Destinos Inseparáveis
1 Prólogo
Notas iniciais
Sim, recomecei a DI porque demorei demasiado tempo a voltar a escrever, então toda a gente parou de acompanhar a minha história... Digamos então que este é um "novo começo" para a história.
Era uma manhã chuvosa, e Lucy Holt, uma menina de 9 anos, estava de castigo no quarto. Os seus olhos verdes eram grandes e redondos, tinha duas tranças feitas com o cabelo cor de caramelo, e faltavam-lhe alguns dentes da frente. Odiava quando isto acontecia e decidiu entrar a mal.
– Odeio-te!- disse ela- Não podes ser normal?? Deixa-me sair daqui!
Lucy não conseguia parar de chorar, e de dar pontapés na porta. A janela tinha o fecho perro, e as paredes pareciam estar a encolher. O oxigénio não chegaria para ela naquelas condições, mas ela continuava a acreditar que a claustrofobia não era um problema seu. Não podia! Ou ainda acabaria como a sua bisavó.
– Deixa-me sair! Só vais piorar a situação. Se não me deixares sair, vou odiar-te para o resto da tua vida!- sabia que estava a ser má, mas não conseguia conter a fúria que lhe corria nas veias.
– Querida, sabes que é para o teu bem. Tens de ir à escola amanhã, e só sais daí quando acabares os trabalhos de casa.- disse o pai, tentando acalmá-la.
– Não quero! É tudo difícil de perceber.
– Um dia serás um génio como eu, e irás agradecer-me.
– Nunca te irei agradecer por isto! Deixa-me sair daqui, oh coração de metal!
– Amorzinho, não fales assim com o teu pai...- disse a mãe.
Não! Não pode ser a mãe! Ela nunca a trairia assim, era a única que a compreendia.
– Seu idiota! És um falso! Estou farto das tuas engenhocas, sei bem que não é a mamã!
Isto roía-a por dentro, não aguentava ficar sem saber a verdade. Espreitou por baixo da porta e viu as pernas de ambos.
– Querida, eu e a tua mãe vamos à convenção de ciência. Voltamos antes das seis.- informou ele- Até logo. Adoramos-te!
– Adoram-me uma ova! Vão e não voltem! Deixem-me aqui trancada a morrer e desapareçam!
Saiu da beira da porta, atirou-se para a cama, ligou o computador e pôs a música no volume máximo. Tentou de tudo para se abstrair dos problemas, e nenhuma funcionou! Escrever no diário, no blog anónimo, escrever canções e cantá-las ao ritmo de músicas famosas, navegar na net,...
Tudo isto, e não conseguiu fazer com que parasse de se preocupar com as paredes, que encolhiam sempre que olhava para elas, exceto quando fechava os olhos, porque quando os abria elas voltavam sempre ao normal,
Olhos para o relógio. Já eram 23h, e os pais ainda não tinham chegado. Não que precisasse deles para alguma coisa (porque tinha comida e casa de banho no quarto), mas estava a ficar preocupada.
– Sabem que mais? Não querem, não voltem! Fujam de mim e não olhem para trás! Aposto que já nem se lembram de mim... Não vou estudar, nem que me lambam a sola dos sapatos!- falava sozinha, e assim se sentia menos furiosa.
Ouviu carros a passar lá for e foi a correr para ver se eram os pais. Mas o que viu não foram só os pais a chegar, viu muito mais do que isso.
Vinha o carro dos seus pais, e outros dois carros, de ruas diferentes. Começou a assustar-se, porque todos eles iam a grandes velocidades. Começou a dar murros no vidro, e a gritar, mas logo viu que era inútil...
O que se seguiu foi ainda pior: os dois carros chocaram um contra o outro, e o dos pais, ao tentar travar, colidiu com o deles, levantando voo e aterrando ao contrário.
Lá fora ainda não se via ninguém, mas rapidamente luzes de várias casas se foram acendendo. Em breve chegaram várias ambulâncias, e foram-se embora com as vítimas do acidente. E ela ali, a observar tudo, sem poder fazer absolutamente nada em relação a isso.
Lucy não conseguia parar de chorar nem de gritar, imaginando que nunca mais veria os pais, e que ficaria ali presa para sempre.
Eram 3h da manhã, quando ouviu vozes a dirigir-se para o quarto.
– Papá? Mamã? São vocês?
– Abra a porta, ou afaste-se, que vamos arrombá-la!- não eram os seus pais, mas sim polícias à sua procura.
– Não consigo, estou de castigo! Os meus pais trancaram a porta antes de sair.
Eles deitaram a porta abaixo, e ela estava escondida por baixo da cama.
– Sabemos que está aqui alguém. Apareça e identifique-se!
Sabia que tinha de aparecer, mas eles tinham armas e eram muito assustadores, e pareciam maus...
– Estão aqui para me salvar, ou para me matar?- perguntou ela.
Um dos polícias surpreendeu-se ao ver que era apenas uma menina pequena.
– Querida, podes sair, nós somos dos bons.- disse ele a sorrir.
Ela saiu, com medo, e ainda com os olhos vermelhos de estar a chorar.
...Passado uma semana...
– Querida, não podes ficar assim tanto tempo sem ir ás aulas... Vais perder tanta matéria!- disse a tia Angie.
– Eu quero os meus pais!- faziam agora 4 dias desde que a sua mãe morrera no hospital, e, infelizmente, o pai não sobrevivera ao acidente.
– Eles foram para um sítio melhor, querida.
– E porque não me levaram com eles?- perguntou ela a chorar.
– Querida, és muito nova para perceber certas coisas... Agora vai dormir. Amanhã é domingo, vamos almoçar fora, e arranjar tudo para ires para a escola na segunda.
– Não quero! Os meninos são maus!
– Quem?
– Aquele Ryan nojento! Está sempre a pregar-me partidas e a gozar comigo! É um dos idiotas que anda sempre com as meninas populares que também não falam comigo.
– Mas tens amigas?
– Não.
– Não te preocupes, em breve vais arranjar uma.
– Eu sei. E não sabes o mais horrível!
– O que foi?
– O Ryan é nosso vizinho!
– O menino que te trata mal?
– Sim, mas deve estar mais calmo esta semana, porque uma das pessoas que foi para o céu era o papá dele.
A tia ficou chocada, não tinha falado com os seus futuros vizinhos, numa altura difícil como esta. Não que fosse fácil para ela, visto que a sua irmã foi com os outros, mas sabia que ambas as partes precisariam de apoio.
Depois de algum tempo, a sua tia tornou-se melhor amiga da mãe de Pedro, e combinaram que eles iriam juntos para a escola a partir desse dia, uma vez que Ângela não tinha carro nem carta de condução.
– O quê?!? Estás maluca?? Como pudeste fazer isto?- disse Lucy.
– Preferias percorrer esta distância toda a pé?
– Bem visto...
...
Na segunda, Lucy vestiu-se para a escola, tomou o pequeno-almoço, e foi para o carro da Sra. Smith.
– Bom dia, sra. Bárbara.
– Bom dia, querida. Chama-me só Babi, por favor.
– Ok... "só Babi".
Bárbara deu uma gargalhada bem alta e elogiou o seu sentido de humor. Enquanto esperavam pelo Ryan, ouviam música da rádio.
Por fim, ele chegou, e arrancaram. A viagem demorou cerca de meia hora até chegar à escola, e pareceu um pesadelo, com Ryan sempre a gozar com ela ás escondidas da sua mãe. Lucy estava mesmo com muita vontade de lhe dar um murro no nariz, mas não queria perder a boleia para a escola.
"Aaaaarrrggh odeio-o tanto!!!- pensou- Porque é que ele e toda a escola não podiam ser digeridos por extraterrestres?"
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