Destino Under the Dome
7 A despedida
Notas iniciais
Desde o inicio do crescimento até que ele se completasse se passaram três dias. Três longos dias de sofrimento, dor, náuseas, sintomas que estou quase acostumando a sentir.
Pelo que me explicaram, depois dessa minha estirada, aparento ter de oito a dez anos, sinto meus músculos mais firmes e uma energia encantadora, o domo esta acordando meus sentidos, inexplicavelmente falo melhor que antes, me expresso melhor também. Quando acordei naquela manhã Norrie e uma moça loira bem bonita estão sentadas conversando na beirada da minha cama, elas conversam baixinho, mas o silencio que garante nossa casa isolada do centro e dos olhares de curiosos me permite escutar o eu elas falam.
– Angie, o mini domo é tão real quanto o domo maior, deixa de lado essa intriga com o Junior, precisamos dele assim que essa garota acordar. Você a viu crescendo, algo magnífico está acontecendo aqui.
Com um rosto assustado e uma expressão apavorada Angie responde:
– Eu sei que é importante, não me oponho em participar disso com ele, só não quero ter que procurá-lo, pedir isso a ele. Vocês não conhecem aquele garoto, ele é doente, muito doente – pelo jeito o trauma de Angie com Junior é algo muito sério.
Mecho-me na cama para que elas percebam que estou acordada, Angie olha para mim assustada enquanto Norrie sorri e corre para fora do quarto chamando minha mãe que chega logo em seguida com Julia e Joe.
Eles me atualizam com as noticias da cidade, nesse tempo que fiquei desacordada algumas coisas aconteceram, a principal delas é que hoje a base militar, que foi instalada ao redor da cidade depois que o domo chegou, enviou uma mensagem dizendo que hoje poderíamos “receber visitas”. Os parentes e amigos que ficaram do lado de fora do domo vão estar na barreira a tarde inteira, perto da ponte, para que possamos nos ver. É uma chance de minha mãe encontrar com meu pai, eu quero conhecê-lo também, se ele vir seria ótimo pra mim.
– Alice, eu acho que você não deveria ir, como posso explicar as pessoas da cidade sobre você? – Minha mãe estava preocupada, e com razão.
– Mãe, ninguém deu importância pra gente até agora, ninguém veio te visitar, saber se precisava de algo, mesmo quando você estava grávida. – Não suportava o fato e isso ser verdade, mas era. Sei que muita coisa aconteceu desde que o domo caiu, mas minha mãe estava grávida, as pessoas deveriam ter sido mais solidárias com a condição dela.
– Eu sei filha, mas isso não justifica para as pessoas o porquê de em tão pouco tempo a bebê que estava na minha barriga já está andando e falando. Você fica, vou tentar achar seu pai e trazê-lo para a fronteira próxima a nossa casa. — Era a palavra final dela.
Todos saíram de casa, foram com minha mãe de carro até a ponte. E eu acompanhei a partida deles como olhar, da janela da nossa casa. Eu não poderia deixar essa oportunidade de conhecer meu pai passar, e no fundo eu sabia que eles não deixariam as pessoas de fora ficarem subindo e descendo pela fronteira do domo, se eles marcaram um local fixo era justamente para ter controle da situação.
Penso rápido, nunca desobedeci às ordens de minha mãe, muito menos a de sair de casa ou ficar muito próximo das outras pessoas, eu tinha que agir, e rápido. Estava muito confusa, queria ver meu pai, queria sair de casa, queria juntar logo as pessoas necessárias para tocar no mini domo, e não dava pra fazer isso de dentro daquela casa.
Fui até o quarto em que dormia, coloquei um dos moletons de corrida da mamãe, com um short que Angie tinha trago pra mim, queria parecer uma pessoa normal, me misturar na multidão, estava contando com a emoção e a preocupação das pessoas de encontrar seus parentes para que eu passasse despercebida, eu estava decidida, iria sair de casa.
Precisava ser rápida, não tinha como ir de carro e também não tinha meios de transporte. Sai contornando o domo tomando como base a direção que minha mãe havia saído minutos antes com o carro, ao passar em frente a casa de Julia vi um carro estacionando, por instinto me abaixei, escondendo atrás da cerca viva. O motorista do carro batia na porta da casa de Julia, mas eu sabia que ela não estava, já tinha ido pra fronteira com minha mãe, quando o moço estava prestes a voltar pro carro o reconheci, era o Barbie, que o Joe havia me mostrado dias antes, segundo a descrição de Joe era alguém com quem eu poderia confiar.
Sai correndo do meu esconderijo improvisado e fui em direção ao carro acenando com as mãos, Barbie olhou pra mim, tinha conseguido chamar a atenção dele, e esperou até que eu chegasse até ele. Recobrei o fôlego antes de pedir:
– Barbie,preciso que me leve até a fronteira do encontro. Preciso muito ver meu pai, por favor. – Barbie me olhou confuso e indagou.
– Espera garota, quem é você e como sabe meu nome? – Ai pensa Alice, pensa, como você vai dizer a esse homem quem você é? Comecei a chorar de nervosismo, o que eu iria falar? – Ai não, não, por favor, não chora. Seu pai está pra fora do domo?
– Isso, meu pai está fora, fiquei presa aqui dentro com uma amiga da família, e quero vê-lo, me ajude? – Isso bastava, serviria até pra justificar a outras pessoas. Só não gostava de transformar minha mãe em somente uma amiga da família, mas já serve.
– Então porque é que essa amiga da família não te levou? – Droga, o que eu falo? Pensa Alice, pensa.
– Ela achou que poderia trazer meu pai até a fronteira aqui perto, mas sei que não vai dar, me leva com você moço, chegando lá não te incomodo mais.
Ganhei a discussão, com uma cara de quem não estava gostando da situação, Barbie me levou até a ponte. Não nos falamos o caminho inteiro, e assim que chegamos lá ele só me fez uma pergunta:
– Você vai ficar bem? – Ele estava preocupado comigo.
– Vou sim, vou achar papai e depois vou embora – Barbie sorriu.
– Boa sorte! – Falou virando as costas e indo para o outro lado da multidão.
– Obrigado – Disse mas ele já tinha ido embora.
Agora precisava achar meu pai, eu o conheço por fotos e filmagens que minha mãe tinha guardadas em casa. Em uma dessas filmagens minha mãe está grávida de mim e ele brinca com a barriga, dando beijos, conversando, fazendo carinho, e meu pai está vestido com o uniforme do exercito, era o ultimo dia dele em casa antes de ir pra combate. Nesse vídeo ele diz “Tchau minha pequena borboleta, quando eu voltar você não estará mais neste casulo”, e é assim que espero que meu pai me reconheça.
Tiro do bolso uma folha escrito “pequena borboleta” em uma caligrafia meio torta, e tento avançar pela multidão, primeiro localizo minha mãe, quero ter certeza que não vou esbarrar com ela e também se ela já encontrou meu pai, ela conversa com uma mulher loira do lado de fora, muito parecida com ela, deve ser uma tia minha ou algo assim, adoraria encontrar meu parentes, mas meu pai é prioridade, avanço pela multidão olhando os rostos do lado de fora tentando me lembrar das fotografias, mas não vejo ninguém conhecido.
Como meu pai é militar decido então tentar perguntar para um dos guardas do lado de fora onde está meu pai, me afasto um pouco da multidão e escrevo no verso da folha com uma caneta que peguei emprestada de um dos moradores que procuravam parentes:
Estou procurando por meu pai,
Greg Bigelow,
fuzileiro naval da marinha americana
Ajude-me
Um moço fardado demonstrou interesse pelo meu cartaz depois de muitos outros me ignorarem, se aproximou de mim e escreveu em um bloco de anotações:
Posso tentar localizá-lo,
não tenho certeza se ele veio,
me espere aqui
Esperei aflita, olhava ao meu redor o tempo todo para ver se alguém havia me achado aqui, mas não tinha ninguém conhecido por perto. O soldado olhava em uma lista muito extensa, creio eu que com os registros de todos os que estavam ali pra ver os seus parentes.
Para não correr risco de ser vista, ajoelhei-me na frente do domo e coloquei minha mão na parede que nos dividia do resto do mundo, na hora comecei a ouvir todas as vozes dos parentes e dos familiares do lado de fora, achei estranho, afastei a mão e as vozes pararam, coloquei a mão novamente e as vozes voltaram, isso era legal! Mas aos poucos as vozes das pessoas vão abaixando e desaparecendo uma a uma, até que eu só conseguia ou vir uma voz, a de um outro soldado que falava em seu comunicador, ele conversava por códigos, mas o mais importante da conversa eu consegui escutar.
“Míssil preparado para lançamento daqui a 24hrs”
“Alvo: área sob o Domo, Chester’s Mill”
“Positivo, evacuando área, 10 km ao redor da redoma”.

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