Destinos Cruzados - Astoria e Draco
16 Destinos Cruzados - Fim
Notas iniciais
As três semanas seguintes passaram a correr. Na verdade não aconteceram grandes mudanças durante esses dias, eu e Draco continuavamos a namorar e a brigar muito, mas as nossas brigas sempre acabavam bem. Afinal, não conseguiamos viver sem competir, mas também não conseguiamos viver um sem o outro.
Por estranho que pareça, Josh começou a sair com a Sophie e poucos dias depois começaram a namorar. Pensei que seria estranho ver o meu ex com uma das minhas amigas, mas não foi.
Sophie e Pansy continuam a brigar a toda a hora, mas noutros momentos unem-se como melhores amigas. Quem percebe essas garotas?
Toda a minha família estava animada para o casamento, até Draco, mas eu era a única que não estava. Eu sabia que amava Draco e que queria ficar com ele, mas eu não queria casar, nunca quis. Talvez daqui a alguns anos eu quisesse casar com ele, mas não agora, não quando eu tinha apenas 18 anos.
Mas, infelizmente, o grande dia chegou. Naquela manhã acordei nos braços do meu sonserino preferido. Fiquei alguns segundos simplesmente de olhos fechados deitada sobre o peito dele e tentando não pensar naquele temível dia.
– Hey, está acordada? — ele sussurrou no meu ouvido, fazendo-me soltar uma pequena gargalhada
– Sim — levantei o rosto e dei-lhe um selinho — É hoje... o temível dia do nosso casamento — tentei rir, para não o chatear. Nos discutiamos muito sobre aquilo, Draco não conseguia perceber porque eu não queria casar.
– Asty, voce continua a não querer casar? — ele sentou-se na cama com uma cara séria.
– Não vamos falar disso ok? — pressionei os meus lábios contra os dele, num beijo lento, mas intenso.
– BOM DIA ASTY!!!! — ouvi alguém gritar o meu nome e virei-me vendo Pansy de olhos arregalados e tentando controlar o riso — Ops...
Tapei-me rapidamente e lancei um olhar irritado ao loiro esperando que ele fizesse o mesmo.
– É assim que se entra no quarto das outras pessoas? — questionei chateada enquanto via Pansy olhar com um sorriso sacana para o meu loiro — E pare de olhar para o meu namorado!
– Até parece que eu nunca o vi pelado... — ela deu de ombros colocando os sacos que trazia, no chão.
– O que? — quase gritei, olhando para Draco e depois para a minha amiga. Só podia ser uma brincadeira...
– Ér... eu e a Pansy já ficamos algumas vezes... já foi á muito tempo... — ele começou a explicar enquanto coçava a cabeça, nervoso.
Cruzei os braços fingindo estar irritada. Eu já devia estar á espera daquilo, afinal, Draco era conhecido por ser pegador.
– Ok, voce — apontei para ela — Fora do meu quarto que nos precisamos de nos trocar.
– Tá, tá, despachem-se — ela começou a sair do quarto.
Nesse momento, Sophie entrou correndo no meu quarto com o meu vestido de noiva na mão.
– Pansy, sua doida, voce esqueceu o vestido da Asty! — ela afirmou e olhou na minha direção — Bom dia, Asty — depois viu Draco e arregalou os olhos — Draco?
– Eu quero as duas fora do meu quarto e se você, Sophie, falar que também já ficou com o meu namorado eu juro que vos lanço um Cruciatus. Agora, FORA DO MEU QUARTO! — gritei a última parte. Via-as sairem a correr e comecei a rir baixo e dei um tapa na minha própria testa.
– O seu vestido de noiva é bonito — ele disse calmamente no meu ouvido, tentando acalmar-me.
Não lhe respondi, pois naquele momento tive uma excelente ideia. Astoria Greengrass, você é um génio!
(...)
Narrador POV
Os convidados começaram a chegar à mansão dos Malfoys. Todas as pessoas importantes da elite bruxa estavam presentes e como era de esperar, a imprensa também, principalmente do profeta diário.
Tudo estava perfeitamente bem decorado, em tons de cinza, branco e verde. Astoria estava no seu quarto sentada à janela enquanto via os convidados chegarem e sentia um frio na barriga. Sabia que o que ia fazer não estava certo e que os seus pais não lhe iam perdoar tão cedo, mas ela tinha de o fazer... Muitas vezes tentara dizer-lhes que não era aquilo que ela queria, que ela não era o tipo de pessoa que casaria tão nova apenas porque os pais queriam. Mas eles nunca a ouviram.
Nesse momento, ouviu passos e virou-se. Era a sua irmã, Daphne. A loira usava um vestido comprido cinza que lhe acentava na perfeição, os seus cabelos estavam lisos e soltos e usava uma maquiagem em tons de verde.
– Mamãe pediu para te trazer isto — mostrou uma pequena tiara com várias safiras — Ela disse que é uma herança de família, foi usado por ela e pela nossa avó nos seus casamentos. — explicou a loira enquanto colocava a tiara na cabeça da irmã mais nova.
– Obrigada, Daphne — sorriu fraco. — Gostava de ficar um pouco sozinha, pode ser?
– Claro — respondeu, olhando uma última vez para a irmã. Estava com orgulho dela, apesar de tudo, mas nunca o diria. Era uma sonserina de alma e coração e sempre fora ensinada a não demonstrar os seus sentimentos. Essa era a principal razão porque nunca fora próxima da irmã mais nova.
Depois que viu Daphne sair do seu quarto, Astoria ficou mais uns segundos a olhar pela janela, depois livrou-se da tiara e dos sapatos de salto alto e começou a dar um jeito naquele vestido. Estava na hora de começar o seu plano.
(...)
Draco andava impaciente de um lado para o outro no seu quarto, estava tão nervoso, como nunca havia estado em toda a sua vida, era o dia do seu casamento. Ele nunca fora o tipo de pessoa que acreditava no amor e para ele, casamentos era apenas contratos. Mas naquele dia, ele sabia o que era o amor e tambem sabia que ia casar com a garota que ele amava. Astoria não queria se casar, ela tinha mantido isso claro desde o início e embora Draco fosse contra, agora até gostava da ideia de se casar com ela.
Olhou para o relógio na parede pela centésima vez, estava quase na hora... Voltou a dar mais uma volta ao quarto sentindo o seu coração bater tanto que parecia que ia saltar-lhe pela boca.
Como estava perdido nos seus pensamentos, não reparou que alguém tinha entrado no seu quarto. A pessoa aproximou-se dele e colocou um pano na sua boca e prendeu os seus braços atrás das costas. Draco tentou lutar com o seu atacante, que embora fosse mais fraco que ele, era muito mais inteligente.
Ele tentou-se soltar, mas uma segunda pessoa entrou no quarto e tapou-lhe os olhos, puxando-o dali para fora.
O loiro estava assustado e principalmente preocupado. Era o dia do seu casamento e ele tinha de arrumar uma forma de se livrar daqueles sequestradores.
(...)
No jardim das traseiras, os convidados pareciam animados e conversavam sobre diversos assuntos. No entanto, as senhoras Greengrass e Malfoy andavam de um lado para o outro preocupadas em ter tudo na perfeição.
– Alguém viu a noiva? — perguntou Narcisa Malfoy a um dos elfos domésticos.
– Eu vi a menina Astoria sair do seu quarto à alguns minutos atrás. — respondeu o elfo enquanto levava uma bandeja de comida para o jardim.
– E o meu filho, alguém sabe do meu filho? Ele está atrasado e a noiva não pode chegar antes do noivo!! — quase gritou desesperada. Estava tudo a correr bem, mas agora parecia que os dois noivos tinham decidido sumir.
– Calma, o Draco sabe que este casamento é muito importante. Ele não vai fugir — Lucius tentou acalmar a esposa, mas esta saiu correndo da cozinha à procura do filho.
(...)
Depois de cerca de 2 horas andando de carro, Draco finalmente ouviu o carro parar. Por um lado sentia-se aliviado, por outro sentia-se ainda mais preocupado.
Ouviu passos e alguém puxou-o para fora do carro, ele sabia que era em vão, mas mesmo assim, tentou implorar de novo.
– Por favor, deixem-me ir, eu vou casar hoje, a minha noiva está à minha espera. Deixem-me em paz — ele suplicou, mesmo sabendo que de nada ia servir.
No entanto, ele começou a ouvir uma risada, uma risada alta e escandalosa que ele conhecia bem. E então, soltaram-lhe as mãos e ele tirou rapidamente o pano dos olhos.
– ASTORIA? — exclamou surpreso.
(...)
Os minutos transformaram-se em horas e ninguém sabia dos noivos. Os convidados começaram a reclamar e aos poucos, foram indo embora. Os elfos procuraram pela mansão e nos arredores mas ninguém sabia onde estavam Draco e Astoria.
Estavam todos preocupados, especialmente os pais dos noivos. Bom, exceto um, talvez.
– Isto é tudo parte de um plano da Astoria, eu tenho a certeza. Aquela garota envergonhou toda a nossa familia! — reclamava a senhora Greengrass. Ela nunca perdoaria a filha pela vergonha que lhe tinha feito passar naquele casamento.
– Acham que eles estão bem? — perguntou Josh enquanto permanecia abraçado a Sophie.
– Oh, não te preocupes, isto é só uma brincadeira daqueles dois e uma forma de fugirem ao casamento — explicou Pansy e beijou Blásio em seguida.
(...)
– Por favor, deixem-me ir! — a morena imitou-o, rindo às gargalhadas — eu vou casar hoje, a minha noiva está à minha espera — ela fez uma cara de assustada e voltou a rir.
– Eu não estou a achar piada nenhuma a isto. O que é que se passa? — Draco abaixou-se desamarrando as cordas que prendiam os seus pés.
– Meu Merlin, Draco, desde quando você se tornou tão bichinha? — perguntou Theodore que saiu detrás do carro.
– Ele sempre foi, Theo. — respondeu Astoria, tentando conter o riso.
– Alguém pode me fazer o favor de me explicar o que se passa? — perguntou impaciente.
– Bem, o meu trabalho aqui está feito, até à vista, Asty — ele deu-lhe um beijo na testa dela e desaparatou.
– Ok, Astoria, pode começar a explicar. — o loiro cruzou os braços visivelmente chateado.
– Espere, espere, deixe-me rir só mais um pouco — ela soltou uma gargalhada alta.
– Astoria! — o garoto chamou num tom severo.
– Ok, ok, é bem simples, eu não quero casar, por isso nós fugimos. Fim! — a garota abriu um sorriso inocente.
– Não seria mais simples você me dizer que queria fugir? Eu achei mesmo que estava a ser sequestrado.
– E perder a oportunidade de ver Draco Malfoy choramingando como uma menina? Não — respondeu, rindo.
– Eu não estava a chorar! — ele resmungou, entediado.
– Pois não, estava a implorar — a morena disse, soltando uma gargalhada alta.
– E já agora, onde estamos? — ele questionou, olhando em volta e percebendo que se encontravam num bairro trouxa perto do centro de Londres.
– Na nossa nova casa — ela sorriu tirando uma chave do bolso.
– Nós vamos morar num bairro trouxa? — ele perguntou boquiaberto.
– Sim, acho que é o melhor, porque algo me diz que os nossos pais não vão falar conosco durante alguns meses, talvez até anos — ela gargalhou, aproximando-se da porta do apartamento.
– Tem razão — ele concordou. — A propósito, amei o vestido. — ele sussurrou no ouvido dela, fazendo-a estremecer.
Astoria usava um vestido branco tomara que caia que anteriormente tinha sido comprido até ao chão, mas que ela tinha rasgado, tornando-o curto (um pouco acima do joelho), uma meia-calça de renda preta, umas all stars pretas com caveiras e uma jaqueta de couro da mesma cor.
– Eu sei, ficou muito melhor que o original — ela riu baixo, rodando a chave na fechadura.
– Mas sabe o que seria mais sexy ainda? — ele falava contra a orelha dela — Você sem o vestido — ele pegou-a ao colo, beijando-a intensamente e os dois entraram no apartamento que agora seria a sua nova casa.
Draco e Astoria foram felizes por muitos anos. Nunca foram um casal perfeito, discutiam muitas vezes e estavam sempre a se zangar. Mas o amor que sentiam era mais forte do que qualquer coisa.
Demorou alguns anos até os pais os perdoarem pelo que tinham feito no casamento e mais alguns anos ainda até eles decidirem realmente casar. No entanto, pouco tempo depois veio o primeiro filho e depois o segundo.
Eram uma grande família, não muito convencional, mas o mais importante é que eram felizes.
Tinham sido unidos pelo destino, no entanto, não fora o destino que os fizera se apaixonarem, eles próprios tinham feito isso. Os seus destinos tinham-se cruzado e embora tivessem tentado lutar contra isso, no final, perceberam que contra o destino, ninguém pode lutar.
Fim!
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