Destinos Cruzados
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Olhei-me no espelho que estava a minha frente, reparei em meu visual. Maquiagem leve, cabelos presos em um coque arrumado, vestido azul de mangas compridas, com detalhes em branco. Concordei comigo mesma que já estava bom o bastante. Terminei de me aprontar, levantei da cadeira, dei uma última olhada no espelho, sorri com o resultado. Saí do cômodo em que estava, caminhei apressadamente, por incrível que pareça, não tinha noção de onde estava, mas eu sabia para onde ir. Não me recordava do que ou o que me esperava no fim de minha caminhada, mas tinha certeza que algo me esperava, e esse “algo” era o motivo para que eu me arrumasse.
Ao longe avistei uma escada, com um corrimão bem decorado. Estava perto de meu destino, apressei ainda mais o passo. Quando enfim cheguei no início da escada, olhei para baixo, especificamente, no salão. E lá estava ele, de costas, com o cabelo arrumado na altura dos ombros. Desci lentamente, sorrindo. Ao ouvir meus passos na escada, ele se virou para olhar-me, esboçou um lindo sorriso na minha direção, caminhou até o início da escada para me esperar, seu olhar demonstrava todo o carinho, admiração e surpresa, e além de tudo, demonstrava um grande afeto. Assim que cheguei no final da escada, ele esticou a mão para que eu a pegasse, foi o que eu fiz. Em resposta ele segurou-a delicadamente e depositou um beijo cálido nos nós dos meus dedos encarando-me, corei.
— Pensei que não viria – falou calmamente
— Apenas me atrasei. Jamais deixaria de vir. – Sorri
— Você está linda – elogiou-me
— Obrigada – corei – Você também está. Ele apenas sorriu em resposta, olhou-me com carinho, tocou levemente meu rosto, acariciou minha bochecha. Olhou para meus lábios, e ficou uns segundos presos neles. Resolveu se aproximar, e eu deixei, a cada aproximada, meu coração disparava, um frio subia por meu corpo, um arrepio incontrolável. Até que nossos narizes roçaram um no outro, e em questão de segundos nossos lábios se tocaram, em um selinho. Quando íamos dar início a um beijo de verdade...
Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmmmm – tocou o despertador
Abriu os olhos lentamente, se acostumando com a claridade. Eu mereço, logo na melhor parte! Susana você está ficando maluca. Pensou.
Se espreguiçou, levantou e foi direto para o banheiro.
Adentrou em casa, caminhou em direção a sala, não viu ninguém.
— Oi? – Procurou pelo resto da casa – Mãe? Pai? Caspian?
— Eles saíram senhorita Lúcia – respondeu a empregada
— Ah sim.... Obrigada Jocelyn – Nem ouviu ela responder, subiu as escadas rumou para o corredor em direção ao seu quarto. Passou por um quadro pendurado na parede, ficou uns minutos observando, sorriu ao ver a felicidade nos rostos dos dois irmãos, ela e Caspian estavam abraçados, com seus pais atrás deles, nesse tempo as coisas eram mais fáceis não é mesmo meu irmão? Pensou. Por mais que o irmão fosse um amor de pessoa com ela e com outras pessoas, com os pais ele era uma outra pessoa, mostrava outro tipo de comportamento, e sabia as razões dele, até o entendia. Caspian não teve uma infância como toda criança normal, ele foi obrigado a criar responsabilidades desde cedo. Analisou novamente a fotografia, e foi em direção ao seu quarto.
Tomou um banho relaxante, trocou de roupa, pegou o celular, se jogou na cama. Viu umas mensagens dos amigos da escola. Por fim leu a mensagem dele, sorriu.
— Bom dia coisa fofa. – Toda vez que o via ou lia uma mensagem dele, seu coração acelerava, se sentia uma completa boba, não podia evitar, sabia que gostava dele a muito tempo, mas ele não, tinha medo de demostrar o que sentia, não sabia qual seria a reação dele. Como estava praticamente de tarde, respondeu:
— Boa Tarde moço, acabei de chegar, cansada. Enfim, está bem? – Minutos depois ele ficou online, visualizou e digitou.
— Chegou tarde hein mocinha -.- O que estava fazendo até esse horário na escola O.o? Estou bem sim e você? – Gargalhou com essa mensagem, ele como sempre desconfiado.
— Lembra que eu tinha ti dito que iria ter uma feira literária na escola? Pois bem, é esse meu motivo de “atraso”, estou bem também. Está na faculdade?
— Sim estou na faculdade, Hum.... Agora eu lembrei hehehe. Vou me ocupar agora, aquele professor careca chegou, e você sabe como eu odeio ele -.- Mais tarde nos falamos. Beijos linda.
— Tudo bem.... Até mais tarde, beijos. – Como não gostar dele meu Deus? Pensou.
— Não brinca! Sério mesmo que você vai levar a Lily? – Pedro perguntou.
— Sim, não tive muita escolha, e também ela é uma pessoa bem competente, talvez me ajude em alguma coisa. – Pedro e Caspian estavam na lanchonete da faculdade.
— Uhum... imagino o tipo de competência dela – Direcionou um olhar malicioso para o amigo. Caspian gargalhou, balançou a cabeça negativamente. – E quando iram?
— Amanhã, ontem mesmo dei entrada com os papeis da viagem, e trouxe para a faculdade, para cobrir minhas faltas.
— Hum... Voltará antes do aniversário da Lúh?
— Não sei, bem que eu queria que fosse antes, farei o possível. – Passou umas meninas na frente deles.
— Oi rapazes – disseram em uníssono e se sentaram em outra mesa perto deles.
— Eai – responderam. Caspian fitou o amigo incrédulo – Você ainda está aqui? Shiiiiiiiiiii está doente? – Pedro gargalhou.
— Essas meninas já estão manjadas, você sabe que não curto “repeteco”, e também minha cabeça está ocupada demais com outros assuntos.
— Suponho que esses assuntos sejam a Natalie Turner. – Disse colocando o canudo de refrigerante na boca.
Pedro suspirou
— Na verdade eu não sei Caspian, é muito cedo para saber o que penso dessa garota.
— Por isso meu amigo que não me apego a ninguém.
— Ata.... Falou o cara que vai viajar com a Lilliandil Ramandú.
— Será uma viagem de trabalho. Lilliandil é atraente, mas não faz meu tipo.
— Tá bom sei... Lilliandil é um bom partido, só é mesquinha mas da pro gasto.
— Justamente, não é somente a beleza física que procuro em uma moça.
— É meu amigo, as coisas estão difíceis para você, eu entendo você, penso da mesma forma, mas enquanto eu não acho a garota certa, me divirto com as erradas. – Os dois gargalharam, segundos depois apareceu uma moça na lanchonete, sentou em uma mesa um pouco afastada deles, e estava sozinha, chamou a garçonete e pediu algo que eles não ouviram. – Olha lá, acho que é novata – Pedro supôs – Nunca a vi por aqui. – Caspian disfarçou e olhou rapidamente para a direção que Pedro falou.
— Realmente, é bonita. – Comentou
— E aí? Eu vou ou você vai? Particularmente seria injustiça da nossa parte se deixássemos aquela dama sozinha. – Falou galanteador, Caspian sorriu do amigo e balançou a cabeça, Pedro não podia ver mulher que seus sentidos de predador falavam mais alto.
— Essa eu deixo para você caro amigo, afinal, você quem viu primeiro. Tenho que voltar para a aula. – Olhou no relógio no seu pulso – A propósito, estou atrasado – Disse se levantando – Boa sorte com a “dama”. Pedro sorriu levantou da cadeira, ajeitou os cabelos, verificou o hálito, e foi em direção da mesa da garota, uma menina parda, cabelos pretos ondulados, encorpada, estava vestida em um macacão bege, mexia no celular.
— Oi? – A moça olhou para ele, encarou ele, sorriu sem mostrar os dentes e por fim falou:
— Oi – voltou sua atenção para o celular
— Então, eu posso me sentar aqui? — Ela olhou para ele novamente
— Sim.... É claro – pegou sua bolsinha e guardou o celular
— É novata não é mesmo? Nunca a vi por aqui.
— Sim.... Me chamo Veronica Marshal e você?
— Pedro Pevensie.
[...]
— Pela milésima vez, eu esbarrei no rapaz e talvez tenha perdido a minha pulseira nessa hora. – Susana explicava a Natalie o ocorrido a 3 dias atrás.
— Hum. Então ele era lindo certo?
Susana colocou a mão no rosto, Aí Natalie não sei porque eu te falo as coisas, pensou envergonhada.
— Como ele era? – Insistiu na pergunta
— Alto, cabelos pretos na altura dos ombros, tinha os olhos escuros também. – Fazia um esforço para se lembrar de todos os detalhes daquele rapaz.
— Hum.... Acha que pode vê-lo novamente?
— Acho que não. Enfim vamos mudar de assunto?
— Tudo bem.... Sobre o que quer conversar?
— Começo a estudar na semana que vem, confesso que estou um pouco nervosa, espero que dê tudo certo.
— Amiga vai dar certo! – Afirmou – Apenas confie.
— Sim.... Papai ainda está atrás de emprego.
— O tio vai arranjar, Londres possui tantas oportunidades. Meu pai também está atrás de um emprego. Ah nem te conto. – Falou empolgada
— Conte-me
— Me escrevi em uma escola de dança.
— Jura? –
— Sim – Respondeu feliz
— Que noticia ótima Naty
— Senhorita Lilly, suas roupas chegaram, quer que eu as arrume nas malas?
— Não não, eu mesma faço isso, obrigada Joana. Apenas peça para trazerem elas até meu quarto.
— Sim senhora. – Joana se retirou, minutos depois dois homens bateram na porta do quarto.
— Entrem
— Com licença.
— Coloquem em cima da cama rapazes. – Eles se dirigiram até a cama, colocaram as várias sacolas e caixas de compras em cima da cama. – Iam se retirar quando ela os chamou.
— Ham Ham, — Eles olharam para ela – Aqui, tomem – Deu uns trocados.
— Obrigado – Agradeceram e saíram.
— Agora vamos lá – Pensou alto, pegou as malas e escolheu peça por peça para colocar nas malas, a maioria das roupas eram peças chamativas, que marcavam com perfeição suas curvas. Lingeries, etc – Quero ver resistir aos meus charmes Caspian.
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