Amanhecera um dia chuvoso naquela Segunda-Feira de Inverno. Havia acabado de sair do supermercado e me dirigia lentamente a estação de trem mais próxima. Sempre gostei assim, caminhar em uma velocidade baixa como que para absorver com maiores detalhes o que acontece ao meu redor. Parei bruscamente e fechei os olhos em busca de atenção, não para mim, mas para o universo. Sinto que devia isso a ele.

Ao fechar os olhos pude filtrar os ruídos que ouvira antes. Pude ouvir o barulho dos automóveis parados no semáforo e o som do mesmo ao atingir a coloração esverdeada, as vozes em suas várias fases de humor que se misturavam na multidão e mais ao longe, uma freada brusca de carro e em seguida um bater de portas. Curiosa, abri meus olhos e procurei de onde tinha vindo o som.

Uma mulher de aproximadamente 35 anos adentrava a um prestigiado escritório de advocacia da região. Encostei-me no poste do outro lado da pequena rua, como que para esperar o que viria a seguir. Alguns minutos depois, me deparo com um homem de terno e cabelos grisalho, que colocava caixas e mais caixas dentro de um carro cinza. Enquanto isso havia mais alguém naquela cena... Uma mulher. A mesma daquela hora. Ela chorava e gritava como quem perdera o chão. Naquele momento, soube sem perguntar que o tal homem havia desistido de seu sonho.

Por falar em sonho, ele está aqui do meu lado.

- Você não vai voltar certo? – perguntei receosa.

- Um sonho voltará apenas para uma pessoa se assim ela quiser e por isso meu trabalho depende da esperança. –suspirou. – Agora me resta apenas ir à busca de outro alguém.

Após vê-lo se afastar olhando fiquei mais curiosa ainda. Pergunto-me se o mesmo acontece com todos os sonhos. Se quando eles não acontecem, eles desaparecem ou simplesmente procuram outra pessoa para habitar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.