Depois dos dias com o Naruto naquela ilha, eu senti a falta dele nessa primeira noite que dormi em casa, que dormi sem ele.

Eu estava feliz por estar de volta, mas, tudo esta tão sem sentido, incompleto. Eu queria ligar para ele! Mas lembrava-me logo em seguida, que não tinha o seu número.

Ino e Tenten ainda não tinham acordado, eu estava sentada na minha poltrona roxa perto da janela. Levante-me e fui até a janela, o céu ainda estava escuro, deviam ser umas quatro e meia da manhã, eu precisava de ar puro, respirei bem forte o vento que a passagem da minha pequena janela proporcionava, mas não era o suficiente.

Coloquei meu ropão e fechei a porta do meu quarto cautelosamente. Não queria que as meninas acordassem. Desci as escadas com mais cautela ainda. Minha mãe estava na sala, dormindo no sofá. Minha vontade era de pega-la no colo que coloca-la para dormi na cama, como ela fazia comigo na minha infância não tão distante, mas eu não tinha força suficiente para isso.

Girei a chave na maçaneta devagar, não queria acorda-la. A porta se abriu e eu a encostei.

O ar da cidade não era, nem de longe, tão puro quanto era naquela ilha, mas dava pro gasto.

Avistei o velho balanço do meu quintal, não estava muito a fim de ficar em pé ali mesmo, fui até ele, e me sentei.

Balancei-me devagar para frente e para trás, com a força dos pés. Mantive minhas mãos juntas em cima das pernas e olhei para o horizonte interno da minha mente.

Mesmo olhando fixamente para o céu, meus pensamentos não estavam limitados a esse espaço. Eu estava em outra dimensão. A minha dimensão. Por um momento nostálgico me lembrei do meu pai me balançando naquele balanço. Um sorriso logo apareceu na minha face quando me lembrei dele. Era um homem bom e digno. Meu pai era o melhor médico da região, todos o respeitavam. Foi uma pena que logo ele, que salvou milhares de vidas, não conseguiu se salvar, não conseguiu combater seu câncer. Como eu odeio essa doença!

Uma lágrima escorreu em meu rosto, a sequei rapidamente, e logo em seguida, senti uma mão sobre o meu ombro.

Levei um mini susto, até me acalmar, ao ver que era a minha mãe.

- A senhora me assustou. – Levei a mão ao peito.

- A senhorita também! Posso saber porque esta aqui nesse sereno?

- Precisava de ar puro. – Respondi.

- Acho que você já respirou muito ar puro naquela ilha! – Ela sorriu.

- Verdade... Mas talvez seja por isso que eu senti essa necessidade. – Completei.

- Você gosta muito desse balanço né? – Minha mãe mudou o rumo da conversa, ao olhar para o balanço que eu estava sentada.

- Sempre quando eu fico aqui, as lembranças do meu pai veem na minha cabeça. E eu gosto de me lembrar dele, sento ele vivo aqui. – Levei a mão ao peito de novo. Sorri.

- Foi seu pai que fez esse balanço para você. Além de cuidar das pessoas, ele tinha outros talentos. – Ela sorriu orgulhosa, e passou a mão na estrutura.

Havia brilho nos olhos da minha mãe. Ela amou meu pai verdadeiramente.

Eu não queria atrapalhar suas lembranças, só fiquei observando-a.

- Vamos entrar! – Ela colocou a mão sobre as minhas costas. – Você nem dormiu direito. Fora que esse sereno pode fazer mal a você.

(...)

- Você precisa de um vestido para o baile! Seu guarda-roupa está pior que o meu! — Ino pega com desdenho algumas peças de roupa do meu armário.

Se tinha uma coisa que eu não queria perder, era o baile e a formatura. Mas só de pensar no trabalho que eu iria ter para encontrar o vestido, me deixava com dor de cabeça. Ainda mais sabendo muito bem como é a Ino, quando o assunto é roupa! Seria uma tortura!

- Por que você não comprar um para mim? Escolhe lá, minha mãe lhe paga! — Falei ainda deitada.

Ino faz cara de reprovação.

- Negativo! — Ela responde.

- É mesmo amiga! Você que tem que comprar o seu vestido! É o nosso último baile, é a nossa formatura! Que desânimo é esse? — Tenten se intrometeu.

- Nada. Só estou um pouco cansada. E você sabe como a senhorita Ino é. Ela vai pegar no meu pé até eu comprar um vestido que ela considere perfeito. — Falei brincando.

Demos uma risadinha e olhos para a cara da Ino, que não gostou nada.

- Sem graças! Eu só prezo por uma vestimenta adequada para as minhas amigas! Gosto delas bem vestidas! — Ela fez um biquinho.

- Sabemos disso! — Tenten da um abraço de lado na loira.

- E a Sakura? — Lembrei-me dela — Temos que ligar para ela. — Terminei.

- Na verdade, eu mandei um torpedo para ela ontem assim que eu fui dormi, e ela não me respondeu. — Ino responde.

- Tem alguma coisa que eu precisa saber? Vocês estão escondendo algo de mim? Sobre a Sakura? — Olhei fixamente para as duas.

Elas se encararam. Tinha treta.

- Não escondam nada de mim! — Fiz um tom sério.

Ambas sentaram na minha cama.

- Sabe Hinata... Nesse tempo que você passou fora muita coisa aconteceu, ainda não tivemos tempo nem de te falei que o Sai me contou que... que... — Ino gaguejou.

- Que? — Falei impaciente.

- Ele resolveu que... não gosta muito de mulher... — Ela fez uma cara de constrangida.

Levei minhas mãos até minha boca. Eu estava surpresa. O Sai, é homossexual. Não que eu tenha algo contra, mas, ele ficava com a Ino, é estranho, nunca pensei que ele.

- Sinto muito Ino. — Botei a mão no braço.

- Não sinta, eu não me afeto por causa disso. — Ela tentou desviar a decepção dos olhos.

Mas eu conhecia ela muito bem, eu lia aquele olhar.

- Mas, eu ainda quero saber da Sakura! — Afirmei.

- O lance da Sakura, é aquilo que nós já te contamos. Ela levou um tiro, mas já esta bem! E... ela gosta do Sasuke. — Tenten terminou.

- Só isso? — Olhei para elas.

- Só. — Elas afirmaram.

Eu não estava completamente convencida, mas, tudo bem. Qualquer coisa eu ia perguntar diretamente a Sakura agora.

- Quero ver a Sakura! — Falei.

- Ok, vamos na casa dela! Já que ela não vem, vamos atras. — Ino sorri.

- Obrigada pelo apoio. — Agradeci.

- Eu dirijo. — Tenten levantou o braço.

- Vou me trocar. — Caminhei até o banheiro.