Notas iniciais
Este capítulo é especial!!! Versão com o Ryan a narrar! Espero que adorem mt!

Ryan:

A Amber dirigiu-se a mim, chateada.

– Não podias controlar a tua namoradinha??- ela começou a descarregar em mim, e eu não achei muita piada.

– Ela não é minha namorada!- respondi.- E achas que eu queria que ela dissesse aquilo?

– Não quero saber seu imbecil! Aquela estúpida insensível sabe bem que eles morreram num acidente, e ainda diz aquelas porcarias?!?

Ok, ela pode estar chateada, mas agora passou dos limites. Aproximei-me dela furioso, para ela me ouvir bem.

– O meu pai também morreu nesse acidente- falei em tom baixo, mas irritado- Eu não tive culpa de a Courtney ser uma palerma desmiolada. Por isso pára com isso e vai ajudar a Lucy. Sei por experiência própria, ela precisa de apoio nas próximas horas.

O que eu disse era bem verdade. Também perdi o meu pai nesse acidente, sei como é. Como sei que a Amber é demasiado preguiçosa para se dar ao trabalho de ir a pé para casa, ainda por cima com aqueles saltos enormes. Então peguei nos sapatos da Lucy e desatei a correr. Talvez devesse ter acompanhado a Amber, mas tinha de chegar rapidamente a casa da "Lucy desleixada". É assim que a chamam na escola desde pequenos. Se calhar vou parar. Fantástico! Graças à Courtney, não me divirto mais.

Mas depois comecei a pensar: porque hei-de ir a casa dela, se não gosto dela? Mas depois lembrei-me da cara dela enquanto chorava. Tive muita pena, ela estava a sofrer mesmo... Ok, eu vou!

Quando cheguei a casa vi-a a espreitar pela janela, e a entrar pela porta das traseiras. Não queria entrar ás escondidas, mas se tocasse á campainha ela não ia abrir a porta, entao segui-a sem ela me ver. Subi até ao segundo andar, e procurei o quarto dela. Vi-o ao fundo do corredor e aproximei-me.

Ia chamá-la, mas ela começou a cantar "Dare You". Nossa, adoro esta música! E ela tem uma voz linda! Quer dizer, não canta assim tão mal...

Esperei um bocado, enquanto ela saltava na cama a cantar, e caiam-lhe lágrimas pelo rosto. Mesmo assim continuava linda como nunca a tinha visto, com os seus cabelos soltos a andar de um lado para o outro.

A música acabou, e dessa vez ia entrar, mas ela começou a berrar sozinha, furiosa.

– Aaaaaaaarggh porque é que não me saem da cabeça? Desculpem lá não me ter despedido bem de vocês, mas por favor, parem de se meter na minha cabeça! Parem de meter o acidente na minha cabeça! Não percebem que quando o metem outra vez na minha memória, não consigo fazê-lo desaparecer?? Agora falo sozinha! E por que é que não paro de chorar? Parem de me fazer isto!

Depois atirou-se para a cama, e ouvi-a a chorar. Desta vez ia mesmo entrar, mas tropecei e quase caía. De repente, vejo-a a saltar com uma faca na mão, e quase tenho um ataque cardíaco.

– Quem está aí? Tenho uma faca!- gritou ela.

– AAAAAAAaaahhh cuidado, ainda me matas!

– O que raio estavas a fazer? Porque é que me estavas a espreitar?? Aaaiii ouviste tudo? Entra para o meu quarto antes que a minha tia chegue. Vais me explicar tudinho!

– Calma! Pousa a faca, e eu vou.

– Não corta, é só para assustar!- de repente ela espetou a faca contra a sua barriga e eu comecei a gritar, mas depois vi que era falsa, e acalmei-me.

– Quase me matavas de susto!

– Para isso é que tenho a faca...

– És maluca!

– Um pouco... Entra antes que vá buscar a faca verdadeira.

Entrei assustado, já arrependido por ter vindo.

– Olha, isto vai ser assim, eu faço as perguntas, tu respondes e vais embora.

– Ok.- respondi.

– Primeiro, tem calma, não te vou matar. O que viste desde que entraste em minha casa?

– Eu vi-te a entrar e fui atrás de ti, e ouvi-te a cantar e a chorar, e a falar sozinha, e...

– Ai não acredito! Porque é que vieste?

– Eu vim para saber se estavas bem. Fiquei preocupado.

– Só isso? Viste-me a fazer estas figuras só para veres se eu estava bem? Eu sei bem o que tu vais fazer! Chegas à escola e dizes à tua namoradinha o que me viste a fazer. Já sou gozada por tua causa, agora não sei o que vai ser de mim, mas olha tu...- tapei-lhe a boca com a manga da camisola, para poder falar.

– Olha, primeiro, eu não sou namorado da Courtney, eu nem sou amigo dela... Ela é que pensa que sim. Segundo, estás com ciúmes? Porque a mim parece-me que sim... aaaaaauuuuu!!!- ela mordeu-me!! Espero que esteja vacinada!- Porque é que me mordeste??

– Para aprenderes a não me tocar!

– Está bem, mas deixa-me acabar...

– Despacha-te!

– Olha também vim aqui para te devolver os sapatos que deixaste no chão.

– Não são meus, podias ter deixado lá.

– Roubaste-os?

– Claro que não seu idiota! São da Amber!

– Tem calma... Olha, eu ouvi o que disseste, e fiquei a pensar. Porque te culpas pelo que aconteceu no acidente? Ninguém sabe o que aconteceu... É que na altura contaram-me o que se passou, mas ninguém viu nada...

– Eu... eu vi tudo...- desta vez já não falava na defensiva, mas sim enrolada na cama, abraçando a almofada.

– Hhm eu não sabia, OMD tenho-te feito tanto mal! Porque é que nunca contaste a ninguém?

– Eu contei à Amber, a única pessoa que fala comigo sem gozar...

– Como... como é que... aconteceu?

– O teu pai chocou com um carro, e os meus pais ao tentarem desviar-se, não conseguiram travar a tempo, bateram e o carro voou e capotou.- começou a chorar outra vez.- Eu vou à casa de banho, por favor, deixa-me sozinha.

Não posso deixá-la sozinha. E se ela faz alguma asneira? Não iria conseguir viver, sabendo que podia ter evitado seja o que for que ela seja capaz de fazer...

– Como assim? Não te vou deixar aqui sozinha.

– DESAPARECE!- gritou a chorar, enquanto lavava a cara na casa de banho. Entrei na casa de banho e fiquei a olhar para ela. Deu-me uma vontade inexplicável de a abraçar para ela parar de chorar, mas de certeza que levaria um murro...- Já nem aqui posso ter privacidade? Sai! Desaparece!

Lavou outra vez a cara, e desta vez ele ajudei-a, segurei o cabelo dela. É macio e brilhante, nunca imaginei pensar isto dela.

– Não me toques!

– Estou só a segurar o cabelo, não te estou a tocar. Tem calma, sou teu amigo.- Não devia ter dito isto, porque vi que ela ficou vermelha e furiosa.

– Ouve lá seu idiota! Tu nunca foste meu amigo, por tua causa todos me odeiam na escola! Não és meu amigo! Só estás com pena de mim, porque também ficaste afetado com o que a Courtney disse! E queres ficar meu amiguinho para eu te consolar, mas esquece! Isso não vai acontecer!- ela ia andando para a frente e eu para trás, até bati com as costas e fiquei preso entre ela e a parede. Visto assim, ela era capaz de ser a mais linda da turma, ultrapassava até a Courtney. O cabelo dela é da mesma cor do meu, mas a pele dela era um pouco mais clara do que a minha. Olhei para os seus olhos verdes, mas ela fechou os olhos. Vi que tentava ameaçar-me ou algo parecido, mas perdia o efeito sem o olhar irritado.- Desaparece, antes que te faça o mesmo que fiz à Courtney!- disse ela sempre com os olhos fechados.

Ainda estava com os olhos fechados, e começou a afastar-lhe o cabelo da cara. Estava tão sozinha, tão frágil, não pude evitar.

– Porque não abres os olhos?- perguntei baixinho, na esperança de a acalmar, e acho que estava a resultar.

– Porque não consigo...

– Não consegues o quê?

Finalmente abriu os olhos, parando de me encurralar. Depois voltou a atirar-se para a cama, a chorar. Enrolou-se à almofada. Estava tão vulnerável. Quase morri de tristeza, só de a ver assim.

– Vai-te embora. Faz-me esse favor. Só te peço isso!- fiz-lhe festas no cabelo.- Para!- afastou-se de mim, mas eu voltei a aproximar-me.

– Eu também sei como é mau.- disse-lhe.

Olhou para mim.

– Não consegues olhar para as pessoas? Esquece que ouviste isto. Credo, que pergunta mais estúpida...- agarrou-se à almofada.

– Como assim? Tu olhaste para mim este tempo todo.- agora estava confuso.

– Não nos olhos...- ela disse aquilo tão baixo que quase não ouvi. Parecia estar envergonhada.

– Foi por isso que fechaste os olhos?

– Não quero falar, quero dormir e não acordar.

– Uau! Também és poeta?- tentei fazê-la rir, mas não consegui.

Sentou-se na cama, a olhar para os seus pés. Tinha umas meias curtas e muito fofas.

– Porque é que ainda estás aqui?

– Então, não te posso deixar sozinha contigo assim.

– Porque é que estás a ser simpático?

– Porque sei como é perder um pai... e porque foi horrível o que aquela bruxa te disse.

Quando disse isto ela sorriu. Fiquei feliz com isso, e o sorriso dela é lindo.

– Nunca te tinha visto a sorrir.

– Nunca ninguém viu, só a Amb.

– Deve ser difícil assim.

– Antes não sorrir, do que sorrir falsamente- disse ela, e eu percebi bem a indireta.

– Ok, eu mereci essa.

– Porque é que és mau para mim?

– O quê? Só estou a conversar. O que é que eu disse de mal?

– Quero dizer, porque é que sempre foste mau para mim?- esta pergunta deitou-me abaixo, porque só hoje percebi como ela sofre.

– Eu não sei o que dizer... Eu estou super arrependido, para mim a popularidade e a aparência são muito importantes mas tu sempre te vestiste com roupas largas e a andar despenteada e assim... Ninguém sabe como és linda.

– Sempre gozaste comigo, e agora tratas-me bem... Agora é que me estou a lembrar! Eu estou a ir contra os meus princípios!

– Como assim? Não percebi.

– Já te explico.- foi para a casa de banho, sem dizer mais nada. Quando voltou para o quarto, era outra vez a Lucy desleixada que eu sempre conheci.

– Esta sou eu, uma rapariga que acha que não vale a pena arranjar-se bem para agradar a uns falsos de meia tigela, e esse és tu, um idiota de meia tigela, que só por eu me ter penteado e vestido melhor, se começou a dar bem comigo, apesar de sempre teres gozado comigo! Agora, se não sais deste quarto agora, saio eu!- não queria chateá-la, mas também não queria que se magoasse, então tranquei a porta, e guardei a chave no bolso de trás das calças. Não o fiz por mal, mas sabia que era o único sítio onde ela não ia buscar.

– Queres sair, anda buscar a chave, eu não te deixo sozinha.

– És tão idiota! Já sabia que era tudo para gozar comigo! E eu quase que acreditei!- bolas! Irritei-a outra vez...

– Não é is...

– Cala-te e está calado! Se achas mesmo que me consegues prender aqui, estás muito enganado! Eu estou de castigo! Hoje de manhã estava aqui trancada, e achas que fiquei aqui? Esquece! Vou-me embora, adeus! Sai quando quiseres.

Abriu a janela e foi para o telhado. Não acredito nisto! Ela deve ter um problema mental que a impede de pensar nas coisas, só pode...

– ESTÁS MALUCA?- agarrei a mão dela e puxei-a. Ela soltou-se da minha mão e desequilibrou-se escorregando pelo telhado. Depois chegou à ponta e caiu. Fiquei aliviado, porque caiu de pé, mas logo que se sentou no chão a agarrar-se à perna, não pensei em nada, e saltei do telhado, com cuidado para não cair em cima dela.

– Temos de te levar ao hospital!

– Seu parvo! Saio sempre pelo telhado e desço pelo pilar! A culpa disto é tua! Não consigo mexer a perna! EU NÃO SINTO A PERNA! Eu acho que vou desmaiar.- Agora senti-me um pouco parvo. E depois preocupado. Ela parecia estar em pânico.

– Calma, já chamei uma ambulância! Não! Não feches os olhos! Não adormeças, por favor...

Não! Ela começou a fechar os olhos! Comecei a chorar, e a tentar impedi-la de adormecer, mas não consegui. Tentei abaná-la e acordá-la, mas continuava ali deitada na relva.

Pego nela, e quando a ambulância chega, acompanho-a. Eles ligaram o tubo do oxigénio. Vi no monitor e ela está a respirar bem, o seu coração bate normalmente, mas ela não acorda. Isto está a deixar-me desesperado!

Finalmente chegámos ao hospital, contei o que se passara, e o médico disse que apenas desmaiou por causa do susto que teve. Mostrou-me uma radiografia. Não acredito! Por minha culpa ela partiu a perna! É pequenina, mas é uma fratura... Sou tão idiota!

Não conseguia parar de pensar nisto, ela vai querer matar-me quando acordar! Mas... e se ela não acordar? Não... não posso pensar nisto. Tenho de me distrair, senão fico doido. Afinal, foi só uma fratura minúscula!

Tinha de me distrair, e como dizem que, mesmo inconscientes, as pessoas ouvem tudo, decidi dizer tudo o que tinha de lhe dizer. Ainda bem que me lembrei a tempo, porque sei bem que não ia consegui dizer-lhe isto se ela estivesse acordada...

– Olha, dizem que as pessoas ouvem tudo quando estão inconscientes, por isso eu vou falar para ti, para saberes que não estás aqui sozinha.- tentei sorrir, mas não vale a pena.- Desculpa se sempre gozei contigo, juro que se soubesse que tinhas de passar por tudo isso ao mesmo tempo, eu nunca tinha dito nada de mal sobre ti. Sei que fui um idiota por te ter julgado apenas pela aparência, mas desde pequeno que me metia impressão, porque todas as manhãs eu tinha de acordar cedo para ir para a escola bonito e arranjado, e não conseguia habituar-me à ideia de haver alguém que não se preocupe com a aparência. Sempre consegui engatar qualquer miúda, e sempre o fiz julgando a sua beleza. Desde que não sejam demasiado atiradiças, aceito qualquer menina bonita. E tu sempre foste diferente, porque nunca te interessaste por maquilhagem ou fitinhas no cabelo.- Apesar de estar desmaiada, uma pequena lágrima escorreu pelo seu olho direito, e eu limpei-a.- Achava ridículo, até perceber a razão de tu fazeres isso...

E foi nesse momento que ela abriu os olhos...

...

Notas finais
Comentem o que acharam! Quem tiver ideias pode mandar uma mensagem privada ou por comentário, e eu vou ler e posso postar no proximo cap! Bjs amem muito a minha fic :D