Notas iniciais
Gente conforme prometido aqui está um cap. especial com o ponto de vista da nossa querida e rabugenta Norrie.. Ainda hoje a Alice volta a narrar!! Prometo! Muito Obrigado pelos comentários, é muito legal saber que tem alguém acompanhando! no próximo capítulo faço um agradecimento decente!! Bjos

É inacreditável o quanto minhas férias podem acumular tantos sentimentos diferentes em tão pouco tempo!

Em um mês eu:

1° Fiquei presa em uma cidade inútil por uma redoma enorme de um material impenetrável e possivelmente alienígena.

2° Comecei a ter convulsões o que só confirma a teoria de minhas mães que eu sou uma garota problema e como uma garota problema eu devo passar mais tempo com elas.

3° Encontrei um garoto com o mesmo tipo de convulsão que eu e que não é um garoto problema, o que me dá uma desculpa pra me afastar de minhas mães.

4° Me tornei meio que namorada desse garoto!

5° Perdi uma de minhas mães enquanto ela fazia um parto de um bebê que

6° Está andando e falando aqui, bem na minha frente!

Quando saímos de nossa casa pra ir para o acampamento, senti que deveria sair correndo do carro na primeira parada pra abastecer. Não quero ir para um lugar sem real vontade de ir, era um acampamento de férias e minhas mães estavam crentes que isso iria ser bom pro meu futuro, mudança do meu comportamento e blá, blá, blá.

A cada minuto via o cenário mudar pela janela, os prédios foram virando árvores, a multidão de gente da cidade grande foi virando nuvens de mosquitos, até que precisamos parar em uma cidade pequena, Chester’s Mill, também para abastecer, repor a insulina da minha mãe, essas coisas de viagem. Juro pelo o que vocês quiserem que por muito pouco não saímos da cidade antes que o Domo nos deixasse presas aqui, e por menos ainda quase não chocamos nosso carro contra o domo, que já não é ruim o suficiente existindo,ele tem que ser invisível.

Logo ali tive minha primeira convulsão, o que deixou minhas mães desesperadas, voltamos para o centro, arrumamos um lugar pra ficar, e esperamos, como se nós tivéssemos outra opção. E aqui estamos, bem, quase todas nós.

Sinto falta da minha mãe. Ela morreu no parto da Alice, da outra Alice, a bebê que viemos encontrar a pedido de uma mãe desesperada, que em minha opinião, é meio maluca.

Não acredito que a vida de uma pessoa possa mudar tanto assim de uma hora pra outra, mas é isso que não para de acontecer. De novo.

Joe está fascinado pela garota, enquanto eu só quero sair dali e gritar, pro mundo todo ouvir que quero minha vida antiga de volta, quero voltar no tempo assim, uns três meses, ai eu venho pra cá, seqüestro o Joe, e deixo minhas mães longe dessa loucura e minha mãe longe da morte.

Alice, a bebê que recebeu o nome de minha mãe, me olha com uma ternura que me enjoa, se não fosse por ela minha mãe não teria se estressado tanto, se esforçado tanto, muito menos tido a porcaria de um infarto e morrido na minha frente. Sei que é errado culpar a bebê, que isso não trará minha mãe de volta, mas estou pouco me lixando se essa criança me viu em seu passeio pelo bosque encantado dos mini domos.

A mãe dela tenta me explicar algo que no fundo até sei que é verdade, mas é uma verdade absurda. Ela me fala que o Domo está se comunicando com Alice, de uma forma mais sutil do que a usada comigo e com Joe, é só tocar no domo que se ele tiver algo a dizer ele vai falar. Em meus pensamentos desordenados até começo a considerar a possibilidade de aceitar essa maluquice toda de tocar em mini domos e etc. Só quero sair de Chester’s Mill. Mas não vou dar meu braço a torcer, por orgulho decido esperar que Joe tente me convencer:

– Precisamos checar isso, você não vê Norrie, isso é incrível! O bebê já é uma criança!

–Já disse Joe, estou pouco me importando em quem seja a bebê, se é adulta ou o que seja, só quero sair daqui! – Digo olhando no fundo dos olhos dele, não quero saber se estamos na companhia da mãe daquela pequena aberração, mas acho que Joe já passou tempo suficiente comigo pra entender meu orgulho.

–Norrie, essa pode ser nossa saída, e não custa tentar – E com aquele tom de voz de quem já não quer mais discutir Joe consegue me convencer do óbvio.

Saímos da casa dela direto para encontro do tal mini domo. A garota não para de olhar pra mim, e até arrisca falar comigo de uma maneira lenta e com palavras meio travadas pra dicção de uma criança de quase três anos:

– Sua mãe ama você. – Olho pra ela meio que sem entender, incrédula, ela não conheceu minha mãe, do que ela está falando? Aindamais no presente. Minha mãe me amava sua coisinha.

Relevo e respiro fundo, olho pra fora da janela, em um ponto fixo no vidro, que agora é a única coisa que me impede de pular pra fora do carro. Nunca fui de crenças e religiões, mas nesse momento estou rezando para que a gente chegue logo e acabe com isso de uma vez!

Eu quero sair logo dessa droga de cidade e voltar pra minha vida normal, mas é tarde demais pra vida normal a essa altura. O domo já mudou a minha vida de uma forma irreversível.