Destino Incerto

1 O Garoto dos Olhos Puxados


Notas iniciais
Boa tarde meus queridosssssss! Cá estou eu novamente, com mais um história saindo do forno :) espero muito que vocês gostem! Já imaginaram o JK estudando no Brasil? POIS EU SIM KKKKKKKK Trazendo os melhores do mundo todo de um jeito diferente para vocês curtiram ;) Só para deixar claro, as falas do nosso querido membro mais novo estão erradas de propósito, pois ele ainda está aprendendo né galerinha kkk por isso deixarei em itálico para poderem identificar melhor. Sem mais delongas fiquem com o primeiro capítulo ♥

Era dia nove de agosto. Estava frio. O sinal havia acabado de tocar a, mais ou menos, vinte minutos e estávamos no meio de uma tarefa na sala de informática. O professor Daniel nos dava aula de design, era um sujeito um tanto quanto alto, magro e incrivelmente bem conservado, mesmo com seus trinta e quatro anos. Seus cabelos loiros fascinavam as garotas do colégio — até mesmo aquelas que não tinham o “privilégio” de ter aula com ele. E, de praxe, para torná-lo ainda mais cobiçado por elas, seus olhos eram azuis, feito mar.

Os computadores, apesar de serem bons, já estavam muito velhos, o que tornava as tarefas realizadas neles um saco. Isso que o dia apenas tinha acabado de começar, haveriam muitas aulas pela frente e eu não estava em um momento muito bom, para ser sincero.

Aquele lugar precisava de uma reforma total, tanto pelos computadores, quanto pelo ambiente em si. As paredes, que eram de um tom verde oliva, já estavam com a tinta desgastada; as cortinas do lado direto, penduradas por um objeto de metal enferrujado, já se encontravam todas rasgadas — o que deixava o sol impregnar por completo na sala e eu odiava isso.

Os computadores eram organizados em quatro fileiras bem distribuídas pelo espaço, um atrás do outro, com o monitor na parte de cima da mesa e um espaço embaixo com mouse e teclado — ambos de cor branca, uma aparência agradável para meus olhos. Apesar disso, tudo era até que aconchegante, não tinha nem o direto de reclamar, pois, para uma escola pública, aquilo era um verdadeiro sonho. Mas não podia deixar de pensar em uma reforma, afinal estávamos na matéria de design e, curiosamente, a tarefa era uma remodelagem total de um cômodo da preferência de cada um — que, a propósito, valia metade da nota daquele bimestre escolar.

De repente, meus pensamentos são interrompidos por três batidas seguidas e sem intervalos na porta branca de madeira da sala. Aquela sequência de toques eu tinha quase cem por cento de certeza que era o diretor — já tinha acostumado com seu modo curioso de bater na porta das salas de aula. Mas por que ele viria já tão cedo? As aulas haviam começado há pouco. Realmente, isso me deixou ansioso.

Ele entra e eu estava certo, era mesmo o nosso diretor. Disse trazer um assunto breve. Atrás dele, havia um jovem de cabeça baixa com os cabelos morenos, quase negros, e um pouco mais baixo que eu.

— Sinto muito pelo interrupto professor, não queria tomar sua aula. — Ele sempre em um timbre formal, independente da pessoa com quem falava.

— Sem problemas, senhor — conclui Daniel — Eles estão finalizando uns exercícios que pedi.

— Na verdade, o que tenho a dizer é para toda a sala e não tomará muito de seu tempo. — continua — Esse atrás de mim é um aluno de intercâmbio. Jeon Jungkook veio da Coréia do Sul para ficar por oito meses no Brasil. A partir de hoje, será um aluno dessa escola e um novo colega na sala de vocês.

— Tantos países para escolher e ele me vem logo para o Brasil? — brinca Tales, em tom de sussurro. Ele é meu melhor amigo, ou era, pelo menos.

— O que disse rapaz? — Pergunta o diretor.

— Relaxa, velhote! Estou apenas criando um clima amigável ‘pros “olhos puxados” aí.

— Basta! Não vou tolerar essa e nenhuma outra brincadeira com este garoto, ouviram? — Sinceramente, nunca o vi tão furioso. Não é de seu feitio. — Professor, novamente, peço perdão por tirar a concentração de seus alunos. Acomode o senhor Jungkook, preciso resolver outros problemas agora.

— Claro, senhor. — agradece.

O jovem coreano é convidado pelo professor a entrar. Seus passos são acanhados, ainda com sua cabeça baixa, e segurando uma mão com a outra. Ele agradece a Daniel e depois começa a se apresentar timidamente. Uma educação que chegava a ser bizarro, para dizer a verdade.

Olá. Nome meu é Jeon Jung-kook. Mas pode ser Jungkook só. Prazer conhecer a vocês. — Definitivamente, seu português era engraçado, todos da sala riram feito éguas. — Não é bom meu português, mas consigo rápido. — continua para nos divertir ainda mais.

— Gente, vou adorar rir dele. Moleque comédia demais. — Sabrina cochicha em meus ouvidos. Era minha melhor amiga, também, mas... Sinceramente? Eu tinha uma queda muito forte por ela desde a primeira vez que vi.

— Professor, ele pode sentar aqui? — pergunta Lisa, a garota mais chata e atirada de todo o colégio. Isso para não dizer em outras palavras.

— Mas o Tales não é sua dupla, Lisa? Como você mesmo disse, nunca desgrude de seu namorado. — Isso mesmo! Tales e ela namoravam, o que era recente. Ele se afastou de mim quando tudo começou.

— Não tem problema, querido professor. Ele sai daqui. — ela diz isso fazendo gestos com a mão para que o garoto saísse de seu lado.

— Como é que é? — O mesmo fica indignado. Ela apenas sorri sarcasticamente.

— Já ficamos juntos o dia inteiro, você não cansa, não? Precisa fazer um show por qualquer coisa. — continua ela, reclamando com seu tom sarcástico.

— Chega vocês dois — o professor interrompe — Na verdade, você pode se sentar ao lado do Bruno. — Ele aponta em minha direção. Como era aula na sala de informática, duas pessoas sentavam juntas e dividiam as máquinas. No meu caso, estava sozinho, uma vez que Tales me trocou por aquela garota.

Certo. Gomapseumnida. — agradece estranhamente.

— Arigatō para você também. — brinca Daniel, soltando uma pequena risada.

O garoto estranho caminha em minha direção, ainda com aquela mesma expressão acanhada, com seus passos lentos e precisos. Ele usava uma calça jeans preta rasgada na coxa e um moletom bem maior do que seu corpo, com os cordões do capuz um maior que o outro. Acomoda-se bem devagar e se aconchega naquela cadeira dura de algodão. Sua postura era de dar inveja e, pelo canto dos olhos, reparo quando arruma sua postura para que sua coluna ficasse incrivelmente reta e se encaixasse perfeitamente no encosto da cadeira.

Finalmente, ele olha para mim e lança um sorriso bizarro. E começa a falar umas coisas nada com nada, o que me deixou com vontade de rir novamente por dentro, mas por fora com vontade de vomitar.

Mannaseo Bangapseumnida. — Entendi porra nenhuma do que ele disse.

Apenas sorrio com cinismo. Ele fica confuso e solta um suspiro estranho.

Esqueci que não é Coréia mais. Desculpe. — Seu sotaque era hilário, mordi meus lábios segurando a risada.

— Tranquilo, parça — digo. E, obviamente, ele ficou com uma cara de defunto em decomposição de quem não entendeu nada do que eu disse.

Vamos tenta de novo. Olá! Prazer conhecer. — ele diz.

— Conhecê-lo. — corrijo.

O que foi? — Novamente aquela cara de morto vivo.

— O certo é: prazer em conhecê-lo.

Ohhh! Entendi. Sou ainda ruim.

— Tá, tanto faz. — Aquela conversa já estava me irritando.

Quando soube que vinha a Brasil, por três meses eu estudei. Mas muito difícil português.

— Nossa, meus parabéns, cara, você é o bixão mesmo, hein? Mas agora fica quieto para que eu possa terminar essa droga de exercício, por favor? Obrigado. — Sorrio seco outra vez.

Ele fica pensativo por alguns segundos, mas em seguida, se cala repentinamente. Provavelmente havia entendido meu recado, de um jeito ou de outro. Não abria mais a boca, sequer escutava sua respiração.

O tempo demorava a passar, e eu estava estressado demais para ser legal com alguém que não tinha nenhuma intenção de conhecer.

Em pouco tempo, muitos dos meus colegas de classe já haviam terminado a atividade e estavam jogando para passar o tempo. Sabrina não parava de me cutucar da mesa de trás, me apressando para terminar logo o exercício.

— Você é muito lerdo, Bruno! — ela murmura entediada.

— E você é chata, sabia? A culpa não é minha se sua dupla é o Juliano, o cara mais inteligente da sala.

— Tive que dar a ele minha mesada por três meses para que me deixasse ser sua dupla. Pelo menos não preciso mover um músculo, ele faz todas as atividades enquanto eu fico tirando meu cochilo de beleza.

— Babaca. — brinco.

— Você. — retruca.

Na verdade, eu já estaria no fim dessa atividade se não fosse pelo esquisito do meu lado e aquele seu papo quando sentou em minha mesa. Afinal, um exercício simples como esse não se leva tanto tempo assim.

Já estava quase no término da aula e ele ainda continuava intacto. Até que, de repente, ele começou a mexer na sua bolsa que estava encostada nos pés de sua cadeira. Lá de dentro ele tirou uma garrafa de água azul cheia de decorações bizarras, mas, pelo menos, combinava com o dono.

Tudo ocorria bem até aquele momento, entretanto, quando ele foi colocá-la em cima da mesa, após beber um gole considerável, a garrafa escorregou de sua mão e, o pouco que havia sobrado, acabou por respingar em meu shorts. Olhei rapidamente e fixamente em seus olhos com minha cabeça já fervendo.

— Não acredito que você fez isso. — minha fala saiu pausada e tremida de raiva.

Mianamnida. Mianamnida. Mianamnida. — Pela sequência desesperadora e pelo modo que ele disse, concluí que era um pedido de desculpas. Sua expressão quando ele derrubou foi de preocupação total, realmente parecia ter sido um terrível acidente. Mas como eu disse, meu dia não estava legal.

— Velho, você tem algum problema? Caramba, olha só o que você fez! — Minha cara de desprezo era perceptível até mesmo para mim. — Você poderia ter molhado o computador, sabia? Quer saber, esquece. Você não entende praticamente nada do que eu falo mesmo.

Para a sorte daquele garoto, o sinal tocou bem nesse instante. Pego minha mochila desgastada debaixo de nossa mesa, jogo uma de suas alças em meu ombro e saio, sem ao menos desligar o computador ou muito menos me despedir dele. Apenas quando eu estava chegando perto da porta de saída, lembro-me que não tinha entregado a atividade para o professor Daniel. Então, mesmo não querendo, volto até onde estava sentado. E chegando lá, meu coração gela como se eu fosse a verdadeira Elsa do filme Frozen: ELE HAVIA DESLIGADO O MALDITO COMPUTADOR!

— Você não fez isso, seu... — Sou interrompido pelo professor.

— Bruno, você não me entregou a atividade ainda. Estou fechando a sala.

— Professor, por favor, me perdoe. Ele desligou o nosso computador antes que eu pudesse salvar o exercício.

— Infelizmente não posso fazer nada. A responsabilidade era toda sua.

— Por favor, me dê apenas mais uma chance! Entrego para o senhor amanhã assim que por meus pés no colégio.

— Isso seria falta de ética com os outros colegas. Sinto muito, mas o prazo era apenas até hoje.

Fico decepcionado. Apenas penso em minha mãe, o quão decepcionante seria uma nota baixa por uma atividade não entregue pelo seu filho. Ao mesmo tempo, tinha raiva. Raiva daquele merda que acabara de chegar e já havia destruído minha vida. Maldito seja “coxinha de flango”, só ficava repetindo isso em minha cabeça, enquanto o garoto estava com uma cara de desentendido em minha frente. Empurrei-o com força, que caiu sentado novamente na cadeira. Saí da sala bufando sem nem olhar para o professor.

Já estava na metade do corredor principal onde ficava a maioria das salas, quando, repentinamente, Sabrina me puxa pela mochila.

— BRUNOOOOOO! — Odiava quando ela me chama gritando desse jeito, mas, ao mesmo tempo, me sentia feliz, não sabia explicar. — Vamos matar a próxima aula? — Ela abre um sorriso esperançoso e gigantesco em seu rosto, seus olhos brilhavam na esperança de eu concordar. Para não desapontá-la, aceitei o convite. Seria bom para mim, também, depois do ocorrido.

De longe vejo uma coisa que me deixa com a pulga atrás da orelha. Era o novato coreano de novo. Ele nos olhou com uma cara de assustado, o que era estranho até para ele. Apesar disso, foquei apenas em Sabrina, já estava com muita raiva daqueles olhos puxados.

Ela saiu pulando com minha resposta positiva. Parecia ter nove anos de idade — que, a propósito, foi quando a conheci. Lembro-me como se fosse ontem, mas, na verdade, já fazia muito tempo.

— x —

Minha avó havia acabado de falecer, aos seus oitenta e quatro anos de idade. Tinha apenas nove anos quando tudo aconteceu. Na hora da despedida, minhas lágrimas não paravam de sair e, por fim, não aguentei mais ver aquela cena de adeus de uma pessoa tão importante para mim. Soltei bruscamente das mãos de minha mãe e corri, com meu terno azul ciano e gravata borboleta cinza, pelas gramas do cemitério. Depois de um tempo, cansei de correr, apenas caminhei com minha cabeça baixa e ainda com as malditas lágrimas escorrendo. De repente, paro. Ao longe, vejo uma garotinha de vestido bordô e com os pés descalços que parecia ter a mesma idade que eu. Estava parada em frente ao túmulo cercado por vinhas e espinhos, com apenas uma flor branca entre eles. Aproximo-me devagar, ela escuta um galho, que piso por acidente, se quebrar.

— Oi. — digo acanhado.

Ela me ignora e volta a olhar para o túmulo. Chego mais perto e, finalmente, posso ver os detalhes. Na foto do quadrinho com moldura dourada que estava bem no centro, vejo uma mulher linda, com os cabelos castanhos e encaracolados jogados para trás dos ombros e um sorriso que nunca vou esquecer.

— Por que você chorava? — ela quebra o silêncio.

— Minha vovó foi para o céu.

— Minha mãe também. — logo diz.

— Por isso estava chorando também? — pergunto.

Seu rosto vira-se a mim, não tive resposta, mas tinha entendido o que sua expressão queria dizer. Era idêntica a minha.

Olho de relance para suas mãos, que seguravam uma linda rosa. Estavam sangrando, graças aos espinhos da flor.

— Sua mão!

— A dor que minha mãe passou não se compara a minha.

— Ela morreu por espinhos?

— Tentaram levar sua bolsa aquele dia...

— Como as...

— Eu estava junto com ela — me interrompe — Ela me escondeu atrás de suas costas e começou a conversar com aquele homem em cima da moto. “Meu jovem, você quer mesmo seguir este caminho? As coisas podem estar difíceis agora, mas tudo passa. Há pessoas que te amam e você pode sempre contar com elas”.

Aquelas palavras me destruíram por dentro, mesmo com minha pouca idade, eu entendia o quanto a mãe de Sabrina foi uma mulher forte naquele momento, se preocupando com o estranho que queria assaltá-la.

— O homem da moto chorou, mas a sirene da polícia o assustou. O tiro acertou bem no peito de minha mãe, que caiu em cima de mim. Antes de partir, ela olhou para mim e sorriu. “Seja forte minha querida!”, foram suas últimas palavras.

Não conseguia falar depois de ouvir a história que ela contara. Uma criança de apenas nove anos de idade presenciar algo tão brutal em frente aos seus olhos. Depois de alguns minutos, consegui fazer com que as palavras fluíssem novamente.

— Não vamos mais chorar! — digo, enxugando as minhas lágrimas. Ela fica confusa. Pego suas mãos marcadas com sangue e continuo a falar. — Vamos fazer essa promessa. Apesar de tudo, temos que ser fortes. Tudo bem?

Ela me olha com uma expressão ainda vazia por alguns segundos. A rosa que, nesse momento, se encontrava entre nossas mãos, foi como o laço de nossa promessa. Ela sorri finalmente. E aquele sorriso era idêntico ao da sua mãe, um que jamais encontrei igual.

— BRUNO! — Somos interrompidos pelo desespero de minha mãe que corre e me abraça calorosamente.

— SABRINA! — Outra voz, ao longe. Desta vez, era um homem. Seu pai.

— Mamãe, fiz uma amiga. — digo sorridente.

— Que bom, meu filho. Mas nunca mais saia correndo desse jeito, você me deixou preocupada!

— Digo o mesmo, minha filha. — continua o senhor Benjamin. Esse era o nome de seu pai.

Nossos pais se olham sorrindo e, ao mesmo tempo, aliviados por nos encontrar. A partir dali, ela e eu nunca mais nos separamos.

— x —

Antes de qualquer coisa, passamos na cantina para comprar uns doces, o que fazíamos todos os dias no colégio. A tia Amanda já sabia até nossas preferencias, nem precisava perguntar. Para mim era sempre duas balas de canela, já Sabrina, eram três de caramelo.

Em seguida, fomos até a parte de trás do colégio, onde ficava o jardim que era cercado por plantas dentro de pneus de carro pintados e decorados a mão pelos próprios alunos — fora a grama de um verde inacreditavelmente forte. Do lado esquerdo do jardim, ficava nosso lugar favorito para descansar e esquecer todos os problemas. Era uma árvore gigantesca, a maior de todo o bairro, e ficava bem dentro do colégio.

Deitávamos ali muitas vezes na semana, era tranquilo e assim não precisávamos nos preocupar com nada. Sentamos encostados com o tronco já velho, ela sorriu com os olhos fechados, sentindo o ar daquele local arejado. Ela era linda, não podia negar. Seus cabelos ruivos reluzentes a luz do sol, seus olhos amarelos feito mel, até mesmo seus piercings me atraiam, sua pegada gótica a deixava ainda mais atraente, pelo menos para mim.

Ela coloca sua cabeça em minhas pernas de repente e, em seguida, conecta seus fones no celular. Ela sorria e olhava para mim enquanto mexia seu corpo com o ritmo da música, que ouvia bem baixinho saindo de seu aparelho. Fico excitado, sem conseguir controlar.

Até que sou interrompido de meus pensamentos quando ela levanta rapidamente. Olha assustada para horizonte, o que me deixa confuso.

— FUDEU! — ela diz assustada.

Desvio meu olhar para o mesmo local que ela via. E acredite, seria melhor se não tivesse olhado. Era o diretor e ao seu lado, aquele maldito “olhos puxados” novamente.

— Muito bem vocês dois. — diz nos apreendendo. — Está bom curtindo ao ar livre?

— Na verdade estava irado demais, velhote, você deveria tentar um dia desses. — brinca Sabrina, de um jeito cômico.

— Jovens... Vocês não têm jeito mesmo. — Ele sempre calmo, apesar da situação errada em que nos encontrávamos. — Ainda bem que este rapaz veio me avisar a tempo, antes de vocês perderem a próxima aula por completo.

Não conseguia sequer falar. Minha raiva de antes havia se convertido em ódio. Olhava fixamente para aquele coreano de meia tigela e se tivesse só eu e ele, acabaria fazendo com que aqueles olhos fechados ficassem tão abertos que nem para dormir fechariam mais.

Eles dizem matar alguém, senhor. Fiquei assustado. — diz Jungkook.

— Hahahaha. Acho que você entendeu errado, meu filho. Não foi matar nesse sentido. — ele tinha mania de chamar os alunos de filhos.

Ohhh! Fiz confusão. — Sempre se fazendo de vítima.

Sabrina estava calma, diferente de mim. Continuava enchendo o saco do diretor mesmo com tudo isso acontecendo.

Meu sangue fervia e minha mão formigava. Nunca tinha me sentido tão estressado assim. Como um cara que tinha acabado de chegar ao colégio poderia me causar tantos problemas assim? Primeiro com a garrafa de água, depois com minha atividade para o professor de design e agora isso? Estava tão feliz junto de Sabrina, até esse babaca chegar e mais uma vez, estragar tudo.

Sem consegui controlar meus movimentos, levo meu punho até o rosto de Jungkook que o acerta em cheio, descarregando toda a minha raiva naquele único soco. O mesmo caiu instantaneamente no chão, e logo veio o arrependimento.

Sabrina ficou com seus olhos arregalados, nunca tinha me visto fazer algo parecido, afinal eu geralmente era uma pessoa calma. Enquanto ao diretor, quedou-se de boca entreaberta ajoelhando para ajudá-lo.

Para dizer a verdade, foi a primeira vez que bati em alguém, e eu não me senti nem um pouco orgulhoso com isso.

Notas finais
E assim acaba o primeiro capítulo! Espero mesmo que tenham gostado, e se puderem dar o seu feedback eu ficaria muito feliz! Até breve :)