Destinos Cruzados
48 Colando...
Notas iniciais
A noite estava fria. O vento gelado soprava abaixo das nuvens carregadas que encobriam as estrelas. Itachi desviou o olhar do céu e fitou Sasuke. — Como ela está?
— Não acho que você mereça uma resposta. — Respondeu sem o olhar. Os olhos escuros transmitindo o mesmo humor da tempestade que se aproximava.
— Eu me preocupo com ela – Disse ouvindo uma risada sarcástica de Sasuke logo após. — Não parece se levarmos em conta que se você tivesse nos informado ela não estaria do jeito que está hoje. — Sasuke retrucou o encarando. A raiva e a mágoa eram suas companheiras constantes nas últimos semanas.
— Você nunca irá me perdoar — Itachi, disse o encarando de volta. Mantendo o olhar firme contra o de Sasuke. — Nada que eu diga irá mudar o que fiz, Sasuke, eu...
— Você se arrepende?
— Todos os dias – Itachi respondeu sincero. — Eu gostaria de poder voltar no tempo e impedir tudo o que aconteceu. Impedir nossos pais, impedir você de sair do jeito que saiu mas, eu não posso. — Eu cometi um erro tão amador... eu não queria que você e nossos pais entrassem em mais conflitos e… Me perdoe… Eu sei que cometi um erro e, esse erro quase custou a vida de Kenshin e Sakura.
— Não é meu perdão que você deve pedir – Sasuke disse. — Eu não odeio você, eu não poderia. Você é meu irmão.
— Eu estive com Sakura – Itachi confessou e ignorou o olhar surpreso e confuso de Sasuke .
— Quando? — Perguntou.
— Eu estava disposto a revelar toda a verdade para ela mas…
— Mas?
—Ela não me deu tempo – Itachi sorriu irônico e voltou a fitar a paisagem. — Ela foi mais rápida.
— Explique-se melhor – Sasuke exigiu.
— Ela disse que sentia muito
— O quê?
— Ela disse que sentia muito mas, nunca poderia perdoar nossos pais. — Itachi o olhou e Sasuke vislumbrou o arrependimento nos olhos dele. — Que ela se sentia mal por nós, por que apesar de tudo que eles fizeram eles ainda são nossos pais, mas eles nunca irão chegar perto dela e de Kenshin novamente.
— Porque não me disse? — Sasuke perguntou.
— Eu me sinto envergonhado – Itachi o olhou. — Eu não tive coragem de contar a ela a verdade por que não quero ser afastado de Kenshin, de você, e nem dela. Vocês são a minha família.
Pela primeira vez Sasuke não sabia o que dizer ao seu irmão. Pela primeira vez ele vislumbrava o rosto angustiado e envergonhado de Itachi. — Sakura… — Sasuke falou depois de um tempo. — Disse que nunca me perdoará se mentir ou esconder algo dela novamente. — Seus olhos se encontraram com os de Itachi.
— Eu farei o que você quiser. — Itachi disse sem desviar seus olhos dos dele.
— Nunca diga – Sasuke o fitou. — Nunca, carregue para o túmulo com você mas, nunca diga à Sakura ou à Kenshin que você sabia que nossos pais estavam envolvidos com Sasori…
— Sasuke…
— Deixe- me terminar – Sasuke o cortou. — Eu não posso, e eu não quero perder minha mulher…Mas se isso acontecer por sua causa eu não vou te perdoar.
— O que você quiser – Itachi o olhou. — Contanto que você tenha certeza.
— Preciso voltar para casa. — Sasuke disse dando as costas para Itachi.
— Você sabe uma coisa? – Itachi perguntou antes que Sasuke entrasse no carro.
— O quê?
— Somos dois filhos da puta e egoístas.
— Talvez seja uma maldita herança de família.
— Talvez… — Itachi sussurrou quando o ouviu dando a partida.
Sasuke não tinha certeza se estava fazendo o certo em impedir que Itachi dissesse toda a verdade para Sakura. Talvez seu irmão tivesse razão e eles eram apenas uns malditos egoístas mas, ainda assim, ele sentia que seria mais um baque para ela saber que Itachi sempre soubera de tudo, ela não iria perdoa-lo.
Ela iria se machucar mais uma vez e ele preferia queimar até as cinzas do que permiti que ela sofresse mais. Aquela, Sasuke prometeu a si mesmo, seria a última vez que esconderia algo dela.
~0~
Quando ele chegou em casa encontrou Sakura e Kenshin deitados no sofá enquanto um filme com o volume muito baixo passava na televisão. Kenshin acariciava lentamente o cabeça rosada apoiada em seu colo enquanto Sakura dormia.
Se tornara rotineiro aquela cena. Sofá, Kenshin, Sakura e ele mas, ainda assim era uma visão de que Sasuke nunca se cansaria. Naquele elegante sofá estava todo o seu mundo. Tudo pelo qual ele vivia e protegia se resumia nas duas pessoas alheias a sua presença naquela sala.
Quando Kenshin o percebeu ali sasuke pode ler o olhar meio zangado que ele lhe lançou. “Você disse que não demoraria” Pode ler perfeitamente naqueles olhos escuros.
“Desculpe” Pediu quase silenciosamente enquanto se aproximava e Kenshin o olhava desconfiado.- Vou leva-la para a cama – Sussurrou pegando Sakura no colo.
~0~
— Tudo bem? — Sasuke perguntou quando retornou para sala.
— Sim, mas você perdeu o filme. — Kenshin disse.
— Estava com seu tio Itachi – Explicou se sentando ao lado dele no sofá.
— Ele está bem? — Kenshin o olhou. Os olhos sondando em busca de respostas para perguntas não feitas.
— Sim, um pouco ocupado. – Sasuke o olhou. — Ele deve nos visitar este fim de semana.
— Tio Gaara esteve aqui – Disse mudando de assunto enquanto escolhia novamente o filme. — Ele saiu um pouco antes de você chegar. — Explicou.
— O encontrei na garagem – Sasuke confirmou. — Temos mesmo que ver um flme de animação? — Perguntou quando Kenshin selecionou o filme no painel.
— Sim – Kenshin sorriu. — Foi o que a mamãe escolheu. -Disse, usando como desculpa para poder reassistir o filme.
— É divertido pelo menos? — Perguntou antes de se esparramar no sofá junto com Kenshin.
— Papai?
— Diga.
— A mamãe vai ficar bem?
— Vou fazer todo o possível para que sim – Sasuke o fitou e acariciou os cabelos rebeldes dele.
— Eu também irei.
— Nós vamos – Sasuke o abraçou. — Nós vamos…
~0~
— Eu acho que você pode voltar a trabalhar – Sakura falou enquanto Sasuke a servia o café da manhã. — Eu ficarei bem, então você não precisa...
— Sakura – Sasuke se sentou em frente a ela . — Eu não trabalho por que preciso, e sim, por que eu quero. — Explicou. — Minha prioridade é você, sempre será.
— Mas… — Ela mordeu os lábios enquanto o via pegar um morango com o garfo. — Eu sei que você gosta de trabalhar e agora que estou fazendo terapia...
— Eu posso trabalhar de casa – Sasuke a cortou, eu venho fazendo isso você sabe.- Disse, a oferecendo o morango espetado no garfo, o qual ela aceitou. — Doce? — Perguntou. Ela confirmou com a cabeça enquanto mastigava a fruta suculenta. Os olhos escuros dele estavam focados nela. Em cada reação.
Deixar de trabalhar para ficar de olho nela era sua total prioridade. Já havia passado mais de uma semana que ela tivera a última crise de pânico e mais de três meses que ele havia deixado de ir a empresa. Desde então ele estava vigilante sobre suas ações, seu humor. Ele não gostava nem de imaginar o que teria acontecido se ele não tivesse chegado à tempo quando ela tivera sua primeira crise desde o acontecido. Deixa-la sozinha enquanto ele ia para empresa e Kenshin estava na escola não era uma opção, não mais, não enquanto ela ainda se mostrava tão frágil.
Ele seguiu a mão dela enquanto partia um pedaço de panqueca levava a boca. Um pequeno sorriso, quase imperceptível se desenhou em seus lábios. “Pelo menos ela estava se alimentando novamente”
Nos últimos meses faze-la se alimentar tinha se mostrado quase impossível. Ela nunca sentia fome e quando comia era só depois de muita insistência sua e de Kenshin. Obviamente, a perda de peso havia sido perceptível. Os braços estavam mais finos e a clavícula bem mais funda, e isso o estava preocupando com a mesma intensidade que as crises de choro e os pesadelos constantes que ela tinha.
Ele havia perdido as contas de quantas noites passara em claro enquanto ela soluçava em seus braços. E cada vez seu coração se apertava mais e mais pelo sofrimento dela.
“Eu quero sair dessa casa” Ela lhe dissera uma noite enquanto ele a acalmava depois de mais um pesadelo. “Nós podemos nos mudar? Eu não quero viver em um lugar onde eles pisaram... Toda vez que eu passo pela sala de jantar eu lembro deles ali… Tão soberbos, tão…”
Sasuke acariciou o rosto dela a fazendo o fitar. Ele não queria que ela chorasse novamente. “Podemos morar onde você quiser” Dissera à ela enquanto fitava os olhos tristes. Eu farei qualquer coisa que você quiser”
“Me desculpe? – Ela pediu, e Sasuke a olhara sem entender – Eu estou sendo tão ruim para você – Explicou”
“ Não, não – Sasuke segurou o rosto pequeno com ambas a mãos. Não peça desculpas… — Ambos estavam sentados sobre os próprios calcanhares enquanto se fitavam. — Você não tem que se desculpar por nada”
“ Você também não -Sakura levou as mãos sobre as dele que seguravam seu rosto suavemente. — E ainda assim você está sendo tão paciente comigo e eu tenho sido tão...”
“Não – Sasuke dissera. — Não importa o tanto que você grite comigo, o tanto que você me culpe pelo que aconteceu, ainda assim eu vou levar tudo, eu posso aceitar tudo desde que seja você por que eu te amo… Desde que seja você eu segurarei toda a sua raiva, toda sua dor… — Os lábios dele acariciaram os dela suavemente. — Eu não posso viver sem você, Sakura”
“ Não é justo, Sasuke-Kun… Não é justo o que eles fizeram com a gente”
“ Nós vamos superar isso – Sasuke assegurara. — Eu prometo”
Afastando as lembranças Sasuke a fitou enquanto ela terminava de comer a panqueca. — Que tal nós irmos olhar algumas casas hoje? — Perguntou quando ela pegava mais um morango.
— Sério? — Os olhos verdes focaram-se nos dele. — Vamos nos mudar?
— Se você quiser – Sasuke sorriu quando percebeu a animação dela. — Separei três casas em bairros residenciais mas, a escolha final é sua.
— Estamos nos mudando? — Kenshin entrou na cozinha chamando a atenção dos dois. — O que você acha? — -Sasuke perguntou.
— Eu terei que mudar de escola também? – Perguntou dando um beijo na bochecha de Sakura antes de fazer o mesmo com Sasuke.
— Não – Sakura respondeu. — Não vamos nos mudar para muito longe.
— Contanto que eu esteja com vocês – Kenshin sorriu maroto. — Por mim tudo bem.
— Com quem mais você estaria? — Sakura perguntou apertando suavemente a bochecha dele.
Ele sorriu sem responder. — Mamãe, você já comeu?
— Muito – Sakura respondera levando outro morango a boca.
Continua...
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