Destino&Desejos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era uma manhã nublada, e Yuki estava saindo do hospital e indo para sua casa. Recebera alta no dia anterior, após ficar três dias internada por ter sido atropelada, porém decidira passar mais um dia no hospital devido à sua irmã mais nova, que há algumas semanas contraíra uma doença grave desconhecida e não estava tendo aparentemente nenhuma melhora, seu estado somente piorando gradualmente.
Chamou um táxi, pois andar até sua casa naquela condição, embora não fosse muito longe, poderia ser muito exaustivo e piorar sua situação, e enquanto estava à caminho de sua casa, resolveu ligar para a amiga, Tomo, que ficara muito preocupada ao saber do acidente.
– Sim, Tomo-chan, estou voltando para casa. Não, não vou para o colégio hoje. Acho que não vai adiantar, porque não consigo parar de pensar na Megumi... Não vou conseguir prestar atenção nas aulas. Posso pegar a matéria com você depois, né? Ok... Obrigada, Tomo-chan. Até. – E ela desligou. – Ah, senhor... será que poderia me deixar ali em frente? – Ela dirigiu-se ao taxista, apontando para uma casa de dois andares, com um alto muro com estacas de madeira na frente e cerejeiras ao redor.
O taxista estacionou o carro e Yuki deu lhe o dinheiro e saiu apressadamente do carro, que desapareceu em questão de segundos.
Ela foi caminhando lentamente, e parou quando chegou à casa. Aquela casa estar ali era algo estranho, pois ao redor só havia prédios, a maioria com mais de cinco andares. E embora passasse por aquela rua bem frequentemente, nunca havia notado aquela casa. Tudo o que lembrava era de ter visto um terreno vazio. Estava intrigada, e sua curiosidade tomou-lhe conta, e acabou se aproximando, passando pelo largo espaço entre uma extremidade e outra do muro que davam acesso à uma larga porta de entrada.
Parou em frente à porta de entrada, e ficou por alguns segundos sem ação. Quando resolveu então bater na porta, esta foi aberta por uma garota de cabelos longos e castanhos e olhos verdes, com um yukata branco e rosa, que olhava Yuki sorridente.
– Olá, posso ajudar? – Perguntou da maneira mais simpática possível.
– Ah, desculpe... eu só... uhm... como posso dizer? – Yuki abaixou a cabeça, não conseguindo encontrar as palavras certas para falar.
– Por acaso gostaria de conversar com a mestra?
– Mestra? Perdão, que lugar é esse?
– É uma loja.
– Uma loja do quê?
– De desejos.– Veio uma voz desconhecida, do fundo do corredor.
Apareceu então, uma mulher alta que deveria ter seus vinte e poucos anos, com cabelo preto, longo e liso, e misteriosos olhos purpúreos. Vestia um kimono lilás florido cuja manga se estendia quase até o chão. Tinha um leque combinando com o kimono em sua mão esquerda, e na direita, segurava o que aparentava ser um amuleto. Pendurou o amuleto num suporte de parede, e então voltou o olhar à Yuki, que apenas observava a mulher silenciosamente.
– Mestra. – A garota disse e reverenciou, afastando-se dali e deixando as duas a sós.
– Qual o seu nome? – A mulher perguntou.
– Y-Yuki...
– Quantos anos?
– 16.
– Sabe o que a trouxe aqui?
– E-eu só estava curiosa para saber que lugar era esse, porque eu nunca tinha visto antes... Não queria incomodar ou nada do tipo, então posso ir embora se...
– O destino. – A mulher a interrompeu, e Yuki soltou uma expressão confusa. – O destino a trouxe aqui. Nunca viu este lugar porque não precisava ver.
– Quer dizer então que agora eu preciso?
– Quero dizer que você procura por algo que esse lugar pode lhe oferecer.
– E o que esse lugar pode me oferecer?
– Depende do que você procura. E o que seria o que você deseja?
– O que eu desejo? Isso é algo complicado de se pensar assim de repente.
– Aquele desejo que cresce forte em seu interior. Não necessariamente algo que deseja para você, mas talvez para alguém próximo.
– Algo que quero para alguém próximo...
– Mestra! O chá está pronto! – A garota anunciou sorridente, apontando com ambos os braços a direção para a sala de visitantes.
– Já era hora de entrar e se sentar. Venha. – A mulher a chamou e foi andando até a sala, com Yuki logo atrás.
A sala de visitantes era um lugar amplo com um sofá de três lugares e um sofá de dois lugares e uma mesa retangular de centro. A proximidade da mobília dava ao ambiente uma aparência maior do que realmente era, e Yuki ficou um tanto impressionada.
Além da mulher e da garota pela qual foi recepcionada, notou a presença de mais uma garota, seu longo cabelo castanho escuro preso por uma trança, e os olhos cor de mel direcionados à porta. Ao lado dela, havia também algo que aparentava ser um bicho de pelúcia. Seu formato lembrava um onigiri, seu corpo era branco, com longas orelhas, pequenos braços e grandes pés, e tinha uma joia redonda vermelha na cabeça acima dos olhos fechados. Ambos estavam no sofá de três lugares.
– Sente-se. – Disse a mulher, apontando para o sofá de dois lugares, enquanto ela e a garota sentaram-se no sofá de três lugares. O "bicho de pelúcia" saltou no sofá onde estava para o colo da mulher, sentando-se confortavelmente. – Red Mokona, você deveria comportar-se quando há visitas. – A mulher resmungou. Notando o olhar espantado da garota, a mulher soltou uma breve risada. – Acredito que nunca tenha ouvido falar de um "Mokona".
– Não, o que é isso?
– Mokona não é isso, Mokona é Mokona! – O bichinho no colo da mulher falou zangado.
– Realmente. – Ela riu novamente. – Mokonas são Mokonas. Esta aqui é a Red Mokona. E o que me lembra, não fomos propriamente apresentadas a você ainda. Sou conhecida por Haru, e estas são Kaya– disse apontando para a garota de trança – e Miya. Ah, gostaria de uma xícara de chá? – Apontou com a mão para a bandeja deixada sobre a mesa.
– Ah, sim, obrigada. Mas ainda tenho uma pergunta... como funciona uma loja de desejos?
– Nesta loja temos objetos mágicos, e eles são responsáveis por realizar desejos. Uma vez escolhido seu desejo, você receberá um objeto. Evidentemente, todos eles têm um preço e...
– Mas eu não tenho dinheiro para isso! – Interrompeu Yuki.
– Poderia me deixar continuar?
– D-desculpe...– Ela se encolheu no sofá, abaixando a cabeça em sinal de arrependimento.
– Pois bem... Quanto ao preço, ele equivale a algo importante para você. Quanto maior for seu desejo, maior o preço a pagar, e você necessita estar disposta a aceitar o pagamento. E então, já tem algum desejo em mente?
– Meu desejo... é que minha irmã Megumi se recupere de sua doença e viva saudável!
– Doença? Que tipo de doença ela tem?
– Ninguém sabe. – Respondeu apreensiva.
– Seu desejo será realizado.
– É mesmo?
– Sim. Terminou seu chá? Então, por favor venha comigo. Haru e Kaya então levaram Yuki para o depósito nos fundos da loja, enquanto Miya ficou responsável pela limpeza da louça e da cozinha.
O depósito era o maior cômodo da casa, com várias e várias prateleiras que estavam distribuídas em três corredores. Olhando por fora da loja aquele depósito não aparentava ter metade do tamanho real. Haru levou Yuki ao corredor da esquerda, e apontou para um vaso de cerâmica branco com flores de cor azul índigo.
– Pegue-o. – Disse Haru, e a garota imediatamente fez como pedido, pegando o vaso cuidadosamente e o estendendo para Haru.
– O seu preço... serão as memórias de sua irmã. – Disse Haru, tocando o vaso com as pontas de seus dedos.
– Memórias?
– Sim. Quando ela se recuperar de sua doença, ela não se lembrará de mais nada. Nem mesmo de seu próprio nome.
– A-algo como isso...
– É o preço equivalente ao seu desejo, não há o que fazer. E então, está disposta a aceitar?
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