Destino Das Fadas

1 Capítulo 01 — Nova vida


Notas iniciais
Amooores meus, como estão? Estou de volta para a alegria ou tristeza de todos *000* Saudades de vocês! Bom, depois de me xingarem e me elogiarem demais pelo ultimo capitulo, espero poder contar com vocês novamente para essa temporada. Espero que gostem ♥ ♦Capítulo reeditado

Capítulo 01Nova Vida

As estações do ano foram se passando, trazendo com cada uma delas novos acontecimentos. O tempo nos força a crescer e a fazer escolhas cada vez mais complexas. Tudo se tornou mais sério e quando nos olhamos no espelho vemos pessoas completamente diferentes de anos atrás.

Erza depois de muito estudo, passou em Direito e se tornou caloura de Jellal. Eles matem o namoro discreto deles, mas que todos nós sabemos da existência. Levy, como todos esperávamos, começou a fazer Letras, além disso entrou para vários cursos de línguas estrangeiras. Já fazem dois anos que namora com Gajeel. O tempo é assustador quando se trata de agilidade. Gajeel está trabalhando em uma metalúrgica e vai muito bem. A família de Juvia abriu o próprio aquário na cidade, e Juvia está ajudando por lá. Depois dos acontecimentos do terceiro ano, a mesma parou de correr atrás de Gray e até começou a namorar outro garoto. O mundo dá voltas, não é mesmo?

Gray parece sentir muita falta, mas claro que não se dá por vencido. Às vezes o encontro nas festas, cada festa com uma garota diferente. Parece que as pessoas não aprendem assim facilmente. Lisanna está no curso de Ciências Biológicas e passou a conversar normalmente comigo, como se fossemos as velhas e boas amigas. Isso torna tudo mais fácil para se lidar. Cana está trabalhando no bar de seus pais, mas ouvi boatos que ela acaba bebendo todas. Todos podíamos prever isso, não?

E então, resta eu. A verdadeira ironia em pessoa. Estou no segundo ano de Administração e pretendo liderar os negócios de meu pai. Pensei muito antes de chegar a essa decisão, mas não me arrependo. Eu e meu pai estamos tentando levar essa relação que não é nem de pai e filha, nem de sócios. Tenho trabalhado na empresa dele nas partes mais básicas. Não sei se era isso que eu imaginava em meu futuro, mas estou meio que gostando. Estar na empresa, faz eu me sentir mais perto de minha mãe.

Encontro a maioria de meus velhos amigos na faculdade. Na cidade tem apenas a Universidade de Magnólia e para todos aqueles que resolveram ficar por aqui, não resta outra opção. As áreas podem ser distintas, mas continuamos a nos esbarrar pelos corredores e pôr o papo em dia. Sinto falta de encontra-los todos os dias e da bagunça cotidiana. Mesmo assim, fico feliz ao ver todos crescendo na vida.

Posso dizer que minha vida não continuou a mesma desde aquele dia em que Natsu foi embora. Também posso afirmar que não há um segundo em minha vida que eu não me arrependa por não tê-lo impedido de ir. As frases “Não vá”, “Não me deixe” e “Eu também te amo” ecoaram por um bom tempo em meus pensamentos. A vantagem dos pensamentos é que ninguém os escuta, e a desvantagem é que ninguém os escuta. E certamente Natsu não escutou. Como poderia? Foi certamente estranho terminar o ensino médio sem ele. Mas agora isso ficou no passado.

Neste momento estou em meu escritório — Sim, agora tenho um — mexendo no notebook, passando o olho pela papelada, quando a mesa começa a vibrar. Olho para meu celular tocando ao lado e não deixo de sorrir ao ver quem é.

— Oi Levy-chan! — atendo animada.

Ainda nos chamamos assim. Sabemos que parece ser infantil, mas velhos hábitos não mudam. Aliás, esses apelidos significam para nós o carinho que temos uma pela outra.

Lu-chan, que saudade! Como está? — ouvi sua voz do outro lado da linha.

— Também estou com saudades! Estou feliz por ter me ligado e você?

E eu estou feliz por te ligar — brinca, dando uma risada fraca — Escuta, vai estar ocupada no sábado? Quero dizer, amanhã?

— Hm, se eu não tiver que trabalhar, não.

Você trabalha demais mulher, vamos sair!

Começo a rir. Ela me diz isso todas as vezes que nos encontramos. Mas o que posso fazer se tenho que trabalhar duro para mostrar minha competência para meu pai?

— Sair? Aonde você planeja ir?

Balada, Mansão Lamia Scale, vai começar 23hrs. Toda a turma vai.

— Como assim, toda a turma? Posso levar o Loki? — pergunto sorrateiramente.

O pessoal costuma se reunir de vez em quando para matar a saudade da Fairy Tail, até vamos aos eventos de lá. É sempre divertido. Claro que isso não ocorre com muita frequência. E Loki, bom, é meu ficante. Ele é da minha sala da faculdade. Levy o odeia, eu sei, ela só não me diz.

Oras, da Fairy Tail! todo mundo tá afim de festar, e agora que temos idade, vamos aproveitar! Quanto ao Loki, não acho uma boa ideia...

— Por que não é uma boa ideia? — questiono, achando seu tom muito suspeito.

Passo na tua casa amiga, até amanhã! Beijos — disse rapidamente e desligou.

Fiquei olhando pasma para o celular. Nunca a entendi, talvez não seja agora que isso vá ocorrer. Muito estranho. Provavelmente ela vá me jogar para cima de algum garoto como ela sempre faz quando saímos juntas. Não sei qual o problema dela com o Loki. Vai entender. De qualquer forma sinto que será muito bom! Faz tempo que não combinamos de sair, e eles são sempre muito animados!

Balada? Acho que preciso de uma roupa nova.

Levantei-me e me direcionei para a sala ao lado. Bato na porta de leve antes de me pronunciar:

— Lucy Heartfilia, entrando.

Abro a porta e vejo meu pai no fundo da sala, em sua mesa. Como sempre. Às vezes acho que ele dorme aqui.

— Lucy — diz desviando seu olhar da papelada e se voltando para mim — O que quer?

Seu tom não parece tão frio como antigamente. Ele tem mesmo tentando me tratar melhor, depois de eu concordar em fazer o que ele quer. Fico feliz apenas por seu esforço, mesmo que mínimo.

— Amanhã sairei com meus amigos, só para você saber.

— Hm... — parece pensar sobre o assunto — tudo bem, agora me deixe trabalhar — virou-se novamente para sua papelada.

Suspirei e deixei a sala. É claro que o tratar melhor dele não é lá aquelas coisas, mas já fico feliz por saber que, por trabalho ou não, nos vemos todos os dias sem brigar. Ele até construiu uma casa — bem chamativa, na minha opinião — entre a faculdade o trabalho. Fica em uma região nobre e é para facilitar minha movimentação. Fiquei feliz em rever meus empregados.

Olho para o relógio e me certifico que está na hora da aula. Arrumo minhas coisas e saio do escritório. Passo por todo aquele caminho até a secretaria e sorrio para a secretária.

— Bom trabalho Biska e bom fim de semana! — desejo, lhe dando um aceno.

— Obrigada pelo trabalho, senhorita Heartfilia. Bom final de semana! — respondeu formalmente.

— Já disse para me chamar de Lucy! — protesto, enquanto saio do prédio.

Faz mais de um ano que estou aqui e ela ainda não aprendeu. Mas gosto muito dela, muitas vezes é minha confidente. Biska é uma pessoa super dócil.

Procuro por meu carro, e logo avisto Taurus — meu motorista — me aguardando do outro lado. Pedi para que me levasse para casa. Ele é um bom rapaz, mesmo que dê em cima de mim com frequência. Sua companhia é ótima em dias tristes. Paramos em frente aos imensos portões, que se abriram assim que nos identificamos. Não tenho nada contra esse estilo de vida, mas meu pequeno apartamento me faz muita falta. Meu pai é exagerado.

Desço do carro e entro pela porta principal, onde meu cachorro corre até mim.

— Plue, meu amor — gracejo, pegando-o no colo.

Ainda é apenas um filhote. É uma raça rara e meu pai diz que ele é feio. Eu não ligo, ele é meu companheiro para todas as horas! Foi a condição que dei ao meu pai para me mudar para cá. Essa casa é bem solitária na maioria das vezes.

— Hime — chamou Virgo — Seu banho e material estão preparados.

— Obrigada Virgo — agradeço com um sorriso e subo as escadas para meu quarto.

Ainda não me acostumei a essa casa, mesmo fazendo um ano que estou morando aqui. Entro em meu quarto e me jogo na cama. Estico meus músculos tensos. Essa vida adulta é tão cansativa. Acordar, trabalhar, almoçar, trabalhar, estudar, fazer trabalhos, e se sobrar tempo, dormir. Posso dizer que tenho meus privilégios em ser “dona” da empresa. Quando estou muito cansada, posso voltar para a casa, ou sair por aí. Mas tento não fazer muito disso para provar ao meu pai do que sou capaz.

Tomo um banho rápido e me arrumo. Eu gostava de ter um uniforme. É terrível ter que escolher uma roupa todo dia. Além disso nosso uniforme da Fairy Tail era muito fofo. E me lembra muitas coisas.

Antes que as lembranças voltassem para me assombrar, peguei minha bolsa e sai de casa.

—♥—

— Oi minha linda — Loki se aproximou assim que me viu.

Abro um sorriso ao vê-lo também.

— Oi lindo, tudo bem? — digo, lhe dando um selinho.

Ele é muito bom para mim, mas achamos que ainda não era hora de ter um relacionamento sério. Bom, na verdade, eu achei. Digamos que eu esteja um pouco traumatizada e não queira me apegar tanto a ninguém mais. O que aconteceu com Natsu me deixou uma marca incalculável e ainda me pergunto se um dia essa dor vai passar.

No final do terceiro ano, fui ao baile com Sting. Eu lhe dei uma chance, e disse que ainda estava muito sensível com a ida de Natsu para Crocus. Eu realmente tentei, mas não deu certo. Sting é apressado em assuntos sexuais e eu não queria nada tão... intenso, na época. E nem agora. Porém Loki é diferente, ele é calmo, carinhoso e tem sido a melhor pessoa do mundo comigo. Quero mesmo imaginar que dará certo dessa vez.

— Estou bem e você? — retribuiu meu beijo e me abraçou.

— Tudo ótimo — respondo animada — Espero que as aulas passem rápido hoje!

— Que bom que você gosta de estudar — brincou, me fazendo rir.

Fomos para a sala de aula, onde cumprimentei a todos e fui para meu lugar. Loki senta ao meu lado, o que faz minhas aulas serem sempre divertidas. Millianna, minha fiel amiga da faculdade, senta na minha frente. Ela é um amor de pessoa e sempre me faz companhia. É quase uma Levy-chan da faculdade, mas é claro, Levy é insubstituível.

Quando Natsu foi embora tive inúmeras crises de choro e existência. Falei que fiz tudo errado, que tudo deveria ser diferente. Acho que perder o melhor amigo e a pessoa que ama ao mesmo tempo é mesmo doloroso. Mesmo assim Levy não saiu do meu lado, me escutou, me animou. Sempre digo que ela é como uma irmã para mim e que nossa amizade será para sempre.

— Oi Lu-chan! — Milliana sorriu ao ver eu me sentar.

Ela logo me apelidou dessa forma quando começamos a conversar, e isso para mim, só mostra que ela é uma ótima amiga.

— Oi Milli-chan! — sorri de volta.

Joguei um pouco de conversa fora com as meninas até o professor da primeira aula chegar. Elas se queixam que não dou atenção para elas desde que comecei a sair com Loki, apesar de dizerem que fazemos um belo casal. As aulas se passaram como sempre, sem nada interessante. Às vezes tenho vivido assim, a vida só passa e eu pareço observá-la de longe.

Assim que chegou o intervalo, fui até uns banquinhos atrás dos prédios com Loki. Era nosso lugar especial. Sempre passávamos os intervalos ali e foi também onde nos encontramos pela primeira vez no primeiro ano. A gente costuma conversar e se beijar. Gosto muito de Loki, mas nossas conversas se resumem em faculdade, nossas famílias — que por acaso, se conhecem — e sua insistência em me pedir em namoro. Então eu desviava o assunto novamente e por aí vai.

— Lucy, eu realmente não entendo o motivo para não entrarmos em um relacionamento sério. Já estamos juntos a meses, nos vemos quase todos os dias, seus pais conhecem os meus — citou olhando para mim com expectativa — Praticamente namoramos, só falta você aceitar.

Eu sei que ele tem razão. Todos nos vêm como namorados, menos eu. Parece ridículo levar um relacionamento desta forma, mas simplesmente... é o melhor agora.

— Loki, me dá mais tempo. Não estou pronta para isso e eu não quero te magoar — falei, olhando para minhas mãos.

Ele tocou nelas, me fazendo voltar a encará-lo.

— Você nunca me magoaria. Namorar você só me faria feliz.

Suas palavras soaram tão sinceras que meu coração pode até acelerar. O que há de errado comigo?

— Loki não...

Insista.

Ele suspirou parecendo chateado como todas as outras vezes. A culpa sempre me invade. Não sei o que fazer. Não quero perde-lo... mas também não consigo sentir que ele é o certo para mim.

— Tudo bem... — concordou cansado — Vou te esperar.

—♥—

A noite se passou tão rápida quanto o dia se iniciou. Logo, as nuvens da manhã foram tomando conta do céu e a claridade invadiu meu quarto. Levantei-me lentamente após o longo processo de acordar, me espreguicei e fiquei sentada um tempo na cama, refletindo. Passei horas ontem pensando qual seria o meu problema. Loki é um ótimo rapaz, atencioso, amoroso, nunca me irrita, nem me tira do sério, sempre doce, faz tudo para me agradar. Suspiro.

Eu deveria pensar melhor sobre isso. Namorá-lo de verdade e de coração aberto. Não tem como me arrepender, os últimos meses foram... bons. Agarro minha cabeça, irritada com esse pensamento. O problema é que quando estou com ele, eu lembro de como era estar com Natsu. Eu sei que vai ser diferente. É sempre diferente. Eles são muito diferentes. E mesmo assim... meu coração não acelerou daquela forma nunca mais.

Plue passou pela porta e pulou em minha cama. Sorri ao vê-lo se aconchegar em meus braços, pedindo por carinho. Passei a mão em seus pelos curtos.

— O que eu faço, Plue?

Claro que foi uma pergunta retórica. Mas eu queria tanto que ela fosse respondida. Coloco ele de volta ao chão e vou ao banheiro, tomar uma ducha. Ia sair com Levy-chan para comprar uma roupara para usar a noite. Limpei minha mente de pensamentos estranhos enquanto a água escorria e logo sai quando reparei que não daria certo.

Ando até o guarda roupa e paro na frente deste. Tenho a mania de colar fotos nele, aquelas que mais me marcam e hoje uma me chamou mais atenção. A foto que tirei com Natsu quando tínhamos acabado de se conhecer. Desprendo a foto e fico olhando para ela. Natsu... como será que você está? Nunca mais ouvi sua voz, ou soube de você. Lis às vezes fala algumas coisas que finjo não escutar. Aliás, vocês continuam conversando e isso me deixa um pouco decepcionada.

Depois que perceber que fiquei um bom tempo olhando para uma foto, olho para o relógio e dou um pulo. Tenho que parar de viajar desta forma. Troco de roupa e enfio a foto na minha bolsa. Tenho que me apressar.

—♥—

— Desculpa o atraso gente — digo ao chegar ao café, onde Levy-chan e Loki já me esperavam.

Apoio-me sobre os joelhos, ofegante da corrida até ali. Loki acenou, rindo de minha situação e Levy me deu seu sorriso psicopata. Levy não gosta muito de Loki, como eu já devo ter dito. Claro que ela não fala isso diretamente, mas deixa bem claro que o fato de eu não amá-lo e estar com ele é suficiente para deixa-la longe dele.

— Lu-chan! — Levy se levanta e vem em minha direção, me abraçar.

— Levy! — cumprimento de volta — Como está? — sorri. Mesmo que conversemos direto, adoro me encontrar com ela.

— Ótima e você?

— Tudo bem também — respondo indo até a mesa onde eles estão sentados — Já pediram sem mim?

— Claro que não — fala, dando a volta na mesa e indo para seu lugar — Estávamos te esperando.

Sorri por sua resposta e fui até Loki, lhe dando um selinho terno.

— Oi Loki.

— Oi amor — respondeu com seu sorriso fofo.

Não consigo não sorrir ao vê-lo dessa forma. Acho que preciso mesmo de algo relaxante como estar com ele. Porém meu sorriso logo se desfez ao olhar a careta de desaprovação de Levy-chan por trás do cardápio. Ela é impossível quando quer. Dei-lhe um cutucão para ser simpática com ele, e ela deu de ombros. Suspirei diante seu comportamento.

Fizemos os pedidos e começamos a conversar sobre coisas banais. Estava rezando internamente para tudo ocorrer bem, aliás se eu aceitar a namorar Loki, quero que se dê bem com minha melhor amiga. Lógico que minhas preces não foram ouvidas.

— Então Loki, pensa em se casar? — Levy perguntou com um sorriso discreto.

Olho para ela pasma, depois voltei meu olhar para Loki que parecia tranquilo. Ele não faz ideia de como ela é.

— Claro que sim — respondeu e me olhou de forma terna.

Senti certo desconforto com seu ato e não sei explicar o que.

— E não vai procurar uma namorada para isso?

Quase engasgo com minha própria saliva diante de sua ousadia. Olho irritada para Levy, querendo pular em seu pescoço. Mas para minha sorte a garçonete se aproximou.

— Aqui estão os pedidos — disse, deixando a comida na frente de cada um.

— Até que enfim — murmuro, pegando meu suco e minha torta de palmito.

O doce som do silêncio enquanto as pessoas comem. Nunca achei que o veria de forma tão positiva. Loki não parecia nem um pouco irritado. Provavelmente ele pense que Levy está me empurrando para ele e não o contrário.

Comemos e logo me despedi de Loki para não passar por outra situação desconfortável com minha melhor amiga afiada. Sempre tomo café da manhã com ele aos sábados, mas como eu quero fazer compras, chamei Levy-chan para se juntar a nós. Aquela pequena esperança dela começar a gostar dele. Má ideia. Fomos para o centro, andar entre as diversas lojas.

— Levy-chan! — gritei, assim que Loki não pudesse nos ouvir — Eu vou te matar! — repreendo por suas ações desnecessárias.

— Por que Lu-chan? — perguntou com inocência — Estou te fazendo um favor! Você não o ama, por que diabos está com ele?

Bufo diante sua insistência. Fazem seis meses que estamos juntos e escuto isso todas as vezes que conversamos. Por que preciso de motivos?

— Eu gosto dele — afirmo determinada — Ele me faz bem, me deixa segura. O amor vem com o tempo.

Levy começou a rir sarcasticamente. Vou pendurá-la em uma árvore qualquer dia desses.

— Com o tempo? Pff — caçoou — Lu-chan, você sabe que não é assim. Você tentou isso com Sting também e não deu certo!

— Sting era diferente! Loki é paciente e amoroso, vai dar certo — contestei e ela apenas suspirou.

Não sei qual o problema dela. Ela devia me apoiar a seguir em frente! Ela sempre diz que eu mereço alguém bom e que me valorize pelo o que sou, mas quando encontro alguém assim faz de tudo para que eu mude de ideia! Isso não me ajuda em nada nos meus conflitos internos. Levy ficou em silêncio até entramos em uma das lojas e começarmos a procurar por roupas que nos agradassem.

— O que acha dessa Levy-chan? — pergunto com dúvida, lhe mostrando um vestido preto, simples.

— Não — responde rapidamente — Tem que ser mais provocativo — explica com um sorriso malicioso. Ela é louca.

— Hã? — questiono seu argumento, pasma — Para quê?

— Para pegar os gatinhos — brinca, me fazendo rir.

— Só você mesma para falar uma coisa dessas. Gajeel tinha que ouvir isso — falo e ela começa a rir — Vocês estão bem?

Seu sorriso se tornou mais terno com a pergunta. Acho mesmo linda a relação dos dois. Tantas diferenças e mesmo assim, o amor vence.

— Estamos sim — diz, calmamente — Amadurecemos bastante com nossa relação. Mas sabe o que faz diferença para nosso namoro dar certo? — pergunta com um sorriso de lado.

— O que?

— Eu amo ele — fala, sarcástica, me lançando mais um de seus olhares reprovadores.

— Me deixa em paz, Levy-chan!

Dou de ombros para sua ironia e continuo a procurar por roupa. Conversar não está dando em nada hoje. No final, não encontrei nada naquela loja, nem na próxima, ou na próxima da próxima. Andamos em diversas lojas, experimentando todos os tipos de vestidos e conjuntos.

— Esse está perfeito! — Levy diz animada quando saio do provador. Ela até bate palminhas.

Olho para meu reflexo, usando esse vestido preto de veludo colado ao corpo como se fosse a vácuo.

— Hm... não sei não — digo incerta — Marca demais o meu corpo — olho de todos os ângulos, incomodada.

— E daí? — replica com simplicidade — Você tem um corpão mesmo — fala se divertindo com tudo isso — Você vai levar. Fim de conversa.

—♥—

E... eu levei. Não acho que tenha sido uma boa ideia. Costuma acontecer coisas pervertidas em baladas, e eu vou sem Loki, chamar atenção não é o certo. Mas agora não adianta ficar chorando o leite derramado, ou o dinheiro gastado.

Depois das compras, me encontrei novamente com Loki, passamos a tarde juntos. Fomos caminhar no parque, andar pelas ruas, tomar um sorvete e conversar. Foi um dia gostoso e calmo. Ele não ficou tão feliz com a ideia de ir na balada sozinha mas teve que aceitar. Aliás, eu iria de qualquer forma. São meus amigos, e eu não perco um momento com eles por nada.

Olho para o relógio e vejo que está quase na hora. Tomo um banho relaxante, me hidrato e procuro por meu vestido. Arranco a etiqueta e visto. Faço uma maquiagem leve com rímel e um batom nude e deixo o cabelo solto. Ele está enorme agora. Subo em meu salto vermelho e logo escuto uma buzina na frente de casa. Pego minha bolsa com meus documentos, cartão e celular, e saio de casa. Vejo o carro de Gajeel parado ali perto e me sinto estranha. Nós podemos dirigir agora, isso é bizarro.

— Oi gente — cumprimento ao entrar pela porta de trás do carro.

— Oi Lu-chan — Levy diz sorridente — Está gata! — fala com uma risada.

— E aí bunny girl! — Gajeel vira-se — Quanto tempo.

Não sei o que há com esse apelido estranho que ele me deu.

O carro começou a se movimentar. Conversamos sobre o tempo que estivemos separados, e claro lembramos das coisas que aconteceram na escola. Levy e Gajeel começam a brigar do nada e depois ficavam grudados de novo. São um casal estranho e ao mesmo tempo perfeito um para o outro. O tempo voou e estávamos na frente daquele enorme espaço. Depois de horas procurando um estacionamento, finalmente encontramos.

Entramos na Mansão Lamia Scale e o lugar era realmente tudo o que os boatos falavam. É um lugar grande, elegante e vintage. Há um palco enorme e várias mesas e cadeiras dispostas na chamada pista. Aos lados há os camarotes, espaços reservados. Mas claro que nós resolvemos ousar e pegar o maior camarote VIP de frente para o palco que fica no segundo andar.

— Minna! — gritei ao ver o pessoal e logo fui abraçar meus amigos mais próximos.

Todos já estavam ali, Erza, Cana, Juvia, Lisanna. Apenas não vejo Gray, mas segundo sua nova reputação deve estar agarrando alguma garota por aí. Sentei perto das garotas nos sofás de nossa sala reservada. A sala é aberta na frente para vermos o show, e dos lados é vidro. Eu realmente amei a decoração daqui. Pedimos algumas bebidas e começamos a pôr o papo em dia. Na verdade, estávamos é berrando o papo em dia porque o som é muito alto.

Dou risada de cada fala que sai da boca delas. Não me arrependo nem um pouco por ter vindo, é maravilhoso estar com todos eles. Todas minhas amigas parecem tão maduras e ficaram ainda mais lindas. Sinto orgulho de cada uma delas.

Levy contou suas inúmeras brigas com Gajeel. Erza nos falou de sua faculdade e como estava amando o curso. Cana fingia nos ouvir enquanto virava outro copo de tequila, Lisanna falou sobre seu curso também e que estava pensando em fazer intercambio. Juvia não ficou muito com nós, estava com Lyon em um canto. É a primeira vez que os vejo juntos e fico muito feliz por vê-la seguindo em frente depois de sofrer tanto nas mãos de Gray.

Cana começou a contar algumas piadas extravagantes. Estava rindo loucamente quando olhei para a entrada do salão.

Então o tempo parou.

Meus olhos deixaram de piscar por longos segundos quando encontrou aqueles olhos intensos depois de tanto tempo. Acho que meu coração parou de bater e meu corpo esqueceu que precisava respirar.

Não pode ser... Ele voltou.

Notas finais
Será que é mesmo passado?♥