Destino Inesperado

18 De Volta à Raccoon City


Notas iniciais
Aqui está saindo o penúltimo capítulo, onde os personagens de Resident Evil precisam enfrentar o seu pior pesadelo!!!


"Quem luta com monstros deve cuidar para não se tornar um."

(Friedrich Nietzsche)

***



Washington D.C

— Como vocês tiveram coragem de mentir para mim? — Assim que encontrou o seu irmão, Claire já foi lhe atacando com palavras e até mesmo com um surpreendente tapa na cara. — Vocês são hipócritas, mentirosos e corruptos! E eu estou... tão decepcionado você! — Em sua fúria ela demonstrou todo o seu ressentimento. — Eu te odeio, Christopher!


— Para com isso, Claire! — Chris gritou segurando ela em seus braços, tentando fazê-la parar. — Apenas me escute!


— Não, não há nada pra dizer! — De repente, seus olhos se lacrimejaram e sua voz ficou embargada. — Eu não consigo entender, como o meu melhor amigo e o meu próprio irmão... como vocês foram capazes de proteger aquela maldita mulher? Por que Chris? Por que você continua a proteger Ada Wong? — Ela se afastou dele e o encarou através de seus azuis cheios de tristeza e rancor. — Eu quase cheguei a pensar que estava ficando louca por achar que a Li Guimeng... era Ada Wong.


— Claire as coisas eram e ainda são complicadas demais. E a gente só não contou nada a você, porque...


— Porque não confiavam em mim! Ótimo! Eu nunca iria mesmo apoiá-los nessa mentira. — Chris tentou se reaproximar de sua irmã, mas ela se esquivou de seu toque. — Não me toque! — Ela lhe deu as costas e fechou os olhos enquanto expôs toda a sua amargura. — Você não merece vestir essa farda e nem ser um líder.

— Daqui a pouco você vai dizer que eu não mereço estar aqui, vivo! — ele vociferou, teimosamente, a confrontando com as mesmas palavras cruéis que ela usou. — Talvez, eu merecesse ter morrido lá em Lanshiang no lugar do Piers, porque ele nunca te decepcionou. — Ouvir aquilo fez o peito dela se apertar de angústia.


— Mas, você não pode fazer isso! Você não pode trazê-lo de volta! — Ela se virou cabisbaixa, remoendo todas aquelas palavras ditas pelo irmão.


— É. Eu não posso. Esse será sempre o meu maior arrependimento... não poder salvar Piers. — Seus olhos azuis tempestuosos se cruzaram com os de sua irmã, demonstrando a sua sinceridade de forma tão crua, que a deixou desconcertada. — Eu também sei que sou um péssimo irmão, que não devo valer nem um pingo das suas lágrimas. — Ele conseguiu de forma sutil tocar a sua bochecha e limpar uma gota de lágrima. — Mas, o Leon é um amigo leal que sempre esteve lá pra você, nos seus momentos bons e ruins. Agora o seu melhor amigo precisa de ajuda. — Os dois se encararam por um instante em silêncio. — Eu espero que um dia você me perdoe!




Raccoon City

Algumas Horas Depois...

Com as coordenadas em mãos e com um plano pronto em mente, dois helicópteros da BSAA partem da capital para a cidade fantasma de Raccoon City. Chris preparou a sua equipe tática da BSAA para o resgate de Leon, dando todas as informações possíveis. A equipe já estava bem armada e organizada. O capitão também já havia informado os militares que cuidavam das áreas próximas, para estarem atentos caso precisassem de apoio pesado. Assim, o helicóptero de forma segura, aterrissa próximo às ruínas da R.P.D.

— Estamos se aproximando do nosso destino, preparem-se e fiquem atentos. Essa será mais uma das nossas missões complicadas, pois estamos a um passo de capturar esses bioterroristas. Então, falhar não está nos nossos planos. Lembrem-se: A nossa prioridade é tirar o Assessor da Segurança Nacional seguro e vivo daqui, custe o que custar. — Chris terminou com as suas ordens e se voltou para Jake e Ada. — E você ficará responsável por proteger ela com a sua própria vida se for preciso.

— Sim, capitão! — Jake bateu continência provocando o riso de Sherry. — Você sabe que para chegar até ela, os Simmons terão que passar por mim... E eu não estou disposto a facilitar a vida deles — afirmou arrogantemente, trocando um olhar de determinação com a sua namorada.


Depois Chris se aproximou de Ada e ajustou o colete a prova de balas no corpo dela. Ele queria se certificar que ela estaria bem e segura, mesmo sem poder usar uma arma de fogo.


— Se o seu pai descobrir o que estamos fazendo, tenho certeza que ele vai querer me matar.

— Relaxa, eu ficarei bem, capitão!

— Ficaria mais relaxado se você tivesse a sua própria arma. Você tem certeza que não quer ao menos um... — Ele queria ao menos lhe dar um revólver, caso as coisas saíssem do controle e ela precisasse se defender, mas Ada o interrompeu tirando do bolso do colete um pequeno objeto que parecia uma caneta. — O que é isso?!

— Minha arma secreta. É pequena, mas faz um grande estrago. Então, não há motivos pra você se preocupar.

Mesmo colocando o plano em ação, era difícil afirmar que tudo sairia bem, os riscos ainda estavam bem ali, seja pelos inimigos que iriam enfrentar pela frente, ou pelo solo sob seus pés que lhes causava a sensação de estarem pisando sobre uma mina terrestre. Os militares haviam os avisado que aquela região era perigosa, pois a terra ali se sofresse algum abalo, ou explosão, poderia soterrá-los.

Alguns minutos depois, eles já estavam caminhando por um grande túnel estreito que era quase claustrofóbico, ali era frio, úmido e quase difícil de respirar. Enquanto lá fora o sol ainda estava se pondo, ali dentro era muito escuro, só sendo iluminado por suas lanternas. No silêncio tenebroso, seus passos tinham que ser cautelosos e atentos a qualquer surpresa indesejada. Ao final do túnel, chegaram num lugar mais espaçoso, onde tentaram recuperar o fôlego.

— Nunca imaginei que depois de 20 anos, nós estaríamos de novo nesse lugar — murmurou Sherry se lembrando do pesadelo que havia vivido ali. — A sensação que eu tenho... é como se eu tivesse revivendo... o meu pior pesadelo. — Ela compartilhou um olhar cheio de angústia com o seu capitão.

Entretanto, um barulho estridente de algo riscando o chão pôde ser ouvido, seguido de passos pesados. A tensão e adrenalina aumentou, pareciam que todos já esperavam por um ataque.

— Se preparem... eles estão vindo! — avisou o capitão fazendo todos ficarem com suas armas em punhos.

Em questão de segundos, a equipe da BSAA começou a ser encurralada por um grupo de homens violentos e muito bem armados. O time de Chris abriu fogo, tentando atrasá-los enquanto Ada, Jake e Sherry tentavam seguir a diante, correndo contra o tempo.

Logo, encontraram uma passagem que os levou até uma enorme sala redonda e estranha, haviam ferramentas sobre a mesa, correntes, um chicote e um ferro que a ex-espiã reconheceu. Era a sala que usaram para torturar Leon.

— Ele tá aqui! — Foi tudo que conseguiu dizer enquanto sentia um nó na garganta e uma agonia em seu peito. Havia um rastro de sangue no chão, que logo a levou até um Leon inconsciente, com braços ainda dependurados no teto.

— É o Leon! — Eles o soltaram. De repente o homem despertou e começou a se debater nos braços de Ada, querendo se afastar dela. — Leon, tá tudo bem! Nós vamos tirar você daqui! — Em seguida, notou que havia uma espécie de colar grudado a um dispositivo em volta do pescoço dele, que ficava piscando em vermelho.

— Não, não, não... Isso é um erro! — Leon encarou Ada com um olhar tão apavorado. — Você não deveria estar aqui! — Ele tentou se afastar e ficar em pé, mas estava tão fraco que não conseguia.

— Tá tudo bem, agora! Nós vamos tirar você daqui... e te levar pra casa. — Ela novamente tentou se aproximar.

— Nãoooo! — ele gritou dolorosamente. — Eu não posso... mais... mais... voltar pra casa. Eu sou perigoso! Sou uma bomba relógio! — quando Leon disse isto, Jake olhou para Ada se sentindo alarmado.

— Não, Leon... eu não vou te deixar! — Ela tentou tocar naquele colar, mas Leon conseguiu a surpreender a empurrando bruscamente.

— Eu já disse para... você... ficar longe de mim! — Sua voz foi ficando cada vez mais estranha e tenebrosa.

— Ele tem razão! — Subitamente, uma voz irritante surgiu nas sombras, chamando a atenção deles. — Vocês não tem saída! — Ela saiu das sombras, escoltada por três capangas e fazendo, instintivamente, Jake e outros soldados mirarem suas armas na direção dela.

— O que você fez com ele? — Ada estava diante da sua sósia, tão semelhante fisicamente, mas tão diferente por dentro. A outra era um ser sádico, sem alma.

— Eu consegui fazer o que ninguém mais conseguiu. — Seu clone deu um sorriso doentio. — Eu usei o seu maior ponto fraco para te destruir. O lado positivo é que a história entre vocês dois, terminará aqui... onde tudo começou. Isso não é tão romântico? — Assim, que as palavras saíram da sua boca houve um barulho de tiro vindo da metralhadora de Sherry que conseguiu atingir uma das pernas da mulher que rugiu de raiva e dor. — Hoje a noite... todos vocês vão morrer e os Simmons serão vingados. — Em contrapartida, seus comparsas começaram a abrir fogo contra eles.

Para piorar a situação, o lugar começou a tremer. Se aproveitando daquela situação, sua Doppelgänger fugiu, porém Sherry decidiu persegui-la.

— Cadê o Leon?! — Ada entrou em desespero no momento em que percebeu o sumiço dele.

Um bip começa a tocar sem parar, deixando-os desnorteado...


Por um minuto, houve um rugido horrível que lhes chamou a atenção, seguido por dois gritos agonizantes e dois corpos sendo arremessados, violentamente, contra o chão, caindo mortos quase nos pés de Jake. O terceiro também não durou muito, tendo o seu peito dilacerado por mãos cruéis.

— Leon! — Ada olhou chocada para um Leon parado em pé a poucos metros dela, com o dispositivo do colar mudando para a cor verde. Haviam veias proeminentes pulsando como um coração por todo o peito nu, braços e rosto dele, as feridas em carne viva que estavam marcando a sua pele, começaram a cicatrizar inexplicavelmente e, de repente parecia que seu corpo ficou mais grande e forte. E, quando ele ergueu os olhos para encará-la, seus azuis eram ausentes de qualquer emoção, eram inumanos, monstruosos.

Nesse instante, houve outro tremor de terra.

— Nós temos que sair daqui, ou morreremos soterrados. — Chris tentou avisá-los. Mas, mesmo que tentassem sair, seria difícil com um Leon descontrolado impedindo a fuga.

— Leon, por favor... você precisa se lembrar de nós! — Ela tentou trazer a lucidez de volta a ele, só que a mente de Leon já estava completamente dominada pela insanidade, movida apenas por um único instinto: Matar!

— Cara, somos os seus amigos! — Tentou Jake, mas ele lhe ignorou e passou a atacá-los, suas armas não eram suficientes.

Um novo confronto se segue, com eles usando tudo o que têm para enfrentá-lo e, ainda assim, nada parece capaz de detê-lo. Há tantos corpos no chão, mortos de forma violenta. Mortos pelas mãos desumanas dele. Seja o que os Simmons fizeram com Leon, o tornou um verdadeiro assassino resistente e, praticamente, invencível. Não apenas isso, o homem também parecia desprovido de humanidade.

Ada se arrasta até Chris que está caído no chão ferido. Ali, ela luta contra o medo e as lágrimas, enquanto Leon continua vindo como um predador selvagem na direção deles. Ela já desejou tanto a morte, mas agora tudo era tão diferente. Nunca imaginou que seu fim poderia ser, assim, de uma forma tão cruel, tão triste, injusta e pelas mãos da pessoa que ela mais amou nessa vida. E, por ironia do destino, morrer ali naquele lugar chamado Raccoon City. Justamente, o lugar onde tudo começou.

— Eu me recuso a aceitar que vamos morrer aqui... nesse lugar maldito! — Ela se levanta com dificuldade, se colocando entre Chris e o Leon bestial que já está a poucos passos dela. — E eu sou muito teimosa pra deixar a morte me vencer! — A ex-mercenaria depois retira de seu bolso o pequeno objeto (aquele que se parece com uma caneta). Basta um simples toque de seu polegar para ativar um mecanismo que causa um som ensurdecedor, capaz de fazer tremer ainda mais o lugar e fazer o homem desatinado cair de joelhos no chão, soltando um grito gutural horripilante.

O apetrecho em sua mão, nada mais era do que uma arma ultrassônica, que parece ser a única coisa capaz de detê-lo.

— Leon, eu sei que você pode me ouvir. — Ada parece ser a única que ainda consegue permanecer um pouco lúcida no meio daquele caos. — Eu sei que você ainda está aí... Então, por favor... eu preciso de você! A sua família precisa de você! — Em seguida, algo inesperado acontece...

É possível ouvir risadas infantis, vozes de crianças brincando e chamando pelo seu pai ecoando pela sala. E isso parece ser capaz de afetá-lo fazendo-o parar de grunhir e apenas lutar para se concentrar naquelas vozes. As vozes de seus filhos chamando por ele.

Para seu espanto, Sherry aparece segurando seu celular com uma gravação dos filhos de Leon.

— Leon, você tem que voltar para a sua família... Você tem que retornar para os seus filhos! — Ada diz parando de apertar a arma ultrassônica e o deixando focado apenas naquela gravação do celular. E é nesse exato momento de distração, que Chris escolhe para injetar uma seringa com a cura bem no meio da coluna vertebral de Leon.

Consequentemente, Leon começa a se contorcer e convulsionar no chão. Aos poucos a atitude insana e selvagem dele vai se tornando cada vez mais normal, humana, trazendo à tona as suas emoções mais profundas como tristeza, desespero, medo. E quando o seu estado físico é deplorável e sua mente está cheia de obscuridade, tudo o que lhe resta é sucumbir, deixando que a inconsciência o domine.

— Droga! Ele não tá respirando direito — diz Sherry após averiguar o estado em que seu amigo está.

A essa altura o lugar já está começando a desmoronar. Logicamente, o caminho de volta pelos túneis é difícil, cansativo e até doloroso, com Chris e Jake tendo que carregar um Leon completamente inconsciente. Mesmo com toda a dificuldade, os sobreviventes conseguem, enfim, se guiarem para fora daquele maldito lugar.

Quando já estão seguros dentro de um avião militar, começa uma nova corrida contra o tempo, agora para salvar Leon que acabou de sofrer uma parada cardíaca. Há dois paramédicos sobre o corpo dele, usando um desfibrilador para tentar reanimá-lo. Eles fazem o que podem, tentam e tentam e tentam, mas as suas tentativas parecem falhar.

— Não, vocês não podem desistir! Façam isso de novo! — Ela ainda pôde ouvir os gritos desesperados de Chris ameaçando os paramédicos.

— Sinto muito capitão, mas o coração dele parou. Ele está morto!

“Ele está morto! Ele está morto! Ele está morto!” É a última coisa que Ada consegue se lembrar direito, pois tudo o resto, passa por sua mente como um borrão.


Washington D.C.

Ele desperta se sentindo muito desorientado e isolado naquele lugar desconhecido, ainda confuso precisa achar uma forma de sair dali, até que se depara com o seu próprio reflexo nas paredes feitas de espelhos sujos com sangue. Assustado demais, não consegue nem reconhecer o seu próprio corpo quando percebe a mudança bizarra e horripilante em que foi transformado. O seu rosto havia se transformado numa máscara gélida, impenetrável e assustadora. De repente uma fúria se instalou dentro de si, como uma chama incontrolável que precisava ser libertada, destruindo tudo que estivesse em seu caminho.

Dominado por um instinto assassino, ele passa a atacar quem quer que atravesse o seu caminho. Os rostos, os gritos, os corpos que vão se amontoando no chão, passam como borrões diante de seus olhos desumanos. No entanto, há um momento crucial no qual suas mãos estão tentando estrangular uma mulher. A voz aveludada dela, seu perfume e aqueles pequenos olhos de cor âmbar lhe olhando, o faz pensar em como ela lhe parece familiar.


"Papai! Papai! Papai!" Mas, subitamente, o homem é interrompido, por sons de vozes infantis que soavam como batidas de um coração retumbando contra os seus ouvidos.

"Papai! Papai! Papai!" Há uma menina e um menino que estão parados a poucos metros dele, o medo e horror se refletem nos olhinhos das duas crianças.


"Nãooooo!" Ele retorna a encarar a mulher que está presa em seu aperto de aço. Ele está a matando. De repente a sua mente antes nebulosa, começa a se lembrar de tudo.


"Leon, você precisa retornar para a sua família!" E é a voz dela que num rompante o traz de volta ao mundo dos vivos...


A princípio seus azuis se abrem meio desorientados e sensíveis pela luz que está batendo na sua cara, ele percebe que está em um quarto estranho. Ao se virar para o lado, fixando a sua atenção para o cara de jaleco que está conversando com Angela e a sua...

— Mãe?! — Num solavanco, ele se senta ainda desnorteado e olha para Sarah que, imediatamente, se vira para a sua direção, com um olhar de legítimo alívio.

— Filho, como você está se sentindo? — Lágrimas agora de alegria recaem dos olhos de Sarah que o abraça apertado.

— O que foi que aconteceu comigo? Por que eu estou no... hospital? — Ele olha entre as duas mulheres que também trocam olhares tensos.


— Você venceu a morte, senhor Kennedy... — O médico ironizou.


— Acho que você tem mesmo um Anjo da Guarda muito forte, Leon! — o comentário de Angela, rapidamente o faz pensar em Ada. E sobre a capacidade da beleza oriental de sempre aparecer no momento certo e salvá-lo várias vezes.


E falando em Ada. Depois de saber que o homem estava fora de perigo e, mais uma vez, sobreviveu, ela resolveu seguir os conselhos de seu pai e ir embora sem se despedir de ninguém. Entretanto, na última hora, Claire surgiu para confrontá-la. As duas mulheres acabaram tendo um momento para discutir e acertar as contas.


— Você está feliz, agora?! As suas mentiras quase o mataram. E quase acabou com a vida de todo mundo. — Claire estava exasperada e Ada não tinha ânimo para rebater aquelas acusações.


— Claire, não seja injusta! — Sherry tentou intervir. — Ela também se arriscou para salvar o Leon e também para salvar muitas vidas.


— Sherry, não se meta nisso! — Isso só deixava Claire mais irritada.


Estava todo mundo com os nervos à flor da pele. Havia muita dor, raiva e remorso pairando no ar.

— Afinal, quem é você de verdade? Uma mentira, ou apenas um monstro que retornou para destruir as nossas vidas?


— Eu sinto muito... por tudo que aconteceu... Eu sinto muito pelo Leon, por Chris... — Ada suspirou se sentindo tão esgotada. — Eu sinto muito por ter mentido pra você, Claire... E sinto muito pela morte do seu marido... — O helicóptero com o seu pai já estava lhe esperando para levá-la embora dos Estados Unidos. — Se eu pudesse voltar no tempo e mudar algo sobre o meu passado... Acho que nunca teria aceitado aquela missão de Raccoon City em 1998. — Ela deu um sorriso sincero e triste.


— Acha que isso teria impedido todas essas tragédias?

— Com certeza, não. Mas, pelo menos... eu não estaria envolvida nisso. E Leon nunca teria me conhecido e nem o seu irmão. Talvez, tudo seria diferente.


— Mas, não dá pra mudar o passado. — As duas se encararam, por um instante, num silêncio necessário.


— Cuida do Chris e do Leon. E perdoa eles. Eles são a sua família e eles te amam, Claire. — Ada se afastou e seguiu para dentro daquele helicóptero que, logo, partiu dos Estados Unidos.


Ela foi embora outra vez da vida dele, sem nem se despedir.


***/ /***


— PARABÉNS PARA O PAPAI! — disseram Sarah e Sherry, seguidos pelos pequenos Anthony e Natalie.


— Oh, obrigado! — Eles estavam comemorando que Leon tinha saído do hospital e resolveram fazer uma pequena festinha bem pessoal, que também incluía Jill, Jake e Chris.


— Leon, é bom ter você de volta. — Jill se aproximou e lhe deu um abraço.


— Acho que devemos brindar a vida! — disse Dexter com um copo de refrigerante na mão.


— Afinal, não é todo dia que seu coração para e você morre... e depois milagrosamente, ressuscita. — Jake brincou ganhando um olhar mortal de Sarah. — Desculpe, tia!


— Eu estou muito feliz por estar aqui com vocês e sou muito grato por Deus ter me dado uma segunda chance. — Leon se forçou a seguir o fluxo da festa, mesmo que por dentro tudo o que mais desejava era se esconder em seu quarto e dormir.


De repente todos pararam para ouvir uma notícia que estava passando na TV:


"Nessa madrugada de Segunda-Feira, a BSAA e a DSO conseguiram encontrar o esconderijo dos últimos integrantes da Organização conhecida como A Família, dando assim um ponto final a todo esse pesadelo. Além disso, o Secretário de Defesa deu uma declaração hoje, dizendo que a Missão foi bem sucedida e que, a partir de agora, o mundo poderá voltar a respirar com tranquilidade."

— Então, você acredita nisso? Acredita que acabou? — questionou Leon enquanto estava com Chris na sacada de seu apartamento.

— Acreditamos que sim — respondeu Chris com cautela. — Tem mais uma coisa que resolvemos esconder da mídia e do governo... Os Simmons tinham criado um novo vírus mais potente e destrutivo que o C-Vírus.

— E eu fui a cobaia desse novo vírus? — Kennedy murmurou tenebrosamente.

— Sim. — O capitão fez uma pausa percebendo como o assunto era perturbador. — Se isso lhe serve de consolo, em comum acordo a BSAA e DSO decidiram que o melhor era destruir todas as amostras desse novo vírus para que não caíssem em mãos erradas. E a Shadows acabou ficando apenas com uma única amostra para futuras análises.

— E aquele clone da... Ada? — Leon perguntou angustiado. — O que aconteceu com ela?

— Ela estava sob custódia da Shadows em Londres. — Chris sorriu com desdém. — Trent injetou a cura nela e... o clone acabou morrendo — seu comentário fez Leon se contorcer desconfortável.

Depois um silêncio pesado e melancólico pairou sobre os dois. Ambos estavam tão exaustos, emocionalmente. Voltar a Raccoon City forçou ambos a enfrentar os seus piores pesadelos e revelou que alguns traumas não foram superados totalmente.

— Eu acho que nunca vou esquecer o que eu fui capaz de fazer contra vocês.

— Você tem que parar de se culpar, Leon! Você foi mais uma vítima daquela Organização. — Chris parou e se virou para encarar Leon. — Todo mundo estava fora de controle, tendo que agir por instinto e fazer escolhas difíceis. — Seus azuis determinados, confrontaram os azuis atormentados de Kennedy.

— E o que importa é que, mais uma vez, vocês sobreviveram e venceram. — Jill surgiu para se juntar a eles, dando um beijo nos lábios de Chris e fazendo os olhos de Leon se arregalarem de surpresa. — No final vocês pegaram os vilões... E o mundo está mais seguro agora.


— Então, vocês estão juntos? — Leon tinha um olhar de perplexidade e interesse.


— É. A gente tá... — Chris olhou para Jill se sentindo um pouco tímido e hesitante.


— Depois de tantos encontros e desencontros... — Jill ao contrário do capitão era mais decidida. — Eu escolhi ser feliz e dar uma nova chance para o amor. — Eles se beijaram outra vez.


Leon observou o par parecendo todo apaixonado, até que os seus pensamentos o levassem de volta a uma certa beleza oriental.


— E a Li, como ela está? Ela não responde as minhas ligações. — Ele necessitava saber se Ada estava bem, pois desde aquele fatídico dia no hospital, eles não se viram mais.


— Ela está bem... Ela tá se dividindo entre ser uma boa mãe para Mei Chin e cuidar do CAVB. — O capitão trocou um olhar com Jill enquanto a segurava em seus braços. — Pelo menos, dessa vez, Li não se isolou de todo mundo.


— Só de mim. — Leon deu um sorriso triste. — Talvez, ela tenha ficado tão assustada comigo. E com razão.


— Eu acho que Li se culpa pelo o que houve com você. Porque eles usaram você para atingi-la. — Chris se surpreendeu por ser a pessoa que estava consolando o outro homem. — Você virou o... ponto fraco dela. Assim como ela é o seu ponto fraco, Leon. E agora dá pra entender o porquê ela sempre fugiu.


— Por quê?


— Porque ela sempre tentou proteger você. Ela sabia que pra vocês ficarem juntos, você teria que abrir a mão da sua família, do seu trabalho, da sua liberdade... — Jill novamente surpreendeu Leon com as suas palavras.


— Que liberdade, Jill?! — O homem deu um sorriso sem humor. — Desde os meus 21 anos, eu não tenho a liberdade para viver a minha vida, pra fazer as escolhas que eu quero. — Ele estava com ódio de tudo, da sua vida atual, dos Estados Unidos, de ADA Wong e, sobretudo, de si mesmo. — Eu só estou cansado de tudo isso.


— Nossa, como você é dramático, Leon! — Os três se viraram na direção da dona da voz que havia acabado de chegar.


{Continua...}








Notas finais
Bom, pessoal vejo vcs no ultimo capítulo, bjus!!!