Destino Incerto De Um Casal Certo.
28 Capítulo 28
O tempo passou voando, e parecia que foi ontem que eu fiquei presa naquela ilha com o Naruto. Eu era uma garota tão cheia de decisões, planos... E aquele garoto ‘’aparece’’ na minha vida, e muda todo o meu rumo. Ok, não foi culpa dele, mas sim, obra do destino.
Nunca imaginei que eu me apaixonaria desse jeito, por aquele garoto que sentava no fundo da sala, que era o invisível aos olhos dos superficiais, e até aos meus mais ainda bem, que ele me fez enxergar o que eu estava perdendo.
(...)
Alguns anos depois...
Eu precisava me apressar, estava quase me atrasando para um dos dias mais importantes da minha vida. Minha mãe já me esperava na porta, segurando minha bolsa. Corri e fui para o carro, Naruto estava ao volante, beijou-me, e deu partida no carro, ele sabia que eu estava muito nervosa e feliz. Esperei por oito anos para ver aquele dia chegar, ele já passou por aquilo, sabia como era.
Hoje era o dia na minha formatura, agora sim, eu iria pegar meu diploma, ser reconhecida como Doutora.
Chegamos ao local onde seria realizada a cerimônia de formatura, muitas pessoas da minha classe estavam no mesmo estado que eu, assim que cheguei ganhei ‘’mil’’ abraços, e ‘’parabéns’’ foi à palavra que mais se escutou naquele lindo local, decorada com as cores da universidade, vermelho e azul marinho.
Naruto apertava minha mão fortemente, transmitindo-me segurança, assim que ele fez em todos esses anos. Quando nos mudamos para o nosso apê, em busca de fazer um menor percurso até a faculdade, ficamos ainda mais ligados.
– Tia Sakula! – Escutei a voz da linda menininha, que eu jamais esqueceria o rosto, minha sobrinha Saya, filha de Sakura.
– Minha flor. – A abracei assim que virei. A garotinha de cabelos negros, e olhos verdes escuros, mas com o mesmo brilho que os da mãe, me abraçou forte, com seus bracinhos frágeis.
– Amiga! – Mas uma vez pude ouvir o corinho das minhas amigas, antes delas me amassarem com o triplo abraço de urso.
Aquilo era tão nostálgico... Fez-me lembrar da época do colégio, das nossas bobeiras, fofocas, brincadeiras, paqueras, desilusões... Tanta coisa... O tempo passou tão rápido, e agora eu estava aqui, me formando, realizando meu sonho.
– Ei, vamos, já vai começar. – Uma amiga de turma, Taiga, me deu um leve cutucar enquanto se apressava para ir até o palco.
Dei um sorriso que valia para todos ali, minhas amigas, minha sobrinha, minha mãe e meu amor.
Meu coração bateu forte, e senti meu corpo estremecer, eu estava tão nervosa... Em poucos minutos, seria oficializado uma coisa que eu sonhei em todo a minha vida.
Posicionei-me junto aos meus colegas de sala, e o nosso coordenador começou. A cada palavra que ele dava, eu ficava mais nervosa e mais feliz. A todo momento, eu me lembrava do meu pai, ele era um ótimo médico, um ótimo homem, e um ótimo pai. Eu iria honrar seu nome.
– Esse diploma também é pra você pai. – Sussurrei baixinho, enquanto uma lágrima escorria pelo meu rosto.
Foi então que eu escutei as palmas, o discurso já havia terminado, e agora era hora do discurso pela turma. Discurso que eu faria.
– Esses são, nossos formandos de medicina. – Falou mais uma vez o coordenador antes de dar espaço para eu ir até o microfone com um papel em minha mãos, sim, pelo nervosismo eu não havia gravado nada.
Meus dedos estavam suados, e olhei para todas aquelas pessoas que me encaravam, procurando minha família, os achei e sorri.
– Nós, formandos da turma 2007... – Comecei a ler o discurso que eu havia feito com muita cautela, ele tinha que ser perfeito... Porém, as palavras daquele pedaço de papel começaram a se embaralharem na minha mente.
Olhei novamente para aquelas pessoas diante de mim, e pude ver que por dentro, todos queriam saber o porquê deu ter parado. Respirei fundo e olhei para o papel novamente, eu não estava conseguindo mesmo. Foi então que eu decidi, eu falaria o que eu estava sentindo.
– Amigos, familiares, companheiros, mestres. Muitos aqui nesta plateia, outros impossibilitados de estarem presentes, pelos mais diversos motivos. A todos vocês, os nossos mais sinceros agradecimentos. – Iniciei. — Posso dizer que hoje, sentados aqui nessa plateia, temos quatro tipos de pais: aqueles que vibram sem medo de serem ridículos, aqueles que falam pouco, tentam segurar a emoção e disfarçadamente limpam uma ou outra lágrima que insiste em cair de sua face, temos ainda aqueles mais durões, que tentam convencer a si próprios e aos outros que vão tirar de letra toda a emoção. Mas, no meu caso, e de alguns colegas aqui, tem aquele pais que não estão aqui em sua forma carnal, mas sabemos que estão olhando por nós, e estão orgulhosos pelo caminho que conseguimos traçar. – Me segurei para não chorar, meu pai... Era tudo que eu via. — Não importa qual deles seja o senhor ou a senhora, sabemos que quando os nossos nomes forem anunciados, as palmas mais fortes partirão de suas mãos e as lágrimas mais verdadeiras cairão de suas faces. E por mais que estivéssemos tão envolvidos com o nosso próprio caminho, reconhecemos hoje que sem vocês não teríamos chegado aqui e esse é momento de receber, como reconhecimento da nossa mais sincera gratidão, o aplauso mais intenso e caloroso dos seus filhos! – Aquilo de certa forma surpreendeu a todas, e meus colegas de classe puxaram os aplausos junto comigo. Depois de alguns segundos, continuei. – O tempo passou e não pensamos que seria tão rápido. No início éramos expectativa, emoção, sonhos, ilusão. Iniciamos nossa jornada e juntos vivenciamos as mais diversas emoções: dor, angústia, medo, limitação, superação, felicidade, reconhecimento. Fizemos amizades que levaremos por toda a vida, mesmo sabendo que nossos caminhos, neste momento, tomarão destinos diferentes. Fica a certeza de que estaremos ligados pela lembrança dos anos compartilhados. Sabemos que a batalha que se iniciará em seguida não será fácil, mas fica o desejo de que não percamos a vontade de ajudar as pessoas, a garra, o brilho do olhar e nem a nossa capacidade de indignar-nos. – Uma pausa. — Hoje ainda somos expectativas, sonhos, emoção e mais uma mistura de vários sentimentos, dos quais se destaca a saudade. Agora já não é mais possível olhar para o outro sem sorrir ou sem termos o brilho do olhar marejado pela emoção. Sabíamos que chegaria esse dia, em que o riso e o choro estariam na nossa face ao mesmo tempo e que as palavras seriam silenciadas pela emoção. – Não me contive, e deixei lágrimas grossas escorrer. – Nós agradecemos por tudo, obrigada pela atenção.
As palmas eram mais altas e mais intensas do que eu poderia imaginar, vi minha mãe se levantar da cadeira, seus olhos vermelhos, estava muito emocionada.
Os nomes, em ordem alfabética, foram sendo chamados, e finalmente, era a minha vez.
– Hinata Hyuuga.
Caminhei lentamente até o local, peguei meu ‘’canudo’’ e o erguei com orgulho olhando para meus amigos, amor, e mãe.
Eu consegui. Por vocês... E por você, pai.
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