Destinos Cruzados
12 Capítulo 12 - Nas margens do rio Tâmisa
Notas iniciais
P.O.V Lúcia
Senti braços rodeando a minha cintura protetoramente, sorri, pensei que estava sonhando, nunca pensei que eu fosse dormir na mesma cama que o Pedro, lógico que não foi certo, mas não fizemos nada, Pedro foi uma ótima pessoa comigo, me virei devagar, não queria acorda-lo, apenas admira-lo dormindo, olhei carinhosamente para cada traço da beleza dele, sua expressão neutra, fiquei com uma vontade de acariciar o seu rosto, e o fiz levemente, encarei-o meio boba.
— Gosta do que vê? – Escutei ele falar com a voz rouca, com seus olhos ainda fechados. Parei com as caricias no rosto dele, corei, ele abriu os olhos lentamente – Porque parou?
— Eu te acordei, desculpa – Disse ainda corada, escondi meu rosto no seu peito.
— Não tem problema, eu costumo acordar por esse horário – Falou me abraçando. Só agora notei que não sabia que horas eram. Me levantei assustada.
— Que horas tem? – Procurei meu celular, mas esqueci que tinha deixado no quarto da Susana. Vi o celular dele, olhei o horário, 08:30 – Meu Deus eu estou atrasada, perdi o primeiro tempo e metade do segundo de aula, droga.
— Ei, calma! Faltar um dia só não mata ninguém.
— Pedro – Sorri balançando a cabeça – Tenho que ir.
— Fica mais um pouco, ta cedo, você já está atrasada mesmo, até ir em casa, trocar de roupa, pegar seu material, e tal, chegará lá no ultimo tempo. – Parei para refletir, realmente ele tinha razão, um dia só não mata ninguém.
— É... Você tem razão. – Disse por fim, voltando a me deitar, ainda estava um pouco cansada.
— Sempre tenho – Ele me abraçou enquanto eu me aconchegava em seus braços. Ficamos em silencio, não queria tocar naquele assunto, mas querendo ou não, precisaríamos conversar, as coisas estavam muito confusas, totalmente diferentes, não era como se agora eu fosse namorada dele, porém estava ali deitava em seus braços confortavelmente.
— Pedro? – Chamei.
— Hum?
— O que faremos? – Ele suspirou, sabia do que se tratava.
— Ainda não sei Lúh, estou confuso. Fico pensando em como o Caspian vai reagir quando souber disso tudo, ele me mata se descobrir que dormimos juntos.
— Vai mesmo – Disse sorrindo – E como é que a gente fica? – Fiquei receosa com a resposta dele, ele demorou um pouco para responder.
— Vamos deixar rolar, ver no que dá isso, nem sei se é certo isso, mas vamos com calma, e Lúh me promete que se em algum momento eu te machucar, você se afastará de mim. Não que eu deseje que você se afaste, mas olha para mim, acha que eu mereço o seu coração? Lúcia eu não sou o tipo de cara romântico, não sou nenhum príncipe, eu me julgaria até o fim da vida se eu te magoasse. Você é uma pessoa doce, gentil, adorável, e eu sou completamente diferente, nem adianta relatar os meus defeitos, você conhece todos eles e o que me surpreende é que mesmo assim você gosta de mim. Como eu te disse ontem, ainda estou sem posição quanto a gente.
— Não fale essas coisas Pedro, você é uma pessoa boa sim, possui defeitos como todos, não sou perfeita também, você sempre foi verdadeiro e sincero comigo, acho que por isso gostei de você.
— Porque nunca me contou isso?
— Dizem que ser uma pessoa sentimental é bom, você sente o extremo da felicidade e também o da tristeza, vivemos nos extremos. Mas eu discordo, na verdade é uma merda, sempre somos os que mais se apegam primeiro, os que mais amam e também os que mais sofrem. Deixamos o nosso maldito coração nos direcionar e vez ou outra eu me odeio por isso, porque permiti que meu coração me direcionasse a você. Admiro aqueles que são mais pés no chão sabe? Que não são levados facilmente por seus sentimentos, tipo você! As vezes eu queria ser fria, uma pessoa mais racional, é que administrar esse turbilhão de coisas que habitam dentro de mim é exaustivo, sinto tanto o tempo todo, coisas que, muitas vezes, aos olhos alheios são banais, já me atingem feito onda em mar bravio, me derrubando e me arrastando em um oceano de angustias, duvidas e medos exagerados, é uma onda mais alta e destrutiva que a outra, e eu não sei nadar Pedro. Não te falei nada por medo – Respondi. Ele ouvia a tudo calado, prestava bastante atenção a tudo o que eu falava.
— Medo? Como assim?
— Medo Pedro, medo de você me rejeitar, medo de você nunca mais falar comigo e nem olhar mais na minha cara. Aí Pevensie são tantos motivos. – Ele riu, encarei-o com raiva – Ta rindo de que?
— De você, você é uma boba Lúcia, eu não rejeitaria você, no máximo te bloqueava das minhas redes sociais – Disse calmamente, arregalei os olhos não acreditando no que acabei de ouvir, me levantei rapidamente, com raiva – Ei, ei, é brincadeira, desculpa – Bufei – Eu não te rejeitaria, acho que ficaria do mesmo jeito que estou agora, sem respostas, sem posição, sem nada. Você sabe que eu não costumo namorar, não é?
— Eu sei – Disse abaixando o meu olhar.
— Lúh, isso ainda é novo para mim, estou acostumado a uma vida inútil, a ser essa pessoa inútil, não sou muito bom com as palavras, não sou muito bom com gestos, muito menos com sentimentos. Eu sou um fracassado no amor Lúcia, como pôde gostar de mim? Não faça isso consigo mesma, você não merece. E não digo isso apenas por você ser uma das poucas pessoas com quem ainda me preocupo na vida, mas porque realmente você não precisa de mim. Não precisa dessa falta de luz, dessa falta de saída, olha a sua volta, o mundo ainda está inteiro, é o seu coração que está confuso. As coisas continuam no mesmo lugar, enquanto você não se lembra onde deixou as respostas certas, prefere perder tempo comigo. Eu queria tanto dize-la que eu sou mais do que você pensa, que sou merecedor do seu amor, mas estaria mentindo Lúh, eu não sou o cara que você quer, não sou metade do homem que você merece.
— Dane-se o que você acha que eu mereço Pedro, não preciso de opiniões sobre as minhas paixões, eu sei como você é, você nunca fingiu ser quem não é, e por isso eu sou apaixonada por você, sei que somos diferentes, e também sei que tipo de pessoa você é, não preciso de ninguém, apontando os seus erros, nem mesmo você. Agora se quiser que eu desista, que eu suma da sua vida, pode falar, sério, numa boa, eu vou entender, não ficarei chateada, afinal é uma opinião sua. – Encarei-o tranquilamente. Pedro me puxou para deitar em seu peito, me encaixei confortavelmente em seus braços, olhei para seu rosto esperando uma resposta, fiz movimentos circulares com os meus dedos, em seu peito.
— Claro que não é isso que eu quero minha linda, só preciso de um tempo, para me acostumar com a ideia, e sinceramente não sei de quanto tempo preciso, ainda tem a onda com o Caspian, ele não vai aprovar isso, com certeza não, Caspian me conhece muito bem, ele sim jogará meus erros na minha cara quando souber.
— Esqueça o Caspian! E você continuará ficando com as outras meninas mesmo depois de tudo?
— Como já conversamos, estamos indo com calma, ainda não temos nada, então é difícil saber o que farei daqui para frente. Mas sinta-se livre para tomar qualquer decisão, tanto sobre mim, quanto a outra pessoa. Eu estou sem rumo Lúcia, olha o que você fez comigo, se eu parar com as minhas manias, Caspian vai estranhar e achará que eu tenho algo com a ... – Ele parou de falar.
— Com a.…? – Cobrei.
— Com alguém – Completou nervoso – E bem, ele vai querer saber de quem se trata. Não me sinto preparado para ter algo sério, mas também não estou disposto a perde-la. Eu sou um inútil mesmo, é complicado Lúh.
— Olha, você diria para alguém o quanto ela é insuficiente? Ou o quanto ela é feia e como as pessoas nunca olhariam para ela porque ela não faz o tipo de ninguém? Você diria para alguém que ela não é inteligente o suficiente para passar em tal faculdade? Você diria para alguém o quanto ela é fraca e que todas as pessoas se aproximam dela por pena, porque, na verdade, ela não merece o amor de ninguém? Seria capaz de dizer que todas as pessoas são bem melhores do que ela, porque tudo o que ela faz é errado ou inútil? Se você não tem coragem de dizer todas essas coisas para alguém, seja ela aleatória ou não, então porque está sempre repetindo isso para si mesmo Pedro?
P.O.V Susana
Eu estava completamente perdida, sem muitas opções do que deveria fazer, descobrimos que Lúcia gosta do Pedro, para piorar Naty está muito mal, não soube consola-la muito bem, ambas não tínhamos o que dizer, me senti uma completa inútil, para completar não sei onde Lúcia dormiu, se é que dormiu, não vi ela saindo do quarto, não sei se ela foi embora cedo, ou se foi para o quarto do Pedro, fiquei com receio de ir verificar. Conversamos um pouco antes de dormir, ela mais chorava do que falava, estava morrendo de vergonha, e eu me sentia mal por ela, eu até torcia que Pedro notasse a Naty como ela merece, mas e agora? As coisas mudaram de rumo, as direções estão tão confusas até para mim, imagina para ele. Não sei que decisão tomar, a quem devo ajudar? Sinceramente essa situação me fez sentir falta dos Estados Unidos, onde as coisas eram mais fáceis de lidar, Natalie suportava as dores, não tinha um Pedro problemático na sua vida. Não sei o que é pior, se é Naty saber de tudo agora ou se é a Lúcia não saber de nada ainda. Com certeza as coisas não serão como antes e eu tenho medo disso.
Já estava pronta para ir para a faculdade, desci as escadas, fui em direção a cozinha, tomar um café super-rápido, papai estava na mesa, todo arrumado, mamãe estava presente também.
— Bom dia – Falei.
— Bom dia – Responderam.
— Vai sair de novo pai?
— Sim querida, fui chamado para fazer uma entrevista em uma grande empresa, Jaybow Clarke’s, e olha que eu nem lembro de ter levado o meu currículo lá, mas graças a Deus fui chamado, espero conseguir esse emprego. – Disse empolgado. Sorri alegremente, lembrei de Thomas, ele realmente fez o que disse que faria, tenho que agradecer a ele.
— Que notícia maravilhosa pai, você vai conseguir sim, se Deus quiser. – Mamãe sorria também.
— Sua amiga ainda está dormindo? A coitadinha estava com tanto sono que nem lembrou de levar a bolsinha dela lá para o seu quarto Susana, está ali no braço do sofá. – Mamãe falou calmamente, congelei, me engasgando com o café, totalmente desconcertada, eu esperava que Lúcia já tivesse ido embora, mas confirmei a minha suspeita, ela estava no quarto do Pedro, meu Deus socorro.
— Ah.... Sim... Claro, ela ainda está dormindo, foi um dia difícil para ela ontem, por favor não a perturbem, ela tem o sono leve.
— Não se preocupe meu bem, Lúcia já é de casa, gostamos bastante dessa moça – Mamãe disse descontraída. Eu apenas sorri e levei a xicara de café aos lábios “Pedro por favor, não complique as coisas mais do que já estão complicadas”, pensei.
P.O.V Naty
Cacos, é o que me define nesse momento, sim, estou em cacos, sei que nunca tive nada com o Pedro, apenas nos beijamos, mas como pude deixar que meus sentimentos fossem tão longe? É lógico que Lúcia gostava dele, por isso aquela magoa tão grande que ela sentiu e é óbvio que ele também gosta dela, está mais do que na cara, agora tudo faz sentido, aquela cena que ele deu no aniversário dela, era ciúmes mesmo, nada de coisa de irmão mais velho, ele mentiu para mim, acho que só queria brincar mesmo, zoar comigo, me pegar e sair fora, eles se gostam, só não tinham coragem de falar um para o outro, e eu lesa no meio deles, não culpo a Lúcia, ela não sabe que eu também estava gostando dele, por um simples momento, um curto espaço de tempo, eu tive a esperança de que ele viesse atrás de mim assim que eu fui embora, mas não, ele foi atrás dela, Susana quem veio falar comigo, não menosprezei a presença dela, mas eu queria que ele viesse, que me falasse que também estava gostando de mim, que tudo aquilo iria se resolver, mas não, eu deveria ter percebido.
“Porque Pedro? Porque me beijou? Porque me disse aquelas coisas? Porque fez essas coisas comigo? Porque fez com que eu me sentisse a mais linda a um tempo atrás se você me faria me sentir um lixo agora? Achou mesmo que eu não tivesse um coração? Achou mesmo que eu não tivesse sentimentos? Você realmente gosta dela? Se não, porque não veio atrás de mim? Ah quer saber? Você é um idiota, que não quer saber de ninguém e que talvez não goste de ninguém. Só se preocupa consigo mesmo e que se dane o mundo e as pessoas ao seu redor. É um egoísta, um imbecil que rir de tudo. É um viciado em mulheres, mulheres que não tem nada a ver com você, mas você brinca com cada uma delas, porque não encontrou algo melhor, e eu era uma delas.
Será que sempre terei que passar por isso? Gostar de quem não devo, eu queria tanto gostar de você e que você gostasse de verdade de mim. Será que é pedir demais? Quantas vezes você me fez fantasiar que esse era o seu jeito de mostrar que estava gostando de mim. Mas e agora Pedro? Me diz o que eu faço. ”, gritava em pensamentos como se ele pudesse ouvir e responder minhas dúvidas, enquanto chorava com o rosto enfiado no travesseiro, não queria que ninguém me ouvisse.
Preciso treinar técnicas de defesa e ataque. Não precisa ser especificamente de nenhuma arte marcial ou algo do tipo. Tenho apanhado demais da vida, das pessoas, das circunstancias. Preciso passar a reagir de alguma forma, para não acabar ficando em coma por causa do excesso de pancadas que tenho levado com tamanha frequência. Pode ser que eu nem venha usar o ataque, mas só em conseguir me defender e me proteger dos golpes que possam vir na minha direção, já conseguiria ficar muito bem. E com certeza o número de hematomas e cicatrizes poderiam diminuir.
P.O.V Pedro
Lúcia foi embora antes do almoço, tive que descer primeiro para que ela pudesse descer depois, para que ninguém desconfiasse que dormimos no mesmo quarto. Conversamos bastante sobre nós dois, concluímos que era melhor esperar que o tempo resolvesse a nossa situação, mesmo não querendo, a minha maior preocupação continuava sendo o Caspian, ele me conhece tão bem a ponto de não deixar mais que eu me aproxime da irmã dele. Como devo contar a ele? Não sei nem por onde começar, minha vida deu uma reviravolta desgraçada, ainda tem a Naty que com certeza ficou magoada, mas eu me pergunto o porquê, ela se distanciou de mim depois que nos beijamos, ficou totalmente estranha, e agora isso. Também não sei o que devo falar para ela, afinal não temos nada, não é possível que as duas estejam gostando de mim ao mesmo tempo. Não sei lidar nem com o meu próprio coração imagine com mais dois. É por isso que estou sozinho, sempre tive quem eu quisesse, na hora que eu quisesse, e agora não sei mais o que fazer da minha vida, obviamente algum coração sairá machucado, e sinceramente? Eu prefiro que seja o meu.
Já estava na faculdade, especificamente no refeitório, aguardando que o meu pedido chegasse. Deixei que meus pensamentos vagassem nela, na hora em que a tive em meus braços na madrugada, nas suas carícias pela manhã, no seu doce abraço, no seu perfume de rosas, na sua pele macia e sedosa. Aquilo era muita loucura, me pergunto como consegui me controlar, tê-la em meus braços, nossos corpos tão próximos e não acontecer absolutamente nada.
— Pedro! E aí – Senti um leve aperto no meu ombro, olho para trás e me deparo com ele, Caspian, gelei.
— Ah... Oi Caspian, quanto tempo – Sorri sem graça.
— Não te vi ontem. – Falou, cocei a minha cabeça desconcertado.
— Pois é, estava ocupado. Mas e aí me conta as boas.
— Por enquanto eu vivo e você? – Disse desanimado, nossos pedidos chegaram, o engraçado é que eu estava tão distraído com meus pensamentos que nem vi a hora que Caspian chegou no refeitório e fez o seu pedido. Pisquei para a garçonete em agradecimento.
— Nem te conto, cara você não vai acreditar! – Ele bebia um suco enquanto prestava atenção no que eu falava – Acredita que eu vi a Susana com aquele desgraçado do Rabadash Wood? – Caspian se afogou com o suco e começou a tossir sem parar.
— Rabadash? Aquele que eu dei uma surra naquela vez? Ta falando sério? Eu não acredito nisso. O que a Susana estava fazendo com aquele maldito? – Falou em um tom de voz um pouco alterado, ou era impressão minha?
— Tô te falando, cara eu quase mato ele, eu vim aqui ontem de manhã entregar um trabalho e quando estava indo embora eu vejo os dois conversando aqui na lanchonete, vim de fininho e ouvi um pouco do que eles estavam conversando, acredita que ele se declarou para ela? Aquele viado, prefiro que a Susana vire freira do que ter aquele desgraçado como cunhado.
— Ele se declarou para ela? Quem ele pensa que é? Ele está tentando enganar ela, assim como fez com a Elizabeth, você contou essa história para ela Pedro? Isso não pode acontecer, já pensou? Como é que a Susana dá confiança para o Rabadash? – Ele realmente ficou intrigado, tudo bem que eu queria desabafar, mas o que? Não estava entendendo nada das atitudes dele – Pedro você não pode deixar que ele se aproxime dela.
— E você acha que eu paguei de doido à toa? Lógico que eu interferi, ele não será nem leso de se aproximar dela, e o cara ainda me chamou de doente, se fez de desentendido, mas Susana disse que eles eram apenas amigos, cara eu rir tanto, ele levou um fora muito bacana. – Caspian suspirou e começou a rir.
— Bem feito para ele, sua irmã merece coisa melhor, ela é uma pessoa tão linda, legal e divertida, alguém com o coração puro – Encarei ele sem entender, ele conhece a Susana desde quando?
— Vem cá, desde quando conhece a Susana? Que papo é esse Caspian? – Questionei desconfiado.
— O que? – Se fez de desentendido.
— O que, o que? – Perguntei.
— Ham? O que?
— Me responde Caspian, desde quando conhece a Susana?
— Eu não conheço ela Pedro, ta louco? Só repeti as palavras que muitas das vezes você me falava a respeito dela, esqueceu?
— Ah sim – Comecei a rir – Desculpa irmão, é que eu tinha esquecido, sabe que tenho ciúmes da minha irmã.
— Eu entendo sua atitude – Coçou a cabeça – E a Lúcia, se comportou?
— O que? – Fiquei na merda.
— O que, o que? – Perguntou desconfiado.
— Ham? O que disse?
— Sobre a Lúcia, ela não tinha dormido na sua casa ontem?
— Sim, claro.
— Se comportou?
— Eu? Lógico que sim, ta doido?
— Você não idiota, a Lúcia.
— Ah sim – Sorri amarelo – Claro, obvio, é a nossa Lúcia – Ele levantou a sobrancelha, gelei – A sua Lúcia – Ele continuou me olhando com aquela cara de pangaré – AAAAAH É A LÚCIA. Ela se comportou sim, dormiu no quarto da Susana – Engoli em seco.
— Mas isso eu já sei, no teu quarto que ela não dormiria né Pedro – Rolou os olhos. Ele gargalhou e eu travei, forcei a gargalhada.
P.O.V Caspian
Nunca me senti tão perdido, como me senti quando Pedro me perguntou a respeito da Susana, por um tris ele não descobriu que eu não só conheço a irmã dele como também estou gostando dela. Susana chegou na minha vida de um jeito tão engraçado, o destino fez com que eu reencontrasse aquela moça tão linda na qual esbarrei naquele dia. Meu coração chegou a parar por um instante, não sei o que ouve naquele dia, mas juro que ele parou e depois recomeçou a bater, eu nunca tinha sentido aquilo tudo, nem sei definir o que seria “tudo”, mas foi tudo. Quando nos apaixonamos, nos sentimos grandes, e eu me sinto maior que o céu e quem sabe maior que o mar, mas uma certeza eu tenho, estou apaixonado.
Senti um pouco de ciúmes quando Pedro falou do Rabadash, só de pensar que ele está mais próximo da Susana do que eu, já me deixa em aflitos. Não que eu esteja me menosprezando, mas agora que caiu a ficha de que posso não ser o único que esteja gostando dela, como sou um tolo, quem não se apaixonaria por ela? Susana é uma pessoa tão adorável, charmosa, divertida e inteligente, tudo o que um homem deseja em uma mulher, de repente tudo começa a cair mais ainda ao meu redor, Rabadash pode não ser exatamente sincero com ela em questão de personalidade, mas ele não está sendo um mentiroso como eu. Não posso levar essa mentira adiante, tenho que contar a verdade a ela, o mais rápido possível.
Estava em casa, no meu quarto, meu celular toca, por um instante pensei que fosse ela, mas infelizmente não era, olhei na tela e vi que era da empresa, minha secretária.
— Alô – Atendi.
— Boa tarde senhor Clarke, vim avisa-lo que aquele homem acabou de ser contratado, ele não foi muito bem na entrevista, mas como foi uma ordem diretamente sua, ele foi contratado.
— Certo, obrigado, Josy não esqueça, ninguém mais pode saber disso tudo bem? – Pedi.
— Sim senhor.
— Obrigado – Agradeci.
— De nada – Desligamos. Bom, uma parte dos meus problemas já estava resolvido.
Sai do quarto e fui em direção da cozinha, encontrei Lúcia sentada a mesa, mexendo no celular, ouvindo música e sorrindo.
— Quanto tempo mocinha – Falei, ela colocou a mão no peito assustada.
— Não faça mais isso Cas, quer me matar? – Sorri da cara dela – Olá estranho.
— E como foi dormir na casa dos Pevensie? – Perguntei puxando assunto. Ela bebeu o suco que estava no copo.
— Ah, foi muito legal, acho que quero me mudar – Disse divertida.
— Mas já? E eu fico como?
— Você sobrevive – Brincou – Queria ir lá agora, mas a Susana saiu, foi no supermercado no centro e o Pedro parece que ainda está na faculdade. O jeito é ficar aqui – Rolou os olhos. Seria uma boa oportunidade de encontrar a Susana, não ficaria tão obvio que eu queria ver ela, afinal as pessoas vão no supermercado.
— Pois é, Lúh eu vou dar uma saída agora, preciso resolver algumas coisas, quer que eu traga algo para você?
— Quero sim Cas, acabou a minha nutella, compra para mim?
— Compro sim – Fui até ela, beijei a sua testa e sai da cozinha, subi para o meu quarto, fui me arrumar.
Depois de me arrumar, passei perfume, peguei a chave do carro, iria passar correndo na concessionaria, consegui alugar um carro simples, um gol, deixaria o meu lá. Desci as escadas e sai de casa.
Ainda bem que não tinha transito naquela rua, entrei na concessionaria para trocar de carro.
—-( Lilliandil on (--
Assim que sai da empresa, estava indo para casa, a avenida onde eu estava, continha um enorme transito “Droga, odeio esse engarrafamento desse horário”, pensei. Entrei em uma rua qualquer, na expectativa de fugir daquele transito, 10 minutos depois enquanto eu dirigia, vi um carro MUITO parecido com o do Caspian, estava entrando em uma concessionária, não lembro de ele mencionar que o carro dele estava com algum problema, seria muito psicopata da minha parte se eu ficasse observando? Claro que não. Parei o carro um pouco perto da concessionaria, fiquei esperando ele sair, minutos depois ele saiu em carro SIMPLES, um gol? Porque? Devia segui-lo? Claro que sim.
—-( Lilliandil off (--
Adentrei no mercado, peguei um carrinho só para disfarçar, coloquei algumas coisas no mesmo, e fui atrás dela, depois de alguns minutos procurando, vi ela com dificuldade em alcançar um pote de nutella, sorri e fui ao seu encontro para ajudá-la.
P.O.V Susana
Nessas horas que eu mais desejava ser mais alta, não estava conseguindo alcançar o pote de nutella, me inclinei ao máximo que pude, mas não obtive sucesso, em questão de segundos vi uma mão passar por cima de mim, pegando um pote de nutella.
— Aqui está! – Virei para trás e tive a maior surpresa, sorri constrangida, era ele, Thomas.
— Thom! – Exclamei surpresa, chamei-o pelo apelido que dei a ele. Ele me deu o pote de nutella e pegou um para si e colocou no seu carrinho, agradeci e fiz a mesma coisa.
— Oi Susana – Sorriu divertido.
— O que faz aqui? – Me senti a maior idiota do mundo, o que uma pessoa faria em um supermercado Susana? Ai que burra!
— Algumas compras, se eu soubesse que você viria para cá, teria vindo mais cedo – Brincou. Sorri em resposta. – Pensei que não fosse mais vê-la, ando meio ocupado, mas ainda bem que te encontrei.
— Sim, pensei que não queria mais me ver – Falei seriamente, depois sorri desfazendo meu disfarce de “séria”.
— Claro que não Susana – Falou rapidamente – Estava louco para revê-la.
— Eu também queria revê-lo – Falei dando um leve sorriso.
— Bom, já que estamos aqui, que tal darmos um passeio depois de concluído as compras?
— Pode ser – Respondi animada.
Fizemos as compras alegremente, Thomas mais falava do que comprava as coisas, no final pagamos as nossas compras, nos dirigimos para fora do supermercado, fomos para o estacionamento onde ele parou na frente de um gol, destravando-o, pegou as suas poucas sacolas e colocou no banco detrás do carro, as minhas ele colocou no porta-malas. Entrei no carro e esperei que ele fizesse o mesmo. Assim que ele entrou perguntei:
— Então, aonde vamos?
— Ainda não sei ao certo, quer ir a algum lugar especifico?
— Que tal uma caminhada pelas margens do rio Tâmisa? Ainda não tive a oportunidade de ver, ouvi alguns relatos somente – Falei empolgada. – Ele sorriu.
— Pode ser, é difícil imaginar Londres sem o rio Tâmisa, ultra poluído no passado, um verdadeiro esgoto a céu aberto, o rio que atravessa a capital inglesa sofreu uma revitalização total nas últimas décadas do século passado e hoje passear pelas suas margens é um passeio muito agradável. – Comentou.
Depois de 30 minutos, chegamos avistei um tipo de torre, olhei maravilhada.
— A torre de Londres, é um dos marcos da cidade, hoje está situada bem perto do centro financeiro londrino, onde se destaca a silhueta moderna do edifício que recebeu o bem-humorado apelido de “Gherkin” – Prestei atenção em tudo o que ele me dizia – A torre localiza-se em um lugar estratégico do rio para a defesa da entrada da cidade, foi construída por um tal de Guilherme I no final do século XI se não me engano e abrigou tanto as Joias da Coroa quanto uma prisão marcada pelos seus detentos famosos aprisionados na torre branca, o coração da fortaleza – Me explicou enquanto dirigia.
— E o que aconteceu com a prisão? – Perguntei interessada.
— Foi desativada, mas a visita as suas instalações na Torre Branca e as Joias da Coroa é imperdível. A torre de Londres abriga ainda uma exposição de armamentos.
— Ah sim, poxa que legal – Falei.
Paramos o carro em um estacionamento e começamos a caminhar calmamente, Thomas colocou as mãos nos bolsos da calça. Instalou-se um silencio constrangedor entre nós, lembrei que tinha que o agradecer pelo o que ele fez pelo meu pai.
— Thom? – Chamei.
— Sim?
— Obrigada por cumprir o que disse – Encarei-o agradecida, ele me direcionou um olhar confuso – Pelo o que fez pelo meu pai.
— Ah sim, não tem de que Susana, não foi nada. Vem – Ele tirou uma de suas mãos do bolso — Vamos andar pela ponte, assim terá uma vista melhor do rio – Sorri e segurei na sua mão, permitindo que ele me guiasse. A ocasião era perfeita, o clima estava ótimo, nem muito frio, nem muito quente, estável.
Andamos tranquilamente enquanto ele falava sobre a ponte, disse que ela era originalmente levadiça, para quem deseja uma vista abrangente do Tâmisa, pode tomar o tour da ponte, que além do seu topo também visita a sua sala de máquinas.
Atravessamos a ponte e passamos ao lado sul do rio, de onde tivemos as melhores vistas da torre e dos arranha-céus da cidade, o centro financeiro. Sentamos no gramado, abaixo de uma arvore.
— É magnifico o ângulo do rio, é quase impossível de acreditar que este rio um dia foi poluído – Falei admirada.
— Sim, realmente é inacreditável, na época os engenheiros criaram um sistema que simplesmente captava os dejetos produzidos na região metropolitana de Londres e os despejava no rio Tâmisa alguns quilômetros rio abaixo. Na época, a solução funcionou perfeitamente e o rio voltou a se recuperar por alguns anos, no entanto o crescimento da população, a mancha de esgoto foi subindo o Tâmisa, e o rio mais uma vez estava biologicamente morto, foi então que as primeiras estações de tratamento de esgoto da cidade foram construídas.
— Incrível – Falei, abracei meus joelhos, olhei para ele e percebi que ele me encarava – O que foi?
— Você é muito linda Susana – Elogiou-me.
— Não é para tanto – Sorri levemente – Obrigada Thom – Percebi um leve desconforto em sua expressão – Algum problema? – Perguntei preocupada, ele me direcionou um lindo sorriso, estremeci, senti um arrepio tomar conta de mim, meu corpo estava sendo tomado por uma sensação nova, senti uma vontade de abraça-lo fortemente, mas me contive, meu coração acelerava a cada segundo.
— Nada que a preocupe, está tudo bem! – Disse sorrindo levemente, ainda assim, me preocupei com ele. Ele me olhou penetrantemente, sorri retribuindo o olhar – Susana você acredita em destino?
— Bom, não exatamente, mas acho que as coisas acontecem por uma razão – Falei – Porque? – Ele ficou em silencio alguns minutos, talvez refletisse na minha pergunta.
— Acha que nos conhecemos por acaso? – Fui pega de surpresa, não sabia o que dizer, por fim sorri, achando divertido o rumo daquela conversa.
— Não, cada momento que vivemos, é especial por algum motivo – Falei sincera – Você tem sido uma pessoa maravilhosa comigo, não só por ajudar o meu pai, mas suas atitudes, o seu jeito, é admirável – Ele me encarou atentamente sorrindo.
— Não mais do que você Susana, sei que está cedo para falar ou tentar expressar o que se passa dentro de mim, mas acredite, você está se tornando alguém importante para mim. Bastou ter a sua companhia ao meu lado e uma felicidade estendeu-se sobre os meus dias. Com você é diferente e especial, o seu olhar é diferente, encantador e sempre mexe comigo, não sei porque, mas é como se eu só me encontrasse quando estou com você. – Eu estava entendendo direito? Ele também sentia as mesmas coisas que eu. E eu aqui pensando que ele não me via mais do que uma amiga. Sorri alegremente, corando em meio a tudo isso, nunca pensei que ele fosse falar isso para mim, e eu estava eufórica por dentro.
— Também me sinto assim em relação a você, quando estamos juntos, em qualquer lugar que seja, tudo é especial e diferente, como agora, gosto quando conversamos e gosto quando saímos por aí, como é possível que tudo isso tenha acontecido em tão pouco tempo? Como conseguiu arrancar de mim essa onda de sentimentos a cada olhar e a cada palavra? A sua presença é para mim um crescimento, algo que nunca senti e que nunca tinha passado por mim antes. – Ele me olhou surpreso, não disse nada, apenas esboçou o mais lindo dos sorrisos, queria sentir os seus lábios sobre os meus, queria ele mais perto de mim. Num ímpeto ele foi se aproximando de mim lentamente, nossas respirações já se mesclavam, ele me lançava um olhar apaixonado e eu retribuía à medida que percebia os seus lábios próximos dos meus. Ele colocou uma das mãos em meu rosto puxando-o para bem próximo de si, fechei meus olhos, apreciando o leve toque, sentindo borboletas no meu estomago. Ouvi ele sussurrar:
— Você está quase sempre perto de mim, na maioria das vezes, está presente em pensamentos. – Após ouvir isso, sorri ainda de olhos fechados.
Foi então que aconteceu, senti os seus lábios tocando os meus, sentindo a maciez e a textura dos lábios um do outro, iniciamos um beijo meio tímido, selando seus lábios com os meus, alguns segundos depois encontrava-se com os mesmos entreabertos, logo após pediu passagem com a sua língua, e eu cedi, nossas línguas se encontraram, roçando uma na outra. Fomos nos beijando lentamente por alguns minutos, meu coração começou a palpitar rapidamente e uma onda de sensações passou pelo meu corpo. Nos soltamos ofegantes e colamos as nossas testas, misturando as nossas respirações descompassadas, sorrimos e voltamos a nos beijar com ternura, o beijo foi se intensificando, e eu correspondia, senti ele deslizar a sua língua sobre todo o lábio. Me beneficiei usando a língua para ganhar toda a boca dele, ele passou os dedos através dos meus cabelos, levei a minha mão a sua nuca acariciando-a, parávamos apenas para respirar, quando o ar nos faltava e voltávamos a repetir a ação dos beijos novamente.
As horas foram se passando, estava prestes a anoitecer, quando fomos embora, conversamos, sorrimos, nos beijamos, não tenho palavras para descrever o que senti hoje, Thomas me deixou em casa, me ajudou com as compras, graças a Deus, não tinha ninguém em casa, depois que ele foi embora, sorri como uma completa boba, toquei nos meus lábios, na tentativa de lembrar dos nossos beijos, aquele dia foi completamente perfeito.
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