maki, Ayano Maki. Mas me chame apenas de Maki — estico minha mão para cumprimenta-lo.

— Não perguntei seu nome — ele diz frio.

Fico triste, mas o mesmo tempo furiosa. Acabei de ajudar e ele me responde assim, grosseiramente. Não vou deixar barato!

—Ei! Dá pra parar de ser tão grosso?! Eu só queria ajudar, seu... seu... seu ignorante! — a cada palavra falo mais alto, me tornando o centro das atenções. Fiquei toda vermelha com um a situação vergonhosa que me coloquei.

—Hahahaha! — o garoto ri — Você fica adorável irritada. Eu aceito te levar na escola, só me deixe fazer algo antes — ele se levanta e da sua bolsa tira uma corrente de ferro e um cadeado, junto de uma chave. Ele deixa a bolsa em meus pés e vai perto de uma árvore prender sua bicicleta com o que pegou. Depois de prender ele deixou a chave debaixo do pneu traseiro e veio até mim... a diferença de tamanho entre nós era notável! — Diga ao seu pai onde coloquei a chave.

— Cla-claro... — com uma mão, eu seguro na bicicleta e com uma outra, digito para meu pai onde está a chave.

Eu me sento no ferro da bicicleta e ele no banco. Chegamos rapidamente na escola, e lá, Kaled se despediu de mim com um tapa na cabeça. Mesmo assim fiquei muito feliz pois ele sorriu para mim, e aah.. ele tem um sorriso lindo. Ei! Eu não estou me apaixonando por alguém que conheci hoje... né? Argh! Esse ano vai ser complicado.