Notas iniciais
A fanfic abordará temas delicados como depressão, ansiedade e suicídio, caso sejam gatilhos para você. Não leia e nem denuncie, eu estou tratando da melhor forma possível esses assuntos. Obrigada pela compreensão.
As postagens dessa fanfic serão uma vez por mês, às vezes variando de mês a quantidade de capítulo. Terá mês que apenas postarei um capítulo ou dois, caso eu não conseguir postar no próximo mês.

Desejo a todos uma excelente leitura!

Nova York, 12 de fevereiro de 2007. 3:15 pm.

Era mais um comum dia dos namorados, o tempo estava terrivelmente frio e nublado. Para onde eu olhava via casais andando de mãos dadas, floriculturas abarrotadas de gente e chocolates a preços surreais. Felizmente para minha sorte, namorava alguém que detestava chocolate tanto quanto eu odiava trabalhar para o J. J.

Os nossos planos era de jantar no novo restaurante que havia recém-inaugurado a duas quadras do Clarim Diário, Gwen havia ouvido falar muito bem da comida de lá e estava verdadeiramente ansiosa para almoçar ali. Graças ao feriado, o J. J. havia liberado a todos nós mais cedo, aparentemente a esposa dele queria sair e comemorar o dia dos namorados como todas as pessoas da cidade.

Confesso que estava terrivelmente nervoso, decidi-me contar finalmente a Gwen o meu segredo, revelar que sou o Homem — aranha, o fiel amigo da vizinhança. Estava cansado de inventar inúmeras desculpas, cada dia uma mais surreal que a outra para esconder a minha vida dupla. Portanto, o quanto mais rápido falasse a ela, menos tempo perderia mentindo.

Olhei para caixinha de veludo em minhas mãos, ali estava o presente daquele ano, um colar de ouro com um pingente de pena simbolizando a literatura inglesa, algo que particularmente Gwen amava, sempre a via lendo um romance épico pelos cantos. Todo meu salário daquele mês fora investido naquele presente, mas o sorriso dela compensaria a cada xingamento ouvido ao longo daqueles meses.

Ansioso olhei para o alto, admirando o céu nublado, minhas mãos congelavam, afinal estava sem luvas. Sem outra alternativa a pus dentro do bolso do casaco de lã, tentando esquentá-las o máximo possível. Parando na banca de jornal, peguei um exemplar daquele dia, pagando logo em seguida. As notícias estavam todas focadas no anúncio do casamento do playboy bilionário e filantropo, Tony Stark com o garoto da América, Steve Rogers. A matéria poderia ser tendenciosa, mas era inegável o amor estampado no rosto do Stark pelo Capitão.

“Quem diria que o garoto de ouro era gay.”

A senhora ao meu lado segurando o jornal olhava com desdém para fotografia preto e branco da primeira página, ela balançava a cabeça negativamente de um lado para outro desaprovando o que via.

“Que desperdício. Um homem tão bonito feito esse, vivendo levianamente.”

Ela olhou para cima me encarando, esperando que eu disse algo, mas preferi ficar quieto.

“Não acha meu rapaz?”

“Não tenho que achar é nada, a vida é deles e não minha para dar palpites. Com a sua licença, estou atrasado para um encontro.”

Ao dizer tais palavras, saio dali com o jornal debaixo do braço e me juntando a multidão de pessoas que caminhava pela calçada, o vento levava meus cabelos para trás, os deixando ainda mais bagunçados, os óculos de certa maneira barrava um pouco da neve que voava pelo ar, o cachecol cinza no meus pescoço escondia minhas bochechas do frio cortante. Odiava dias como aqueles, onde era impossível caminhar pelas ruas sem sentir os dedos dos pés direito. Mais a frente a havia uma multidão parada, olhando para vitrine de uma loja de televisores, todos estavam chocados com o que acontecia, parando ao lado deles, pude ver que se tratava do Doutor Octopus na ponte de Manhattan fazendo civis de refém.

Sem outra alternativa, corri para o beco mais próximo e joguei a minha mochila no chão e comecei a tirar a roupa mais rápido que pude, escondi minhas roupas atrás de uma lixeira e saltei para o prédio mais próximo, colocando a máscara. Sobrevoando pelos prédios, podia enxergar o caos nas ruas abaixo de mim.

Parando no prédio abandonado pude ver o quão grave estava a situação, um ônibus escolar estava pendurado entre a ponte, uma barricada de polícias impedia os civis de avançarem para área. Mães choravam desesperadas gritando os nomes dos filhos, pais tentavam em vão consolar as esposas.

“Olhem, é o Homem-aranha!”

Ouço alguém gritar, todos abaixo olharam para o alto e gritando o meu nome, acenei antes de pular para perto dos policiais.

“Homem-aranha, que bom que veio.”

O Capitão Stacy mostrou um certo alívio ao me ver, ele pôs a mão em meus ombros olhando fixamente para mim.

“Qual é a situação?”

“Temos 45 crianças dentro daquele ônibus, mais uma refém no alto da ponte com Octopus” o capitão estava nervoso. “Por favor, salve a todos… Não temos muito o que fazer nessa situação.”

“Tentarei fazer o meu melhor, Capitão Stacy.”

A minha prioridade seria as crianças, elas estão em maior número e a qualquer momento ônibus ameaçava cair da ponte. Mas o maior problema seria o Doutor Octopus, ele não me deixaria me aproximar dos reféns sem ao menos tentar me matar.

Pulando a barricada, aproveitando da distração das câmeras dos helicópteros em cima dele, corri para perto do ônibus escolar. Os choramingos infantis podiam ser ouvidos do lado de fora do transporte, olhei pela pequena viseira na parte superior da porta, vendo as crianças encolhidas no chão, outras estavam nos bancos sentadas olhando para fora, tremendo de frio e bastante assustadas. Bati no vidro chamando a atenção das crianças, elas sorriram ao me verem, pedi em um sinal que mantivessem quietas e forcei a trava a fazendo a ceder. Abri devagar a porta, segurando pela traseira o ônibus pedi que uma a uma pulasse para fora do ônibus e fossem até os polícias.

“Vai ficar tudo bem…” digo a uma criança que tremia.

Antes que a garotinha pudesse pular, uma das garras de Octopus atacou, arrancando de dentro do ônibus e jogando — a para longe. As demais crianças gritaram assustadas, e a estrutura metálica balançou com mais um ataque repentino. Toda estrutura desabou, levando as crianças ao precipício da ponte, meu coração parou, os gritos infantis ecoaram em minha mente.

Todos estavam em estado de choque, Octopus havia acabado de matar várias crianças.

Os gritos voltaram mais alto, mas desta vez eram de alegria, o ônibus tinha voltado com as crianças, abaixo do veículo estava a figura do Homem de ferro trazendo as crianças sã e salvas.

“Acho que alguém deixou isso cair.”

Logo atrás dele veio o Capitão América segurando a garotinha em seus braços, a menina estava agarrada ao pescoço dele. Ele olhou para mim, acenando levemente com a cabeça correu para os policiais levando a menina para o local seguro, longe daquela movimentação.

“Crianças pulem!” ordena o Stark ainda segurando o ônibus.”Esse ônibus terá outro destino.”

“Mais é alto” disse um dos garotos olhando para baixo.

Abri os braços balançando as mãos o incentivando a pular, o menino olhou relutante antes de fechar os olhos e pulou, o impacto do corpo em meus braços não fora nada, e com aquele ritmo, às crianças pularam para fora e eram guiadas pelo Capitão pelo mesmo caminho que a garota.

“Vamos lá rapaz, você é o último.”

O garoto loiro olhou para mim chorando, ele balançava a cabeça, recusando-se a pular.

“Tá tudo bem, pode pular. Eu te seguro.”

“Promete…?”

“Sim. Eu prometo.”

O garotinho olhou mais uma vez para baixo suspirando, os seus olhos azuis apertaram-se com força, suas mãos abriam e fechavam sem parar, ele recuou um pouco para trás e se jogou pulando em direção aos meus braços. O pequeno corpo voou rumo a segurança de minhas mãos, a neve parecia cair em câmera lenta, o rosto rechonchudo parece cintilar com a fraca luz, faltava centímetros para a alcançá-lo; o casaco azul raspou pelos meus dedos e a criança foi puxada para longe pelo um dos braços robóticos de Octopus.

“MEU FILHO!”

O berro desesperado de um homem verberou por toda ponte, os holofotes focaram no lunático em cima de uma das estruturas que seguravam os cabos de aço, os quatro braços dançavam em sincronia e dois deles seguravam o que parecia ser silhuetas humanóides. A luz iluminou as garras metálicas, senti por debaixo da máscara meus olhos arregalados, reconheci os cabelos douradas de Gwen dançando no ar junto com o seu sobretudo bege, aquele que ela amava usar em dias de neve.

Desesperado lancei a teia para onde eles estavam, ignorando os gritos de Tony e Steve, minha mente repetia sem parar os dizeres: Preciso salvar a Gwen!

O meu ritmo cardíaco estava fora do normal, minhas mãos agarrava as teias que lançavam com força. Parando a poucos centímetros de Octavius, apertei os punhos, ele sorriu para mim vitorioso, sabendo que não podia atacar diretamente ou um dos reféns morreriam. E eu não queria aquilo, a prioridade sempre será os civis, independentemente quem fosse.

“Está quieto hoje, aranha. O gato comeu a sua língua?”

“Não precisa ser assim, Octopus. Deixe essas pessoas irem embora, podemos resolver isso de maneira civilizada.”

“Não vou cair nessa, Homem-aranha! Eu sei que os seus amigos ali embaixo iram me atacar no momento que deixar essas pessoas irem.”

Se ele jogasse os dois, eu não teria como salvá-los. O ricochete do puxão poderia quebrar os seus pescoços devido a altura, eu não podia arriscar tanto naquele momento.

“O que você quer?”

“Quero que Osborn pague pelo o que fez a mim ea minha família.”

“Isso é impossível para agora, Octopus. Você sabe, Osborn tem muito dinheiro e…”

“Não, ele tem que pagar. NORMAN TEM QUE PAGAR!”

Irritado, ele lançou o corpo do garoto para baixo. Meu corpo se moveu para pegá-lo, mas Octavius jogou Gwen logo em seguida. Os gritos soaram abafados, o instinto gritou mais alto para salvar o garoto, porém lancei a teia para Gwen. O peso dela me obrigou a girá-la para o alto para que pudesse encontrar uma base para apoiar-me. Grudado na lateral na lateral do enorme pilar, puxei de volta antecipando a sua queda. O cheiro suave de seus cabelos entraram a em minhas narinas, a sua pele estava fria. Suspirei aliviado, a agarrando para mais perto.

Subi a cabeça para ver o corpo estirado do menino no chão da ponte, contudo o que vi era o garoto amparado pelos braços do Capitão América. Soltei o ar dos meus pulmões, sentindo o alívio de ver o garoto vivo.

Desviando o olhar, admirei a expressão serena de Gwen, ela parecia dormir feito um anjo, o seu cabelo seguiam a direção do vento.

“Gwen…”

Esperei alguma reação dela, um leve abrir de olhos, porém não obtive nenhuma resposta.

“Ei, não brinca comigo assim. Por favor… Gwen, abre os olhos.”

Relutante coloquei ouvido em seu peito, o que ouvi me deixou anestesiado. O som do mais puro silêncio ecoou por minha mente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.