Destinos Cruzados
51 Ele e ela
Notas iniciais
O sol já está alto quando ela abre os olhos. Sakura não se lembra quando foi a última vez em que dormira tão bem. Sem pesadelos, ou sem acordar a cada momento com uma angústia sufocante em seu peito.
Ela só sente que é bom.
Ela estica os braços enquanto sorri ainda sonolenta. Sasuke não está, e o lado dele na cama está frio. O que indica que ele acordara há muito tempo.
Ela se levanta e segue para o banheiro. Sente-se bem. Tão bem que ao olhar seu reflexo nos espelho, seus cabelos bagunçados, ou seus olhos inchados devido ao choro não a incomodam.
Ela coloca pasta na escova dental e olha para a banheira, depois para chuveiro. Um breve pensamento de banho passando por sua mente, mas ela o descarta por que não se sente suja. Não quando a lembrança das mãos de Sasuke sobre seu corpo são recentes e agradáveis.
O modo como ele a tocara, como foi compreensível e maravilhoso. Tão suave, sexy, calmo e amoroso. Tudo de uma só vez,a havia fazia se sentir extasiada.
Ele a amava. Ela sabia agora, e de algum modo podia sentir isso. Porque antes era como se estivesse embaçado.
Havia tantas coisas. Os pais dele, Sasori, Kenshin. Toda a culpa e magoa que ambos carregavam devido às escolhas que haviam feito no passado.
Essa culpa que ainda a fazia se perguntar se o que o unia a ela era realmente amor ou expiação.
Mas ele a amava.
Nenhum homem faria o que ele fez se não amasse. Mesmo que se importasse. Ninguém seria tão paciente e altruísta se não amasse profundamente. Agora ela entendia.
Entendia o porquê dele sempre dizer que tudo ficaria bem. Que não importava o que acontecesse, porque ele sempre daria um jeito.
O jeito dele era amar, proteger e cuidar. Mesmo que em certas ocasiões ele se excedesse, agindo como um idiota mandão. Ele ainda estava cuidando, amando.
É um pouco ridículo, ela conclui. Ter duvidas quanto ao amor dele por ela, quando sempre esteve nítido em suas ações. Mas no fim, havia acontecido tantas coisas que ela não iria se martirizar por isto.
— Sakura? — A voz dele continha um tom de preocupação. Ele apareceu atrás dela, e ela o fitou pelo reflexo do espelho.
— Sasuke.
— Tudo bem? — Ele pergunta, levando as mãos aos ombros dela. — Está com fome? Eu preparei o almoço.
— Eu acho... — Ainda o fitando pelo espelho ela diz. — Que posso ser forte agora.
— Sempre foi. — Sasuke fala, passando os braços ao redor dela. Colando as costas dela em seu peito, e ainda olhando-a pelo espelho. — Você sempre foi forte, Sakura.
— Mas eu me senti fraca. Eu só queria esquecer e odiar seus pais.
— Isso não faz de você fraca. — Ele responde. — Toda vez que olho para você, eu vejo alguém que passou por coisas não merecia, coisas horríveis. E odeio por ter sido minha família a causadora dessas coisas.
— Sasuke-kun...
— Quando eu olho para você — Continua. — Vejo a mulher que eu amei a vida inteira, a mãe do meu filho, e a mulher que amarei até o fim dos meus dias. Eu vejo alguém que não desistiu mesmo quando tinha todo o direito de fazê-lo, mas... Você está aqui comigo, com Kenshin. — Fala, mantendo os olhos fixos nos dela. -- E isso é mais do que posso pedir de você.
Havia novas lágrimas nos olhos verdes, mas ela o fitava com intensidade.
— Isso é força, Sakura. Não desistir. Nada do que você passou pode ser visto como bom. Eu nunca quero que pense que deve tirar alguma reflexão boa do que meus pais causaram a você. Quero que viva sabendo que eles são criminosos e merecem toda a raiva que você sente por eles.
— São os seus pais.
— São os meus pais, mas eles também são as pessoas que te machucaram da pior maneira. E mesmo eu não posso perdoá-los por isto, e não espero que você possa, ou sinta que deva. — Diz, e depois a vira para si.
Segurando o rosto dela com as mãos faz com que ela o olhe. —Você é forte, mas quero que saiba que o dia que não conseguir ser, eu serei por você. Serei forte por nós quantas vezes forem necessárias.
— Eu te amo, Sasuke–Kun — Respondeu. — Com a voz engasgada de emoção. — Eu amo você, muito.
Sasuke se inclina para beijá-la nos lábios. — Eu amo quando você diz que me ama. — Confidencia antes de reivindicar os lábios trêmulos. — Ás vezes eu quero gravar você falando que me ama, só para poder ouvir a cada segundo do dia.
— Você irá enjoar. — Sakura sorrir enlaçando o pescoço dele. — Obrigada, Sasuke –Kun. Obrigada por estar comigo. — Ela o olha. — Obrigada por ser a minha força quando eu não posso.
— Eu serei por quantas vezes for necessário. — Sasuke repete antes de beijá-la novamente.
~0~
Já é noite quando ela acorda sozinha no sofá. Ela suspira irritada por ter dormido durante o filme. Ela não acreditava ter tanto sono para repor que precisasse dormir a tarde, mas parecia que seu corpo entendia que sim.
Ela se levanta em busca do marido e o encontra no chuveiro.
A porta do Box esta aberta, e ela tenta não fazer uma careta quando vê a água molhar o chão do lado de fora.
Sasuke está com olhos fechados e ensaboando os cabelos.
Ela não diz nada. Apenas o observa até que ele termine.
É inevitável não lembrar-se das mãos dele ensaboando seu corpo horas atrás. Do modo como ele idolatrara, e acariciara seu corpo com as mãos e com os lábios.
De certo modo, ela se sente um pouco envergonhada por querê-lo dessa maneira. Quando não tem certeza de que conseguirá levar até o fim o ato.
Mas está além dela. Ele é seu, assim como ela é dele, e ela não pode se policiar quando o deseja tanto. Quando ele é tão, ou mais bonito do que sempre fora.
— Sakura? — A voz dele faz com que ela desvie os olhos do corpo másculo e o olhe nos olhos. Ela engole em seco. — Precisa de alguma coisa? — Ele pergunta, colocando os fios encharcados para trás.
Ela se aproxima, e entra no Box ainda vestida. Há uma pergunta nos olhos escuros.
A água está quente e agradável quando a molha, e faz com que a malha grude em seu corpo.
— Você me daria outro banho?
~0~
Ela seria a morte dele. Ele sabe. Do mesmo modo como ela era sua vida.
Ele se amaldiçoa mentalmente quando deixa os olhos vagarem pelo corpo molhado.
Deus! Ela era linda, e ele a queria.
Ele a queria de uma maneira diferente de horas atrás. Quando seu único pensamento foi fazê-la parar de sofrer.
Mas ali, com ela o olhando com aqueles olhos de cor impressionante e com os lábios cheios, ele a queria para si. Para aplacar seu desejo, e amá-la como um louco.
— Sakura... — Ele diz. A voz com um tom grave que indica cuidado.
— Você não quer? — Ela pergunta, e pega o sabonete e o desliza nas mãos até que forme espuma. — Eu darei um banho em você também. — Diz, levando as mãos ao abdômen dele.
Sasuke geme, rouco e necessitado antes de tirar as mãos dela de seu corpo.
Ele a beija com fome. Sua língua contra a dela sem muito cuidado.
Ela retorna o beijo na mesma intensidade.
Ele está excitado, muito. E acredita que mesmo que ela o toque e o faça vir com aquelas mãos macias, ele não se sentirá satisfeito.
Ele a quer. Quer senti-la por inteira enquanto a toma das maneiras mais deliciosas possíveis.
— Você quer aqui — Pergunta quando separa seus lábios dos dela. — Ou na banheira?
— Aqui. — Responde, antes de se livrar da blusa grande que gruda em seu corpo. — Quero aqui como naquela vez.
A blusa cai no chão, mas eles não se importam. Ela já estava nua por baixo, então não há necessidade de retirar nada e isso o lembra do motivo que o levara a tomar banho antes que ela acordasse.
Por um momento ele apenas inclina o rosto dela para que ele possa olhar. Ela é tão linda. Não há duvidas em seus olhos bonitos, e ele acaricia os lábios macios com a ponta do polegar.
Ele a terá no banheiro, embaixo do chuveiro como na primeira noite em que fizeram amor.
— Sasuke... — Ela sussurra, e ele a beija.
É doce, intenso, sexy e meigo. Tudo de uma só vez.
Eles já fizeram isso incontável vezes antes, mas de alguma maneira ele sente que é como a primeira vez desde que se reencontraram.
É um novo início. Sem o fantasma de um perseguidor, sem as mentiras e armações de sua família.
Ele a beija como se sua vida dependesse dos lábios dela. Suas mãos percorrem a pele macia apreciando cada centímetro.
Ela suspira dentro da boca dele, e ele treme.
Ele está duro, pulsante, dolorido.
Ele desce os lábios pela pele dela. Deixando marcas no pescoço alvo enquanto ela mergulha as mãos em seus fios escuros.
Deus! Ele havia sentido falta disto. Tanta falta que por um momento ele apenas fecha os olhos apreciando a sensação das unhas dela em seu couro cabeludo.
— Sas — Ela geme sentindo falta do toque em sua pele, e ele alcança os seios redondos.
Sua língua é implacável quando suga o bico rígido. Ela geme, e puxa com mais força seu cabelo.
Ele quer mais. Ele quer os gritos de prazer dela. O choro de êxtase.
Ele desce beijos pela barriga, mordendo levemente.
Ele está de joelhos com as mãos dela em seus cabelos.
Eles se olham por um momento.
A respiração dela para e ele quase sorri.
Ele separa a coxas macias, e ela treme.
Ele inclina a cabeça, e ela grita.
Ela é doce em sua língua. Se possível mais do que antes. Ela é quente, macia, e treme em suas mãos.
Ele a ama. E provará todos os dias, de todas as formas.
— Sasu... — É um sussurro, e ele se irrita pelo barulho do chuveiro que o impede de ouvi-la claramente.
Ele se retira e fica de pé. De sua altura ele a olha. Corada e excitada. Os olhos verdes escuros de desejo. Os cabelos um rosa, agora a escuro grudados ao redor do rosto atraente.
Ela é linda.
Ele a ergue fazendo com que ela rodie sua cintura com as pernas e fecha o registro do chuveiro.
Ele toca a testa dela com a dele e a olha nos olhos.
Suas respirações se chocam.
— Sasuke — Ela diz quando ele apenas a contempla. — Não pare.
Ele se move os tirando do Box do banheiro. — Onde vamos? — Ela pergunta incapaz de desviar os olhos dos dele.
Ele escova o nariz no dela, sorrindo quando responde. — Para a cama.
Ela o beija suavemente.
~0~
Ele a deita sobre a cama. Sustentando o corpo sobre o dela com as mãos e os joelhos enquanto a contempla.
Eles estão molhados, mas não frios.
Ele se sente quente, as pernas dela ainda estão ao redor de sua cintura, e os tornozelos cruzados sobre sua costas.
Seus corações batem em sintonia, e Sasuke se sente nervoso.
É impossível não se preocupar com o que estavam prestes a fazer.
Seu membro está a poucos centímetros do núcleo dela. E com apenas um movimento ele estará dentro dela.
Ele quer isso. Mais do que pode dizer, mas ainda não tem certeza se ela está preparada.
— Sasuke-Kun... — Ela diz o nome dele, e por mais que procure ele não consegue encontrar algo parecido com medo naquele olhar. — Eu estou bem. — Ela o assegura.
Mas ele não está.
Ele está duro, e excitado, mas não pronto para correr o risco de ver aquele olhar mudar para algo como medo ou horror.
Ele geme quando ela envolve o pênis dele com a mão.
Ele prende a respiração. Tenso. Quando ela guia o membro lentamente para sua abertura.
— Eu te amo. — Ela sussurra, e ele sente o calor dela o envolver timidamente.
É bom. Ele mal esta dentro dela e já se sente a ponto de explodir.
Ele respira fundo, e se move muito lentamente. É excruciante a doce tortura de senti-la macia e molhada ao seu redor.
Ela fecha os olhos com a sensação, e ele para. — Deixe-me ver seus olhos. — Ele diz quando ela os abre novamente.
Ele segura o olhar dela quando começa a se mover. Lentamente, ele se empurra para a passagem apertada. Observando sua expressão com um cuidado quase que exagerado.
Ela é quente, macia, úmida e incrivelmente apertada quando ele a separa.
Ele exala bruscamente sentindo as paredes vaginais se ondularem quando se encaixa profundamente dentro dela.
Por um momento ele fecha os olhos no intuito de segurar a vontade de movimentar o quadril contra o dela repetidas vezes.
Ela é perfeita, eles são perfeitos. Juntos.
Ela suspira, e ele a olha.
Ela está mordendo os lábios, e as unhas estão deixando marcas em seus bíceps.
O verde de seus olhos é escuro quando ela o encara e sussurra. — Faça amor comigo. Eu quero sentir você. — Ela continua. — Dentro de mim.
Algo dentro dele se regozija com o pedido.
Ela não teme. Não há nada na expressão ansiosa dela que lhe faça parar quando ele se retira para logo depois penetrá-la com ímpeto.
É perfeito, incrível.
Ele a beija, moldando o corpo dela totalmente ao seu enquanto a estoca em euforia.
Sakura geme, docemente. Sentindo-o e preenche-la a cada estocada com seu membro, e a cada beijo seu coração.
Não há espaço para traumas quando eles se tornam um. Nunca houve.
Há amor e compreensão.
Há o desejo de fazer um ao outro feliz.
E é isto. Nada mais. Apenas dois corações que se viram cruzados pelo destino.
Há um grito doce e melódico quanto ela alcança o ápice. Suas paredes se agarram a ele como se tentasse impedi-lo de deixá-la. Ele geme algo muito parecido com um rosnado. O prazer explode, e é o paraíso.
Eles arfam. Ela sorri, e ele a beija.
Ela dorme, e ele a olha.
Sasuke sente o peito doer ao contemplá-la. E ele pensa que talvez. Apenas por um talvez ele não a tivesse em sua vida.
Ele a agradece por ser forte. Por não ter desistido, por ter sobrevivido.
~0~
É muito mais tarde quando ela acorda e o pega a olhando com olhos sérios.
Ela desliza o indicador pelo rosto dele, se detendo nos lábios. Ele beija a ponta do dedo dela, e ela sorri.
— Você não dormiu? — Sakura pergunta,se aproximando mais dele.
— Não. — Ele responde, e ela inspira o cheiro que se desprende da pele máscula.
— Por quê?
— Há algo que eu quero fazer. — Ele diz, e se afasta.
— Sasuke –kun? — Ela franzi a testa quando ele se levanta. Ela se senta um pouco alarmada e o vê se ajoelhar a sua frente ao sair da cama.
Há uma caixinha de veludo azul marinho nas mãos dele. — O que está fazendo?
— Por medo eu nem sempre fiz as coisas certas para nós. — Ele fala sem lhe dar uma resposta. — Eu te amo. Amo-a mais do que a minha própria vida e sempre serei grato por você não ter desistido quando eu não estava por perto. — Diz a olhando profundamente.. — Eu sei que serei grato todos os dias em que acordar e olhar para o seu rosto.
— Sasuke-kun... — Há um caroço na garganta dela quando percebe a intenção dele.
— Eu sempre farei o possível para fazê-la feliz, então, Sakura, você aceita se casar comigo?
Emocionada ela olha.
O amor de sua vida, ajoelhado a sua frente pedindo para que se case com ele.
Não há o que pensar, mas ela toma uma decisão enquanto o olha.
Seus cacos foram recolhidos, e agora ela iria se fortalecer e colar um por um.
Ela havia feito isto por Kenshin um dia, mas ela faria por ela desta vez. Porque das três opções que ela sempre tivera, morrer estava muito longe de seus pensamentos agora. Então, lhe sobrara seguir em frente, ou deixar que a dor e o trauma comandassem seu destino. E isso ela não estava disposta a permitir.
Não mais.
Ali naquele momento, com o amor de sua vida ajoelhado a sua frente ela escolhe viver.
Viver por si mesma.
Mesmo sabendo que teria dias em que as lembranças doeriam novamente. Que dias ruins viriam e a fariam desejar esquecer ou se esconder. Mas ela também sabe que esses dias passarão e ela continuará a ter as pessoas que mais ama ao seu lado.
— Sim, Sasuke-Kun. Eu aceito me casar com você.
Ele sorri, e há algo como um alívio em seu rosto.
Demorara o suficiente para que ele fizesse as coisas corretamente.
— Eu te amo, Sakura Uchiha! — Fala ao deslizar o anel no dedo dela.
FIM!
Fale com o autor