Destino Das Fadas

44 Capitulo 42 — Equilíbrio


Notas iniciais
Oi leitores queridos, como estão? *000*
Bravos com a autora incompetente? Ç_Ç Eu sei que estou sempre chegando com desculpas, mas então aguentem mais uma tá? Ontem eu tive entrevistas de empregos e tals, e fiquei respondendo as reviews atrasadas, dai acabei não escrevendo o capitulo. Me desculpem.
Mesmo assim, aqui estou eu trazendo um capitulo fresquinho!
Agradeço imensamente a todos que mesmo com tantos atrasos, me acompanham, me alegram, me incentivam e me deixam suas opiniões ♥
Sem vocês, não haveria fanfic ♥
Boa leitura (;

7 dias depois...

Natsu

— Pai... — o chamei entrando em seu escritório, dentro de casa, de madrugada.

Ele desviou seu olhar da tela do computador e me olhou por trás de seus óculos. A luz estava apagada, apenas a luz do computador iluminava o local. Meu pai costuma trabalhar depois que volta da empresa e fica até altas madrugadas.

— Natsu, ainda está acordado?

— Não, estou sonâmbulo.

Ele riu de minha ironia. Continuei encostado à porta do escritório.

— Consegue fazer piadinhas há essa hora?

— Qualquer hora, pai — respondi com um sorriso, depois voltei a desmanchá-lo.

Olhei para o chão um pouco hesitante. Nem eu sabia o que queria ali, mas sentia que precisava conversar. Daqui a dois dias iremos viajar para a ilha onde será realizado meu casamento. Dois dias... Como o tempo passa tão rápido? E a cada segundo que se passa uma angustia cresce dentro de mim. Sinto-me desesperado. Não consigo dormir pelo simples fato que se eu dormir, o tempo passa ainda mais rápido. E essa agonia começa a me consumir.

— O que houve, filho? — perguntou, tirando seus óculos e deixando em cima da mesa. Esfregou seus olhos cansados e voltou a me olhar.

— Pai... estava pensando... ainda dá tempo para jogar tudo para o alto? — indaguei com incerteza. Não sabia se deveria fazer tal pergunta.

Ele me encarou com mais intensidade. Arqueou as sobrancelhas e apoiou seus cotovelos na mesa, segurando uma mão na outra.

— Natsu, eu... — começou uma frase, mas não terminou. Limitou-se a dizer: — Nunca é tarde demais.

— Você acha que eu vou conseguir ser feliz com a Yukino?

— Acho que essa resposta está em você mesmo, filho. E seja lá qual for a resposta que você encontrar, terá meu apoio.

Meu coração se aqueceu um pouco. E se tornou mais leve. Tudo o que eu precisava era ouvir que eu não estava totalmente preso a essa situação, e que eu poderia mudá-la a qualquer momento.

— Obrigado pai — falei me virando para retornar ao quarto.

— Você tem sete dias...

Capitulo 42 — Equilíbrio

Estou cansado. Mas alguma coisa incrivelmente irritante está me chacoalhando. E nossa. Como isso irrita. Meus olhos se recusam a se abrir. Eu me recuso a levantar e ir trabalhar. Será que obedeço meus instintos?

— Niiii-san! Nossos tios chegaram!

Tios? Quem? Me remexi na cama e ignorei o chamado de Wendy. Então ela puxou meu cobertor. FILHA DA ....

— O QUE É PIRRALHA? — gritei, a matando pelo olhar.

— Os tios de Kawasaki chegaram! O Jiro e o Jun também estão aqui!

Caramba. Faz eras que não vejo o pessoal. Acho que casamento é um bom motivo para aparecer depois de anos. Jiro e Jun são meus priminhos gêmeos. Esfreguei a mão no rosto para tentar acordar e ficar mais apresentável. Dormi mal pra cacete. Sentei-me na cama e vi que Wendy continuava ali.

— Eu já vou, vai lá receber eles — pedi olhando para ela.

— Nii-san, posso chamar alguns amigos para seu casamento? — disse com uma voz baixa e olhando para os próprios pés.

— Claro que pode. Chame quem quiser — respondi. Não era nada demais, é bom ter amigos.

Ela alargou o sorriso e seus olhos brilharam. Correu em minha direção e pulou me abraçando. Isso com certeza foi uma surpresa. Apenas a abracei de volta.

— Obrigada Natsu-nii. Mesmo se você casar com a Yukino, eu vou poder continuar estudando na Fairy Tail?

Paralisei com essa pergunta. Primeiro porque ela me lembrou que vou me casar com Yukino e depois porque... se eu não casar com a Yukino a resposta para essa pergunta seria não. Fairy Tail é cara, e com certeza eu teria que tirar Wendy de lá se esse casamento não desse certo. É quando percebo que estou metido em algo muito maior que meus próprios sentimentos.

— Vai sim Wendy, não se preocupe.

— Eba! Te espero tá embaixo nii.

Vi ela passar pela porta correndo e ouvi seus passos apressados pela escada. Fiquei mais um tempo sentado. Em tudo que pensei durante a madrugada, eu havia chegado a uma única e previsível resposta: não posso ficar sem Lucy. Mas agora... percebo que jogar tudo para o alto, é jogar o futuro da Wendy pelo ralo. E começo a pensar que valha a pena sacrificar meu futuro pelo dela. Ela é nova, tem muito que viver. Não que eu seja velho e ancião, mas seria apenas arcar com minhas próprias conseqüências.

Olho pela janela e vejo Wendy brincando com meus primos. Feliz, sorridente. Não sei como seria não vê-la assim. Desde pequena, a vejo empolgada com tudo, e aprontando. Não posso estragar a vida dela, seria uma reviravolta muito grande. Droga. Bem quando eu chego à conclusão de largar tudo. Dois dias Natsu, dois dias...

[...]

Após me arrumar, tomando uma ducha e pondo uma roupa descente, desci as escadas e fui até o quintal, onde estavam todos. Assim que apareci, meus tios já vieram em minha direção. Minha tia Ayaka é uma figura. Ela é irmã do meu pai. Fala pra caralho, mas é muito extrovertida. Casada com Mitsuo. Meu tio é mais na dele, o que é um contraste total com a minha tia, porém é um homem de grande coração.

— Natsu, como você cresceu! Está quase se tornando um homem — brincou minha tia, vindo me abraçar.

Claro, devo ter crescido alguns milímetros desde o ano passado.

— Oi tia, também estou com saudades.

— Sendo irônico como sempre hein? — sorriu animadamente — Cadê a azarada que vai casar contigo filho? Quero conhecê-la, alertá-la para dar tempo dela fugir.

Eu quem quero fugir, tia. É claro que eu não ia dizer algo assim. Fiquei pensando se entrava na brincadeira ou não. Mas meu tio foi mais rápido se aproximando de mim e apertando minha mão de maneira firme.

— E aí Natsu, nervoso para o grande dia?

Você não faz ideia do quanto.

— Um pouco — menti com um sorriso fraco.

— NATSU-NIIIIIIIII! — Jiro e Jun vieram correndo em minha direção e pularam em cima de mim, me fazendo cair no chão.

— Ah seus pirralhos, querem me matar é? — brinquei, os jogando no chão e fazendo cócegas neles. Jiro se pendurou na minha perna, tentando salvar Jun de minhas cócegas.

— Eu vou te salvar irmão! — gritou sem largar minha perna.

Comecei a rir, tirando Jiro de minha perna. Ele saiu correndo e eu corri atrás dele. Até sentir algo de jogar contra minha costa: Jun. Faz tempo que não brinco com eles, e é sempre revigorante estar entre crianças. Sem preocupações, sem problemas.

— Natsu será um bom pai, não acha Ayaka? — ouvi meu tio comentar.

— Foi ele quem cuidou da Wendy. Apesar de me sentir culpado por isso, não poderia ter a deixado em mãos melhores. Natsu foi um ótimo “irmão/pai” para ela — meu pai entrou na conversa.

Deixei de prestar atenção, porque há essa hora já estava perto da rua correndo atrás dos pestinhas. Wendy apareceu também querendo brincar. Disse que ia me proteger, mas sempre caía. Coitada. Comecei a arfar de ficar correndo, me sinto um velho. Como esses pirralhos não cansam? São feitos do que? E não adiantou nada eu tomar um banho. Assim que parei para tomar um ar, me joguei no chão.

— Tempo, por favor — pedi sem ar.

Foi a pior coisa que fiz na vida. Só ouvi algumas risadinhas, alguns passos apressados e logo após:

— MONTINHOO!

Os três caíram em cima de mim. Ai. Nem para eles se jogarem de um modo mais delicado. Bati minha cabeça com a cabeça de alguém e doeu pra caramba. Mas tentei me conter. Fui o único.

— QUE CABEÇA DURA NATSU-NII! — Jiro gritou se jogando para o lado, e passando a mão pela cabeça.

Wendy e Jun se levantaram, rindo de Jiro, que rolava pelo gramado do quintal. Sentei-me e comecei a rir também. Já estava todo sujo, mas não ligava. É bom descontrair um pouco. Porém isso durou pouco tempo. Assim que parei de rir e olhei para frente, Lucy estava ali, me olhando. Fiquei um tempo parado, e depois sorri de maneira leve. Levantei uma das mãos.

— E aí? — cumprimentei. Ela sorriu.

— E aí... — respondeu com uma voz baixa.

Olhei para minha situação ali. Jiro parou de rolar na hora para olhar Lucy e Jun também ficou paralisado. Wendy sorriu e gritou um “OOOOOOI”.

— Essa é a Lucy, pirralhos, a cumprimentem corretamente, hem? — falei olhando para eles e pisquei.

Eles sorriram e entenderam na hora. Levantaram-se e correram até ela, quase a derrubando no chão. Ela se desequilibrou e tentou se manter de pé, mas sorria docemente. Fiquei ali babando por aquela cena. Com ela alegre cuidando de nossos filhos... Volta Natsu!

— Vocês são espertinhos hem? Puxaram o... — disse e olhou para mim.

— Primo — completei.

— Puxaram o primo de vocês? — terminou a frase olhando para eles, agarrados nas pernas dela. Ei, isso não pode não.

Andei até lá e puxei os dois para longe dela. Eles não são tão inocentes assim para ficar agarrando as pernas dela.

— Puxar o Natsu-nii? Sou muito mais bonito! — Jun disse sorridente.

— Não casa com ele não, casa comigo! — Jiro tinha os olhos brilhando perto de Lucy. Fala sério.

Arqueei as sobrancelhas olhando para eles e voltei meu olhar para Lucy.

— Desculpe por isso. Sabe como que é, crianças são meio impulsivas.

Ela sorriu, um sorriso que eu não via há muito tempo. Um sorriso que consumiu todo o restante da minha energia. Todo meu organismo paralisou e parecia levar forças apenas para meus olhos, para conseguir continuar encantado por aqueles lábios.

— Você parece se dar bem com crianças... — murmurou desmanchando seu sorriso e olhando para baixo.

Não entendi. Isso a deixava triste? Então percebi que quem iria ficar triste era eu. Sting apareceu, e ficou ao lado de Lucy.

— Natsu — cumprimentou sério.

— Sting — devolvi no mesmo tom.

Gray já me contou que eles estavam meio juntos, mas eu realmente não queria acreditar. Ainda não quero. Quero dizer, é bom saber que a Lucy está seguindo a vida, e que a cicatriz que ficou entre a gente talvez esteja se fechando... mas porra, ainda dói muito ver ela com outro cara. Ela se sente assim também com a Yukino? Ou só eu não superei nossa história ainda? Eu estava mesmo quase jogando tudo pro alto?

Sting passou o braço em volta da cintura de Lucy. Meus nervos começaram a arder. Não faça nada idiota Natsu. Aceite. Ela não é mais sua...

— Ei loirinho — ouvi uma voz abaixo de mim, olhei e vejo Jiro apontando para Sting — Quem você pensa que é para tocar na minha princesa?

Me segurei para não rir. Percebi que Lucy tentou não rir também. Mas ver um pirralho daquele tamanho fazendo pose e dizendo umas coisas dessas. Não to valendo nada mesmo.

— Ouviu meu irmão — Jun completou — Solte nossa deusa.

Sting arqueou as sobrancelhas. Lucy riu baixinho. E eu ri também. Mas segurei ambos antes que façam algo errado, e eu acabe deixando.

— Tá bom pirralhos, vão lá para dentro — ordenei olhando para baixo.

— Nem pensar, temos que salvar a nossa... — disse socando o ar, mas eu os empurrei para trás.

— Crianças, não sabem o que falam — falei ainda com um sorriso de lado. Lucy riu mais um pouco.

— É, reparei — Sting disse um pouco sem jeito — Bom, temos que ir né? — olhou para Lucy. Ela me olhou e depois olhou para ele assentindo.

— Até mais Natsu — despediu com um olhar distante.

— Até Lucy...

Fiquei olhando os dois se distanciarem. Sentindo meu coração de destroçar. Mas acho que estou acostumando com essa sensação terrível de coração partido. Não acho que dê para se acostumar a isso, entretanto, são tantas as vezes, que nem sobram mais pedaços de coração para se partir, daí acho que chega a um limite, e simplesmente aceitamos. Mentira. Não to aceitando porra nenhuma. Assim que suas sombras sumiram pela esquina, olhei para trás. E ali parados de braços cruzados, Jun e Jiro me encaravam.

— O que foi? — perguntei, olhando a pose de estátua deles.

— Como você deixou o cara levar minha noiva? Essas coisas não se faz, Natsu-nii — Jun disse sério.

— Você é um fraco, Natsu-nii — completou Jiro.

— Ah, então eu sou um fraco? — provoquei — Vocês vão ver só — Comecei a correr atrás deles para fazer cócegas, eles gritaram e saíram correndo.

Dei uma última olhada para perto do portão onde Lucy estava há pouco tempo. É, talvez eu seja mesmo fraco...

—♥—

Lucy

Sai da cada do Natsu, com uma angustia crescente. Uma semana se passou. E tem sido uma tortura vê-lo na faculdade. A gente conversa casualmente, e toda vez vejo algo em seus olhos que me estremece. Aquele brilho que enxerguei todas às vezes que ele disse “eu te amo, Lucy”. É tão forte e verdadeiro que me desarma. E vê-lo ali brincando com seus primos, alegre e descontraído. Não consigo deixar de imaginar, como seria se... ele soubesse.

— Lucy, está se sentindo bem? — Sting perguntou preocupado.

— Hm? — ergui o olhar novamente — Desculpe, acho que eu...

— Tudo bem — me cortou — Não precisa mentir, ele ainda mexe com você.

Fiquei um tempo, espantada por sua frase. Olhando para Sting, não sabendo o que falar. Ele parecia magoado. Eu falei que ia tentar vê-lo como algo a mais, e até agora, só tenho pensando em Natsu. Mas como não? Estou esperando um filho dele... Porém prometi ser sincera com Sting, sempre.

— Sim, me desculpe. Não consigo imaginar... — uma vontade de chorar me invadiu.

Comecei a pensar em um futuro distante, onde vamos estar cada um casado com pessoas diferentes, vivendo as próprias vidas e pensando que tudo o que passamos ficou no passado. Está tão presente agora. Como vai ser olhar para meu filho e lembrar dele para sempre?

— Eu só... — gaguejei, sentindo meus olhos lacrimejarem. Tenho estado tão sensível. Minhas emoções parecem saltar a cada situação.

— Ei, não precisa falar. Estou aqui, e não precisa se desculpar. Vamos passar por isso, certo? — sorriu de modo consolador. Tentei sorrir também.

Ele me levou para almoçar numa temakeria. Tinha uma esteira que trazia sushis e temakis até nós. Super legal. Conversamos, rimos, brincamos. Qual o medo de viver assim? Apesar de estar tudo bem, parece que não está. Fico imaginando uma vida, um futuro com Natsu. Esquecendo todas as barreiras. Faltam dois dias... e nada acontece.

—♥—

Natsu

Subi as escadas, indo até o meu quarto. Comecei a arrumar meu material. Yukino já estava lá embaixo conversando com meu tio e meu pai. Era pressão demais para mim. Meus tios e primos pareceram gostar dela. Não tem como não gostar, ela é super doce e simpática. Então como eu consigo? Fala sério.

— Natsu?

Olhei para trás e vejo minha tia ali na porta sorrindo.

— Oi tia, entra aí, fica a vontade — falei, colocando meu caderno na mochila.

Ela andou e se sentou na cama ao lado da minha mochila. Olhou para o meu quarto e voltou seu olhar para mim.

— Como você está? — perguntou inclinando a cabeça de leve.

— Bem, porque a pergunta? — respondi rapidamente, a olhando.

— Não assim Natsu — disse inconformada. Arqueei a sobrancelha, sem entender sua frase — Não quero uma resposta formal por ser a tia que você não vê a um bom tempo, quero uma resposta verdadeira. Você não parece feliz.

Isso me pegou de surpresa. Sinto que meus olhos até se arregalaram. Desde quanto minha tia tem poderes telepáticos? Ou será que estou deixando tão aparente assim? Preciso melhorar isso. Mas mentir para ela nunca funcionou. Respirei fundo e me sentei na cama também.

— Estou confuso, perdido, angustiado, desesperado, desordenado, em dúvida, alterado, hesitante e completamente indeciso. Assim está melhor? — ironizei, dando um sorriso fraco.

— Em partes sim — sorriu minha tia — Posso te perguntar uma coisa?

— Claro.

Sinto que não deveria ter sido tão fácil assim.

— Aquela garota que apareceu hoje no quintal, a loira, era sua ex-namorada, não era?

Hm? Olhei para minha tia, abismado. Então me lembrei que no tempo que estive fora, no Natal, reunimos a família e eu acabei comentando sobre a Lucy. Péssima ideia. Minha tia tem um modo de te fazer falar que chega a assustar.

Flashback on

— Então existe uma garota na sua vida? — perguntou.

— Sabe tia, quando tudo não parece ter sentido sem a pessoa? Eu vim para cá e pensei “hora de começar uma vida nova”. Mas não consigo. Algo mais forte me impede. Eu fecho os olhos e lembro-me do sorriso dela. Eu fico com outras garotas e penso como seria se fosse com ela. Ou então fico pensando “Cara, a Lucy beija muito melhor que isso” — comentei. Eu realmente não devia ter bebido. Porque estou falando disso com minha tia?

— Se algo te impede de ficar com outra pessoa, o que te impede de ficar com ela?

— Hum... talvez o destino tenha errado alguns cálculos — brinquei.

— Como assim errado alguns cálculos?

Olhei para o céu tentando clarear a minha mente para não falar bobagens. Acho que não deu certo.

— Talvez não fosse para a gente ficar junto. Mas a gente se conheceu, me apaixonei perdidamente por ela. Talvez eu tenha me apaixonado demais. Acho que éramos para ser apenas amigos ou ficantes passageiros. Então deu tudo errado. O destino errou na dose de amor, e agora fica aí fazendo merda para separar a gente — falei de maneira sarcástica.

Flashback off

— Como sabe que era ela? — respondi diretamente.

— Lembrei do jeito que você falou dela. Só comparei com o jeito que você olhou para ela — sorriu.

— Ah — deixei escapar.

Jeito que olho para ela? Sempre achei que a olho de um modo normal. Então porque todo mundo diz que eu olho de um jeito diferente? Devo olhar com cara de idiota. O idiota que a perdeu.

— Não acho que o destino tenha errado nos cálculos — completou. Olhei para ela, confuso.

— O que quer dizer? — indaguei.

Ela se levantou com um sorriso, e começou a andar até a porta. Antes de sair, se virou para mim.

— Não tem como ele ter errado na dose nos dois lados. Acho mesmo que ele fez um equilíbrio perfeito de doses — do que ela tá falando? — podemos nutrir sentimentos por muitas pessoas, mas daí vai existir uma em especial que vai nutrir o mesmo tanto de sentimentos por você. Um equilíbrio. Você entendeu Natsu? — perguntou de maneira enigmática — Uma única pessoa em especial. A que te liga com o destino.

Falado isso, se retirou do meu quarto, deixando aquele rastro de mistério. Minha tia tá bêbada? E porque sempre tenho esses papos estranhos com ela? Nossa. Isso foi sinistro. Parece que ela lê por dentro de mim. Eu hem. Peguei algumas roupas e fui tomar uma ducha.

—♥—

— Estou saindo — falei, me despedindo do pessoal ao sair de casa. Yuki veio correndo até mim e me deu um selinho.

— Boa aula amor — disse sorridente.

— Obrigado, se divirta — respondi sorrindo e vejo minha tia me olhando estranho do outro lado.

Apenas ignorei e sai. Entrei no carro, jogando a mochila do lado do passageiro e fui para a faculdade. O mesmo caminho, as mesmas casas, árvores, pessoas caminhando. Desde quando minha vida se tornou essa rotina? Estacionei o carro e fui em direção a sala. Mas então vejo Lucy sentada em um dos bancos com as mãos na testa e olhando para baixo. Corri até ela.

— Lucy? Você está passando bem? — perguntei preocupado. Ela parece mais branca que o normal.

Ela se assustou com a minha aproximação, me olhando espantada. Levantou-se do banco rapidamente, tentando se equilibrar nos próprios pés.

— Estou ótima — respondeu, parecendo um pouco zonza e começou a andar. Quase caindo novamente, dei um pulo para segurá-la.

— Ei, vou te levar num médico agora — falei a olhando. Ela se afastou de mim.

— Pára com isso, estou bem.

Ela não tá bem. E estou ficando preocupado. Até porque não sei o motivo ainda dela ter desmaiado. Tentei a todo custo fazer Levy falar, mas ela apenas disse que foi por falta de comer. Não pareceu convincente para mim. Algo começa a desmoronar dentro de mim. Se a Lucy tiver uma doença, eu morro junto.

— Lucy — falei segurando em seu braço de leve — não seja teimosa, você não está bem. Me deixa cuidar de você.

Ela me olhou. E seus olhos se encheram de lágrimas. O QUE EU FIZ? O QUE EU FIZ? Lucy levou suas mãos até os olhos, para esconder as lágrimas que começavam a cair.

— O que aconteceu? Está me assustando! Está com dor? Lucy, pela amor de Kami-sama, me deixa te levar para um hospital — implorei, mas ela continuou chorando em meus braços e negando com a cabeça.

Não quero levá-la a força. Abracei-a sem saber o que fazer. Passei as mãos por seus cabelos, acariciando-a. Tentando acalmar seu choro. Fiz ela chorar de novo e nem sei o motivo. Minha presença é assim tão ruim?

— P-preciso me deitar — disse com a voz afobada.

— Então me deixa te levar para um hospi... — comecei a falar alterado e desesperado. Mas então senti sua mão puxar minha camiseta, e ela passou a chorar ainda mais — Tudo bem, sem hospital — tentei me acalmar. Olhei para os lados. Um lugar para deitar. Certo.

Peguei-a no colo. Ela não recusou, parecia sem forças. Corri com ela pelos corredores escuros. Se ela não quer ir para o hospital provavelmente não quer preocupar ninguém. Estou tremendo, merda. Ver ela assim, me deixa... aflito. Passei por alguns estudantes, e cheguei na sala de enfermagem. Olhei para os lados, estava tudo escuro. Soube que eles estavam em uma conferência. Abri uma das salas e a fechei. Sem ligar a luz, corri até uma das macas, e deitei Lucy lentamente. Ela respirava rápido.

— Lucy, eu não sou médico, não vou saber o que fazer!

— Porque está gritando? — disse com a voz fraca.

— Porque to desesperado! — falei alterado — Você não parece nada bem, e não me deixa te levar para um lugar que saibam o que fazer. Você não me diz o motivo de estar assim. Odeio me sentir inútil dessa maneira na sua frente. E se algo te acontecer? Eu deveria te obrigar a ir para o Hospital. Como fui te obedecer? Vou me sentir culpado pelo resto da...

Sua mão tocou a minha e parei de demonstrar todo meu apavoramento. Ela sorriu de leve.

— Estou bem, só preciso descansar. Pode ficar aqui comigo? — pediu com um sorriso doce. Como recusar a isso?

Tentei me acalmar e puxei uma cadeira. Fiquei ao lado dela, segurando sua mão.

Nunca me imaginei dormindo escondido em uma sala de enfermagem que não está sendo usada. Mas então ao segurar a mão dela, penso que faria qualquer coisa para estar ali. Ao seu lado. Com ela durmo em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer situação.

Agora eu entendo... meus sentimentos e os da Lucy sempre estiveram em equilíbrio.

Quero que a cada dia você me mostre que valeu a pena esperar.
Que valeu a pena “alimentar” um sentimento tão forte, durante tanto tempo.
E que seu único objetivo será aumentá-lo por toda eternidade.

Notas finais
Reviews? ♥
Se puderem, opinem sobre:
- a família do Natsu: Tios, primos.
- As falas da Tia
- o desespero do Natsu para salvar a Lucy.
- o que vai rolar no próximo
* Quero opiniões de NOMES para o filho de GaLe! *000* Masculinos e femininos, vamos lá gente. Me ajudem. Vocês são mais criativos do que eu. HSUAHSUIAHUISHA.
Ps. Gente, como está uma bagunça danada de dias de postagens, já deixarei falado que vou continuar postando duas vezes por semana, mas não posso garantir em que dias tá bom? :/
Ps. Só agora percebi que no começo quando o pai do Natsu diz "Você tem sete dias..." lembra O Chamado. HSUIAHUSIHAUISHAUISA.
Ps. exagerei no tamanho de novo o/
Beijos, amo vocês ♥