Destino Das Fadas

10 Capítulo 10 — Lembrança de nós dois


Notas iniciais
Olá meus lindos, tudo bem com vocês? *00* Agradeço a todos os comentários do último capitulo *--*, sinto que vão gostar desse capitulo haha E... FE7 MEU AMOR, muito obrigada pela recomendação *00*, fiquei muito feliz, como podem ver estava inspirada para escrever KKKKKK, compensar o atraso, Espero que gostem ♥ ♦Capítulo editado

Capitulo 10 Lembrança de nós dois

Lucy

Mesmo depois de tantos vídeos, a chuva não parou e a ideia de passar a noite ali estava ficando cada vez mais perto da realidade. Estávamos encostados na cabeceira da cama, cada um de um lado. Nem me lembro do momento em que nos levantamos e eu tive que abandonar seu peito confortável.

— Por que você estava chorando? — Natsu pergunta repentinamente, quebrando o silêncio.

Não tínhamos nos olhado desde então, mas não pude deixar de demonstrar minha surpresa ao ouvir sua pergunta.

— Eu não estava chorando — respondo com a voz baixa e dou uma risada para disfarçar o quanto esse assunto me deixa nervosa.

Ele me encara com as sobrancelhas arqueadas, claramente sem acreditar em nada de minhas palavras e nem na risada forçada. Natsu é péssimo mentindo, mas tem dias que acredito ser pior.

— Claro que não — responde de forma sarcástica — Já te vi chorar muitas vezes para saber identificar isso, Lucy.

Olho para ele, espantada. Enquanto ele continua me olhando com seu ar de “Mentirosa”. Sou eu quem arqueia as sobrancelhas agora por sua frase. Às vezes fico pasma com o quanto ele pode me conhecer, mesmo depois de tudo.

— É que na maioria das vezes a culpa era minha, então virei um expert — explica, rindo.

Dou risada junto por lembrar de como eu era chorona por qualquer coisa que Natsu fazia.

— Não seja convencido por minhas lágrimas — digo em tom de brincadeira.

Ele olha para baixo com um sorriso fraco.

— Eu não seria capaz disso.

Eu paro de rir, sentindo meu coração acelerar. Saio de um assunto ruim para vir para outro assunto ruim. Brilhante. Ele me olha e sei que está esperando eu falar, sobre qualquer um dos assuntos. Mas não sei como prosseguir, então olho para minhas mãos em meu colo.

— Não precisa me contar se não quiser — diz em um tom calmo — Está tudo bem, só estou sendo curioso.

Abro um sorriso discreto por sua sinceridade, ainda sem encará-lo.

— Não costumo... falar da minha família para os outros. É um pouco difícil para mim.

Natsu continua me olhando sem dizer nada. Esperando que eu continue. Mas eu estou com medo. Minha família sempre foi um assunto profundo e que guardo comigo como um segredo sagrado. Falar sobre isso com alguém seria... novo. Eu tenho medo do novo. Ainda mais com Natsu! Contar a ele, não o tornaria mais especial aos meus olhos?

Acordando de meus pensamentos, sinto algo tocar minha mão e olho diretamente para Natsu, como se ele pudesse ler minha mente.

— Eu já falei que não precisa me contar nada — fala com um sorriso — Mas pode confiar em mim, caso queira desabafar.

Confiança. Por que esse termo se tornou tão complexo para mim? Levy-chan é aquela que conto mais sobre mim, mas não tudo. Não que eu não confie nela, eu só... prefiro guardar. É tão difícil me abrir para as pessoas. Eu nasci e cresci, escutando que não devia confiar em ninguém.

Mas eu quero confiar nele.

— Não tenho um bom relacionamento com meu pai... — começo a dizer, sentindo minha mão tremer. Falar disso, assusta a mim mesma. Natsu aperta minha mão para me ajudar a continuar — Éramos uma família feliz e harmoniosa, e eu realmente não sei o que houve com ele. Ele era gentil, era um pai, sabe? — digo, olhando para ele — Mas...

Comprimo a boca, sabendo que a dor sobre a verdade nunca vai embora.

— O que aconteceu? — pergunta com seu olhar terno.

— Minha mãe faleceu.

Sinto meus olhos marejarem, mas tento ser forte. Deve ser por isso que não conto a ninguém, não dessa forma detalhada. Porque deve ser uma de minhas maiores fraquezas.

— Sinto muito.

Olho para ele e vejo seu olhar sincero. Abro um sorriso e balanço a cabeça.

— Não era para ser algo triste. Eu já havia me acostumado com isso e comecei a pensar apenas nas coisas boas. Como o sorriso dela quando me via. Dizem que me pareço muito com ela, mas eu não me lembro muito bem além de fotos. Estranho, não? Não lembrar do rosto de alguém tão importante — sorri — Mesmo assim, às vezes tenho a sensação dela estar me vigiando e cuidando de mim do lugar onde está. E mesmo que não seja real... essa mínima sensação, já me ajuda a passar por muitas situações difíceis, entende?

As lágrimas caem contra meu consentimento, e sinto que não sou forte o bastante para isso ainda. Natsu me abraça, enquanto as lágrimas continuam a cair e então desabo em seus braços.

— Você sempre tenta ser forte assim? — sussurra entre meus cabelos.

Seu abraço parecia um consolo depois de tanto tempo guardando esses pensamentos dentro de mim. Continuei a chorar como se finalmente explorasse essa minha parte dolorosa. Como se finalmente, depois de tanto tempo, pudesse chorar pela morte de minha mãe. Sempre fui apenas eu, chorando em meu quarto. Por muito tempo, sentindo que estava sozinha.

E a sensação de não estar mais, aqueceu meu coração.

Natsu continuou abraçado comigo por um longo tempo até minhas lágrimas irem cessando. Ele acariciou meus cabelos, disse palavras gentis e tudo que não ouvi anos atrás. Quando me acalmei, ele pegou um copo de água para mim. Respirei fundo, limpando meu rosto que deve estar deplorável.

— Desculpe por isso — digo, olhando para minhas mãos novamente.

Natsu me olha de uma forma diferente e sorri, desviando o olhar.

— Eu também perdi minha mãe quando era novo — murmura.

Olho diretamente para ele, finalmente entendendo seu olhar. Era compreensão. Entendo porque nunca me contou sobre sua mãe e eu nunca tive coragem de perguntar também. Consolo mútuo, era isso em seu olhar. Então, pego em sua mão, mostrando o mesmo que ele fez comigo. Confie em mim.

— Ela sempre foi frágil. Meu pai nunca me contou o que ela tinha. Mas ele não precisou, eu via ela piorando a cada dia. Cada vez mais, sem sair da cama. Eu não podia fazer nada.

Seu olhar parecia tão profundo e doloroso que passei a me sentir mal por isso.

— Não se sinta forçado a me contar — digo, apertando sua mão.

Ele olha para mim e sorri.

— Mas... eu quero que você saiba — fala com simplicidade, me fazendo sorrir. Natsu olha para a parede da frente e respira fundo para retomar o assunto — Quando Wendy nasceu, as coisas pioraram ainda mais. Eu tinha sete anos na época. Minha mãe não saiu do hospital. Até hoje me recordo daquele lugar e do cheiro. Eu ia todos os dias para lá depois da escola. Ela ainda sorria e dizia que ia ficar tudo bem. Mas eu sabia que era mentira, porque ela nunca melhorava. Foi então que meu pai começou a ficar mal também, para mim era tristeza, ele amava muito minha mãe. Dava para ver pelo olhar, sabe? Ele a olhava como se ela fosse uma divindade — conta, rindo e acho fofo, a forma que ele retrata os próprios pais — Os negócios começaram a piorar. Passei a ajudar meu pai na empresa desde criança, e voltava mais cedo para cuidar da Wendy. Foi terrível.

Eu nunca teria imaginado algo assim. Já senti antes que ele escondia algo doloroso dentro de si. Só não imaginava... que seria tão forte. É por isso que ele fala sobre Wendy como uma filha e não como irmã. Foi ele quem teve que cuidar dela.

— Acho que o pior de tudo — continua — Foi não poder nem demonstrar o quanto fiquei arrasado com a morte da minha mãe, porque eu tinha que ser forte o bastante para meu pai não decair igual ela.

— Natsu, eu...

Não sei o que dizer. Ele aperta minha mão, olhando para elas juntas.

— E também foi por isso que eu estava mal quando Gray foi parar no hospital. Detesto aquele lugar e ainda podia perder um amigo no mesmo lugar que perdi minha mãe.

Olho para ele, surpresa. Meu Deus. Foi lá.

Eu sabia que ele não estava bem, e sei que em parte foi por causa de Gray. Mas quem diria que havia mais motivos para querer fugir de lá? Guardados a sete chaves dentro dele mesmo.

Natsu me puxa para si, voltando a me abraçar. Fico sem reação, mas o abraço. Porque sei que ele precisa disso tanto quanto eu. Não dissemos nada e por incrível que pareça, não precisávamos dizer nada. Ali, perto dele e de seu coração, senti que nos entendíamos.

O abraço dele continua sendo o melhor de todos.

—♥—

Natsu

Abro os olhos devagar, tentando acostumar com a claridade. Eles ardem por causa da luz e me cegam para identificar onde estou. Sinto algo encostado ao meu lado e vejo Lucy dormindo enrolada. Abro um sorriso idiota ao vê-la assim. Ela é linda.

Acaricio seu rosto de leve para não acordá-la, e afasto os fios rebeldes. Os cantos de sua boca se curvam levemente para cima, me fazendo sorrir também. Então me dou conta de algo.

Está claro demais.

Pego meu celular na cômoda ao lado de forma desesperada.

Onze horas.

O que? — grito inconformado. Meu pai vai me matar — Lucy, Lucy, Lucy, Lucy, Lucy — repito inúmeras vezes, chacoalhando ela de um lado para o outro.

— Hum — resmungou, abrindo os olhos devagar — Para com isso, Virgo. Que coisa chata — murmurou irritada até me ver — Ai meu Kami! — grita, sentando-se em um impulso — Por que você está no meu quarto? Diga que não fiz nada de errado ontem à noite. Eu sabia que tinha algo estranho, aliás quando estou dormindo, eu...

Então começou a tagarelar milhões de coisas sem sentido algum e de forma rápida. Essa garota tem problema.

Lucy, dá para ficar quieta? — falo em um tom mais alto e ela para.

Melhor assim. Como ela pode falar tanto de manhã? Enquanto ela olha para os lados para identificar onde está, eu me levanto para arrumar minhas coisas.

— Ah é, viemos fazer a entrevista — finalmente conclui e depois me olha desesperada — Que horas são?

— Onze — respondo de forma simplificada, já aguardando seu desespero.

Conhecendo seu jeito escandaloso de ser.

O QUEEEE? — grita, levantando-se ainda mais rápido do que se sentou — Sabia que coisas ruins aconteceriam se eu ficasse perto de você por muito tempo — continuou a falar, pegando sua bolsa de forma desastrada.

Dou risada, olhando para ela.

— Desculpe ser seu aza... — começo a brincar, mas vejo algo cair de sua bolsa.

Era uma foto nossa.

Ela olhou para o chão no mesmo instante que eu ao reparar que parei de falar. É nossa primeira foto juntos. Lucy paralisou por alguns instantes até me olhar. Continuamos assim sem saber o que dizer. Por que tem uma foto nossa na bolsa dela?

Não queria estar esperançoso. Não queria nem sentir isso. Eu quero tanto saber. Mas preciso queimar esse silêncio.

— Você sente tanta a minha falta que carrega uma foto nossa na sua bolsa? — pergunto com meu jeito convencido.

Ela ruboriza rapidamente, provavelmente querendo sair correndo dessa situação.

— Não... é que... hm... — sussurra palavras sem coerência, perdida — Claro que não — responde em um súbito — Essa foto é só para... hm... eu queimar!

Hã?

— Queimar? — repito, arqueando as sobrancelhas.

— É — responde nervosa, pegando a foto do chão — Porque... porque não preciso mais dela agora, certo? — disse com a voz trêmula.

Então sinto as batidas no meu coração falharem quando ela rasga a foto na minha frente. Não sei explicar a sensação. Eu esperava que ela ficasse vermelha e depois me batesse, mas não isso. Tento ao máximo ignorar o quanto isso foi... surreal. E também não demonstrar o quão pasmo eu havia ficado.

— Ah... eu vou... devolver a chave — digo, desviando o olhar daquela cena e saindo do quarto.

Droga Lucy, não posso ficar perto de você.

—♥—

Lucy

Vejo ele saindo do quarto e sinto meu coração em pedaços. Pego a foto em minhas mãos, pegando minha bolsa e tirando uma fita. Não tenho cópia dessa foto. A vontade de chorar me atinge de novo, enquanto tento remendar as partes. O que foi que eu fiz? Tentando demonstrar que a gente é passado, sabendo que para isso teria que arrancar parte de mim mesma? Olho para a foto remendada. Foi ele quem me deu essa foto. Talvez tenha sido um erro guardar isso, mas é assim ruim, querer lembrar de quão amigos éramos?

— Vamos?

Assusto ao ouvir sua voz. Vejo ele encostado na porta de braços cruzados, olhando para mim, agachada no chão. Escondo a foto discretamente em minha bolsa e me levanto.

— Vamos — respondo com a voz fraca.

Quando saio, me surpreendo com o dia lindo que nos recebe. Depois de tanta chuva, o céu está tão azul e radiante quanto um dia de verão. O vento não está tão gélido, está perfeito para ser sentido. Fecho os olhos para sentir a brisa melhor. Então escuto Natsu rindo, me fazendo abrir os olhos e o olhar diretamente.

— O que? — pergunto corada e emburrada.

— Está querendo voar? — fala, imitando a forma como eu estava.

Idiota.

— Cala a boca — replico, cruzando os braços.

Ele ri ainda mais.

— Brincadeira, brincadeira — fala sem parar de rir — Pode tentar voar a vontade aí, é bem engraçado.

— Me deixa em paz — digo, entrando no carro.

Ele entra do outro lado, e depois que fecha a porta, fica me olhando com cara de deboche. Sinto vontade de pular nele.

— Por que implica tanto comigo? — murmuro irritada.

— Queria saber também — sussurra.

Olho para ele, curiosa, mas ele já estava concentrado em tirar o carro dali. A expressão de sarcasmo havia deixado seu rosto. E meu coração acelerou inutilmente. Da mesma forma que ele sempre faz acontecer.

Permanecemos em silêncio por boa parte do caminho. Isso tudo é tão estranho. Às vezes quando reflito sobre o nosso histórico, fico pasma pelas idas e vindas. Fomos melhores amigos, “namoramos”, ficamos separados por mais de dois anos, então nos reencontramos e nunca mais nos resolvemos. Será que ele ainda sente algo por mim? Queria não querer saber tanto assim. Foi ele quem colocou o ponto final na nossa história, e acho que sou a única que ainda insiste com isso.

Será que ele ficou triste pela foto? Foi ele quem me deu. E apesar de não estarmos juntos, aquela foto representava nossa amizade. Droga. Eu estou triste.

— Ei Lucy — chama minha atenção sem deixar de olhar para frente.

— Hum? — levanto a cabeça para olhá-lo.

— Está com fome? — pergunta de sua maneira tranquila. Fico imaginando aonde essa pergunta irá nos levar, mas assinto com a cabeça. Ele ri — Será mais fácil de você dizer em voz alta.

Dou risada também.

— Sim, estou com fome — afirmo em alto e bom tom.

— Ótimo — diz, desviando do caminho de nossas casas.

Não consigo deixar de me sentir feliz. Estar com ele é sempre bom e surpreendente. E isso só torna mais difícil pôr um fim nisso tudo...

—♥—

Depois de passarmos por diversas arvores e paisagens maravilhosas, entramos em um belo restaurante, do qual eu nem sabia da existência. Estamos mesmo em Magnólia? Existem paisagens bonitas aqui? Se for, fica bem afastado da cidade e perto de um lago maravilhoso cercado por árvores. Também há um cercado com cavalos ao lado do estacionamento. Esse lugar é incrível.

— Não sabia que existia um restaurante assim — digo ao descer do carro e olhar para toda aquela paisagem, maravilhada.

— Meu pai costumava nos trazer aqui — responde sorrindo.

Saímos do estacionamento e entramos em uma cabana, fechada por vidros para não se perder a paisagem. Não é nada tão elegante, mas passa uma sensação de conforto incomum. Talvez sejam as mesas de vidro, as cadeiras de madeiras estofadas, ou a parte de fora com vista para o lago. Não sei, mas tudo neste lugar parece ter saído de um filme.

Acompanho Natsu que escolhe as mesas de fora. Elas ficam em uma sacada acima do lago e para mim, é mesmo o melhor lugar a se sentar. Nas mesas há pratos de porcelana, taças, talheres e guardanapos, tudo organizado para se esperar pelos clientes.

— A vista é linda aqui — comento ao me apoiar na mesa e olhar para o lago tão próximo.

Vejo alguns patos nadando ali perto e aponto para eles como se nunca tivesse visto um na vida. Estive tão cercada por ruas, prédios e pessoas que não imaginei que seria tão bom sair um pouco dessa rotina.

— Que bom que gostou — sorri — É bem fácil te agradar, na verdade — fala rindo.

Olho para ele em dúvida se está tirando sarro de mim ou não, mas resolvo rir também. Eu sei que é verdade.

— Mentira! — digo como se estivesse ofendida, mas continuo a rir.

— Se alguém te der um pedaço de papel parece que você ganhou um celular novo — brinca.

— Ei, não é para tanto! — arqueio as sobrancelhas.

Não durei muito tempo em minha pose, logo estávamos rindo despreocupadamente. Só paramos ao ver a garçonete do local se aproximar de nossa mesa.

— Natsu! — fala com um sorriso encantador — Quanto tempo não te vejo por aqui.

Ela tem cabelos pretos longos, um olhar esperto e conhece Natsu.

— Oi Harumi — cumprimenta, sorrindo — Verdade, faz algum tempo.

— Ainda come o mesmo de sempre? — pergunta animada.

Ele ri, enquanto eu continuo olhando para os dois sem entender nada.

— Claro, pede para ela também — fala, apontando para mim.

Continuei sorrindo sem saber o que fazer, tentando fingir que estava entendendo alguma coisa do que estava rolando por ali. Fiquei super feliz por nem ter chance de ver o cardápio, mas acontece.

— Tudo bem — responde, anotando em sua caderneta — Já venho.

Assim que ela se retirou, Natsu voltou sua atenção para mim. Provavelmente eu esteja olhando para ele com indignação, porque ele arqueou as sobrancelhas.

— O que é? — pergunta de sua forma chata e implicante de sempre.

— “Pede para ela também”? — questiono, imitando sua voz da pior maneira possível — Obrigada por me deixar escolha.

Fico ainda mais pasma, por mesmo estar lhe lançando um olhar mortal e estar de braços cruzados, ele começa a rir.

— Para de drama, você vai gostar. Se não fosse bom, não pediria para mim também — argumenta, jogando-se para trás — Além disso, como eu já disse, você gosta de qualquer coisa.

Sim, eu gosto de você, imbecil.

Tusso com meus próprios pensamentos. É claro que eu não diria isso, não agora que parece estarmos bem. Então apenas suspirei, me dando por vencida. Querendo ou não, ele tem razão. Eu gosto de qualquer coisa. Queria não deixar isso tão claro.

— Meu pai vai me matar — murmuro após alguns segundos de silêncio.

Eu havia esquecido desse detalhe. Eu saí de madrugada alegando fazer um trabalho de faculdade, brigo com ele e não volto para casa. Esperta.

— O meu também — fala, torturando-se mentalmente.

Olhamos um para o outro, cada um pensando no que o aguarda. As consequências da porcaria da falta de energia.

— Pelo menos, vamos morrer juntos, né? — diz, sorrindo.

Sinto meu rosto avermelhar na mesma hora. E talvez isso tenha feito ele se dar conta do que acabara de dizer.

— Não — tenta concertar — Quero dizer, melhor do que sozinhos e algo do tipo — continua sem muito sucesso.

Tarde demais para remendos, Natsu. Porque nesse instante meu coração já está acelerado e me odeio por isso. Poxa, ele só disse uma frase estranha sem querer e eu já fico assim? Que porcaria.

Ficamos ali, nos entreolhando por um tempo. Sem graça. Esse silêncio permaneceu até a chegada da comida, quando eu finalmente pude descobrir o que era o de sempre. “Harumi” aparece com uma barca linda, repleta de sushis de todos os tipos e gostos. Há uma vela acesa ao lado e alguns corações repicados que me deixaram um pouco constrangida. Ela pôs em cima da mesa e nos olhou com um sorriso de ponta a ponta.

— Como vocês fazem um casal muito lindo, a mamãe e eu resolvemos juntar os pedidos em um só e fazer uma surpresa — conta animada, esperando nossas reações.

Troco um olhar rápido com Natsu, pensando se isso poderia ter sido combinado antes. Mas seu olhar confuso me dizer que não. Ok. É mesmo lindo e romântico, só faltou o fato de sermos um casal, pois não somos. Deve ser isso que Natsu reluta tanto em dizer ao ver o esforço da garota.

— Ah... obrigado — responde por fim, sorrindo até ela se afastar.

Depois seu sorriso se desfaz, parecendo um pouco sem graça e corado. Essa deve ser uma das poucas vezes que o vi corado. E ele fica tão fofo assim.

Hã? No que diabos estou pensando?

— Parece... bom — fala pausadamente, desviando o olhar e claro, o assunto.

— Sim, realmente — concordo rapidamente para espantar esse ar esquisito entre nós.

— Então... vamos comer.

— É, acho que devemos.

Parecemos dois robôs. Que horror.

Mesmo assim, deixamos a esquisitice de lado e começamos a comer. Tudo estava mesmo maravilhoso. Amei cada sushi, a textura, o tempero, está tudo delicioso assim como aparenta. Amei esse lugar com uma paisagem tão livre e refrescante. E amei... a companhia de Natsu. Infelizmente.

— Vem comida demais — suspiro, sentindo-me satisfeita.

— Então me passa sua parte — resolve, ainda comendo.

— Para onde vai isso tudo? — surpreendo-me pelo tamanho de seu estomago.

Isso não é normal. Fiquei ali tagarelando sozinha, enquanto ele acaba a parte dele e ainda come a minha. Natsu deve gostar mesmo daqui. Demora apenas alguns minutos para ele finalmente encher.

— Ah! Estou satisfeito! — espreguiça-se, parecendo muito feliz.

— Até que enfim — murmuro.

Ele começa a rir.

— Existe algo melhor do que comer? — pergunta ingenuamente.

Natsu é bem inocente quanto quer. Ao ver minha expressão sarcástica, ele pareceu pensar em sua própria pergunta.

— No sentido real da pergunta, por favor — completa e depois pensa por mais alguns minutos — Quero dizer, no outro sentido é ótimo também — fala, rindo — Esquece tudo o que eu falei — desiste de tentar explicar alguma coisa.

Fico olhando para ele, perplexa e começo a rir de suas tentativas falhadas.

— Você realmente não pensa no que diz.

Tento acabar com o restante do meu suco, enquanto ele se remexia na cadeira. Parece querer dizer algo, mas depois desiste e volta a bater os dedos na mesa, o que faz quando está muito nervoso. Faz algumas caretas enquanto pensa, e reparo que pensar não é o forte dele. Continuo ali, olhando sua tortura mental, e imaginando sobre o que seria.

— Lucy — chama, sério.

— Hum?

— Desculpa... por ter gritado com você aquele dia — pede sem me olhar.

Paro de beber no mesmo segundo, surpreendida por suas palavras. Vou deixando o copo em cima da mesa para não ter perigo e continuo a olhá-lo, esperando alguma explicação para uma frase tão repentina.

— Quero dizer — fala, brincando com seus dedos acima da mesa — Você é importante para mim... de alguma forma sobrenatural — comenta, rindo — E não quero que fique um clima estranho entre a gente.

Seu olhar finalmente para sobre o meu. Sinto todo meu corpo paralisado com suas palavras. Sou importante para ele? Não sei o que dizer e sinto minhas mãos tremerem em meu colo.

— Acho que já estou criando um clima estranho apenas por dizer isso, né? — esboça um sorriso — Só queria... será que... podemos apenas voltar à estaca zero de três anos atrás? Como se nada tivesse acontecido?

Olho para ele, entendo a intensidade desse pedido. Como se nada tivesse acontecido? O grande problema... é que aconteceu. Mas sei que ele tem razão. Não podemos continuar estranhos para sempre. Ele era meu melhor amigo afinal, e não quero perde-lo por causa de erros tolos.

— C-claro — respondo nervosa — Já me sinto assim — abro um sorriso tímido.

Porque sei que não é verdade.

— Me sinto melhor assim — sorri também — Vamos?

— Vamos.

Nos levantamos e adentramos novamente a cabana para ir ao caixa. Harumi logo aparece, enquanto busco meu cartão de crédito na bolsa. Que droga de bolsa gigante. Por que deixo as coisas soltas?

— Pode passar tudo aqui — Escuto Natsu dizer, estendendo seu cartão.

Tento resistir, mas já era. Sendo cavalheiro? Não queria ter gostado tanto disso, mas é. Ele é um maldito.

— Obrigada — agradeço com um sorriso e ele pisca para mim.

Sinto meu corpo derreter com esse ato. Ele diz para sermos amigos e fica com essas ladainhas? Droga. Pare de bater mais rápido por ele, coração! Pare! Antes que se machuque de novo.

Harumi nos acompanha até a saída, sorrindo para nós.

— Obrigada por terem vindo. Sua namorada é linda, Natsu!

Agora sim meu rosto deve parecer um tomate completo. Sentindo um desespero crescer dentro de mim, pensando se devo ou não dizer algo sobre isso.

— Ela é mesmo — Natsu responde, dando tchau para sua conhecida.

Não consigo pensar em nada para dizer. Apenas olhei para ele, surpresa. Minha respiração chegou a falhar ao ouvir sua fala. “Ela é mesmo”?. Provavelmente foi para não envergonhar a Harumi por ter confundido as coisas... certo?

Entramos no carro e tomamos a estrada novamente. Natsu ficou me perturbando o caminho inteiro, falamos sobre nossas histórias do Ensino Médio, deixando de lado a parte que ferramos com tudo. Ouvimos música e até tentamos cantar. Demos muitas risadas. E está tudo sendo como se nada tivesse mesmo acontecido. Mesmo que por dentro, eu nunca seja capaz de apagar nossa história, por mais problemática que ela seja.

—♥—

Natsu

Deixo Lucy na casa ao lado e vou para minha. Jogo a mochila em minha cama, me atirando junto. Já estou mesmo atrasado, então não deve haver problema atrasar ainda mais. Talvez seja melhor eu tomar um banho antes de ir. Suspiro fundo, cansado com todas as situações que me expus desde ontem.

Força, Natsu.

Levanto em um pulo e vou até meu guarda roupa pegar algumas trocas. Quando o abro, algo me chama a atenção. Meu caderno de Ensino Médio. Abro a capa e encontro a foto que Lucy colou ali. Olho fixamente para aquela foto, lembrando do motivo de ter mantido aquele caderno guardado.

Acho que não vai ser tão fácil assim... te esquecer, Lucy.

Notas finais
Então meus anjos, o que acharam? (; Sinto muito meus leitores pervertidos, não houve hentai, terão que esperar! KKKKKKKKKK Espero vocês nas reviews ♥ Ps. gostaram da nova capa? *0* Sinceros por favor. Ps. Pelamordedeus alguém me ensina a por imagem nesse negócio T_T