Notas iniciais
Não gosto de descrever ambientes, e muito menos criá-los sem nenhuma referência, portanto digo que a loja que criei é similar à loja de Yuuko (xxxHolic) Algumas imagens para referência: http://media.animevice.com/uploads/0/4177/213821-yuko_super.png // http://img4.wikia.nocookie.net/__cb20100607012405/xxxholic/images/c/cd/0.jpg

Era uma manhã nublada, e Yuki estava saindo do hospital e indo para sua casa. Recebera alta no dia anterior, após ficar três dias internada por ter sido atropelada, porém decidira passar mais um dia no hospital devido à sua irmã mais nova, que há algumas semanas contraíra uma doença grave desconhecida e não estava tendo aparentemente nenhuma melhora, seu estado somente piorando gradualmente.

Chamou um táxi, pois andar até sua casa naquela condição, embora não fosse muito longe, poderia ser muito exaustivo e piorar sua situação, e enquanto estava à caminho de sua casa, resolveu ligar para a amiga, Tomo, que ficara muito preocupada ao saber do acidente.

– Sim, Tomo-chan, estou voltando para casa. Não, não vou para o colégio hoje. Acho que não vai adiantar, porque não consigo parar de pensar na Megumi... Não vou conseguir prestar atenção nas aulas. Posso pegar a matéria com você depois, né? Ok... Obrigada, Tomo-chan. Até. – E ela desligou. – Ah, senhor... será que poderia me deixar ali em frente? – Ela dirigiu-se ao taxista, apontando para uma casa de dois andares, com um alto muro com estacas de madeira na frente e cerejeiras ao redor.

O taxista estacionou o carro e Yuki deu lhe o dinheiro e saiu apressadamente do carro, que desapareceu em questão de segundos.

Ela foi caminhando lentamente, e parou quando chegou à casa. Aquela casa estar ali era algo estranho, pois ao redor só havia prédios, a maioria com mais de cinco andares. E embora passasse por aquela rua bem frequentemente, nunca havia notado aquela casa. Tudo o que lembrava era de ter visto um terreno vazio. Estava intrigada, e sua curiosidade tomou-lhe conta, e acabou se aproximando, passando pelo largo espaço entre uma extremidade e outra do muro que davam acesso à uma larga porta de entrada.

Parou em frente à porta de entrada, e ficou por alguns segundos sem ação. Quando resolveu então bater na porta, esta foi aberta por uma garota de cabelos longos e castanhos e olhos verdes, com um yukata branco e rosa, que olhava Yuki sorridente.

– Olá, posso ajudar? – Perguntou da maneira mais simpática possível.

– Ah, desculpe... eu só... uhm... como posso dizer? – Yuki abaixou a cabeça, não conseguindo encontrar as palavras certas para falar.

– Por acaso gostaria de conversar com a mestra?

– Mestra? Perdão, que lugar é esse?

– É uma loja.

– Uma loja do quê?

– De desejos.– Veio uma voz desconhecida, do fundo do corredor.

Apareceu então, uma mulher alta que deveria ter seus vinte e poucos anos, com cabelo preto, longo e liso, e misteriosos olhos purpúreos. Vestia um kimono lilás florido cuja manga se estendia quase até o chão. Tinha um leque combinando com o kimono em sua mão esquerda, e na direita, segurava o que aparentava ser um amuleto. Pendurou o amuleto num suporte de parede, e então voltou o olhar à Yuki, que apenas observava a mulher silenciosamente.

– Mestra. – A garota disse e reverenciou, afastando-se dali e deixando as duas a sós.

– Qual o seu nome? – A mulher perguntou.

– Y-Yuki...

– Quantos anos?

– 16.

– Sabe o que a trouxe aqui?

– E-eu só estava curiosa para saber que lugar era esse, porque eu nunca tinha visto antes... Não queria incomodar ou nada do tipo, então posso ir embora se...

– O destino. – A mulher a interrompeu, e Yuki soltou uma expressão confusa. – O destino a trouxe aqui. Nunca viu este lugar porque não precisava ver.

– Quer dizer então que agora eu preciso?

– Quero dizer que você procura por algo que esse lugar pode lhe oferecer.

– E o que esse lugar pode me oferecer?

– Depende do que você procura. E o que seria o que você deseja?

– O que eu desejo? Isso é algo complicado de se pensar assim de repente.

– Aquele desejo que cresce forte em seu interior. Não necessariamente algo que deseja para você, mas talvez para alguém próximo.

– Algo que quero para alguém próximo...

– Mestra! O chá está pronto! – A garota anunciou sorridente, apontando com ambos os braços a direção para a sala de visitantes.

– Já era hora de entrar e se sentar. Venha. – A mulher a chamou e foi andando até a sala, com Yuki logo atrás.

A sala de visitantes era um lugar amplo com um sofá de três lugares e um sofá de dois lugares e uma mesa retangular de centro. A proximidade da mobília dava ao ambiente uma aparência maior do que realmente era, e Yuki ficou um tanto impressionada.

Além da mulher e da garota pela qual foi recepcionada, notou a presença de mais uma garota, seu longo cabelo castanho escuro preso por uma trança, e os olhos cor de mel direcionados à porta. Ao lado dela, havia também algo que aparentava ser um bicho de pelúcia. Seu formato lembrava um onigiri, seu corpo era branco, com longas orelhas, pequenos braços e grandes pés, e tinha uma joia redonda vermelha na cabeça acima dos olhos fechados. Ambos estavam no sofá de três lugares.

– Sente-se. – Disse a mulher, apontando para o sofá de dois lugares, enquanto ela e a garota sentaram-se no sofá de três lugares. O "bicho de pelúcia" saltou no sofá onde estava para o colo da mulher, sentando-se confortavelmente. – Red Mokona, você deveria comportar-se quando há visitas. – A mulher resmungou. Notando o olhar espantado da garota, a mulher soltou uma breve risada. – Acredito que nunca tenha ouvido falar de um "Mokona".

– Não, o que é isso?

– Mokona não é isso, Mokona é Mokona! – O bichinho no colo da mulher falou zangado.

– Realmente. – Ela riu novamente. – Mokonas são Mokonas. Esta aqui é a Red Mokona. E o que me lembra, não fomos propriamente apresentadas a você ainda. Sou conhecida por Haru, e estas são Kaya– disse apontando para a garota de trança – e Miya. Ah, gostaria de uma xícara de chá? – Apontou com a mão para a bandeja deixada sobre a mesa.

– Ah, sim, obrigada. Mas ainda tenho uma pergunta... como funciona uma loja de desejos?

– Nesta loja temos objetos mágicos, e eles são responsáveis por realizar desejos. Uma vez escolhido seu desejo, você receberá um objeto. Evidentemente, todos eles têm um preço e...

– Mas eu não tenho dinheiro para isso! – Interrompeu Yuki.

– Poderia me deixar continuar?

– D-desculpe...– Ela se encolheu no sofá, abaixando a cabeça em sinal de arrependimento.

– Pois bem... Quanto ao preço, ele equivale a algo importante para você. Quanto maior for seu desejo, maior o preço a pagar, e você necessita estar disposta a aceitar o pagamento. E então, já tem algum desejo em mente?

– Meu desejo... é que minha irmã Megumi se recupere de sua doença e viva saudável!

– Doença? Que tipo de doença ela tem?

– Ninguém sabe. – Respondeu apreensiva.

– Seu desejo será realizado.

– É mesmo?

– Sim. Terminou seu chá? Então, por favor venha comigo. Haru e Kaya então levaram Yuki para o depósito nos fundos da loja, enquanto Miya ficou responsável pela limpeza da louça e da cozinha.

O depósito era o maior cômodo da casa, com várias e várias prateleiras que estavam distribuídas em três corredores. Olhando por fora da loja aquele depósito não aparentava ter metade do tamanho real. Haru levou Yuki ao corredor da esquerda, e apontou para um vaso de cerâmica branco com flores de cor azul índigo.

– Pegue-o. – Disse Haru, e a garota imediatamente fez como pedido, pegando o vaso cuidadosamente e o estendendo para Haru.

– O seu preço... serão as memórias de sua irmã. – Disse Haru, tocando o vaso com as pontas de seus dedos.

– Memórias?

– Sim. Quando ela se recuperar de sua doença, ela não se lembrará de mais nada. Nem mesmo de seu próprio nome.

– A-algo como isso...

– É o preço equivalente ao seu desejo, não há o que fazer. E então, está disposta a aceitar?

Notas finais
Acho que me inspirei pra escrever mesmo, é muita raridade eu escrever um capítulo desse tamanho haha! Espero que gostem e acompanhem! Reviews são muito apreciadas também ok? :P