Destino Das Fadas

5 Capítulo 05 — Meu amor


Notas iniciais
Oi gente linda, como estão? *00* Mais uma vez obrigada pelos comentários, mas estou pensando em postar a cada dois dias ou algo assim para ver se mais comentários começam a surgir :/ Veremos como será nesse daqui, Espero que gostem. ♦Capítulo reeditado

Capitulo 05 Meu amor

— Lucy... — a voz de meu pai surgira.

Viro-me vagarosamente seguindo a direção da voz. Logo o encontro, sentado na poltrona em nossa sala de estar gigantesca. Respiro fundo e volto alguns passos para falar com ele. Não pude fugir por muito tempo.

— Oi papai — digo de forma fraca, olhando para um belo quadro na parede.

Ele levantou-se e começou a andar em minha direção.

— Onde você passou a noite? — questiona sério.

Meu coração começa a saltitar, lembrando de tudo o que houve. E em como ele desaprovaria cada minuto.

— Ahm... — hesito por um momento — Eu fui na balada, como havia te informado, se lembra? — respondo com a voz trêmula.

Ele finalmente para na minha frente com sua expressão e poucos amigos. Sinto o medo percorrer minhas veias.

— E voltou às 20 horas do outro dia? — gritou irritado — Onde você estava, Lucy? — vociferou, pegando forte em um de meus pulsos.

— Não te interessa! — grito, soltando-me de sua mão, mesmo com dificuldade — Por que finge que se importa?

Ele me ignora o tempo todo! Mesmo morando juntos eu mal o vejo, mesmo trabalhando juntos, ele não sai de sua sala! Então de repente quando saio de madrugada e volto no outro dia viro o interesse principal dele?

— Não quero você transando com qualquer um por aí e se tornando uma vadia! — replicou ainda mais irado — Seu filho não pode desonrar o nome da família!

Olho para ele, pasma por suas palavras. Não podia acreditar que sua maior preocupação não era nem ao menos comigo! Tudo por causa da porcaria da reputação dele! Eu poderia ouvir um “Não te quero envolvida com pessoas ruins” ou qualquer frase que um pai normal diga ao filho, por estar preocupado com o filho. Eu entenderia, juro que entenderia, mas isso?

— É isso que te preocupa? — falo baixo, sem conseguir deixar minha indignação de lado — Quer sabe? Me deixa em paz — digo firme, olhando em seus olhos frios.

Viro-me de costas para ele novamente e começo a subir os degraus.

— Não ligo se tiver relações com Loki, mas aquele carro certamente não era o dele! — Ouço ele gritar ao pé da escada.

Ignoro sua chateação e fecho a porta de meu quarto. Tudo isso por conhecer os pais de Loki, serem sócios na verdade. São uma família de influência, com riquezas sem fim. Loki está estudando para se tornar o herdeiro deles e claro tem um carro enorme, brilhoso e sedã que pessoas ricas tem. Natsu já tem um carro mais esportivo, que combina com forma dele viver. Suspiro pesadamente, encostando a cabeça na porta. Então me dei conta de algo.

Loki.

Como pude esquecer completamente dele? Em um dia estava pensando em aceitar seu pedido de namoro e em outro... Meu Deus. Procuro meu celular em minha bolsa e vejo várias ligações perdidas dele. O que ele pode estar pensando? Fui em uma balada e nunca mais o atendi. Onde fui me meter? Passo a mão pela cara e ando até a cama, jogando meus saltos para os lados e enfim, afundando-me nos travesseiros.

Não queria magoá-lo. Eu sempre fui assim, pensando nos outros ao invés de mim. Será que apenas dessa vez, posso querer minha felicidade?

Meu celular começa a tocar ao meu lado e me assusto, com medo de quem possa ser. Vejo na tela que meu pesadelo está para começar. Mas não é hora de fugir. Respiro fundo e atendo.

— Alô? — atendo, sentindo meus nervos fluírem.

Oi amor! — A voz doce de Loki soa — Estava preocupado com você, você não me atende! — disse suavemente.

Só por seu tom preocupado comecei a me sentir a pior pessoa do mundo. Loki é um bom rapaz, não merece nada disso do que fiz. Eu não mereço ele.

Amor? — chamou outra vez.

— Loki... — sussurro, séria — Me desculpa.

Com isso queria dizer tantas coisas, mas ele não entenderia no momento. Preciso esclarecer as coisas.

Tudo bem, fico feliz que esteja a salvo. Está na sua casa? Posso vê-la? — perguntou animado.

Respiro fundo tentando não deixar meus sentimentos saltarem e me fazer chorar.

— Acho melhor não — recuo — Loki... Eu preciso falar com você. Pode ser amanhã na faculdade?

Isso é o certo. Não quero magoá-lo, mas... também não quero ficar sem Natsu.

Você está estranha. Está tudo bem? — questiona — Sobre o que quer conversar? Não pode falar agora?

Pare de se preocupar! Isso só me deixa pior!

— Estou bem... É um assunto particular, melhor que seja pessoalmente.

Um silêncio tomou conta da ligação. Fiquei em dúvida se ele ao menos tinha me escutado, mas podia ouvir sua leve respiração.

Você vai terminar comigo...? — murmura triste.

Sinto uma pontada em meu coração. Não consigo fazer isso.

— Amanhã nos falamos Loki. Beijos — digo rapidamente e desligo.

Seguro o celular com força com medo do que poderia acontecer. Droga. Não quero magoá-lo. Ele foi tão bom comigo por seis meses. Seis meses! É mais do que já fiquei com qualquer garoto, até mesmo Natsu! Suspiro. Mas é menos tempo do que fiquei esperando por Natsu. Eu sempre neguei, mas era isso, eu o estava esperando. Sempre esperei.

Levanto-me cansada e pego uma troca de roupa. Ligo a banheira e tento relaxar sentindo a água morna. Meu corpo está todo dolorido. Efeitos Dragneel. Conforme a banheira vai enchendo, sinto os toques de Natsu por meu corpo. Começo a sorrir sem me dar conta de quão idiota devo parecer.

Meu celular volta a tocar.

Quase pulo da banheira de susto, acordando de meus devaneios. Seco minha mão com a toalha e tento alcançar meu celular na pia. Assim que consigo, atendo sem nem ao menos ver quem era, com medo que não desse tempo.

— Alô? — digo calmamente.

Yo chatinha.

Meus olhos parecem despertar ao ouvir sua voz novamente. Faz quanto tempo que não falo com ele por telefone? Só de ouvi-lo passo a imaginar tudo o que fizemos, imaginar sua voz rouca em meu ouvido.

Lucy? Liguei para o número certo? — volta a dizer por minha demora.

— E se eu dissesse que não? — respondo sorrindo.

Não tem problema, estou disponível para qualquer uma. Está afim gata? — sua voz soa tão tranquila, que meus nervos parecem subir a flor da pele.

— Como é que é? — explodo, sem conseguir me segurar.

Escuto sua risada do outro lado da linha.

Se toca Lucy, acha que eu confundiria sua voz? — pergunta, ainda rindo.

— Você é um idiota — xingo, jogando água em mim mesma com a outra mão.

Sou seu idiota — replica prontamente, me fazendo corar.

Pelo menos ele não pode me ver. Fico um minuto sem palavras, tentando controlar as batidas de meu coração. Como ele consegue fazer isso mesmo de longe?

Ah, você provavelmente deve parecer um tomate agora, não? — brinca, me fazendo piorar.

Sufoco uma exclamação para não dar razão a ele.

— Claro que não! Por que deveria parecer? — questiono, claramente irritada por ele acertar.

Ele ri novamente.

Você provavelmente parou de respirar, olhou para parede a sua frente, ruborizou e pensou “Como esse idiota sabe?” — disse fazendo uma imitação mal feita de minha voz.

Olho para todos os lados do banheiro para me certificar.

— Está me vigiando? — pergunto, olhando para os lados do teto.

Quer dizer que eu acertei? — fala em seu tom convencido.

— Nem morta — retruco.

Tento parecer ofendida, mas ele começa a rir tanto que não consigo aguentar. Começamos a rir sem nem mesmo haver motivos. Já disse que eu nunca consigo ficar brava com ele? Ele sempre me faz rir.

Como você está? — pergunta depois de nossa crise de risos — Seu pai ficou muito bravo?

— Talvez... — respondo brevemente — Mas não importa.

Natsu apenas murmura algo dizendo que me escutou e fica em silêncio. Provavelmente ele reparou que não é um bom assunto.

Lucy? — volta a chamar.

— Diga.

Obrigado por hoje — sussurra.

Um sorriso bobo se forma em meus lábios, me fazendo esquecer todos os problemas e me lembrando apenas das coisas boas. Não importa que eu tenha brigado com meu pai, e só dessa vez não me importo de magoar alguém. É a primeira vez que escolho algo por mim mesma e não me arrependo.

— Pelo o que? — pergunto com expectativa.

Vejamos a lista — ele brinca, e começo a rir sozinha.

— Bobo — falo com um sorriso imenso no rosto.

Acho... — começa a frase, mas parece pensar — que devemos parar de lutar contra nossos sentimentos. Vamos parar de fugir, Lucy.

Levo a mão até a boca sem perceber. Pois sua frase parece ter lido minha alma. É tudo o que estive pensando. Tudo o que devemos fazer. Queria apenas abraça-lo de novo para ter certeza que dessa vez nada vai estragar isso.

Não me deixe no vácuo depois de dizer algo tão embaraçoso.

Começo a rir novamente.

— Desculpe — digo, ainda procurando palavras — Vamos parar de fugir. Não suma de novo, por favor.

Se eu fosse... você me impediria?

Travo novamente, mas sei que ele sabe no que estou pensando. Eu sei que ele se refere à última vez. Eu o deixei ir. Sei disso. Mesmo ele tendo dito que eu era a única coisa que o prendia em Magnólia, eu deixei. Respiro fundo, fechando os olhos.

— Eu, com certeza, impediria — respondo, sentindo meu coração saltar por admitir.

Sua pergunta não se tratava de agora. Natsu está perguntando se eu me arrependi. Só mudou as palavras para não ferir meu orgulho complexo. E eu me rendo, porque não gostei dessa brincadeira.

Ele ri do outro lado e imagino o que deve estar fazendo. Sua voz volta a soar:

Te amo, Lucy.

—♥—

Gray

Sento ao lado da cama da garota cujo nome deve começar com I — segundo o pingente do colar dela — e levo o braço até a cabeça para limpar o suor. Ela ainda arfa, deitada, olhando-me enquanto morde seu lábio inferior, pedindo por mais. Mas seu corpo já diz que ela chegou ao limite e que irá desabar se fechar os olhos depois de tantos orgasmos. Ouço o barulho de algo vindo em direção ao quarto e me apresso.

— Minha deixa — falo ao me levantar, pegando minhas roupas jogadas pelo chão.

— Mas eu gosto da sua companhia — murmura, manhosa, tentando fazer alguma posição sensual.

Fecho o zíper da calça, calço meu tênis e entro em minha camiseta em segundos. O tempo nos deixa habilidosos para tal.

— Seu pai não deve gostar — digo, apoiando-me na janela para sair.

— Ei, me fala seu nome! — ela grita ao me ver pular até o galho da árvore próxima.

Olho para ela, lhe dando uma piscadinha.

— Assim perde a graça.

Então saio em liberdade, descendo de galho em galho até alcançar o chão. Bato na roupa numa tentativa de limpá-la e começo meu caminho pela madrugada de Magnólia.

Depois da balada, as palavras de Levy me remoeram. Fiquei com tanta raiva que procurei a garota mais gostosa de lá para tirar tudo aquilo da minha cabeça. E fiz isso de novo hoje. E tenho feito há muito tempo. Mas ainda me sinto angustiado, com aquele vazio incomodo crescendo dentro de mim, e não encontro mais maneiras que eu possa saciar a mim mesmo.

Não quero pensar que seja por Juvia. É o que todos dizem, que não superei o tapa na cara que ela me deu no fim do Ensino Médio. Isso faz dois anos, porra. Raiva é tudo o que sinto dela e das suas palavras que me atormentam de noite. Fico feliz por Lyon e ela, mas prefiro distância.

Coloco as mãos dentro dos bolsos da calça, andando pelas ruas de sempre. Sem direção e sem motivação para fazer nada. Já é madrugada, e mesmo assim escuto sons perto de mim. Parecem ser de uma briga, eu realmente não quero me meter. Logo a frente vejo um grupo de homens amontoados.

O que está acontecendo?

Tento passar, fingindo que não os vejo e que continuem a fazer seja lá o que estiverem fazendo, então a vejo. Juvia.

Ela está encolhida em meio a esses marginais, parece chorar, enquanto eles brigam a sua volta, tocando em seu corpo de maneiras inapropriadas. O que? O que ela está fazendo ali? Que porra é essa?

Sinto algo quente e irado me subir à cabeça e quando menos percebi, estava no meio de tudo aquilo. Puxei Juvia contra mim e olhei para para todos aqueles homens grotescos.

— O que pensam que estão fazendo com ela? — grito autoritário.

Todos me olharam espantados por minha aparição surpresa. Juvia parecia sobressaltada com minha presença, mas mesmo assim apavorada. Seus olhos esbanjam medo e seu corpo todo treme. O que está acontecendo aqui? Como ela se meteu nisso? Eu queria perguntar, mas um dos caras tentou puxá-la pelo pulso. Uma raiva sobrenatural tomou conta de mim, fazendo-me virar com tudo e socar seu rosto em cheio.

— Não toque nela! — vocifero.

Suas expressões de diversão somem e passam a ficar pensativos e irritados.

— Saia daqui merdinha, essa garota é nossa! — outro deles falou com um sorriso malicioso.

Olho para eles sem entender, tento voltar meu olhar para Juvia, mas ela não me encara. Tenho certeza que a dúvida estava estampada na minha cara, pois logo outro completou:

— O pai dela apostou ela em um jogo, e adivinhe? Ele perdeu — debochou, gargalhando de seu triunfo.

Olho para Juvia, preocupado. Tentando entender seu universo desconhecido, mas ela continua chorando. Jogo? Que tipo de pai ela tem? Não vou entrar em consenso, preciso tirar ela daqui.

— Deixem ela em paz — digo de maneira calma para não alterá-los ainda mais.

Eles são perigosos. Posso sentir o cheiro de álcool e algumas drogas saindo de seus corpos. Não duvido que tenham armas. E também não tenho dúvidas que não posso entregar Juvia a eles.

— Ela é nossa — um deles com um boné virado se aproximou dela.

Bato em sua mão com toda minha força por reflexo. Ele olha para a própria mão e depois para os outros caras. Estou me metendo em uma confusão grande. Entendo isso, mas... Juvia agarra minha camiseta, desesperada. Eu tenho que protege-la. Já me meti em brigas, mas nada nessa proporção. Aliás são quatro contra um, é quase suicídio. Porém, dessa vez tenho a quem proteger e isso muda tudo.

— Gray não... — Juvia sussurra ao meu lado, vendo meus punhos cerrados.

É tarde demais para correr. Eles nunca nos deixariam ir.

— Juvia — chamo seu nome com calma — Se afaste.

Ela puxou minha camiseta, mas eu a afastei com os braços. Juvia balançou a cabeça para mim e murmurou diversos “Fuja, eles não estão brincando”. Mas eu já sei disso tudo e é por isso que não posso deixa-la aqui.

Antes que eu pudesse dizer para Juvia pedir ajuda, senti um punho me acertar no estomago. Sinto-me sem ar por alguns minutos e tusso, tentando me recuperar. Não há tempo para isso, logo outro aparece para me bater e desvio por pouco de um hematoma na cara. Eles vêm de todas as direções, e por sorte ou não, pude desviar de alguns. Mas são muitos. Derrubo alguns caras com socos fortes e certeiros. Não tive muitas chances de acertá-los, então tinha que aproveitar cada oportunidade para nocauteá-los.

Sinto meu corpo dolorido. Um deles está no chão, enquanto os outros arfam como eu. Limpo o sangue que escorre de minha boca. Minha visão está turva. Não posso perder, não posso desistir. Aguente corpo! Escuto Juvia aos soluços ali perto, ela pega o telefone para chamar a polícia, mas os caras voam em sua direção.

Com minha força em pedaços, utilizo meus vestígios de coragem para pular em direção a eles. Acerto um em seu estômago e o jogo para longe, enquanto os outros dois me atiram contra a parede. Ah, eu odeio perder. Sinto o gosto amargo do sangue e sei que terei uma derrota admirável. Aquele que empurrei volta com forças renovadas, bufando em minha direção.

Olho para Juvia e gesticulo para que fuja.

— Miserável — o cara grita, tirando uma arma de seu bolso.

Então sei que já era. Algo atravessa meu estomago como uma lança envenenada, arrancando minha energia e me rasgando por inteiro.

Vejo eles brigarem entre si pelo cara perder o controle. Minha visão começa a se fechar, vendo eles fugindo contra o tempo. Juvia grita meu nome e fica ao meu lado, falando desconsolada ao celular. Mas não escuto sua voz, nem sinto seu toque. Queria poder ouvir sua voz, pela última vez.

Fecho os olhos.

Ao fundo consigo escutar...

Sejam rápidos! Meu amor está ferido!

Meu amor? Ah, deve ser um sonho. Talvez eu tenha ido para o céu.

—♥—

Lucy

Estava em um sono profundo, quando meu celular voltou a tocar. Por que estou recebendo tantas ligações hoje? Passo a mão pela cara, tentando despertar, enquanto o toque do celular continua insistentemente. Que horas são? Procuro enxergar meu despertador na escuridão. Duas horas da manhã? Só pode ser brincadeira.

— Alô? — atendo sonolenta.

Lu-chan?

Todo meu sono some no momento em que ouço a voz chorosa de Levy. Telefonema a esse horário, não pode ser algo bom.

— Levy? — digo já apavorada — O que houve?

Ela funga ao telefone, tentando falar. Por favor, nada contra meus amigos. Por favor. Não agora que as coisas estão melhorando na minha vida.

Estamos no Hospital da Cerejeiras — diz entre soluços, fazendo meu coração pulsar mais forte — Gray está internado, ele não parece bem — continua falando enquanto chora — Avise o Natsu, por favor. Eu não consigo.

— Gray? O que aconteceu com ele? — Sento-me prontamente na cama, sentindo o desespero se apossar de mim.

Depois conversamos, venha logo.

— Tá bom — assinto para que ela não chore mais — Nos vemos logo. Beijos.

Desligo o celular ainda em choque. O que pode ter acontecido? Ele sofreu um acidente, talvez? Levy disse que ele não parece bem. Gray não pode morrer. Não, me recuso a acreditar nisso. Natsu ficará arrasado... Disco seu número, sentindo meus músculos tensos.

Lucy? Aconteceu algo? — perguntou com sua voz de sono.

Fico em silêncio, tentando não surtar. Sinto as lágrimas querendo vir, mas tenho que me controlar.

Lucy? Está me deixando preocupado! Diga alguma coisa! — fala mais alerta.

— Natsu — murmuro para não chorar — Gray está internado no hospital.

Quê? — ele praticamente grita — O que aconteceu?

Quando dou por mim as lágrimas começam a descer. Eu nem ao menos sei o que ele tem! Chorar apenas mostra desesperança, mas eu sei que Gray sairá dessa.

— Eu não sei — gaguejo — Estão todos se reunindo no Hospital das Cerejeiras.

Eu já passo aí.

Então ele desligou.

Visto-me rapidamente, limpando as lágrimas que insistem em descer. Não preciso chorar. Ele está bem. Logo vai estar fazendo piadinhas idiotas e atrás da mulherada novamente. Isso. Ele vai ficar bem rapidamente. Saio de casa na ponta dos pés para meu pai não despertar e espero em frente. Natsu não demora e em segundos estava ali também.

— Oi amor — diz, assim que entro no carro.

Olho para ele com meus olhos vermelhos. Fico tão feliz por vê-lo novamente, por vê-lo me chamar de amor, mas principalmente por vê-lo bem. Jogo-me em seus braços, começando a chorar.

— Oi — soluço.

— Ei, calma — fala, enquanto me aperta mais — Vai ficar tudo bem.

Balanço a cabeça, dizendo que concordo, mas sei que algo no fundo de mim, não acredita nisso. Ele me beija de forma carinhosa, mantendo minha cabeça entre suas mãos e abre um sorriso de leve.

— Gray é forte.

— Eu sei — digo, me acalmando e sentando corretamente no banco.

— Vamos.

Natsu começa a correr tanto que me seguro no banco. Começo a gritar com ele, e ele nem parecia me escutar, estava longe dali. Estava com Gray. Só quando finalmente estacionou no Hospital que pareceu despertar. Desci do carro o mais rápido possível, lhe lançando um olhar bravo.

— Está louco? Quer nos matar? — grito.

Natsu apenas ri e pega em minha mão, dando um beijo de leve nela.

— Eu nunca te machucaria.

Sinto meu rosto corar, e sinto seu braço passar pela minha cintura. Penso em retrucar, mas ao olhar seu rosto vejo uma preocupação sem fim. Natsu é assim, finge estar bem para o mundo, acalma a todos, mas por dentro, pode estar em ruínas.

Assim que entramos, avistamos a sala de espera com todos nossos amigos lá. Todos olham para nós e Natsu rapidamente tira seu braço ao meu redor.

— O que aconteceu? — corro em direção a Levy-chan, que consolava a Juvia.

Olho para Juvia totalmente desolada ao lado de Levy. Seu choro é tanto, não parece que cessará tão cedo. Levy apenas me olha com seus olhos inchados.

— Ele levou um tiro — fala, tentando se conter.

— O que? — indago sem compreender a gravidade disso.

— Não sei o que houve, foi Juvia que o encontrou — Levy explica — E ela não consegue dizer, está apavorada.

Volto meu olhar para Juvia e sento ao seu lado para abraça-la.

— Calma Juvia, vai ficar tudo bem.

Já teve que consolar alguém com palavras que nem você acredita? Contenho todas minhas lágrimas para não piorar a situação. Juvia treme e suas mãos não deixam seu rosto. O que ela pode ter visto para deixa-la tão desesperada? Gray perdia muito sangue quando o encontrou? Nenhum médico disse nada?

Uma enfermeira aparece com uma prancheta e olha para todos nós.

— Tem algum parente dele aqui?

Todos se olham, porque sabem que não há. Isso torna tudo ainda pior.

— Ele perdeu a família muito novo — Natsu comenta para quebrar a névoa de depressão do local.

— Posso vê-lo? — Lyon se manifesta — Ele é como meu irmão mais novo.

Ela parece pensar no caso, mas suspira e cede. A enfermeira pede que ele o acompanhe, enquanto nós ficamos aqui apenas na expectativa. Continuei abraçada a Juvia, tentando fazê-la se acalmar. Erza apareceu e lhe ofereceu um calmante. Todos estavam confusos e queriam saber o que houve, mas a única com respostas mais corretas, parecia fora de si.

Lisanna também apareceu, estava aflita. Natsu contou a ela o que sabia, então ela começou a chorar. Ele a abraçou, tentando consolá-la. Tentei ver isso de outra forma, não sentir aquela raiva subir dentro de mim. Não é hora para isso, Lucy. Precisamos uns dos outros agora.

Ficamos um bom tempo ali. Tentaram nos expulsar, mas ninguém queria ir embora sem notícias. Meus olhos pesam, e mesmo assim, sinto que se dormir, acordarei com uma notícia ruim. Lyon não retornou, parece que ficaria de acompanhante no quarto de Gray. Natsu disse que dormiria um pouco no carro. E outros tiveram que ir para dormir um pouco antes do trabalho.

Era seis e meia da manhã quando Juvia parece se acalmar. Suas mãos ainda estavam pelo rosto, mas o choro pareceu cessar. Levy e eu continuamos a abraçando.

— Eu sou a culpada — Juvia sussurrou.

Olho para Levy, perguntando mentalmente se ela pode entender. Mas por seu olhar tão confuso quanto o meu, sei que não.

— Ele me salvou, sou a culpada dele estar aqui — repetiu, contendo seu choro.

— Como? — pergunto calmamente.

Juvia começa a chorar mais.

— Não sei o que eu farei se ele não melhorar — fala entre soluços.

Vejo seu rosto em completo pavor. Lembro-me dela no Ensino Médio, correndo atrás de Gray feito louca. Ela o amava demais, e eu realmente acho...

— Juvia... — sussurro — Você ainda o ama?

Ela virou-se para mim tão rapidamente que pude reparar: todos seus sentimentos estavam lá. Juvia não responde, mas está tão claro. Ela escondeu isso por tanto tempo, assim como eu. Isso deve doer.

Natsu aparece, espreguiçando-se. Ele senta ao meu lado com cara de quem não dormiu nada, não diz nada e encosta a cabeça em meu ombro. Mesmo sem palavras, sei que está mal, sei que precisa de tanto consolo quanto Juvia, só não demonstra.

— Você está bem? — sussurro, olhando para seus olhos baixos perto de mim.

Ele assente com a cabeça e fecha os olhos.

— Posso ficar aqui?

Abro um sorriso discreto, passando a mãos por seus cabelos.

— Claro.

Não sei quanto tempo se passou, desde que Natsu apoiou-se em mim e lhe fiz carinho até adormecer no banco. Mas não deve ter se passado mais que uma hora, porque o sol ainda está fraco. Lyon aparece, fazendo meus olhos se abrirem depressa. Natsu também desperta e se senta. Juvia nem ao menos deve ter dormido, mas olha desesperada para Lyon. Levy boceja, provavelmente acordando no mesmo instante.

— O médico disse algo? — Natsu questiona rapidamente.

Lyon suspira.

— Operaram Gray ontem para retirar a bala, parece que não atingiu nenhum órgão vital, mas ele perdeu muito sangue. Além disso ele estava com outros hematomas pelo corpo. Os médicos acham que ele se meteu em alguma briga — explicou, olhando para baixo — Ele ainda não acordou, mas parece não correr risco.

Sinto que o ar pode finalmente ficar mais leve. Todos suspiraram aliviados com as notícias que demoraram tanto a vir. Levy saiu, dizendo que iria ligar para os outros e avisar. Abraço Natsu que parece ter tirado 50 kg dos ombros. Lyon olha para Juvia, meio triste e com algo que não consigo entender.

Nem os vi junto desde que cheguei.

— Você quer vê-lo, certo? — pergunta calmamente e ela assente — Pedi para que te deixassem entrar. É o terceiro quarto a direita.

Ela respira fundo.

— Obrigada.

Então se vai.

—♥—

Gray

Nunca imaginei como seria morrer. É estranho se encontrar na escuridão, sem ninguém. Acho que morrer para salvar alguém é algo digno. E quem diria... pela Juvia. Tenho vontade de rir, mas não sinto nada. Fui tão orgulhoso, e agora é tarde demais. Morrer com arrependimentos deveria ser algo que ninguém devia passar. Deveríamos viver plenamente, sem medo do que nos faz bem. Adianta pensar nisso agora?

Sinto algo quente em minha mão, enquanto vago pelo infinito do nada. Olho para minha mão, sentindo ela formigar, mas não vejo nada. Volto a olhar para frente e vejo uma luz ofuscante vindo em minha direção, me puxando de volta ou talvez me levando de vez.

Abro os olhos e me apego a sensação quente em minha mão. Caralho, que dor.

Pisco alguma vezes até me acostumar novamente. Onde estou? Olho ao redor buscando algo familiar e vejo Juvia, olhando para mim como se eu voltasse dos mortos. Ah, talvez eu tenha voltado.

— Gray! — exclama, pasma.

— Juvia? — pergunto, ainda com os olhos pesados.

Levo a mão até a barriga, sentindo um buraco dentro de mim. Estou vivo?

Juvia começa a chorar e se joga em cima de mim. Começo a me sentir sufocado e dor vem de todos os lados possíveis.

— Ai, ai, ai, ai, ai. Não faz isso — digo, sentindo algumas pontadas.

— Você está bem? — pergunta desesperada — É claro que não está — responde sua própria pergunta — Meu Deus, você está vivo!

Sua voz está tão alterada, indo e vindo por meus ouvidos, que começo a rir.

Você está bem? — pergunto ao me lembrar vagamente do ocorrido. Faz quanto tempo?

— Graças a você — ela responde, soluçando.

Fecho os olhos, sorrindo.

— Então está tudo bem.

Ficamos em silêncio por algum tempo. Tenho tanto a perguntar, mas meus olhos ardem e meu corpo ainda está dormente.

— Gray... — me chama aos sussurros.

— Hm? — abro um dos olhos para ela saber que estou aqui.

— Não conte a ninguém, por favor.

Notas finais
Um pouco de Gruvia sim? (:Fe7 não me mate haha,o que irá acontecer?Quero COMENTÁRIOS! ♥