– Se isso puder curar minha irmã, então... eu aceito!

– Muito bem. Dê o vaso à sua irmã.

– E ela será curada?

– Sim. Suas memórias não serão recuperadas, mas ela poderá aprender tudo o que você ensinar.

– Entendi... Muito obrigada.

– Kaya. Leve-a até a entrada. – Pediu Haru.

– Sim, Haru-sama. – Reverenciou.

Yuki foi até a entrada com Kaya, novamente agradeceu, e então foi embora, dirigindo-se à sua casa. Iria levar o vaso para sua irmã no dia seguinte, pois já estava um pouco tarde para uma visita.

No dia seguinte, Yuki foi à escola e contou a Tomo sobre Haru e sua loja. A amiga ficou um tanto chocada com a história e ficou imaginando se seria realmente verdade, mas não queria chatear Yuki, então não lhe fez perguntas e nem a acusou de ser mentirosa.

– Tomo-chan, posso pegar seu caderno emprestado?

– Ah, desculpe Yuki-chan.. hoje vou precisar dele para estudar, mas prometo te emprestar amanhã, ok?

– Sem problemas.. Nos vemos amanhã então, certo?

– Sim, até amanhã, Yuki-chan!

Voltou para casa para almoçar e buscar o vaso, e então foi novamente ao hospital. Os médicos insistiram em não deixar a garota entrar, mas foram convencidos a cederem alguns minutos de visita. Permitiram às duas irmãs um pouco de privacidade deixando as duas a sós no quarto onde Megumi estava internada.

– Megumi? Você está acordada? – Perguntou Yuki, acariciando a testa da irmã.

– Y-Yuki onee-chan?

– Sim, sou eu. – Ela sorriu. – Eu lhe trouxe um presente, Megumi. Não sei se é algo que você vai gostar muito, mas a pessoa que me vendeu esse objeto me disse que ele dá sorte. – Ela então lhe mostrou o vaso.

– Ahh! Onee-chan! Agora eu vou poder deixar as flores que ganhei nesse vaso! – Ela sorriu.

– Você ganhou flores? De quem?

– Da Tomo nee-san e do Watanabe-senpai.

– Ah, sim... – Ela pegou os dois buquês de flores e os colocou dentro do vaso. – Não tem terra, mas assim já é melhor, não é?

– É sim, onee-chan. Estou feliz que tenha vindo.

– É claro que eu vim, bobinha. Sabe que te amo muito. – Ela lhe deu um beijo na testa.

– Também te amo, onee-chan.

– Senhorita Aoi? O tempo de visita acabou. – Uma das enfermeiras abriu um pouco a porta e sussurrou pela fresta.

– Sim, já estou indo. Até logo, Megumi.

Naquela mesma noite, um jovem desconhecido secretamente apareceu no quarto de Megumi.

– Olhe só o que encontrei aqui. Qual o seu nome, garota?

– Você está... falando comigo?

– Existe mais alguém nesse lugar com quem eu poderia estar falando? Tch.

– Eu não sei...

– Perda de memória? Hm, interessante. – Ele desviou o olhar da garota ao vaso, e aproximou-se do objeto cuidadosamente. Foi estendendo a mão lentamente, mas quando seus dedos estavam prestes a tocar o objeto, algo o repeliu, e ele tomou um choque. – Cautelosa como sempre. – Ele riu. – Ei, você. Consegue tocar nesse objeto?

Megumi então levantou-se da cama, retirando todos os aparelhos que ainda estavam nela. Não se lembrava de nada, mas pelo jeito em que se encontrava deveria estar doente? Era estranho pensar nisso, porque aparentemente ela estava normal. Foi andando até o vaso, e o tocou sem problema algum. O jovem amaldiçoou-a por isso, murmurando baixo, e então decidiu-se.

– Garota. Você vem comigo.

– Mas quem é você?

– Não é algo que precise saber. Pegue esse vaso e vamos logo. – Ele ordenou.

Ela hesitantemente obedeceu, e então os dois desapareceram.

No dia seguinte, Yuki resolveu ir ao hospital antes de suas aulas começarem, já que elas começariam mais tarde pela manhã, dando-lhe um tempo razoável de fazer uma visita à sua querida irmã. Quando chegou ao hospital, no entanto, havia uma comoção entre os médicos e muitos andavam de um lado para o outro apressados.

– Com licença, o que aconteceu? Posso ver minha irmã?

– Senhorita Aoi! Sua irmã? Perdão, mas não pode vê-la. Ela desapareceu.

Yuki ficou sem fala mediante aquelas palavras, totalmente imobilizada e chocada. Não sabia o que dizer, nem o que fazer. A possibilidade de perder sua irmã devido à perda de sua memória nunca havia lhe passado pela cabeça. Sua primeira reação, então, foi sair correndo do hospital em direção à loja daquela mulher.

Começou a sentir dores nos tornozelos e nos quadris, mas já havia passado da metade do percurso. Precisava apenas suportar as dores um pouco mais. Porém ela estava segura de que sua preocupação pela irmã não a deixaria desistir. Não, ela não se importava com o que acontecesse consigo própria, contanto que sua irmã estivesse bem. Porque afinal nenhuma dor se equiparava à dor da perda.

Logo que chegou, notou que Kaya e Miya estavam de saída. Ao verem a garota, Miya acenou sorridente, e Kaya ficou apenas encarando a garota com seu costumeiro olhar sério.

– Yuki-chan! – Gritou Miya, correndo em sua direção enquanto acenava. – O que a traz aqui, Yuki-chan? – Perguntou finalmente após estar a uma pequena distância da garota.

– Estou com um grave problema, e urgentemente preciso falar com a Haru.

– Ah, sim. A mestra está no quarto, mas é só entrar ou chamar por ela ou pela Red. Vamos ao mercado comprar coisas que a mestra nos pediu, então com licença.

Elas então foram embora, e Yuki entrou na loja, logo chamando por ambas Red Mokona e Haru. Não demorou muito para que ambas aparecessem no corredor da entrada, Haru aparentemente nem um pouco surpresa pela visita repentina.

– Haru...! Por sua culpa, minha irmã...! – Ela caiu em prantos.

– Minha culpa, huh?

– Sim! Ela perdeu a memória por culpa sua!

– Na realidade... quem aceitou pagar o preço do desejo foi você. Você é a responsável pelo ocorrido. Embora isso seja algo que naturalmente não deveria ter acontecido.

– Mas aconteceu! E agora... Espere... Como assim não deveria?

– Alguém alterou o destino, e tenho uma breve ideia de quem possa ter sido.

– É mesmo?! Me diga quem é, e vou atrás dele!

– Sim. Mas ele não é alguém que possa ser facilmente encontrado, especialmente nesse mundo. Ele já deve ter partido. Embora eu não tenha certeza de que seja ele.

– Embora? Para outro país?

– Como eu disse, para outro mundo. Red pode lhe informar algo sobre isso. Você... Quando você foi lá o vaso ainda estava lá?

– Como se eu fosse reparar em algo tão sem importância! – As últimas palavras de Yuki fizeram Haru lhe lançar um olhar extremamente irritado, e então a garota resolver corrigir sua fala. – É que eu... eu... estava muito preocupada... com minha irmã e... não consegui reparar em mais nada...

– Se o vaso tiver sumido também, posso então concluir quem está por trás disto.

– Entendi... Irei verificar, então. Obrigada, Haru e... desculpe. – Ela estava indo embora, mas então sentiu uma forte dor no tornozelo. – Ai, acho que não vou conseguir ir a lugar algum desse jeito...

– Por que não descansa aqui um pouco, então? Consegue andar um pouco, até a sala?

– Acho que consigo.

– Então, enquanto espera, Red poderia lhe dar informações sobre outros mundos.

Yuki assentiu, e as duas dirigiram-se à sala. A jovem deitou-se no sofá, com Red ao seu lado, e Haru foi à cozinha, para logo voltar com alguns cubos de gelo.

– Tome, isso vai ajudar a passar sua dor. – Ela lhe entregou o plástico com os cubos.

– O-obrigada...

Ao final da manhã, Yuki novamente agradeceu e foi embora, seu destino sendo o hospital. Como não lhes deixaram entrar no quarto onde estava sua irmã, perguntou a vários médicos e funcionários sobre o vaso, e todos disseram ter sumido sem ninguém dali ter mexido. Por fim, foi para casa, e ligou para Tomo, que estava quase morrendo de preocupação. Perguntou se a amiga e o irmão poderiam ir com ela à loja de Haru para dar à notícia e até conversar um pouco mais. No primeiro dia, não gostara muito da mulher, mas depois dessa manhã na loja, passou a acreditar que ela era uma pessoa interessante, cheia de seus mistérios, mas confiável, e gentil. Ela era uma pessoa que Yuki gostaria de apresentar aos seus amigos.

A princípio, acreditou que o desaparecimento iria lhe causar um profundo desespero, mas encontrava-se mais calma do que jamais poderia ter imaginado. Talvez ter aquela conversa com Haru e Red Mokona tivessem realmente lhe ajudado. Estava ansiosa – no bom sentido – para visitá-las novamente apresentá-las a seus amigos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.