Destinos Ligados

2 3.02 - Fantasmas


Notas iniciais
Artie reaparece. Rachel e Kurt conversam e se confortam. Kitty toma a missão de cumprir a promessa que fez a Puck e ajudar o pequeno Puckerman. Blaine volta a Lima para ajudar Mr. Shue e já tem um pequeno conflito para resolver.

Tina e Blaine ficaram extremamente surpresos com a presença do amigo ali. Artie havia se formado, assim como eles. O jovem rapaz conseguiu vaga em uma faculdade em algum curso de cinema. Desde então, nunca mais apareceu. Eles sabiam que o amigo cadeirante estava em Nova Iorque, em algum lugar, só não sabiam onde. Eles acharam melhor sair dali, foram todos para a casa de Tina.

Era dolorido para Blaine, pois lá ele passou muitos momentos especiais ao lado do amigo grande que havia partido. Contudo, era melhor para Artie ir até uma casa do que subir os degraus do prédio de Blaine até o apartamento do solista.

Eles chegaram. Blaine ajudou Artie a entrar, em seguida posicionou sua cadeira ao lado de um sofá e sentou ao lado de Tina, que já estava lá.

– Então, por onde andou? Como está? Por que sumiu? – Perguntou Tina, quase que sem respirar em um bombardeio de questionamentos.

– Calma, calma... – Disse o rapaz – Respire, antes de mais nada. – Foi o que ela fez, ver o velho amigo depois de tanto tempo deixou-a meio exaltada – Bem... Começando a te responder, vamos lá. Eu estive aqui por Nova Iorque, sempre estive, na verdade. Estou bem, mas abalado. – Falou triste, baixando a cabeça – Ele me ajudou muito, sabe? Finn sempre lutou por nós no Glee. Não tê-lo aqui mais é devastador. – Artie suspirou – Quero um dia poder agradecer mais por tudo que ele me fez. E sobre meu sumiço... Prefiro não falar. – Disse misteriosamente – É melhor festejarmos minha volta, não? – Brincou. Ele sorriu para quebrar o clima pesado que pairava ali. Tina riu e Blaine forçou um riso singelo.

A verdade é que B. não se sentia bem ali. O fantasma do amigo parecia perseguir o solista em cada olhar que ele dava pelos cantos da casa. Ele olhou em direção ao quarto onde dormia com Finn, quis chorar, mas segurou-se. Artie viu como o solista estava, então pensou em Rachel.

– Ela não deve estar nada bem, não é? – Comentou com um semblante triste – Acabou de casar e já perdeu o marido... Deve ser o fim do mundo para Rachel.

– Tem mais... – Disse Tina, ele a olhou surpreso – Ela ainda está grávida. – Disse. Se Artie pudesse movimentar as pernas, ele teria dado um pulo daquela cadeira naquele momento. – Não sei de onde ela conseguirá forças para suportar tudo isso...

– Fiz bem em não ir lá hoje então. Ela deve estar muito abatida ainda.

– Isso é bem curioso. – Blaine se introduziu na conversa – Ela não parecia tão mal... Sabe, ela até parece fortalecida. Cantou hoje e deu provas de que vai superar tudo muito bem. – Ele suspirou – Rachel é uma lutadora realmente. Se fosse eu, já teria desmoronado. – Disse o solista, por fim.

No lar Hummel-Berry, Rachel arrumava algumas coisas. Roupas e objetos pessoais do marido. Ela pegava cada peça com carinho e embalava em caixas. Na mesinha de cabeceira havia um porta-retratos com uma foto dos dois. Ela o pegou. Na foto, Finn a beijava na bochecha enquanto a garota sorria para a câmera. Rachel se pegou pensando naquele dia e sorriu. Depois levou a mão a barriga e acariciou. Finn não havia partido totalmente, uma parte dele permanecia ali e dentro dela. Ele havia a dado tudo que uma mulher precisava para ser feliz: amor, momentos bons para relembrar e um filho. Colocou o objeto de novo no lugar e sentou-se. A porta bateu.

– Pode entrar. – Disse e logo Kurt surgiu. Ela sorriu e bateu com a palma da mão ao seu lado, pedindo que ele sentasse ali.

O rapaz caminhou até lá e sentou-se. Ela sorriu para ele, Kurt viu a foto na mesinha, depois olhou para amiga. Não sabia por que ela estava tão forte. Rachel não sabia, mas durante os quatro primeiros dias que ela permaneceu internada e sedada, o irmão de Finn não falava com ninguém e mal se alimentava. Sua única ação era chorar. Os outros já estavam muito preocupados com ele. Mas, no fim do quarto dia, ele voltou ao normal.

Kurt não aguentou, as lágrimas começaram a descer. Rachel o abraçou forte, em seguida o amigo deitou a cabeça em seu colo.

– O que te conforta tanto? – Perguntou curioso – Por que é tão forte, não entendo? Você que deveria chorar em meus braços. – Disse o Hummel.

Ela olhou para o alto, fazendo referência ao céu, visto por muitos como o lugar que as pessoas vão ao morrer. Suspirou e olhou para o amigo chorando em seu colo.

– Kurt, eu sonhei com Finn quando estava naquele quarto de hospital. – Disse ela.

– Sonhou? – Ele levantou-se e sentou ao seu lado, depois limpou o rosto – Como assim?

– Nós estávamos nas montanhas. Era tão real... – Disse calmamente – Finn até brilhou certa vez. Passamos um dia inteiro juntos. Foi lindo. – Disse com uma lágrima no olho – Ele me fez prometer que seria forte. Só estou cumprindo o que disse que faria.

– Então você retira forças dele mesmo. – Kurt olhou para a amiga, orgulhoso. Ela não parecia gente. Como alguém podia passar por tudo aquilo e ainda estar buscando forças para amparar outro?

– Sim. Exatamente. – Respondeu sorrindo – Sei que ele, de onde está, me ajudou de alguma forma. Aquele sonho era muito real para ser simplesmente um sonho. E você deve fazer o mesmo! Pense que ele não ia querer vê-lo assim. – Ela pousou a mão sobre a dele e segurou – Você era o irmão que ele tanto amava.

– Eu vou tentar, eu prometo. – Disse e a abraçou novamente. Com muito mais força. Soltou-a e fechou os olhos. Imaginou Finn. Ele, com certeza, o repreenderia se o visse daquele modo.

– Quero falar sobre outra coisa, Kurt. – Rachel levantou-se – Já que está aqui, preciso saber de algo.

– Pode perguntar. – Kurt também levantou.

– Eu sei que liga para o Adam, ou, pelo menos, ligava antes do acidente. Eu vi, assim que chegou, a passagem aérea com o número do telefone dele. Vocês se falam... Quero que me conte a verdade. O que realmente ocorreu naquele dia?

Kurt sentou-se de novo. Aquilo foi demais. Ele não imaginava que Rachel sabia. O fato é que ele conversava sempre com Adam, mas sempre se escondia. O rapaz se trancava no quarto ou ia para a rua. Não sabia como ela poderia saber. O irmão de Finn tinha um pouco de vergonha por aquilo, afinal, Adam havia aprontado muito com ele. Mas Kurt o amava, não podia mais negar.

– Eu o amo. – Disse a Rachel – Naquele dia, Rach, eu o deixei escapar. Não lembro bem da cena... – Disse ele confuso, alguns flash’s passavam por sua cabeça – Sei que Puck estava furioso, ia arrombar a porta. – Kurt suspirou – Eu sempre o amei, eu percebi. Não podia deixa-lo ser preso. – Disse em meio a muita vergonha.

– Mesmo depois de tudo...? – Perguntou a amiga.

– Sim. Mesmo depois de tudo. Eu o amo. E tenho planos com ele. – Completou o rapaz.

– Tudo bem, meu amigo. Eu não te julgo. Só espero que saiba o que está fazendo e que não se machuque mais, por favor.

Ele sorriu para ela. Rachel se preocupava muito com Kurt. Agora, sem Finn, só tinha basicamente ela de família ali naquela imensa cidade. O rapaz levantou-se e abraçou a amiga.

– Obrigado. – Disse em meio ao gesto de carinho.

– Por nada – Ela respondeu, sorrindo. – Ajuda-me arrumar isso? – Perguntou – Eu quero doar as roupas e alguns outros pertences. Sei que ele ficará feliz com essa ação. – Kurt assentiu com a cabeça e eles foram.

Em Ohio, Jake Puckerman estava no auditório do Mckinley High quando Kitty chegou e se deparou com o colega lá. Ele estava sentando, pensativo. Parecia muito distante. A loira aproximou-se mais como quem não queria nada. Pensou que talvez ele estivesse precisando conversar com alguém, precisando de um ombro amigo. Quando chegou mais perto, Kitty viu que Jake estava chorando e olhando para o celular. Ela ficou pasma. A princípio congelou, ficou sem ação. O Puckerman começou a se mover, ela rapidamente correu silenciosamente para detrás de uma cortina.

O rapaz levantou-se e fechou os olhos. Então começou a cantar.

You sent a text

It's like the wind changed your mind

We were best friends

Yeah, we were burning our lives

With every kiss, and every letter

Every promise of forever, oh

But you hit send

And disappeared in front of my eyes

And now you're just a ghost

When I look back never would have known that

You could be so cold

Like a stranger vanish like a vapor

There's just an echo where your heart used to be

Now I see it clearly

And there's just a pillow where your head used to sleep

My vision's 20 20

I see through you now

Something is tight

Now that I have made up my mind

I'll be alright

It doesn't harm me at night

'Cause every gift and every letter

Every promise of forever

Now, it's out of sight

Like you were never alive

And now you're just a ghost

When I look back never would known that

You could be so cold

Like a stranger vanish like a vapor

There's just an echo where your heart used to be

Now I see it clearly

And there's just a pillow where your head used to sleep

My vision's 20 20

I see through you now

Now, now, now, now

So rest in peace

I see you on the other side

And now you're just a ghost

When I look back never would have known that

You could be so cold

Like a stranger vanish like a vapor

There's just an echo where your heart used to be

Now I see it clearly

And there's just a pillow where your head used to sleep

My vision's 20 20

I see through you now

Now, now, now, now

I see through you now

Now, now, now, now

I see through you now

Não havia instrumentos ali, então, em sua cabeça, o jovem Puckerman imaginou-se cantando uma versão acústica daquela canção. Ele cantou lentamente e com o coração. Lágrimas desceram durante a canção e ele sofreu ao exprimir cada palavra. Quando acabou, começou a limpar o rosto. Jake ouviu um barulho, algo bateu. Ele olhou para trás e lá estava Kitty.

A loira aproximou-se, um pouco emocionada, mas não deixou que o amigo percebe-se isso. Ela entedia tudo. Jake sentou ali para pensar na vida e em tudo que havia acontecido com ele. Foi no celular e encontrou a mensagem. – A mensagem que Marley o mandou quando decidiu que tudo acabou – Pensou Kitty, balançou a cabeça e suspirou. Prometeu a Puck que cuidaria disso e faria. Contudo, era muito difícil para a loira lidar com algo que ela não tinha experiência. Lidar com o amor.

– Ela é realmente só um fantasma agora? – Perguntou a loira ao posicionar-se ao lado do amigo.

Jake a olhou meio irritado.

– Há quanto tempo está aqui? – Retrucou.

– Há tempo suficiente para perceber o quanto está sofrendo. –Respondeu a loira e sentou-se a beira do palco – Venha, senta comigo. Vamos conversar. – Pediu e ele sentou-se ao seu lado.

Por um tempo, o jovem Puckerman ficou calado ali, ao lado de Kitty. Ela também não sabia como começar o diálogo. Estavam ambos perdidos em meio aquele assunto.

– Sabe, tentei de tudo. Eu virei garanhão, tentei ser “bad boy”, ameacei mata-la... Mas foi tudo em vão. Prometi que iria deixa-la e somente lembrar-me das coisas boas que esse amor me propiciou. Mas não consigo... – Ele socou o chão e baixou a cabeça – É muito difícil lidar com um fantasma que está todos os dias aqui! Ao meu lado! – Esbravejou.

Kitty levou à mão a cabeça do amigo e acariciou. Depois encontrou a cabeça em seu ombro. Jake corou, mas sabia que a amiga estava querendo apenas te ajudar. Kitty talvez fosse a única a tentar fazer isso. Desde que saiu do Glee, todos se afastaram dele, exceto ela. Sempre ao seu lado, sempre estendendo a mão. Os motivos, ele não sabia. Talvez por ela ter aprendido com a vida, tanto quanto ele estava aprendendo agora; ou talvez por ela querer algo em troca. Para a loira, só havia um motivo, a promessa que havia feito a Puck.

Kitty suspirou, depois tirou a cabeça dali. Ela olhou para o horizonte. Não queria encarar o amigo, pois tinha a impressão de que ele ainda chorava.

– Sabe, Jake. Eu não entendo bem das coisas quando se trata de amor. A verdade é que... Eu... Eu nunca me apaixonei de verdade por ninguém. – Falou meio envergonhada – Nunca senti algo intenso por sequer um homem em minha vida. E acho que nenhuma outra pessoa sentiu isso por mim. – Ela pensou em sua família e no desgosto que a causou. A loira imaginou que nem os pais a amavam – A Marley já está em outra, cara. Ela está bem. Eu não tenho como te ajudar a recuperá-la. A única forma de te ajudar e te colocando para cima. E eu sei como! – Disse ela. Depois olhou para Jake, ele a encarava feliz. Seu apoio era muito importante.

– Então me diz, pois realmente preciso sair dessa. Preciso me animar. – Falou ele, um pouco mais alegre.

– Tudo bem. – Ela levantou-se e olhou para o amigo sorrindo – Eu estou disposta a te ajudar, mas se você estiver disposto a receber ajuda. Primeiro, me dá seu celular. – Disse estendendo a mão.

– Meu... Celular...? Mas para quê?

– Você sabe para quê. Dá-me logo, vai! – Respondeu Kitty e ele entregou, mas um pouco apreensivo. A loira encontrou a mensagem de Marley “Acabou. Chega. Seu amor só me faz mal, sempre me fez mal. Estou vivendo uma nova vida e você não cabe nela. Não me procura mais, por favor. Estou mudando meu número. Adeus, Jake Puckerman.”. Foi no dia que a loira contou coisas de seu passado a doce garota que isso tudo aconteceu. Ela estava na cantina diante de Marley quando ela mandou esse sms e não imaginava que fosse causar tanta dor. Ela a apagou – Pronto. Agora, segundo passo. Amanhã vá ao Glee Club. Você vai voltar para lá. Vai ficar rodeado de amigos. Só assim vai conseguir superar tudo.

– Mas vou ficar ao lado dela também... Isso é bom? – Perguntou confuso.

– Você a vê todo dia na escola. Um choque de realidade é bom. Vê-la ao lado do Ryder vai ajuda-lo a assimilar tudo. – Respondeu a loira – Por fim, só uma resta coisa... – Falou em um tom de mistério.

– Hum... O quê? – Perguntou ele rindo. Kitty o olhava fazendo com um risinho no canto da boca. Era uma cena engraçada.

– Vamos para uma casa de shows que abriu há pouco aqui. Precisa se divertir. Isso vai ajudar. E também precisamos nos conhecer melhor. – A loira planejava se abrir para o rapaz. E queria que ele se abrisse para ela também. Precisavam se aproximar ao máximo para pode ajuda-lo. Pelo menos, era assim que Kitty pensava – E também ficar com pessoas novas, o que acha? – Perguntou rindo. – Vamos ver quem pega mais!

– Opa! É para já! – Exclamou o rapaz que gargalhava junto da amiga – Kitty piranha “mode on”! – Brincou ele.

– Está vendo? Você só precisa de quem te faça sorrir. Gosto de você assim! Feliz e sorrindo. – Falou a loira.

Jake então se deu conta que ele realmente estava ali, rindo a toa e falando em ficar com outras pessoas. Talvez fosse realmente a hora de colocar uma pedra no passado e enterrar de vez esses fantasmas.

– Fechado. – Disse o rapaz – Amanhã eu tento voltar ao Glee. Depois, saímos! Será um belo recomeço. – Disse ele.

Em seguida, os dois saíram dali. Foram planejar tudo. Pareciam bem entusiasmados com seus planos.

O dia acabou e a noite chegou. Sam lia um livro em uma poltrona na sala de sua casa. Ele parecia bem satisfeito e concentrado na leitura. De vez em quando, exprimia um sorriso em seus enormes lábios de salamandra. Parecia ser um belo drama cheio de histórias de amor. Com certeza, ele se lembrava de Blaine naquele exato momento. A campainha tocou. Ele pousou o livro no colo e olhou para o relógio. Já era tarde da noite. Seus pais, como sempre, não viriam para casa, pois estavam na cidade onde trabalhavam. O loiro levantou-se e caminhou até a porta para ver quem seria o louco que bateria em sua porta a essa hora da noite. Ele abriu e gostou do que viu.

– B.! – Abraçou-o forte. Enterrou o rosto em seu pescoço e beijou-o inúmeras vezes – Você não me avisou que vinha! – Blaine riu – Venha, entre!

Blaine entrou. Sam o agarrou de novo e o encheu de beijos molhados e demorados na boca. O solista parecia já perder o fôlego quando o loiro cessou e decidiu começar as perguntas.

– Agora é sério, por que não me avisou? — Perguntou, mas com nenhuma seriedade. Ele olhava para o noivo, que ria com a reação do bocudo, que ria junto. Sam estava totalmente abobalhado com aquilo. Blaine não se continha – Para de rir! Viado! – Ele ria junto.

– Suas reações a coisas inusitadas sempre são hilárias. – B. sentou-se, Sam sentou ao seu lado. – Então, foi o Mr. Shue. Ele me chamou para ajudar nas Nacionais, eu te contei, não lembra? Ah, e eu não tenho mais aula! Férias! – Exclamou o solista. – Agora só volto a Nova Iorque ao seu lado. – Blaine sorriu e beijou o noivo no nariz.

Sam não conteve a alegria. Ter B. ali, ao seu lado, até o fim do ano, ia ser mais que incrível, ia ser suas férias perfeitas. Últimos meses em Lima ao lado da pessoa que ele amava.

O loiro o agarrou de tascou um beijo forte, depois o jogou no sofá. B. soltou um grunhido. Sam estava não só com saudades do cara que ele amava, mas também sedente por algo que só Blaine poderia dar a ele... Sexo.

– É melhor parar, bocudo... – Disse B. o afastando enquanto o loiro beijava-o incessantemente.

– Mas por quê? – Indagou Sam sem entender – Você está aqui... Eu também... Então nós poderíamos... – Disse o loiro, com um sorriso sacana.

Blaine riu e o empurrou. Depois levantou e se recompôs.

– Hoje não. – Falou, por fim. – Preciso ir ver minha família.

Sam fez uma cara de quem não havia gostado do que ouviu. B. riu, mas não deu importância a aquilo.

– Amanhã... – Disse o solista se aproximando – Prometo ser inteiramente seu... – Falou sussurrando ao ouvido do noivo.

Sam sentiu o pau tomar vida e enrijecer. Ele ficava duro só com o jeito que B. falava. Blaine percebeu e não se aguentou, novamente. Ele caiu na gargalhada.

– Vejo que está, realmente, necessitado. Amanhã teremos uma noite intensa...

– Sim. Você vai ter trabalho! – Disse o loiro. – Amanhã no Glee eu te vejo, não é? – Perguntou.

– Amanhã, e depois... E depois... Até as Nacionais, pelo menos.

Eles conversaram mais um pouco, até que deu a hora do solista e ele precisou ir. Blaine havia chegado e ido direto à casa de Sam. Sua família não sabia que ele estava em Lima. Seria outra surpresa. No outro dia seria a vez de Marley e dos outros amigos. Ele mal podia esperar. B. beijou o noivo pela última vez naquela noite e saiu.

Era manhã quando Blaine chegou ao Mckinley. Aqueles corredores, aquela escola, aquele ambiente... Era tudo tão nostálgico. Ele lembrou-se da última vez que esteve ali, também para ajudar o ND. Mr. Shue e companhia haviam ganhado, mas eram apenas as Seletivas. B. esperava ter a mesma sorte com as nacionais.

Ele passou a manhã revendo antigos amigos. Depois da aula procurou por Sam, mas não o encontrou. Blaine decidiu dirigir-se a sala de coral, tinha certeza que o encontraria lá. Ao aproximar-se, ouviu algumas vozes exaltadas.

– O trato era só o Jake! Eu não aceito-a! Não ela! Vocês são loucos? – Berrava Kitty.

– Você tem mania de julgar a todos por maus, só porque você era assim, Kitty. – Dizia Mr. Shue – Por que não dar uma chance a Bree? – Ele questionou – Ela se mostrou capaz. Pode nos ajudar a vencer!

Blaine entrou. Bree estava sentada em umas das cadeiras da sala. Ele não a conhecia pessoalmente, só de ouvir falar. A morena tinha cara de entediada com a discussão.

O fato é que Bree, depois de arrepender-se, veio até a sala do Glee e pediu a Mr. Shue para se juntar ao coral. Queria, de certa forma, se retratar por tudo que havia feito. Essa retratação seria a taça de campeão que a moça os ajudaria a trazer para o McKinley.

Só que, Kitty, naquele mesmo dia, havia trazido Jake à sala. Ela queria que o Puckerman entrasse no Glee também. Era uma das etapas para que ele melhorasse. Mas a loira não confiava em Bree. Vê-la assim deixou-a louca. Depois que Kitty soube o que ela queria, ela perdeu a razão. Partiu para cima da líder de torcida e quase a arranhou toda, se Jake não tivesse a tirado a tampo.

Mr. Shue não sabia o que fazer. Eles precisavam vencer. Ou isso, ou Sue acabaria com ele. Toda ajuda era bem-vinda. Mas Kitty era irredutível. O professor viu Blaine a porta e sorriu.

– Blaine! – Disse. O solista entrou e abraçou o velho amigo – Então, você estava ouvindo o ocorrido aqui? – Perguntou referindo-a ao impasse com a loira.

– Sim, sim. – Respondeu B., meio sem jeito e procurando Sam pela sala. Ele o encontrou sentando em um canto ao lado de Marley e Ryder. Sorriu para o noivo. Depois se voltou para Will – Como vai resolver?

– Não sei... Você tem alguma ideia? – Perguntou o professor aflito. Blaine fez que não com a cabeça. Na verdade, ele não queria se meter em assuntos internos do coral.

– Ele não tem, mas eu tenho. – Disse Bree, levantando-se – Quero um uma audição.

– Mas você ganharia o direito de entrar. – Falou Kitty com os olhos fumegando de raiva – Todos sabem do seu potencial aqui.

– Então um duelo. – Disse Bree a enfrentando com os olhos – Se eu vencer, você fica calada e se tranca para sempre!

Blaine e Will trocaram olhares, confusos. Mas talvez essa fosse a melhor forma de resolver o problema e pôr um fim nessa rixa entre duas. A melhor maneira de fazer os fantasmas do passado, que ainda perambulavam por ali, evaporarem.

Notas finais
Músicas: Ghost - Katy Perry É isso! Ainda essa semana tem mais.