Destinos Cruzados
33 Despedaçando...
Notas iniciais
Quarto dia após o desaparecimento
– A informação é falsa.
– ... – Itachi ficou mudo ao telefone.
– Você está parecendo seu irmão mais novo. – Kisame disse aleatoriamente enquanto esperava uma resposta.
– Você está ficando lento. – Itachi respondeu depois de um tempo.
– Odeio admitir, mas não estamos lidando com um alvo fácil.
– Sabe que está á quatro dias atrasado. – Itachi disse sério. – Estou começando a achar que você está regredindo.
– Vou encontrá-lo para você, mas precisarei me manter nas sombras.
– Faça o que for preciso.
– Os cachorrinhos do seu irmão já descobriram sobre o envolvimento dos seus pais com Sasori... – Você tem pouco tempo para impedir que seu irmão coloque aquela magnífica Mansão baixo.
– Pensei ter mandado você se livrar das possíveis testemunhas. – Itachi pontuou sombrio.
– Sempre escapa uma ou duas – Kisame disse despreocupado. – Mas, você despachou os matriarcas para o Japão, com o que está preocupado?
– Não são eles que me preocupam.
~0~
Não havia muitas coisas se passando pela sua cabeça enquanto destruía o que podia na mansão em que um dia morara.
Na realidade o que predominava em si, era raiva, revolta, desconfiança, magoa.
A cada golpe que dava com o bastão em suas mãos, era como se acertasse a si mesmo.
Havia cacos de vidro e madeiras voando por toda parte, algumas empregadas correndo assustadas para fora da mansão enquanto toda a fúria e magoa eram extravasadas.
Quebrar moveis e cristais, destruir o que tivesse na casa em que seus odiáveis pais tinham tanto orgulho. Era só isso em que podia pensar.
Como eles puderam... Seus próprios pais...
A cada vez que pensava sobre isso era como se uma parte de si fosse arrancada. Eles nunca foram os melhores pais, Sasuke sabia, ele sempre soube, mas, até mesmo para eles deveriam existir limites... Limites do tipo de não destruir a vida da mulher que seu filho amava. Sasuke queria fazer perguntas, exigir respostas...
Mas, eles não estavam nem ali para que pudessem vê-lo transformar aquela Mansão em pó.
Eles não estavam ali para que pudesse arrancar a verdade daquelas bocas infelizes.
E o motivo deles não estarem ali era o que mais o desesperava.
“ Seu irmão os mandou para o Japão”
– Itachi... – Sasuke sussurou infeliz.
~0~
A biblioteca estava silenciosa quando Itachi entrou, mas, o silêncio não era tranqüilizante.
Qualquer outra pessoa pensaria que o local estava vazio, mas, não ele.
– Sasuke... – Itachi disse quando ele caminhou em sua direção.
– ... — Mais uma vez não havia necessidade de palavras entre eles. Respirando fundo Itachi foi o primeiro a romper com o silêncio.
– Eu não menti para você. – Itachi falou e Sasuke cessou seus passos. O copo com a dose de Uísque em sua mão esquerda ainda estava cheio. As pontas dos dedos tornaram-se brancas quando ele os tencionou sobre o cristal caro.
– Você não sabia? – A pergunta soou sem demonstrar nenhuma emoção. Mas, Itachi o conhecia melhor. – O serviço secreto – Sasuke continuou. – Você fez tanta questão que eu fosse... – Houve uma pausa quando ele levou o copo aos lábios tomando a bebida quente. O Uísque parecia não ter gosto naquele momento. — Mesmo quando eu estava em dúvida por causa dela... Você insistiu tanto... E isso me faz pensar se não havia um motivo...
– Naquela época eu não sabia – Itachi o cortou. – Você era só um garoto apaixonado demais, e quis ter certeza que você realizasse o sonho de...
– Quando você soube?
– Quando Sakura apareceu.
Uma risada cruel saiu dos lábios de Sasuke.- Não pensou em me contar que nossos pais haviam contratado um maluco para perseguir minha mulher? – Perguntou cínico.
– Me pareceu irrelevante quando confirmei que eles não mantinham mais contato.
– Irrelevante... – Sasuke repetiu. – Irrelevante para quem? – Gritou. – Eu confiei em você e todo esse tempo você me pediu para cuidar de Sasori por que queria evitar que eu soubesse sobre o envolvimento dos nossos pais com aquele desgraçado.
– Sasuke me ouça... – Itachi pediu. – Não era um perigo.
– Não era um perigo? – O copo atingiu a parede espatifando-se em milhares de cacos. – Como manter meu filho perto daqueles abutres não era um perigo? – Perguntou.
– Foi um erro. – Itachi admitiu.
– O erro foi meu por deixá-lo cuidar dos meus assuntos.
– Sasuke...
– Eu não posso lidar com você agora, Itachi – Sasuke o cortou. – Tenho coisas a resolver. – Tire seus homens de campo. – Disse dirigindo-se a porta – Eu assumo daqui pra frente.
~0~
A última coisa que ele queria naquele momento era ter que deixar Kenshin sozinho, mas levando em consideração a situação ele não via outra opção. Confiar em Itachi sempre fora a primeira coisa que sempre fizera, mas revendo os últimos acontecimentos ele não possuía mais a certeza se podia apenas sentar e esperar.
Entrando no quarto Sasuke fitou Kenshin deitado em sua cama. As mãos dele seguravam firmemente o travesseiro com o qual Sakura dormia. Ele não podia deixar de sentir uma dor em seu peito com a cena. Aproximando-se ele acariciou os cabelos lisos de seu filho não se surpreendendo quando os olhos escuros se abriram e o fitaram sonolentos.
– Papai... – Kenshin sentou-se.
– Eu estou saindo. – Sasuke disse direto.
– Quero ir com você. – Kenshin respondeu totalmente desperto
– Escute-me – Sasuke segurou o rosto dele. – Eu vou encontrar sua mãe e trazê-la para você, mas preciso que fique e seja um bom garoto.
– Não posso ir encontrá-la com você?
– Será perigoso – Respondeu. – Sua mãe não me perdoaria se eu te colocasse em risco. – Consegue entender isso?
– Papai...
– Diga.
– A Mamãe está bem?... – Aquele homem vai machucar a minha mãe de...
– Sua mãe é forte – Sasuke o cortou. – Ela está bem não se preocupe.
– Eu li na internet que...
– Shiii! – Sasuke o abraçou. – Sua mãe está bem – Disse o tranqüilizando. – Ela tem que estar.
~0~
– O que está pensando em fazer? – Itachi perguntou quando Sasuke saiu do quarto.
– Além de encontrar minha mulher, nada. – Sasuke respondeu.
– Temos que conversar. – Itachi o seguiu.
– A hora para conversas passou. – Sasuke o olhou. – Estou deixando Kenshin com você, cuide bem do meu filho e o mantenha longe da internet.
~0~
– Onde estamos indo? – Naruto perguntou assim que Sasuke entrou dentro do carro.
– Ver um velho conhecido meu.
~0~
Havia um sentimento de satisfação enquanto ele a olhava encolhida e amedrontada no quarto.
Ele mal cabia em si mesmo de tanta felicidade que sentia naquele momento.
Ele adorava essa brincadeira. – Vai continuar fugindo de mim minha flor? – Ele perguntou com um sorriso enorme no rosto cruel. – Faz idéia do quanto senti sua falta?
– Fique longe de mim! – O desespero na voz dela era quase como música aos seus ouvidos.
– Mais do que já estive? – Sasori se aproximou.
– Não, por favor... Não faça isso, Não faça isso comigo...
Ele sentia seu corpo tremer, a cada grito, a cada vez que aqueles olhos tornavam-se mais e mais apavorados.
Perfeita...
Ele era tão louco, tão louco e raivoso por ela.
Suas mãos a agarraram com violência.
E ela estava lutando contra ele tão desesperadamente que ele só podia sentir raiva.
O Primeiro tapa que ele acertou no rosto dela foi forte o bastante para a deixar tonta.
– Você luta assim quando está com o Uchiha? – A pergunta saíra dos seus lábios com a mesma rispidez com que ele rasgara a roupa no corpo dela. – Eu sei que você acredita que ele virá aqui salva-la assim como seu irmão fizera uma vez, mas eu não vou permitir isso. – Disse surdo aos gritos de socorro dela.
Acertando outro tapa no rosto dela ele segurou a face ferida com ambas as mãos. – Mesmo se ele vier, você não será dele por que eu vou marcar cada parte de você, eu vou deixá-la tão suja, tão suja que quando ele tocar você, você só conseguirá pensar em mim.
~0~
Quando ele terminou havia sangue, suor, lágrimas e uma alma quebrada.
Ele a olhou com uma adoração doentia.
– Isso é tudo culpa deles minha flor... – Sussurrou no ouvido dela. – Foram eles, aqueles velhos que me pediram para te tirar do caminho, mas eu nunca faria isso. — Me desculpe por ter machucado você.
Continua...
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