Destino Das Fadas
60 Capítulo 57
Notas iniciais
uma pequena parte do Capítulo 57
Yukino.
Acredito que neste momento eu deveria ajoelhar em seus pés e pedir perdão por tudo de ruim que fiz, porém, será suficiente? Errei desde o início com ela. Não digo que fingi ser sua amiga, pois não fiz isso, realmente a encaro como uma mulher incrível. Mas não deveria ter mentido sobre Natsu, e provavelmente isso faria com que não fossemos amigas e nem que eu fosse madrinha de seu casamento. Eu não estaria lá, e consequentemente, cuidaria melhor do meu bebê. Porém não foi assim que tudo aconteceu. Eu menti, Natsu mentiu, e tudo virou uma bola de neve gigantesca demais para qualquer um aguentar.
Só consigo murmurar seu nome, sentindo todos meus músculos se contraírem de tensão. Enquanto Natsu se afasta de mim e se levanta, provavelmente para acalmá-la.
Vejo por seus olhos avermelhados e inchados, o quanto chorou. Ela não choraria pelo meu bebê perdido. Não choraria por mim de forma alguma. Ela chorou por Natsu, e por seu amor à ele. Conheço essa sensação muito bem, e ela é devastadora. É a sensação de ter o maior sentimento do mundo na palma das suas mãos e a perder com um simples toque.
— Yuki... — Natsu sussurra em sua direção.
— Não me chame assim — retruca rapidamente. Natsu para de andar, e fica parado três metros à sua frente. Meu corpo se enrijece — Você... — gagueja parecendo sem fôlego, enquanto uma lágrima escorre por um de seus olhos claros — Vocês dois... São uns mentirosos.
Engulo minha culpa, como se ela fosse algo que eu deveria mastigar, porém passa direto por minha garganta. Seu olhar de fúria para sobre mim. Não consigo encará-la por muito tempo, me sinto suja demais para isso. Se eu o fizesse, estaria a desafiando e com certeza não estou, nem posso.
— Certo — Natsu diz calmamente — Vamos conversar em outro lugar, tudo bem?
Sua voz demonstra tranquilidade, mas sei que é apenas fachada. Natsu está tão destruído quanto eu, do mesmo jeito que também está desesperado. Porém ao vê-lo tentando tirar Yukino dali, sinto que é por mim. Para não me abalar. Talvez seja imaginar demais, ou querer demais, mas Natsu é exatamente assim e eu o amo por isso. Amo o bastante para querer resolver isso por ele, por nós.
— Natsu — digo fracamente, tentando montar um diálogo em minha mente que faça tudo se resolver de uma vez por todas. Ele me olha de lado. Molho meus lábios, sentindo-os secos — Me deixe conversar com Yukino.
Seu olhar de espanto já me diz que sua resposta será “Não”. Porém ainda mais espantada está Yukino, que me olha curiosa, mesmo que ainda expressivamente furiosa.
— Nem pensar, você vai descansar! — repreende.
Não posso voltar atrás, vou levar até o fim.
— Natsu, só... saia — digo de maneira mais convincente.
Ele ainda balança a cabeça parecendo inconformado. Olho para ele, tentando passar segurança, o que é basicamente impossível pensando no fato de eu não ter segurança alguma. Mas só dessa vez quero fazer a coisa certa, só dessa vez... quero lutar. Natsu suspira, abaixando a cabeça.
— Vou estar por perto — avisa um pouco receoso.
Ao passar por Yukino, ela se afasta, sem conseguir encará-lo. Sei que ela quer mostrar certa repulsa, mas seu olhar a entrega. Ela é apaixonada por Natsu e nada que ela faça ou diga poderá mudar isso. Eu tentei de todas as formas possíveis, mas descobri que nem todas as possibilidades do mundo mudariam algo inalcançável, como meus sentimentos.
— Yukino... — começo a falar ainda em dúvida do que devo dizer ou não.
— Você é a pessoa mais manipuladora que conheço — dispara friamente sem nem ao menos me dar a chance de dizer algo, abro a boca para rebater, mas não consigo — Você usou o Natsu direitinho fingindo essa gravidez ridícula.
Fecho a boca devagar. Sinto-me perplexa, enquanto ela ri com desdém.
— Confesso que tenho que tirar o chapéu para você — debocha. Seu modo de falar demonstra o quanto essas palavras passaram e repassaram em sua mente, pois sua boca se enche para jogar toda a verdade na minha cara — Fingir um sangramento na noite do meu noivado foi genial. Foi demais até para você.
Não posso acreditar que ela esteja mesmo falando isso. Eu deveria revoltar-me e retrucar todas suas invenções, mas não faço. Quando vejo uma lágrima escorrer por seu rosto, percebo que ela não faz por mal, mas sim por desespero. E essa sensação é horrível.
— Fingindo ser minha nova e grande amiga, enquanto estava de olho no meu noivo! Tudo isso porque eu posso tê-lo e você não. Ele me escolheu! É comigo que ele vai se casar! Porque você simplesmente não dá o fora das nossas vidas?
Suas rudes palavras saem sem intervalo de sua boca. Suas lágrimas despencam e seus gestos enquanto fala se tornam brutos e apavorados. Tento me manter calma, mas as lágrimas também começam a escapar de meus olhos. Não consigo compreender, mas acho que em situações como essa, nada pode ser entendido por completo. É só que... ouvindo de boca dela tudo parece mais real.
— Ah, vai fingir chorar também? — grita sem medo de parecer ofensiva — Ele não está mais aqui para você continuar seu teatrinho, Lucy! Foi por isso que você o mandou sair, não é? Para poder tirar sua máscara ridícula!
Choro silenciosamente olhando para ela, absorvendo cada palavra. Eu deveria chorar por me sentir completamente injustiçada e ofendida, mas essas lágrimas não são por essa causa. Meu coração se aperta de ouvir palavras tão enfurecidas sobre mim. Mas... quando olho para Yukino enxergo à mim mesma. Confusa, desesperada, sem saída. Às vezes só precisamos jogar todos esses sentimentos ao vento, desabafa-los, tirá-los de si, e acredito que seja isso que ela está fazendo.
— Por que Lucy? — Seu tom fica mais baixo — Por que...
— Me perdoe.
É tudo o que digo, simples e calmamente. Seus olhos inchados pairam sobre os meus.
— Prometa deixa-lo — murmurou — Se quer meu perdão, prometa sair de nossas vidas. Prometa deixar nosso casamento em paz.
Sua voz sai como uma súplica. Apesar de tudo, eu a admiro. Não tenho metade de sua coragem. Ao vê-la implorando por uma promessa minha, cerro meus punhos. Percebo como todos meus erros afetam não apenas minha vida, mas a vida de todos ao meu redor. Nessa hora reparo como destruí sua vida e também como posso reconstruí-la.
Eu errei tanto. Existe alguma mínima chance para que eu alcance a felicidade?
Existe ainda em algum lugar escondido, uma possibilidade de eu sorrir sem temer a nada? Sem magoar as pessoas que amo? Sem ter que fingir ser algo que não sou?
Por um momento olho para Yukino e seu desespero aparente, e penso que talvez eu possa ajudá-la a alcançar sua felicidade. Penso o quanto eu ficaria feliz apenas por saber que pude fazer alguém se sentir melhor. Fecho meus olhos e penso em tudo que vivi, as coisas boas e ruins e por um mísero instante quero ter esperanças de um dia fazer tudo aquilo que sonhei. Quero ter esperanças de viver uma história de amor verdadeira.
“É simples dessa maneira. Eu escolhi você. Eu te disse isso invariáveis vezes e vou continuar repetindo. Não importa se você tentar me tirar da sua vida, porque você vai continuar na minha.”
Sua voz suave e apaixonante invade minha mente. É então que me dou conta... já tenho uma história de amor. E com todo meu coração, não quero mais nenhuma. Não preciso de mais nenhuma.
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