Destinos Cruzados
31 Melhor por Você!
Notas iniciais
Tris:
Não acredito que esse momento finalmente chegou! Passei nove meses esperando pelo grande dia no qual vou poder segurar meu bebê em meus braços. Já está tudo pronto, mas confesso que não esperava que doesse tanto assim! Porra! Acho que vou morrer!
–Aguenta mais um pouco Tris! Daqui a pouco o Uriah chega com a Mar e vamos todos para o hospital. –diz Susan com sua voz suave tentando me acalmar, só que nem um sonífero de elefante me acalmaria agora.
–Você fala isso porque não é você que está colocando um bebê pra fora pelo mesmo lugar que ele entrou! –grito ao sentir uma contração. –AI!
–Shauna eu acho que a Tris fez xixi nas calças! –diz Zeke com cara de nojo.
–A bolsa dela estourou, animal! –diz ela dando-lhe um tapa na cabeça.
–Não vai dar tempo! –grita Lynn quase tão desesperada quanto eu. –O bebê vai nascer!
–AIIIII !!! –grito em pânico. –Alguém trás a morfina ou a anestesia porque assim eu não vou aguentar!
–Segura a mão dela Zeke! –manda Shauna.
–Pra que? Ela vai cair por acaso?
–Não vou cair, mas vou te matar se não segurar a minha mão agora!
Ainda estamos no meu apartamento, ou seja, bem longe de um médico e sua linda anestesia que iria me fazer não sentir essa dor do caralho. Zeke segura minha mão, eu a aperto com toda a força quando sinto outra contração. Eu grito, Zeke grita, Shauna grita, Lynn grita, Susan grita e Will desmaia.
–Mais o que está acontecendo aqui? –pergunta Uriah chegando com Mar.
–Um exorcismo! –grita Zeke apavorado. –Não quero mais brincar disso não!
–Deixa de ser frouxo Zeke! –diz Mar rindo do amigo.
–Eu quero a ANESTESIA! –grito e Zeke se encolhe de medo.
–Viu só? É o diabo entrando no corpo dela. –diz Zeke de olhos arregalados. –Vamos chamar o padre!
–Vamos chamar o médico! Eu preciso de um hospital!
–Vamos logo! –grita Uriah me pegando no colo. Um milagre já que nada tem me segurado por muito tempo com esse tamanho todo. –Estou começando a achar que você está grávida de gêmeos e não de um só bebê.
–Você também não Uriah!
–Tudo bem, vamos colocar esse garotão no mundo. –diz me colocando no carro.
O caminho até o hospital é ainda mais longo e angustiante quando se está tendo dores infernais a cada dois segundos. Acho que vou morrer, tenho certeza disso quando o sinal fecha e ficamos presos no trânsito.
–Eu deveria ter montado uma maternidade em casa! Meu deus eu vou morrer! Tirem esse bebê de mim! –grito muito alto mesmo, Zeke chora baixinho enquanto Uriah buzina alto.
–Não vai acontecer nada de ruim, esse bebê vai nascer hoje. –diz Susan tentando manter a paz no carro.
–Cala a boca madre Tereza! Cadê seu marido heim?
–Está desmaiado no apartamento da Tris. Eu é que não perderia o nascimento do meu afilhado por bobagens. –responde e Lynn gargalha.
–Bela esposa você é.
–Aloooou! Gente, dá para voltar ao assunto principal aqui? Eu estou prestes a ser partida ao meio e vocês estão mesmo falando da droga do Will que desmaiou?
Todos ficam calados pela primeira vez, eu respiro aliviada, mas meu alivio dura pouco. Outra contração volta com força total, eu não seguro e grito a plenos pulmões.
–Quando isso acabar me lembre de ir arrancar o brinquedinho do pai desse bebê porque ele nunca mais vai fazer outra pessoa ter uma dor assim! –peço a Mar.
–Pode deixar que eu lembro.
–Valeu Mar! Por isso vai ser a madrinha do...Ai! ...Theo.
–O quê? –grita as outras garotas.
–Toma essa Shauna! Eu vou ser madrinha do baby mais estiloso do mundo. –diz Mar se gabando.
–Uriah vai ser o padrinho também não é? –pergunta Suzan.
–Claro.
–Valeu Tris! –diz Uriah sorrindo. –Chegamos! Protocolo do nascimento do bebê ativado, todo mundo aqui sabe o que fazer não é? –pergunta e todos afirmam. –Ótimo! Vamos ao trabalho no três, 1..2..3!
As portas do carro são abertas ao mesmo tempo, no instante em que Uriah estaciona. Cada um corre para um lado, eu me concentro em gritar e não deixar meu bebê sair em pleno estacionamento. As pessoas nos encaram como se fossemos loucos, eu não ligo. Apenas quero ter meu bebê em meus braços e me livrar dessa dor infernal.
Lynn trás a cadeira de rodas, Zeke prontamente me pega no colo e me coloca na cadeira. Mar já está atrás de mim para empurrar a cadeira pelo hospital, Susan seca o suor que desce pelo meu rosto, meus cabelos estão grudados na testa e eu sinto que vou explodir a qualquer momento.
Chegamos na recepição, com a Shauna abrindo caminho por entre as pessoas. Uriah já está fazendo a minha ficha na recepição, os enfermeiros chegam e me colocam numa maca.
–Ela vai ter um bebê ou está possuída? –pergunta um dos enfermeiros.
–Quando você estiver sendo rasgada de dentro pra fora, nós conversamos camarada, mas agora me leve para o médico! –grito segurando a roupa dele depois o empurro.
–Olá senhorita Prior, pronta para ter seu bebê? –pergunta o médico sorridente.
–Não doutor, eu estou até pensando em deixar ele mais um pouquinho dentro de mim para que eu possa curtir essa dorzinha gostosa por mais tempo. –digo irônica. –Muito papo e pouca ação doutor! Eu quero ter meu bebê agora.
–Tris, seus pais chegaram! –diz Uriah e ele parece estar escondendo algo, dá pra ver que ele está incomodado.
–Diga a eles que se eu sobreviver eu falo com eles depois. O que houve?
–Nada! Faça um bom trabalho gatinha. –me beija e depois sai.
–Doutor, quando está tendo um bebê é possivel ter alucinações?
–Não senhorita. –responde rindo.
Depois disso não me lembro de muita coisa, só de que eu tive que fazer uma força sob-humana para colocar meu bebê no mundo. Foram horas de dor, um médico gritando para eu fazer mais força e depois...o som do choro do meu bebê. Lágrimas descem por meu rosto embaçando minha visão, mas em meio a elas eu consigo ver, ou acho que vejo, Tobias com nosso bebê nos braços chorando. Em seu rosto a um sorriso perfeito de admiração, ele me olha e vejo seus lábios se mexerem ao dizer: “Nosso filho!”
Emocionada eu apenas afirmo com a cabeça, acho que meu desejo de que ele estivesse aqui nesse momento está me fazendo vê-lo aqui. Uma enfermeira tira o bebê de seus braços e me entrega. Olho pela primeira vez para meu bebê e poxa...ele é lindo! Gorduxinho, com bochechas rosadas e os poucos cabelos que tem na cabeça são loiros. Acho que essa é a única coisa que se parece comigo pois o resto é como se fosse uma miniatura do Tobias.
–Bem vindo a esse mundo Theo! Eu te amo muito! –sussurro e beijo seu rostinho. Ele abre os olhos e me encara, são da mesma cor do de Tobias. Azuis quase negros.
Depois disso a enfermeira o tira de meus braços, dizendo que ele precisa tomar um banho. Eu apago literalmente e só acordo uma hora depois, já no meu quarto esperando por meu bebê enquanto meus amigos faziam uma festa.
–Filha eu o vi no berçário e apesar de ser suspeita, o Theo é o bebê mais lindo que eu já vi! –diz minha mãe chorando. –Estou tão orgulhosa de você meu amor.
–Obrigado mãe! Deu o maior trabalho para tirar esse bebê de mim, mas valeu a pena.
–Tem certeza de que não precisamos chamar mais o padre? Você parecia endemoniada quando estava em trabalho de parto. –diz Zeke levando outro tapa da Shauna. –Eu estou brincando amor! O garotão alí vai ser o maior pegador desse mundo. Ele tem uma cara de safado.
–Bebês não tem caras de safado Zeke! –diz Uriah, mas estamos todos rindo. –Você é piradão cara!
–Não fica se achando só porque é o padrinho do bebê não tá pirralho? Eu ainda sou o tio mais bonito e gostosão dele.
–Isso é o que eu chamo de familia feliz! –diz Lynn revirando os olhos. –Também, filho de quem é a gente ainda fica se preocupando não é? Depois do Tobias ter dado os 50% das empresas para o Eric, eu não me surpreendo com mais nada nesse mundo. –fico chocada, só agora Lynn se dá conta do que disse. –Desculpe Tris, sei que não gosta de saber coisas dele mas essa eu não consegui segurar.
–Tudo bem, só acho que ele enlouqueceu de vez.
–Você nem imagina o quanto. –diz Zeke todo desconfiado. Estou começando a achar que ele sabe de alguma coisa, mas não quer me dizer. Tudo bem, isso é passado.
Meu bebê entra no quarto, nos braços da enfermeira já todo limpinho e cheiroso. Todos babam por ele e eu não poderia ficar de fora. Meu quarto está repleto de balões e brinquedos, e é nesse momento que eu tenho certeza de que eu vou ser feliz, mesmo sem ter meu coração.
É um novo recomeço...
Um ano depois...
Estou de volta a Chicago, depois de quase dois anos longe. Theo está dormindo em meu colo enquanto eu admiro a paisagens pela janela do taxi, estou de volta apenas por um motivo.
Caleb. Depois de muito tempo ele finalmente quer falar comigo, meus pais não dizem o que o fez mudar de ideia o que é muito estranho. Mas estou feliz por finalmente reencontrar meu irmão, eu quero dizer que está tudo bem, que eu o perdoou. Poxa ele é meu irmão e fez uma falta danada!
Nesse ano muita coisa aconteceu, Shauna está grávida de gêmeos e está quase enlouquecendo o Zeke que agora é o advogado mais requisitado do país. Mar se tornou uma grande estilista e teve seu bebê semana passada. É uma linda menina chamada Mia. Lynn e Cara finalmente se casaram e a Susan está em uma segunda lua de mel com o Will. Meus amigos estão bem e felizes! Ah, eu ia me esquecendo da Tori, ela agora está namorando o Caleb. Estranho não é?
Eu tenho seguido minha vida com o Theo, meu pequeno está cada dia mais esperto. Vai fazer dois anos daqui a alguns dias, por isso o aniversário dele vai ser na fazenda dos meus pais. Seus avós corujas que mimam meu filho mais do que tudo. Estou feliz por não ter tido mais noticias do bonequinho de gelo, não sei se ele se casou com a Christina ou se simplesmente morreu. Também não me importo.
Chegamos ao parque onde vou me encontrar com Caleb, Theo acorda e já quer sair correndo mas ele ainda não sabe andar direito, então o mantenho em meu colo. Só quando vejo Caleb me esperando é que percebo que estou tremendo. Ele está diferente, parece mais sereno e feliz. Assim que me vê ele sorri e abre os braços como fazia quando eu era criança. Ando mais rápido até me jogar em seus braços o abraçando também.Theo parece estar feliz no meio do abraço pois dá a sua risadinha de bebê.
–Senti sua falta maninha!-diz suavemente.
–Também senti a sua falta! –digo chorando.
–Esse garotão é o meu sobrinho? –pergunta já tirando Theo de meus braços e o enchendo de beijos. –Olá Theo! Sou seu tio Caleb.
–Ele está feliz em te conhecer. –sorrio.
–Tris eu sinto muito. –começa sério. –Eu sei que nada nesse mundo pode explicar o quão canalha eu fui com você. Só peço que me desculpe. Você é minha única irmã e eu te tratei da pior maneira do mundo por ter inveja de você. Sempre pensei que nossos pais gostavam mais de você do que de mim, cresci com essa raiva dentro de mim então tentava te ferir de todas as formas possiveis. Mais foi naquele dia em que tentaram te matar que eu tive a certeza de que eu te amo. Eu não poderia fazer aquilo, nem viver num mundo onde minha irmãzinha não existisse. Você sempre foi muito boa comigo, sempre tentou cuidar de mim mas não pediu nada em troca. Eu preferi morrer do que te perder. O mundo precisava mais de você do que de um canalha como eu.
–Caleb...
–Eu fui um covarde, traidor mas estou arrependido. Esse tempo que passei longe de você sem querer te ver não foi porque eu te odiava, mas sim porque estava com vergonha e me sentindo culpado, você não merece um irmão como eu e eu também não mereço seu perdão, mas quero tentar ser o melhor irmão do mundo pra você.
–Eu te amo irmão! Você quase morreu por mim, como acha que eu não perdoaria você? Nós vamos dar um jeito nisso juntos okay? –digo chorando.
–Obrigado Tris! Não sabe quanto tempo eu passei me corroendo de medo. Me desculpe de verdade! –pede e eu o abraço.
–Está tudo bem, nós vamos ficar bem. Somos irmãos não é?
–Sim, somos. –ele ri. –Eu não deveria dizer isso, mas acho que devo um favor a ele.
–Não entendi, do que está falando?
–Tris, eu não teria tomado coragem de falar com você se não fosse por ele. Tobias passou esse ano inteiro no meu pé enchendo a minha paciência para que eu falasse com você, acho até que somos amigos agora.
–Tobias? Ele te obrigou a falar comigo? –começo a ficar furiosa.
–Não, ele apenas ficou me fazendo ter coragem de falar com você. Dizendo o quanto isso seria bom pra você e como você ficaria feliz com isso. Ele fala de você demais droga! Fica até chato sabia? –eu quase sorrio. –Parece um disco arranhado. Mas foi graças a ele que eu deixei de ser covarde e vim abrir meu coração pra você.
Não sei o que pensar, minha cabeça fica em branco. Porque diabos o Tobias se daria o trabalho de fazer algo assim pra mim?Ele não me odeia?
–Robert morreu.
–O quê? –grito assustada.
–Foi e ninguém sabe quem foi que fez isso.
Tobias. Com certeza foi ele, não preciso nem pensar duas vezes.
–E Christina?
–Sumiu há muito tempo. As empresas Eaton faliram depois de alguns meses e agora eu trabalho com o Tobias.
–Você o que? Ficou louco? Aquele homem é um monstro Caleb! –brigo, mas sinto meu coração saindo pela boca.
–Sei que foi, mas você o ama.
–Amo nada!
–Deixe de ser teimosa! O cara mudou Tris! Vá pelo menos conversar com ele.
–E por acaso ele conversou comigo quando ele me viu com o Robert? Não! Ele gritou comigo e achou que o meu filho era do Robert. Então ele que se foda! Nem que Tobias tenha virado o buda eu vou acreditar na bondade dele.
–Faça isso por mim sim? Eu levo o Theo pra casa e você vai encontrar com ele nesse endereço.
Me entrega um papel.
–Não acredito que está fazendo o trabalhinho sujo pra ele! Sabia que nem o Zeke é mais capacho dele? Aposto que foi ele quem te mandou fazer isso.
–Não foi não! E se ele souber que eu te dei o endereço dele, ele vai me matar. Então nada de falar que fui eu. –diz parecendo ser sincero.
–Não vou falar com ele!
–Então vá apenas quebrar alguma coisa nele. Ou então termine com isso de uma vez, dê um final a essa história que começou errado mas pode terminar certo.
–Eu odeio quando você me convence para fazer bobagens.
–É para o seu bem. Te amo!
–Também te amo! –sussurro e ele vai embora com o Theo.
Respiro fundo amassando o papel na minha mão, tenho que tomar uma decisão. Vou bater de frente com meu passado ou vou seguir em frente?
Pego um taxi e entrego o endereço que Caleb me deu. Sei que provavelmente vou me arrepender disso, mas não vou suportar viver com o “E se eu...” Como o Caleb disse, é melhor eu acabar logo com isso.
Estou suando frio quando desço do taxi, enxugo minhas mãos várias vezes no meu casaco azul antes de dar o primeiro passo. Me deparo com um estúdio de fotográfia e fico confusa. Será que o Caleb me deu o endereço errado?
Então me lembro de que Tobias sempre quis ser fotográfo, será que ele largou tudo para seguir seu sonho? Um pequeno sorriso brota em meus lábios, ele está mesmo mudando porque nem de longe esse pequeno estúdio se parece com sua enorme empresa.
–Ele não está ai! –grita um homem quando eu ia abrir a porta. –Tobias está alí em frente.
Ele aponta para a pequena praça que havia em frente ao estúdio.
–Obrigado.
–De nada Tris. –ele sorri.
–Como sabe meu nome?
–Quem aqui não sabe quem é você? –pergunta e aponta para a vitrine do estudio.
Me aproximo para ver mais de perto, na parede dentro do estúdio, logo na entrada tem uma enorme fotográfia minha. Eu estava deitada na grama, sorrindo para a foto. Eu me lembro dessa, eu estava feliz nesse dia.
–Ele espera você desde sempre. –diz o homem e depois vai embora.
Parece até que estou em um universo paralelo, onde Tobias é um homem bom e que gosta de mim. Não! Ele é um tremendo filho da mãe que me fez sofrer e eu o odeio. Olho para a praçinha e o vejo de longe tirando uma foto de um casal de velhinhos. Ele parece tão bem, tão o Tobias que eu conheci. Seu sorriso é sincero, não usa seus amados ternos e parece bem mais leve sem todo aquele gelo. Nem parece o idiota que me pediu para se casar de mentira com ele.
–Isso é um erro. –sussurro para mim mesma e me preparo para ir embora.
–Tris? –ouço aquela voz gritar. Me viro lentamente e o vejo do outro lado da rua me observando pasmo.
Já que estamos aqui, vamos pelo menos fingir que meu coração não perdeu uma batida quando ouvi ele me chamar.
–Parece que o principe de gelo perdeu a sua majestade não é mesmo? –sorrio irônica.
–E parece que a princesa não perdeu sua pose. –replica sorrindo abertamente caminhando até parar a poucos metros de mim. Sinto seu cheiro e todos os pelos do meu corpo ficam arrepiados.
–Sabe como é, uma vez princesa, sempre rainha. –implico e ele ri.
–Precisamos conversar.
–Não trouxe nenhum vazo, me desculpe. –digo e tento ir embora mas ele segura meu braço.
–Eu esperei um ano por isso Tris, agora minha querida rainha, nós vamos SIM conversar.
Opa! Fudeu!
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