Destino Marcado

1 Capítulo Único


As férias escolares chegaram, e a tia de Mônica, que mora em um sítio, chamou a turma para passarem uns dias de suas férias lá.

Cebola, Cascão e Magali, aguardavam na cidade, em frente a pracinha, Mônica e seu pai buscá-los de carro para irem juntos até o local de destino. Não era muito longe da cidade, mas era um local com muita estrada de chão.

Chegando lá, eles desceram do carro, retiraram as suas coisas e se despediram do Senhor Sousa que voltou para a cidade, pois estava em horário de almoço do trabalho.

(Cebola): Muito legal, Mô, a gente vir passar as férias no sitio da sua avó!

(Mônica): Vai ser incrível, mesmo! Foi muito bacana da parte da minha Tia Lola, convidar a gente para vir aqui. Ela mora aqui faz tanto tempo, e vivíamos marcando de conhecer esse lugar que minha avó cuidava tão bem... Eu quase não venho, por isso as vezes até acabo me esquecendo desse lugar maravilhoso!!

(Cascão): Que neta desnaturada!

(Cebola): Mas o mais legal disso tudo é que aquele chato do Do Contra não veio! — Cebola cochichou com o amigo Cascão.

O garoto ainda gostava muito de Mônica, mesmo depois de eles terem se separado e ela estar namorando Do Contra atualmente. Mesmo assim, o "Careca" estava com esperanças de reconquistar a menina nessas férias, e Do Contra não estando ali, seu caminho estaria livre.

(Cascão): Eh, Careca! Mal chegou e já está com esse tipo de atitude?! Não vai arrumar confusão em.

(Magali): É gente, vamos nos animar!! Olha só quanta árvore frutífera tem aqui! Pé de manga, goiaba, laranja, abacate... Eu vou fazer a festa aqui! — disse com "corações nos olhos".

(Cebola): Você tem razão, Magali. Nada nem ninguém vai estragar...

(Mônica): Oi amor!!! Eu estava com tanta saudades de você! — Mônica corre para os braços de Do Contra ao ver o rapaz saindo de dentro da casa.

(Cebola): O que?! — ele bate a mão na testa com sinal de frustração. — Fala serio! Esse pé no saco veio?!!

(Cascão): Pelo jeito...

(Cebola): C-como ele veio "palar" aqui?! O que ele está fazendo aqui?? — Cebola começou a ficar irritado.

(Do Contra): Eu vim para cá alguns dias atrás com a Mônica. Hoje ela só foi até a cidade comprar alguns suprimentos e buscar vocês!

(Cebola): Grrrrrrr!!

(Cascão): Oh galo de briga. — ele puxou o amigo pela camiseta antes de fizesse qualquer tipo de besteira que pudesse estragar o início das férias. — Vamos colocar as nossas coisas no quarto!

Os meninos chegaram até o quarto onde iriam dormir nos dias que fossem ficar por la. Ficou combinado que os meninos dormiriam em quartos separados das meninas.

(Cebola): Nossa. — disse ele com uma mão no nariz se protegendo da poeira. — Vou dormir bem no quarto mais escuro e empoeirado, parece um porão isso aqui!

(Cascão): Eu até que curti, uma boa limpeza a seco já ajuda.

(Cebola): A seco nada, vamos ter que chamar um caminhão-pipa pra limpar esse quarto porque toda água do mundo ainda será pouca.

Cebola deixa sua mochila no chão ao lado da cama e percebe algo.

(Cebola): Peraí, porque tem três camas?

(Do Contra): A outra é minha! — o rapaz entrou de surpresa no quarto. — Em respeito a Mônica e Magali achei melhor vir dormir com vocês.

(Cebola): Ah não, tudo menos isso!

(Do Contra): Pois vai se acostumando, Careca, seus planos de reconquistar a Mônica não vão colar! Ela gosta de mim e EU sou o namorado dela agora!

Cebola virou para o Cascão irritado achando que seu amigo tinha contado seus planos.

(Cebola): Como ele sabe do meu plano de reconquistar a Mônica, Cascão?!! Por acaso você "abliu" o bico igual fazia quando a gente "ela" "cliança"?!!!

(Cascão): Eu não disse nada! — ele se retira do quarto. — Vocês que se entendam, eu vou ali nas meninas ver o que vamos fazer hoje a noite.

(Do Contra): Então é verdade? — ele começou a rir a zoar Cebola. — Eu não sabia! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Estava zoando você! Ha! Ha! Ha! Ha! Que PIADA!! Você acha mesmo que ainda tem chances com ela!! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!

(Cebola): Grrrr! Vai ver só... — ele parou de dar bola à DC. — Vou colocar minhas coisas aqui neste canto! — o jovem percebe que tem uns papéis jogados e se assusta com o que vê. — Mas o que é isso?!

(Do contra): An? O que foi?

(Cebola): Tem umas fotos minha com a Mônica aqui, só que eu não me lembro de ter tirado essas fotos... E olha só essas roupas esquisitas! Será que foi em algum baile à fantasia?

(Do contra): Isto são roupas originais do século 19! M-mas como isso veio parar aqui? Já sei! Isso foi mais um de seus planos né, Cebolinha?!!

(Cebola): Claro que não, bocó. Eu já parei com isso faz tempos... Estranho... Olha ali no canto da foto, atras do casal... parece que tem alguém espiando algo lá de trás!

(Do Contra): Que bizarro... — ele vira a foto e percebe que tem algo escrito atras. — “O Dia em que o meu amor foi enterrado junto com você “..... OI? Que palhaçada é essa Cebola????!!!

(Cebola): Eu já disse que não sei!! Sei tanto quanto você! Vou ter que investigar isto! — ele coloca a foto no bolso da camisa e sai do quarto.

Mais tarde, naquele mesmo dia, a turma se reuniu no pátio da casa, um lugar amplo e com uma mesa farta, para que a turma pudesse tomar um bom lanche da tarde. Tinha bolo, biscoitos, pães, tortas, sucos, café... Tudo quentinho. E todos estavam a comer.

Cebola estava muito pensativo sobre a foto que tinha acabado de ver, e queria muito procurar alguma coisa ou alguém que pudesse resolver essa dúvida dele.

Foi aí que ele avistou lá no outro lado da casa uma senhora numa cadeira de balanço. Foi aí que ele deduziu ser a avó de Mônica, que até então ele não tinha conhecido.

Ele se levantou da mesa e decidiu ir até ela.

(Mônica): Ei, Cebola, onde você vai? O seu café vai esfriar.

Cebola não queria que ninguém soubesse que ele estava indo até a senhora, pois estava mantendo aquela foto em segredo. Então ele mentiu que iria no banheiro.

Chegando ao local, ele se apresentou à senhora e disse que precisava falar com ela.

(Avó da Mônica): Oi filho, o que foi que houve? Está triste?

(Cebola): Não, não, está tudo ótimo! Muito obrigado por nos convidar também para passar uma parte das nossas férias por aqui. É um sítio muito bonito.

(Avó da Mônica): Aproveite esta vista, esse gramado lindo, este rio que está passando por ali... Logo logo minha neta mostra tudo à vocês.

Cebola percebe uma roseira ao lado da casa. Como ele não tinha visto ela antes?

(Cebola): Ei! Eu já vi essa paisagem em algum lugar! — ele tira a foto do bolso e deixa a senhora preocupada.

(Avó da Mônica): Filho, espera...

(Cebola): Eu sabia!! O lugar da foto é o mesmo que essa parte do sítio!! Vi essa foto no quarto onde deixei minhas coisas e me chamou muito a atenção pelo fato de esse casal ser muito igual à Mônica e eu. Esta foto está me intrigando!

(Avó da Mônica): Você comeu muito trigo?

(Cebola): O que?

(Avó da Mônica): Estou brincando! Mas o que te intriga nesta foto, meu filho?

(Cebola): Olha isso!! Por que tem eu e a Mônica aqui? E estamos naquele lugar ali! — ele aponta para as roseiras que apesar de tanto tempo, parecem estar intactas, iguais as da foto. — Eu nunca vim pra cá! Como isso é possível?

A venha senhora então começa a contar uma história:

"Bom, meu jovem, este casal da foto não é você e a minha neta, são duas pessoas normais, e que tem até uma lenda sobre elas...

Este casal vivia muito feliz, eram muito apaixonados. Mas chegou um momento em que o rapaz começou a demonstrar ser ciumento, controlador, e isso fez com que a moça não quisesse mais continuar o seu relacionamento com ele. Mesmo sendo a decisão mais difícil que já tomou, a moça achou que essa seria a melhor solução.

O rapaz não estava aceitando o fim do relacionamento, e tentou de tudo para dizer que mudou. Mas ela não aceitou as palavras dele. Até que então ele saiu triste de lá, porém, achando que a moça precisaria somente de um tempo para por os pensamentos no lugar e que logo tudo voltaria a ser como antes.

Certo dia, depois de meses sem se falarem, a moça estava sentada aqui perto da roseira, observando o imenso rio que corria forte aqui ao lado. O mesmo rio que te falei que fica aqui perto, porém com o tempo o mesmo foi secando.

Enfim, nesta época o rio era muito perigoso... Então, enquanto ela observava o movimento das águas sozinha, o rapaz, seu ex namorado, apareceu e pediu para tirar uma foto com ela, apenas para recordação. Esta foto que está em suas mãos, meu jovem.

Ele aproveitou a oportunidade da reaproximação para se declarar para a moça, dizer que mudou e que estava disposto à recomeçar.

Só que para a sua infelicidade, a moça respondeu que já estava amando outro e ele não gostou nada do que ouviu, mas seus sentimentos por ela eram tão fortes que ele só queria vê-la feliz.

Porém, nesse momento, o outro pretendente chegou até a moça abraçando-a. O ex namorado ficou cego de ciúmes e um sentimento de fúria veio sobre ele que começou uma briga feia com o segundo rapaz, com socos, pontapés e arranhões...

A moça tentou de tudo apartar a briga com gritos, até que num determinado momento ela decidiu separar os dois, mas ela acabou sendo empurrada, sem querer, nas águas perigosas do rio e acabou sendo levada pela correnteza...

Nunca encontraram o corpo da jovem... Ela morreu deixando uma linda bebê de um ano de idade, fruto da relação dela com o seu primeiro amor..."

(Cebola): Meu Deus! Que história triste!

Cebola agradeceu pela explicação da senhora, mas apesar da história, ainda era de se impressionar a semelhança do casal com ele e Mônica.

O rapaz chega até a mesa onde os amigos já tinham terminado de lanchar. Agora estavam conversando entre si.

(Cascão): Eita, Careca, estava com dor de barriga? Que demora para ir ao banheiro. Espero que não tenha deixado nada por la! Ha! Ha! Ha!

(Cebola): Engraçadinho... — ele sentou ao lado de Mônica e disse para a menina. — Oi, Mô. Você está muito linda hoje! — mas Do Contra, atual namorado de Mônica abraça a menina e interrompe o careca.

(Do contra): É eu sei que ela está linda hoje e sempre! Agora tira os olhos?!

(Cebola): Tinha até me esquecido de você, só sabe estragar o meu dia!

(Do contra): Você mesmo estraga o seu dia, Cebola! Vê se supera...

(Cebola): Seu idiota!

(Do contra): Pelos menos sou um idiota com namorada! Não fico sofrendo dor de cotovelo!

(Cebola): Grrrr!!! Agora você vai ver!!

(Mônica): Gente para!! Não foi pra isso que minha tia convidou a gente para vir até aqui. Se comportem vocês dois!

Cebola sabia que Mônica tinha razão, talvez fosse melhor deixar as coisas acontecerem mesmo. Fora que, se ele entrasse em uma briga com Do Contra, ali, na frente de Mônica, estaria repetindo o mesmo acontecimento que a avó de Mônica acabara de contar à ele.

O rapaz então decidiu não dar bola mais para isso e deixar o destino tomar conta da sua relação com a dentucinha, caso fosse para acontecer de um dia os dois se reaproximarem novamente.

(Cebola): Eu vou para o meu quarto..

(Cascão): Ainda bem que o Cebola não avançou na briga, eu estava até com medo! Aquele lá quando parte para cima só sai desmaiado...

(Magali): Eu também fiquei muito apreensiva. Que bom que tudo acabou bem.

Cebola voltou até a avó de Mônica que continuava sentada em sua cadeira de balanço, na mesma posição.

(Avó da Mônica): Muito bem garoto, você conseguiu evitar algo horrível.

(Cebola): É, mas a Mônica ainda está com o DC!

(Avó da Mônica): Você pode até ter feitos escolhas erradas no passado, meu jovem, mas ninguém sabe o que vai acontecer daqui por diante. A vida é uma caixinha de surpresas. — ela deu um sorriso para o rapaz e continuou. — Mas algo aqui dentro me diz que você ainda vai ser da família! Hêhehe! Volta lá para os seus amigos, esquece essas história de tentar apressar as coisas e se diverte!!

O rapaz ouviu o conselho e voltou para junto da turma, agora sem mais essa ideia de reconquistar a Mônica a todo custo. Ele a ama e vai esperar o tempo certo para tê-la de volta. Se for pra ser, será.

(Cebola): Mônica, sua vó é muito gente boa, sua tia Lola tem muita sorte de viver aqui com ela.

(Mônica): Tá doido, Cebola?!! Do que você está falando? Minha vó já morreu há muitos anos, afogada naquele rio. Dizem que minha mãe era muito pequena ainda quando tudo aconteceu.

(Cebola): Ai meu Deus....

O rapaz ficou em choque, porque agora tudo fez sentido. Aquela “senhora” na verdade era o espírito da avó de Mônica que deu um grande ensinamento a ele sobre esperar as coisas acontecerem no tempo certo. Ele pôs a mão no bolso para ver a foto novamente e percebeu que não tinha foto nenhuma. Ao perguntar para Do Contra, o rapaz negou ter falado ou visto sobre qualquer foto.

(Cebola): M-mas como isso é possível!! Será que estou ficando louco??!

(Mônica): Ei, Cê! Vem com a gente. Estamos indo andar a cavalo.

Ao ouvir Mônica, Cebola decide deixar de lado essa loucura e seguir em frente com suas férias, mas dentro de si, as palavras soavam bem baixinho:

“...Mas algo aqui dentro me diz que você ainda vai ser da família! Hêhehe!”

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!