Notas iniciais
Galeraaaaaa eu voltei! kkkkkk Desculpe pelo sumiço, tive que tirar um tempinho nesse final de ano para colocar as coisas no lugar, mas agora vou voltar com tudo e cá está mais uma capítulo dessa história que está quase no fim já :( mas em breve tenho novidades para mais uma kkkk Em relação a outra história que escrevo em paralelo a esta (onde o nome dos capítulos é o dia em questão) eu vou continuar a partir do dia que parei, como se não tivesse dado esse tempo, para os capítulos continuares seguidos, ok? Bom espero que gostem desse capítulo, as coisas agora vão começar a ficar tensas, preparem o coração kkkk Mas, sem mais delongas, uma boa leitura a todos vocês :)

O doutor Kim Seokjin se aproxima subitamente com uma expressão nada esperançosa, carregando sua prancheta, com uma caneta azul enroscada dentre as poucas folhas, na mão direita e um estetoscópio de coloração preta enrolado em torno de seu pescoço. Eu estava completamente fora de mim, como se tudo não tivesse passado de um simples pesadelo, e que a qualquer momento iria acordar e minha mãe estaria sorrindo para mim com o café da manhã posto a mesa.

— O senhor é o filho da paciente, Bruno? — pergunta o coreano de jaleco branco com os olhos fixados em minha direção.

— Sim... Sou eu. — digo pausadamente, a preocupação tomava conta de mim por completo.

Jungkook — que até então estava sentado ao meu lado, nas cadeiras acolchoadas da sala de espera — coloca sua mão sobre a minha. Ele me encarra com um sorriso, tentando me acalmar...

Funcionou...

— As notícias que eu tenho não são tão boas... — Dr. Jin prossegue.

— Ela acordou? — pergunto, cortando o que ele iria falar.

— Sim, ela está melhor agora. Tudo não passou de uma recaída, mas...

— Deixe-me vê-la... Depois você me diz o que precisa.

Ele fica em silêncio, mas abre caminho para que eu passasse. Peço a Jungkook para que me acompanhe, assim continuaria mais calmo.

O pai de Sabrina esperava sentado em uma cadeira nada confortável ao lado da cama onde mamãe estava. A ruiva havia pegado no sono e estava deitada no sofá dos acompanhantes, possuía pequenas olheiras abaixo dos olhos e seus cabelos escuros estavam todos bagunçados, graças ao grande tempo que ficamos ali esperando.

Minha mãe sorriu ao me ver, apesar de estar ainda desconfortável com as dores — além de que o ambiente hospitalar não era lá essas coisas — mesmo que ele fosse um dos melhores hospitais da cidade. As paredes brancas e aqueles tons claros ao redor, junto com os aparelhos espalhados por toda a sala, me davam calafrios. Desde as roupas de cama — todas brancas, típicas dos hospitais — até a gota de soro que pingava naquela sonda, tudo me deixava incomodado. Estava tão preocupado que... Sinceramente não quero nem pensar sobre isso. Nem mesmo consigo imaginar meu mundo sem ela, apesar de me considerar alguém independente, ela era a única família que eu tinha. Iria protegê-la até o fim.

— Como você está, mãe? — pergunto ao me aproximar da cama com os lençóis já bagunçados.

— Saudável como um cavalo¹. — ela sorri em tom de sarcasmo.

— Isso lá é hora de fazer piadinhas? — rimos alto por um tempo, mas entendi que tudo que ela queria fazer era para me deixar menos preocupado.

— Podem por favor nos dar licença? — ela pede a todos que estavam ali na sala. Sabrina é acordada pelo seu pai e fica parecendo a Samara de O Chamado. — Jungkook, você pode ficar querido. — ela sorri para o coreano que ainda mantinha-se ao meu lado.

— O que foi mãe, por que isso agora? — pergunto sem saber o que estava acontecendo.

— Querido, só queria dizer o quanto eu te amo e que nunca desista dos seus sonhos...

— Para com esse papinho mamãe! A senhora está ótima! — franzo o cenho, cortando aquela conversa.

— Só quero que saiba que seja lá o que o destino me reserve, que seja forte e mantinha as pessoas importantes ao seu redor... Principalmente o Jungkook. Nesses últimos meses ele se tornou um verdadeiro filho para mim. — ela alisa os cabelos do moreno.

— Mãe... — nesse momento eu realmente achei que aquela lágrima que eu estava segurando a tanto tempo escorreria, mas ela voltou a falar antes que acontecesse.

— E filho, o mais importante de tudo... Não ligue para o julgamento das pessoas. Você é um menino maravilhoso e ninguém pode dizer o que deve ou não fazer. Viva a sua juventude enquanto ainda tem tempo.

— O que você quer dizer com isso? — estava realmente confuso, não sabia o que aquelas suas palavras significavam.

— Apenas siga meus conselhos. Saiba que nunca agradaremos a todos, portanto não pare sua vida por ninguém! — ela sorri daquele modo que somente minha mãe conseguia, e depois me dá um beijo no rosto.

— Ainda estou um pouco confuso, mas... Ok, eu prometo. — retribuo o sorriso.

Depois dessa nossa conversa, ela pede para que eu me retire um pouco do quarto, mas que Jungkook permanecesse por lá. Achei completamente estranho, mas obedeci.

Deixo a porte entreaberta e coloco meus ouvidos colados com ela. Eu sabia que era feio ouvir a conversa dos outros escondido, mas eu realmente não fazia ideia do que se travava. Pude pegar um pouco do que eles estavam falando...

— Querido, quero que prometa que vai cuidar do Bruno, seja lá o que acontecer.

— Não vai acontecer nada com você, nós não vamos deixar... — ele logo retruca.

— Por favor, apenas prometa pra mim. Eu já sei o quanto seus corações batem um pelo outro, e isso não é errado... Na verdade eu estou feliz de Bruno ter achado alguém tão bom como você.

— Mas nós não... — ele aquieta-se.

— Não tenha pressa. Sei como é difícil ouvir o coração, mas não desista de seguir o que acha que é o certo... Então, você me promete que cuidará do meu filho por mim?

— Obrigado, e eu prometo! — posso ouvir que os dois se abraçam depois desse curto diálogo.

Mas o que mamãe queria dizer com aquelas palavras? Eu nem sabia direito o que eu sentia por ele... Tava tão visível assim será?

— BRUNOOOOO!

— Misericórdia Sabrina, você me assustou.

— Ain! Tá chato hein? Mas o que faz aí atrás da porta?

Nesse instante, Jungkook sai do quarto e dá de cara comigo. Engulo um seco, não podia falar que estava bisbilhotando a conversa do outro lado da parede.

— Estou apenas vendo se essa porta está bem presa! Isso é um hospital, já imaginou se isso cai no dedão de alguém?

Os dois ficam me encarando por um bom tempo, como se estivessem tentando processar as palavras que havia acabado de dizer.

— Olha Bruno, sinceramente acho que é você que deveria estar deitado naquela cama... Bateu a cabeça, foi? — Sabrina e suas piadinhas diárias.

Nesse momento, o Sr. Mouro se aproxima e diz para que voltasse para casa e descansasse um pouco. Ele ficaria com minha mãe no hospital.

— Sim senhor, eu irei, mas antes o doutor Seokjin disse que precisava me dizer algo.

— Não! — ele engrossa sua voz. — Apenas vá, ele entra em contato depois, tenho certeza que não é nada demais.

— Tudo bem então... Vamos Jungkook, é uma longa caminhada até em casa.

— Deixa que eu resolvo isso — Jimin se aproxima depois de ficar comendo na praça de alimentação do hospital durante um bom tempo. — Eu os levo para casa, afinal o Sr. Mouro precisa do carro dele aqui para urgências.

— Olha, muito obrigado, mas eu prefiro queimar meu pé no asfalto do que pegar uma carona com você Jimin.

— Ei... Não seja tão grosseiro. — Jungkook sussurra e puxa minha camiseta para que eu parasse de falar merda. — Vamos aceitar a carona, valeu!

— Tá vendo, por isso o Jungkook é um lindão! — ele lança um beijinho de longe para o moreno.

— Se quer apanhar hoje ou amanhã?

— Cala a boca Bruno, vamos logo, estou cansado. — o coreano me arrasta até o carro do embuste loiro de farmácia.

— X —

Jimin para seu carro bem em frente as escadas de entrada da minha casa, após deixar Sabrina na dela, alguns metros atrás. Nós nos despedimos — mesmo que na verdade eu quisesse mandar ele tomar no cú.

Finalmente abro a porta e entro, depois de uma noite longa e cansativa naquele hospital, logo após um baile fajuto onde ainda por cima tínhamos sido expulsos. Peço para que Jungkook fique comigo, afinal ainda estava completamente arrasado depois do ocorrido. Apenas sento no sofá em frente à televisão bem no centro da sala de estar e lanço um suspiro profundo.

— Obrigado por não me abandonar, nem era sua obrigação estar lá comigo e mesmo assim...

— Já disse inúmeras vezes que nós somos amigos. — ele sorri e seus olhos brilham intensamente, na minha mente aquilo soava como uma provocação.

— Durma comigo essa noite. — digo em súbito e logo o desespero começa a subir por todo o meu corpo, dos pés até o último fio de cabelo.

O silencio toma conta de toda a casa, e assim continua por vários minutos. Nos encarávamos sem parar e ele sequer conseguia engolir a saliva.

— Me desculpe, eu deveria ter ficado calado...

— Seu bobo, é claro... Vamos descansar um pouco. — ele sorri, e bagunça meus cabelos do mesmo modo que eu fazia nos seus.

Ele havia aceitado meu convite. Mesmo que relutasse, as poucas palavras que ele trocou com minha mãe estavam martelando intensamente em minha cabeça.

Subo até o banheiro no andar de cima, ligo o chuveiro e deixo a água escorrer por todo meu corpo nu, aquilo estava lavando todas as energias negativas carregadas nas últimas horas. Só conseguia pensar em minha mãe e as vezes na conversa que eles tiveram, mas nada além disso. Nem mesmo consegui pensar em Sabrina naqueles instantes, não sabia como ela estava depois de passar a noite naquele sofá desconfortável.

Jungkook entra no banheiro para fazer o mesmo logo após a mim. Visto um shorts e uma camiseta larga — afinal odiava usar pijamas — e já aproveito para separar algumas peças de roupas para o moreno usar durante a noite, afinal nem mesmo teve tempo para passar em seu apartamento antes de virmos para casa.

O coreano aparece com seu corpo cheio de gotas de água escorrendo até serem bloqueadas pela toalha azul que estava enrolada em sua cintura. Meu coração começa a bater mais forte nesse momento...

Não queria admitir. Luto contra isso desde a primeira vez que vi Jungkook naquele maldito dia na sala de aula. Mas já não estava mais conseguindo disfarças meus sentimentos.

Eu acho que eu estava me apaixonando aos poucos por Jungkook...

Ele percebe minha inquietação e resolve lançar seu sorriso, aquele que tanto me prendia atenção. Infelizmente não podia contar a verdade, ele mesmo me disse como a Coreia do Sul era em relação a essas coisas, então provavelmente ele não pensava em mim mais do que um melhor amigo.

Sinceramente, preferia assim...

Não consigo nem imaginar o julgamento que iriamos ter, o ódio gratuito que as pessoas iriam propagar para cima de nós. Por mais que as palavras da minha mãe contradissessem meus pensamentos, eu não era tão forte quanto aparentava ser. Esse meu jeito de jovem rebelde e de mal com a vida, não passavam de uma máscara para meu verdadeiro eu.

Apenas tiro isso da minha cabeça quando volto meus olhos para o moreno ao meu lado. Ele já havia pegado no sono, mas mantinha um sorriso bobo no rosto. Seus cabelos pareciam me chamar para perto dele, como aquelas atrações que eu não entendia direito das aulas de física. Minhas roupas ficavam um tanto apertadas naquele corpo definido dele, eu era um tanto mais magrelo que ele.

Minha vida não era nem um pouco fácil... Um abandono paterno, uma doença maldita que cobria a vida da minha mãe, um amor dividido entre Sabrina e Jungkook, um amigo de infância que havia se perdido no mundo com as escolhas erradas. Mas apesar de tudo, ele conseguia me acalmar com um simples olhar. Aquele brilho sereno nos seus olhos me transmitia algo bom toda vez que trombava com os meus.

Pego no sono pensando em todos os poucos — mas maravilhosos — momentos que só foram possíveis depois que ele entrou na minha vida...

— X —

No outro dia, Jimin nos busca logo pela manhã com seu carro — acompanhado de Sabrina. A ruiva parecia estar tão feliz ao lado do loiro. Depois as pessoas ainda perguntavam porque eu o chamava de embuste.

Sabrina logo abre a boca e esbugalha os olhos.

— BRUNOOOOOOOO! — eu amava e odiava quando ela gritava meu nome desse jeito.

— Desembucha.

— Ain! Mal-humorado! Também não falo mais.

— Desculpe flor do meu dia. Pode dizer. — sorrio para que ela falasse logo de uma vez.

— Na verdade vou deixar você levar o baque sozinho. Já estou surtada demais com a ligação que recebi do meu pai ontem. É uma notícia e tanto, se prepare... — ela dá uns tapas em meus ombros.

— O caralho! Se não ia falar, por que deixar esse suspense então? Vai tomar no cu Sabrina.

— Já tomo todos os dias, muito obrigada. — todos rimos com as suas bobagens. Ela conseguia tirar minhas risadas até nos momentos mais difíceis.

Em um pouco menos de trinta minutos chegamos ao hospital. Ele estava agitado, funcionários indo e vindo buscar pacientes nas ambulâncias. Naquela manhã havia acontecido um pequeno engavetamento na avenida principal da cidade, mas por sorte não houve mortes.

Primeiro passamos até a atendente que estava na bancada — cheia de papeis e com dois computadores ligados com planilhas abertas na tela, provavelmente para organizar os pacientes e as visitas — nos identificamos para dizer ao quarto que iriamos, que no caso era o 42, localizado no fim do corredor do segundo andar. Subimos as longas escadas em espiral e tivemos que andar um bom caminho até chegar ao quarto onde mamãe estava.

Ao entrar eu me deparo com algo que me faz dar uns passos para trás. Ela segurava a mão do Sr. Mouro e sorria ao olhar para ele. O pai da ruiva fazia o mesmo.

Que porra estaria acontecendo ali?

— Parabéns maninho, essa é a surpresa! — diz Sabrina, que coloca seu rosto próximo ao meu e cerra os olhos mantendo um sorriso de ponta a ponta.

— Mas o que está acontecendo aqui? E que história é essa de maninho? — pergunto conturbado.

— Aí Bruno, você é lerdo mesmo... Até eu entendi. — desembucha o moreno que me acompanhava e até então mantinha-se em silêncio.

— Bruno, eu não quis te falar isso antes com medo de te magoar ou algo do tipo, ainda mais por ser um amigo tão importante e precioso para minha filha, mas eu não posso controlar meus sentimentos. Até um velho como eu ainda consegue amar alguém. — o pai de Sabrina se aproxima de mim e coloca suas mãos sobre meus ombros.

— Sua mãe e eu... Vamos nos casar. — Sr. Mouro fica receoso em dizer e mantem a cabeça baixa.

Ok... Que choque grande que eu levei nesse momento. Não consigo nem dizer o tanto que meu coração gelou e o quanto minha cabeça viajou com aquelas simples palavras.

Minha mãe, se casando outra vez? Com o pai do meu primeiro amor? Então nós seriamos...

— Irmãos! — Sabrina abre ainda mais o sorriso, parecendo o coringa do Batman.

— Que? — assusto voltando a mim e desvaindo meus pensamentos.

— Vamos ser maninhos agora... Eu sempre quis um, então estou tão feliz. Tudo bem que podia ser alguém mais inteligente e menos lerdo, mas a gente não pode sonhar tão alto, não é?

— Mas... Eu... Eu... — não conseguia falar.

— Sei que é difícil entender querido, mas é o desejo de sua mãe também. — ela sorri majestosamente olhando para mim, percebo pequenas gotículas de lágrimas entorno dos seus olhos murchos e pouco enrugados.

— Eu acho que eu vou lá fora tomar um pouco de ar. Jungkook, vem comigo? — puxo as mãos do moreno antes mesmo dele responder minha pergunta.

Subimos até o térreo, onde só ficavam algumas instalações dos equipamentos e caixas d´água. Corro até a ponta do telhado e subo ali, encarando a vista e o céu azul em minha frente.

— Você está maluco? Desce daí já! Sei que tudo foi muito estranho lá embaixo, mas é nessas horas que você precisa ser forte...

— Eu acho que não sou tão forte como todos pensam, Jungkook. — digo sorrindo para o moreno.

— Mano, cala a boca! Você quase me matou no primeiro dia de aula sem sequer me conhecer, me beijou em uma festa em poucos dias de convivência contigo, lutou desde pequeno e ainda luta por Sabrina até os dias de hoje, fora o fato de cuidar tão bem de sua mãe. Qualquer um em seu lugar já teria desistido antes disso tudo... Agora vem me dizer que é fraco?

— Caramba, isso foi pra me motivar?

— Não, mas isso é...

O moreno me puxa de cima da beirada do térreo, virando-me para sua direção, nossos corpos se chocam e nossos olhos fixam um no outro. Meu coração parecia querer pular para fora de tanto que esmurrava minha caixa torácica. Jungkook coloca seus braços atrás de mim e cola ainda mais nossos corpos. Seu abraço era tão caloroso, nunca senti algo do tipo, a não ser com a minha mãe.

— E esse é um bom motivo para continuar? — ele sussurra nos meus ouvidos.

— Seu babaca... — fortaleço ainda mais o abraço e fecho os olhos, só queria ficar ali para sempre ao seu lado.

Depois dele me encorajar, finalmente consigo encarar e novamente voltar ao quarto onde até então parecia ter ganhado um novo pai e uma irmã.

— Onde estavam, querido? Fiquei preocupada. — mamãe sorri novamente ao me ver.

— Só estávamos conversando um pouco, mãe... Mas então, quando vai rolar esse casamento? — fico feliz por ter conseguido falar aquilo na maior naturalidade, afinal não havia o porquê me sentir desconfortável, era a felicidade da minha mãe em jogo.

— Bruno, se você não está feliz com isso, nós podemos... — Sr. Mouro estava realmente muito preocupado comigo.

— Nada disso, nem precisa terminar de falar. O quanto antes melhor, afinal você sempre foi um verdadeiro pai para mim, nada vai mudar. — balanço a cabeça olhando para ele, passando um ar de confiança.

Os dois — quase casados — se abraçam e pareciam estar completamente felizes. A muito tempo não via minha mãe daquela maneira, e apesar de estar naquela cama em um maldito hospital, pude perceber o quanto isso era importante para ela.

— Vamos ligar para a confeitaria para fazer esse bolo logo de uma vez! — Sabrina pula comemorando, como eu amava aquela garota... Agora infelizmente esse sentimento teria que ir embora.

— Como assim? Agora filha? — pergunta seu pai.

— Não deixe para fazer amanhã o que se pode fazer hoje! Esse casamento vai sair aqui e agora. Jungkook venha comigo, vamos fazer ligações. Bruno você vai com o Jimin buscar o vestido de casamento da sua mãe na sua casa.

— Mas como assim, que vestido?

— O de seu primeiro casamento claro. Afinal eu sei que as mulheres nunca jogam algo tão valioso assim no lixo, não é?

— Tudo bem para você mãe? Não vai se sentir desconfortável usando aquele mesmo vestido de quando se casou com o papai? — pergunto a ela enquanto passo a mão em sua cabeça, já coberta com um pano graças a perda dos cabelos casados pela doença.

— Claro que não filho, mas...

— Nada de más! Minha nova mãe merece isso! Vamos gente, tempo é dinheiro. Nesse caso é casamento, mas vamos de uma vez! —aA ruiva literalmente nos empurra para fora.

Jimin e eu descemos até o estacionamento — bem limpo, porém mal iluminado — pegar seu carro, enquanto isso Sabrina e Jungkook estavam organizando tudo para o casamento de última hora. Ele me leva até em casa novamente, durante o caminho, sequer olho para a cara do loiro da farmácia. Ele tentou puxar alguns assuntos, mas eu ignorava todos.

Subo correndo até o sótão que estava completamente empoeirado — não entravamos lá desde que eu era pequeno, e acabou virando o lugar de jogar as tralhas. Abro o baú que ainda mantinha-se bem no meio, e lá estava ele: o vestido do casamento da minha mãe. Aquela que ela usou para se casar com o meu pai. Logo as lembranças vieram e me deixaram com mix de sentimentos.

Voltamos o mais rápido o possível, e os dois ainda estavam do lado de fora, em frente a grande porta de vidro do hospital.

— Demoraram, hein? Vamos subir logo de uma vez! Eu quero ver esse casamento acontecer logo. — ela fica com uma expressão esperançosa.

Mamãe estava tão feliz — apesar de ter que se movimentar ao lado dos aparelhos médicos. Estava radiante vestindo aquele vestido branco e longo novamente — cheio de rendas de ramos de flores e com um véu mediano jogado em sua cabeça. O pai da ruiva estava estonteante também, com seu terno vinho e um chapéu de época. Nós mesmo estávamos fazendo a cerimônia no corredor, colocamos a música em uma caixinha de som via bluetooth pelo celular de Jimin, e eu carregava o bolo — feito de última hora pela padaria da esquina — com a ajuda de Jungkook, enquanto Sabrina tirava fotos e se emocionava feito uma condenada. Além disso chamamos algumas pessoas dos quartos vizinhos. Até mesmo uma tal de dona Clotilde estava curtindo a pequena festa com uma bengala na mão e ao som de “A Thousand Years” da “Christina Perri”.

Tudo estava indo maravilhosamente bem, até o momento do beijo final. Minha mãe cambaleou e caiu desacordada. Aquilo assustou a todos, e me deixou arrasado, nunca a vi ficar tão mal daquele jeito, minhas mãos tremiam e as lágrimas realmente queriam escorrer dessa vez, graças ao meu nervosismo. Logo as enfermeiras vieram para o socorro e o doutor Kim Seokjin também chegou às pressas. Antes de tudo ele me puxou em um canto.

— Chegou a hora de eu dar essa notícia. Todos tentaram me impedir, mas você é a família da paciente então merece saber... Bruno, o câncer de sua mãe está se espalhando muito rapidamente pelo corpo todo, e infelizmente ela não tem muito mais tempo. Sinto muito, agora me de licença. — o coreano de jaleco branco se afastou de mim após soltar a maior bomba que já havia recebido em toda minha vida.

Meu mundo — que até então estava segurado por apenas um fio — agora se encontrava completamente desmoronado. Eu não conseguia acreditar naquelas palavras que saíram da boca do Dr. Jin.

— Vocês mentiram pra mim... — sequer conseguia olhar para eles.

— Bruno, foi tudo pro seu bem. — Sabrina tenta se aproximar.

— VOCÊS MENTIRAM PRA MIM! DISSERAM QUE ELA ESTAVA BEM!

— Calma Bruno... — Jungkook me segura pelos braços.

— Me solta! — já fora de mim, dou um soco em seu rosto em um movimento de súbito, fazendo o moreno cair no chão.

— Por favor, ajudem ele... Não o deixem ficar desse jeito. — Sabrina desespera-se e pede para que Jimin e ele me levarem até o carro.

Os dois me seguravam com toda a força que tinham, e enquanto íamos nos afastando, posso ouvir o choro desesperador do Sr. Mouro. Sua filha ficou largada no chão, cobrindo seu rosto e rezando pela minha mãe.

Finalmente os dois conseguem me arrastar até o carro — apesar da minha resistência. Durante todo o caminho de volta, mantive-me em total silêncio, apesar olhado a vista de fora pelo vidro do banco de trás. Jungkook estava com sua mão sob minha coxa e posso ver o quanto ele se preocupava comigo nesse momento, mas tudo que conseguia pensar era na minha mãe.

— X —

Jimin nos deixa na porta de casa mais uma vez, e volta para o hospital ajudar Sabrina e seu pai. O moreno não largava de mim por um momento sequer, tudo para tentar me deixar melhor. Ele separa uns calmantes que pegara no armário velho da cozinha, dentro da caixa de medicamentos na prateleira de cima, além de um copo de água com gelo para que com isso tentasse me acalmar.

— Está melhor agora? — pergunta o coreano enquanto me faz sentar no sofá.

— A minha mãe... Ela...

— Lembre-se das minhas palavras lá no telhado, e principalmente, lembre das palavras de sua mãe. Aconteça o que acontecer, eu sempre estarei ao seu lado e ela também... — o brilho nos olhos do moreno consegue novamente me manter sóbrio da raiva e preocupação.

— Posso me deitar? — foi tudo o que consegui dizer, sequer esperei sua resposta e pouso minha cabeça nos ombros dele.

Sinto Jungkook acariciar meus cabelos um pouco antes que eu pagasse no sono...

— X —

Acordo com o feixe de luz emitido pela fresta onde não estava coberto pela cortina na janela da sala. Levanto-me do sofá, estava explodindo de dor de cabeça, mas tudo que queria era me trocar para ir ver se minha mãe estava bem, mesmo que estivesse com medo do pior ter acontecido. Pelo menos, tinha ele ao meu lado.

Foi então que percebi... Jungkook não estava mais lá.

Logo penso que ele provavelmente teria ido em seu apartamento descansar um pouco, afinal já era a segunda noite que ele passara em casa. Porém algo me deixa incomodado... A porta de entrada estava aberta — literalmente escancarada.

Olho ao redor, mas não vejo sinal algum de roubo. Subo as escadas e averiguo o andar de cima, mesmo assim tudo parecia normal ao meu ver.

Até que encontro um maldito pedaço de folha de caderno, amassado e jogado perto da porta. Abro-o ainda receoso, e logo sinto um calafrio inexplicável ao ler aquelas palavras atormentadoras de ódio.

Era uma carta de Tales.

“Eu disse que esse coreano ia pagar pelo que fez com minha garota! Espero que não tenha se apagado tanto a esse rostinho bonito, pois se ele sobreviver, você sequer vai reconhecê-lo. Lembra da nossa infância? Gostávamos de explorar lugares novos, não é Bruno? Corra, ou seu namoradinho não irá contar essa história para seus filhos.”

Minha mãe estava à beira da morte e agora Jungkook também...

Notas finais
¹: Expressão usada pela protagonista de Crepúsculo nos filmes da saga na versão dublada. ATENÇÃO: Nenhum comentário por parte dos personagens devem ser levados a sério, alguns comentários são para causar efeito cômico na trama, não querendo ofender ninguém :) Bom galera, é isto kkkkkk Espero imensamente que tenham gostado, se puderem deixar seu feedback seria de grande ajuda :) Até o próximo capítulo :)