Destinos Inseparáveis
8 Terror
Notas iniciais
POV LUCY:
Acordei num quarto diferente do habitual. Ah, pois, dormi no quarto dele... Mas eu estava no sofá! Provavelmente o Ryan trouxe-me para o quarto quando adormeci. E por falar nele, ali estava ele ao meu lado, abraçado a mim, a observar-me... Espera, o quê?!
–Bom dia.- disse ele a sorrir.
–Larga-me!- Eu tentei soltar-me, mas ele puxou-me para mais perto ainda.
–Só te deixo sair quando disseres que me perdoas...
–Estás a gozar? Achas que é assim? Que eu te vou perdoar de um dia para o outro? Desde pequena que tornaste a minha vida num inferno! E agora queres que esqueça tudo, para depois me fazeres tudo isso outra vez! Como é que é suposto eu te perdoar assim do nada?
–Calma...- encostou a minha cabeça no seu ombro- Não vou ser mais esse idiota. A partir de agora serei o teu protetor. Aceitas?
Não respondi. Simplesmente me virei para o outro lado.
–Por favor, diz que me perdoas.
–Se não me deixares sair vou desmaiar de fome...
–Perdoas-me?
–Sabes, não será a primeira vez que desmaio de fome, mas desta vez a culpa será tua...
–Não acreditas que eu posso mudar?
–Durante a minha vida sempre fui magoada pelas pessoas, de uma maneira ou de outra. Sempre vivi com isso, como queres que mude de opinião?
–Só quero mais uma chance, por favor...- ele disse aquilo a fazer beicinho, e eu comecei a rir.
–Oh, está bem. Mas só porque estou cheia de fome.
–Yaaaay!- gritou ele a sorrir, deu-me um beijo na bochecha e levantou-se.- Sabia que ias mudar de ideias.- Disse e piscou-me o olho.
–Não sabias não...
–Ia começar a fazer-te cócegas.
–Não tenho cócegas...- obviamente eu estava a mentir.
–De certeza?
–Certeza absoluta.- começou a aproximar-se com um risinho "maléfico"- O que vais fazer?
–Adivinha!- e começou a fazer-me cócegas na barriga (o meu ponto fraco das cócegas), e eu desatei a rir, caí no chão e ele continuou.
Comecei a chorar de riso, e ele parou.
–Se implorares, eu paro!
–Nunca!- "Gritei" e rebolei (o melhor que consegui com a perna assim...), conseguindo ficar em cima dele, e comecei a fazer-lhe cócegas.
–Olha! O feitiço virou-se contra o feiticeiro!- disse eu a rir- Não devias estar na escola?
–Hmm... Não vou.
Continuei a fazer-lhe cócegas até que alguém entrou no quarto.
–Afinal... não é assim tão difícil de "aturar", pois não?- perguntou a mãe dele, fazendo gestos de aspas com as mãos.
–Não, ainda é pior!- respondi a sorrir.
–Trouxe as tuas coisas do hospital.
–Oh! Muito obrigada!
Levantei-me e fui-me vestir, com muita dificuldade... Desci, despedi-me da Sra. Smith e fui embora, enquanto ele estava a tomar banho.
Atravessei a estrada com cuidado, e entrei em minha casa.
–Ah! Finalmente! Lar doce lar...- falei para mim mesma.
Empurrei a porta e subi para o meu quarto. A minha cama, na qual eu me deitei, era encostada à janela, que, curiosamente, tem vista para o quarto do Ryan... Vi-o a olhar para mim, e fechei as cortinas. Peguei no telemóvel e liguei à Amber, contei-lhe o que se passou (sem muitos pormenores) e ela ficou sem palavras. Quando acabei a chamada, voltei a abrir as cortinas, e ele já não estava lá. Encarei a janela dele, e comecei a pensar em tudo o que aconteceu neste fim-de-semana. Admito que até não foi mau, pelo menos estou viva...
–Um pouco cusca, não?- quase pulei de susto.
–Assustaste-me!!- atirei-lhe uma almofada à cara.
–Ups... olha a minha cara de preocupação!- disse ele ironicamente, mas a rir-se.
–Idiota.- murmurei, alto o suficiente.
–Hey! Eu ouvi isso!- resmungou.
–Ups... olha a minha cara de preocupação!- imitei-o, a rir.
–Que gracinha... Ha ha... Então, já estavas com saudades minhas?
–Uau, sonhas mesmo muito alto.
–Então porque estavas a espreitar?
–Porque... Porque... Eu não estava a espreitar...- não consegui uma resposta decente.
–Então o que estavas a fazer?- encarei-o a pensar numa resposta.
–Estava a ver se não entravas em minha casa ás escondidas... outra vez.
–Tarde de mais- disse ele com um sorriso lindo... quer dizer, IDIOTA!!
–Ou não.- comecei a empurrá-lo para sair do meu quarto, mas ele tem mais força que eu e pegou em mim.- Larga-me! Larga-me já!!!
–Quem é que me obriga?
–EU!!
–Não me parece...- deitou-me na cama e começou a fazer-me cócegas outra vez.
–Para! Por favor!
–Implora...
–Imploro!
Então ele parou, e eu tive uma ideia de génio.
–Queres vir à piscina aqui de casa?
–Claro! Vou-me vestir a casa e já volto.
Ele saiu do meu quarto, e quando saiu de casa despachei-me e tranquei todas as portas que existem na casa. Finalmente pude sentar-me no sofá e ver TV.
Passados alguns minutos, chegou a minha casa e tocou à campainha. Não respondi. Tocou mais umas vezes, mas eu não disse nada. Bateu algumas vezes na porta das traseiras, e quando percebeu o que eu estava a fazer, desistiu.
–Como queiras! Não me vais evitar por muito tempo!- gritou, mas eu ignorei.
Subi para o quarto e fechei as cortinas. Tirei do armário roupa interior, e uma toalha, e fechei-o. Fui para a casa de banho, aqueci a água e entrei na banheira. Passei shampoo e hidratante no corpo e no cabelo, e fiquei a relaxar durante meia hora. Depois saí e vesti a roupa interior. Enrolei a toalha no cabelo e fui para o quarto. Tranquei a porta do quarto para não ter "encontros surpresa", fui até ao armário para vestir o pijama. Claro que não me importava de andar em casa apenas de cuecas e sutiã, mas podia chegar alguém e eu não queria passar vergonhas. Abri as portas do roupeiro e gritei com o susto.
–Bu!- Ryan apenas disse isso mas quase conseguiu fazer com que eu desmaiasse. Agarrou os meus braços, e eu acho que nunca gritei tão alto na minha vida.
–Seu idiota! Queres me matar?!?- eu queria bater-lhe, mas tinha os braços presos, e não conseguia mandar lhe pontapés graças ao gesso.- Solta-me, seu idiota!!
–Calma, a culpa é tua... Deixaste-me especado na porta, então tive de entrar pela janela. Custou um bocadinho, mas valeu a pena...- de repente sinto-me a corar mais do que nunca, só aí é que me lembrei de que estava apenas de roupa interior!
–Não acredito! Larga-me! JÁ!!- Consegui soltar-me e andar até à casa de banho, trancando a porta.- Sai do meu quarto! Quero-me vestir!
–Ai queres? Anda... Eu não saio daqui.
–Sai!- ele parou de me responder.
Talvez tivesse ido embora, ou talvez fosse um truque muito baixo da parte dele. Decidi não arriscar, peguei numa toalha (a maior que tinha lá). Destranquei a porta e saí.
–Estás aqui?
–Bu!- saltou de trás da porta e assustou-me outra vez.
–Aaaah!!- gritei super alto e caí de rabo no chão. A toalha caiu e voltei a estar na mesma vergonha. Tentei pegar na toalha, mas ele apanhou-a primeiro.
–O que... o quê?- olhei para ele assustada.
–Porque queres tanto a toalha?- olhou para mim com um meio sorriso.
–Porque não sou uma oferecida, estou quase nua em frente ao rapaz que odeio desde bebé, estou com dores e com vergonha, precisas de mais razões?
Pelo seu olhar vi que isto o tinha afetado. Pegou na minha mão, ajudou-me a levantar e sentou-se na minha cama. Cobri-me com os cobertores da cama, o máximo que consegui...
–Porque é que me odeias tanto?- vi pelo seu tom de voz que realmente estava afetado com o que eu disse.
–Isso é para gozar comigo?
–Não.
–E não sabes os motivos?
–Sei...- baixou a cabeça- Mas pensei que agora fôssemos amigos...
–A... migos?- olhei para ele confusa.
–Sim... Eu tenho tentado.
–Não parece. Por tua causa parti a perna, deixaste-me na rua ao frio, e ficaste a olhar para o meu corpo quase nu com cara de violador...
–É... Não me correu muito bem. Só estava a meter-me contigo. Veste-te e falamos quando estiveres pronta, ok?
–Ok.- ele foi em direção à porta.- Espera!- ele olhou antes de fechar a porta- Eu... Já não te odeio...- e começou a sorrir outra vez.
–Eu sei!- disse ele com um meio sorriso- Eu sei que me amas!- piscou o olho e saiu rapidamente.
Saí da cama e fui buscar o meu pijama: uma camisa de dormir um pouco curta, de cetim, cor de rosa, e de alças finas. Não queria que ele me visse assim, mas só tenho pijamas deste tipo. Abri a porta e ele olhou para mim de boca aberta.
–Fecha a boca, ainda te entra uma mosca...
–Ha ha, que piada...- disse ele irónico. Sentámo-nos na cama.
–Então...?
–Então o quê?
–Queres falar ou ir embora?
–Embora não...- disse ele a fazer beicinho.
–Porquê? Não tenciono trazer mais uma pessoa para viver aqui... Ultimamente parece que vives nesta casa!- ele riu alto.
–Não foste tu que dormiste em minha casa? Não?
–Touché...
–Queres ver um filme?
–Qual?
–Um qualquer que esteja a dar na TV.
–Pode ser, mas temos de ir para o sofá-cama na sala, uma vez que não há TV no meu quarto...
–Por mim tudo bem... Anda cá.- pegou em mim ao colo e começou a descer as escadas.
–O que estás a fazer? Põe-me no chão!
–Calma, é só para não esforçares a perna.- disse, e eu admito... isso foi fofo.
–Ah... obrigada.- acho que devo ter corado, e ele apenas sorriu com os cantinhos da boca.
Pousou-me no sofá delicadamente, como se eu fosse uma boneca fácil de partir, abriu o sofá-cama, e sentou-se à minha beira. Ligou a TV e começou a mudar de canal, até que encontrou um filme de terror mesmo no início.
–Nãooo! Nada de filmes de terror!- tentei tirar-lhe o comando, mas não consegui.
–Puqê? A minina tem medinho?- falou com voz de bebé.
–Sim, tenho medo! Podes mudar?
–Nops. Se não quiseres, não olhes...- olhei para baixo, a fazer beicinho.-Faz assim, cobre-te com a manta- cobrimo-nos os dois com a manta- e escondes a cabeça quando achares assustador, ok?
–Quero ir para o quarto.
–Fica comigo, o filme é fixe...
–Está bem, mas se ficar com pesadelos a culpa é tua...
Fiquei a ver o filme com ele, porque já estava com medo de ir lá para cima sozinha... No início o filme nem era assim tão mau, mas logo apareceu uma cena assustadora, que me fez gritar e esconder debaixo da manta. Quando dei conta, estava agarrada a ele, e totalmente tapada pelo cobertor.
–Já acabou?- perguntei, ainda debaixo da manta.
–Vai a meio...- sussurrou. Acho que ele percebeu que eu comecei a tremer, porque passou o braço pelas minhas costas, numa espécie de abraço.
A rapariga no filme gritou mais uma vez, e eu agarrei-o ainda com mais força, sentindo o seu batimento cardíaco, que estranhamente pareceu acalmar-me.
Passado pouco tempo os meus olhos começaram a ficar pesados, e acabei por adormecer.
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