Destinos
4 Um pai com segredos?
Ao me virar me deparei com um garoto, aparentemente 1.70 de altura, cabelos pretos curtos, olhos castanhos claros, pele pálida e ele me alisava assim como eu. Ele tinha um olhar que me dava calafrios por todo o corpo, usava uma blusa preta marcando seu peitoral definido, uma calça preta colada e um tênis. A forma como me olhava me deixou totalmente sem jeito.
— Quem é você? -disse automaticamente tentando tirar aquela tensão toda. Ele pareceu notar que havia percebido sua forma de me olhar, sorriu de canto e balançou a cabeça.
— Tyler Connor! — disse agora serio.
— Sou Joy Forbes, sou nova aqui — falei por fim- Porque falou aquilo? — disse me referindo a frase que ele citou sobre a trilha. Ele sorriu balançando a cabeça, acho que ele não esperava que eu fosse acreditar, talvez.
— Ah não, falei brincando. Vi a forma como você encarou a trilha e pensei em dá um susto, estava observando você hoje mais cedo no colégio. — Fiquei sem reação, aquele garoto era estranho.
— Você é estranho! — ele soltou uma risada abafada- Há não achei legal o susto, eu poderia ter tido um ataque cardíaco.
— Mas não teve- deu de ombros- Você vai mesmo entrar ai?
Virei-me novamente para encarar a trilha, agora tinha uma nevoa sobre o chão impedindo enxergar o caminho. Virei-me agora para Peter que me olhava desafiador com os braços cruzados.
— Não mais, meu pai já deve estar em casa a minha espera, ele odeia atrasos.- disse dando um passo a frente, Peter se aproximou fazendo nós ficarmos frente a frente. Ele afundou seus olhos nos meus e sorriu sem mostrar os dentes.
— Até logo Joy. — disse se afastando e seguiu seu caminho.
Há algo nele que me soa encrenca, descobertas e um ar de mistério. Tirei esses pensamentos da minha cabeça e sai dali. Algumas casas depois e logo avistei a minha, no fim da rua. Ao seu lado uma ponte que dá acesso a floresta de pinheiros.
— Cheguei. — disse ao fechar a porta logo atrás de mim. Não houve respostas, mas da cozinha ouvi vozes. Sorri e caminhei até a mesma, iria dá-lhes um susto. Ao me aproximar o assunto do qual tanto falavam em um tom baixo me chamou a atenção.
— Mary aqui está a chave do sótão, tome muito cuidado. Arrume apenas o necessário e não mexa em nada. Estou confiando em você. — Finalizou meu pai ao entregar a chave. O que tinha naquele sótão que papai fazia questão de mantê-lo a sete chaves?
— Sim senhor. — Mary guardou a chave e voltou a sua tarefa.
— Olá. — disse me sentando adentrando a cozinha como se tivesse acabado de chegar.
— Oi Filha, como foi no colégio? — perguntou me cumprimentando com um beijo na testa, Mary apenas sorriu para mim.
— Foi legal pai, já tenho uma amiga. Ela se chama Cande, hoje vamos sair para que eu possa conhecer a cidade. — disse animada.
— Fico feliz filha, eu já tenho um emprego e você uma amiga, e as coisas estão indo tudo tudo sobre controle, confesso que não esperava isso. — disse serio encarrando o nada, como quem buscasse algo lá no fundo da memoria.
— Como assim pai? — disse achando graça.
— Ah, nada não minha filha! Agora tenho que voltar ao hospital, hoje ficarei de plantão. Mary irá dormi com você e tome cuidado, não chegue muito tarde do passeio. — disse se despedindo e saindo pela porta.
Mary preparou o almoço, ela cozinha muito bem. Pedi que almoçasse comigo e assim o fez. Quando terminamos a ajudei arrumar a cozinha mesmo contra sua vontade.
Subi para o meu quarto, Cande tinha acabado de mandar mensagem avisando que estaria aqui as três da tarde, finalizei a mensagem com o meu endereço e fui tomar banho. Alguns minutos depois, fui para meu closet escolher uma roupa. Uma calça jeans rasgada preta, uma regata branca com uma frase qualquer e meus tênis vans.
Meu cabelo é preto e longo, tinha acabado de seca-los e amarrei em um coque para termina de me arrumar, vesti minha roupa e coloquei meus tênis, peguei uma blusa de manga xadrez e amarrei a mesma na cintura e para concluir peguei alguns acessórios. Já estava pronta quando ouvi alguém entrar com uma voz animada, era Cande.
Desci as escadas rindo, Cande era um tanto histérica para tudo ela tinha que bater palmas e gritos de animação. Ao me ver, ela sorriu.
— Uau você está divina. — disse me avaliando do pés a cabeça.
— Obrigado, você também está divina. — Confesso que Cande tinha um bom gosto e um estilo único. Ela usava um vestido preto básico, uns acessórios e uma botinha preta também, amarrou uma jaqueta na cintura assim como eu, mas era Jeans e não xadrez. Nos despedimos de Mary e saímos, Cande disse que o centro não ficava longe e que poderíamos ir caminhando e apreciando a paisagem.
O centro era bem mais movimentado que as ruas do bairro, tinha comércios por todos os lados, lojinhas de CD's, livros, acessórios e etc. Caminhos até a praça e nos sentamos em um dos bancos.
— Cande, conheci um garoto hoje. Ele se chama Tyler Connor. — Ela me olhou e deu um sorriso de canto.
— Tyler Connor? — me olhou e balancei a cabeça em forma de sim. — Ele é meu irmão! — fiquei supressa ela não disse que tinha um irmão.
— Não sabia que tinha um irmão, ainda mais estranho. Desculpa, mas ele me passou uma imagem de ser um estranho. — ela sorriu.
— Não tem problema chama-lo assim, não considero um irmão somos de pais diferentes, pode ver que nossos sobrenomes não são os mesmo. Ele é mais velho que eu, quando ele era bebe ainda, nossa mãe se separou e um tempo depois conheceu meu pai, se envolveram e casaram, com um tempo nasceu eu, e Tyler passou a "odiar". — sorriu sem humor algum.
— Nossa — foi o que eu consegui dizer- Ele não sabe a irmã maravilhosa que tem. — a abracei ela sorriu.
— Meu pai faleceu, agora só somos nós três. — pude sentir em sua voz a falta que ela sente do pai, é o mesmo que sinto em relação a minha mãe.
— Ei, não fique assim perdi minha mãe e sinto muito a falta dela, mas assim como seu pai ela está me protegendo. — sorrimos e apertamos ainda mais o abraço.
Depois daquele papo todo, levantamos e seguimos nosso passeio, havíamos ido ali para nos divertimos. O passeio foi bem legal, pude ver o brilho voltar novamente no olhar de Cande, e me senti feliz por aquilo. Fomos em diversos lugares, tiramos umas fotos e compramos algumas coisas.
Já em casa em meu quarto estava deitada lendo um livro, Mary já estava deitada no quarto de hospedes , ouvi um barulho na janela e levantei para ver o que era. Conforme o vento acessava aquela noite, um galho bateu em minha janela. Voltei para minha casa, deixei o livro na mesinha que tinha ao lado de me virei para dormi, teria que acorda cedo para ir a aula.
" Uma neblina se espalhava pela floresta de pinheiros, dificultando enxergar algo no ambiente. Ao longe podia se ouvir sons de corujas pela noite escura e gelada. Havia uma garotinha ali, perdida. Ela caminhou um pouco adiante, e a neblina ia se espalhando fazendo a garota seguir uma trilha, mas a frente já podia se ver uma casa grande aparentemente abandonada a um bom tempo. A garota foi alisando tudo calmamente até que ao olhar para a esquerda do jardim viu uma montanha de corpos mortos que pareciam estarem um tempo ali já. Ela saiu correndo pelos pinheiros e mas a frente tropeçou em algo caindo no chão gelado da mata, pode ver a sua frente uma silhueta de alguém a olhando..."
Joy acordou assustada e ao olhar no relógio viu que ainda era duas da manhã.
Fale com o autor