Destino Under the Dome
3 O mini Domo
Notas iniciais
Ter Alice, um anjo da guarda, morta não trazia um clima bom para minha mãe, que agora lutava contra uma possível depressão pós parto.
Alice foi velada na casa de Joe McAlister , um garoto que pouco sabe sobre o Domo mas que é fundamental para nossos planos. Permaneceu lá por um dia e uma noite, até que sua filha Norrie, namorada de Joe, finalmente resolvesse se despedir da mãe.
Mas eu e minha mãe tínhamos outros problemas agora, como seria minha criação? E minha alimentação? Para minha mãe estávamos vivendo em um caos enorme, o que pra mim era ótimo, na agitação da cidade em tentar resolver problemas como saúde e infra-estrutura, meu nascimento foi um fato encoberto e de nenhuma relevância. Ninguém se atentou ao fato de que o domo me modificou.
Ao tocar no Domo minha mãe recebeu uma carga de eletricidade leve, porém com uma energia diferente de tudo que nós humanos conhecemos. Minha mãe foi condutora dessa energia que foi passada pra mim, ainda em seu ventre, o que permitiu com que eu me comunicasse com o Domo, sentisse o que ele sente, e agisse por meio das vontades dele.
E não é uma vantagem para ele que um bebê possa ajudar, por conta disso meu crescimento era diferente. Já na primeira semana cresci equivalente a dois meses de vida, e evoluía cada vez mais com o passar do tempo.
Uma semana depois, já com o equivalente a oito meses de vida, sai engatinhando no quintal de casa, minha mãe, muito preocupada em me esconder e me proteger, tentou me levar pra dentro, mas eu não queria. Chorava, gritava, até que anoiteceu e ela me deixou sair. Engatinhei até o Domo, que estava a poucos metros de distancia da minha casa, minha mãe me deixou ir, pois era um hábito que ela compreendia, afinal eu era uma anormalidade, o domo estava ali, o que mais era impossível?
Com toda preocupação de mãe, Harriet foi atrás de mim e juntas tocamos no Domo, o que também tinha se tornado um hábito, foi assim que ela descobriu que eu cresceria de uma forma mais acelerada. Com suas mãos tão carinhosas por cima da minha tivemos uma visão. Adiante do Domo estava um descampado muito bonito, onde eu nunca havia estado, mas acho que minha mãe conhecia aquele lugar, pois uma lágrima escapou no canto de seus olhos, e ela deixou um sorriso cheio de lembranças no ar.
–Vamos filha, eu sei onde fica esse lugar, vamos agora antes do amanhecer!- Mamãe me pegou no colo e me colocou dentro do carro, no banco da frente mesmo, não tínhamos cadeirinha, mas quem iria nos prender ou multar?
Chegamos no descampado e minha mãe me colocou no chão. Senti uma energia que me atraia naquele lugar. Comecei e engatinhar pelo chão de terra, até que o solo mudou, agora estava coberto de folhas secas, e logo a frente havia um amontoado de folhas. Era dali que vinha a energia, não sabia o que era, mas me trazia conforto e esperança.
–Alice como esse lugar me traz lembranças, era aqui que seu pai e eu sempre fazíamos piqueniques antes de você nascer, eu amava vir aqui com ele pra assistirmos o por do sol. Oh filha, sinto tanto a... Alice??- E foi nesse momento que minha mãe se virou e me encontrou no chão, retirando as folhas, tocando em algo mais ou menos do tamanho de uma bola de praia, tão translúcido quanto o domo, com uma espécie de ovo dentro, mais ou menos do tamanho de um ovo de avestruz.
Tínhamos encontrado um domo menor. Eu sorria muito, em minhas poucas formas de me expressar, estava em pé, apoiada com as duas mãos no domo, e o ovo brilhava, em um maravilhoso tom de rosa que fazia meus olhos brilharem de admiração.Minha mãe não sentiu medo, ela entendia meu papel naquela situação toda, somente se aproximou do domo menor e esperou por uma reação minha.
Eu estava recebendo mais uma visão do domo. Via Joe e Norrie ao meu lado, sorrindo para mim com uma ternura protetora, ao lado deles estavam Angie e Junior, que olhava admirado para o domo e para Angie, esta olhava para seu irmão Joe sem entender muita coisa. Pareciam não me ver, não me sentirem ali, mas Joe e Norrie continuavam a sorrir pra mim. De repente eles sumiram, desapareceram me deixando um pouco triste, mas uma coisa nova havia acontecido, a marca de suas mãos permaneciam ali, para me indicar o que deveria ser providenciado. Eu tinha que junta-los e trazer ao mini-domo, só não sabia como. Não ainda.
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