Destino
1 único
Sanji não conseguia entender por que aquele marimo idiota aparecia do nada no seu caminho. E era sempre ao acaso ou quando Zoro (mais precisamente) se perdia. O pior de tudo era que na maioria das vezes ele estava metido em alguma confusão e algo sobrenatural fazia Sanji se envolver.
Uma vez teve que pagar a conta dele numa lanchonete porque havia esquecido a carteira. Sanji nem ao menos o acompanhava naquela tarde, mas pagou tudo como se estivessem num encontro.
Outra vez teve que ajudá-lo a encontrar um garotinho. Sanji voltava do restaurante que trabalhava como estagiário e encontrou um Zoro mais perdido que o de costume, vagando pelas ruas do bairro. Estava branco feito assombração quando lhe disse que a criança que tomava conta havia fugido de casa.
— Meu Deus, marimo! Por que você está tomando conta de uma criança?!
— Eu sou a babá.
— Acho que não entendeu minha pergunta, o que quero dizer é por que você acha que pode cuidar de uma criança se não sabe nem cuidar de você mesmo?
— Cala a boca e me ajuda, por favor.
Nunca esqueceu daquele "por favor", saiu triste e sentiu pena. Suspirou, não tinha como ignorar aquela situação. Afinal, se tratava de uma criança perdida pela noite.
E com as coisas resolvidas, Zoro sempre dizia no final "Você é um cara legal!"
Não eram amigos, nem estudavam na mesma escola e muito menos vizinhos. Sanji sabia quase nada sobre Zoro, na verdade só sabia que era burro e que não tinha senso de direção. Sempre o encontrava perdido na rua como na noite que resolveu ser babá ou em alguma confusão, a última apanhou junto dele de uns valentões da sua escola.
— Você é bem intrometido, hein?!
Foi o que Zoro disse quando viu Sanji surrado que nem ele. Sanji praguejou o idiota, pois preferiu arrumar uma justificativa do que agradecer por tê-lo tirado da briga ou pedir desculpas por lhe ter colocado na mesma.
— Você que é o intrometido aqui!!! Eu estava de passagem quando você apontou pra mim e esses brutamontes vieram atrás de mim! Para de se meter no meu caminho!!
Zoro estalou a língua com desprezo, achava Sanji muito nervosinho (além de bonitinho), não se esbarrava nele tanto assim. É... certo?!
Nem ele mesmo se convencia disso.
Uma vez passaram-se 7 dias e Sanji não encontrou Zoro em nenhum lugar. Andava numa rua, voltando da escola e se sentindo preocupado. Será que ele morreu?! Sabe, um ônibus podia pegá-lo a qualquer hora, às vezes Sanji segurava sua mão para atravessar uma rua. Mas pensou em algo que não admitia ser pior... Zoro poderia estar fazendo o que tanto pedia.
"Pare de cruzar o meu caminho!"
É, devia ser isso e não tinha por que se preocupar. Afinal, era o que queria, certo? O marimo era só um desconhecido. Ou pelo menos gostava de pensar assim, porque Sanji sentia que tinha mais intimidade com ele do que com os seus amigos na escola.
"Você é um cara legal".
7 dias sem ouvir isso.
Quando Sanji se deu conta, desviou da rota para sua casa e passou a andar aleatoriamente atrás do marimo. Fez mais de uma hora e não conseguiu achá-lo, mas se lembrou do garotinho que Zoro tomou conta. Sabia o endereço de onde morava porque, quando o acharam, Sanji acompanhou os dois até a casa dele.
Ao chegar na residência do garotinho chamado Momonosuke, Sanji perguntou aos pais o endereço da babá chamada marimo.
— Marimo?
— Opa, eu quis dizer Zoro.
Obviamente, eles não o chamavam de marimo. Esse era um apelido exclusivo de Sanji, e ele estranhou muito quando disse o nome dele.
Zoro nunca se apresentou apropriadamente, com o tempo cada um ficou sabendo do nome do outro. Sanji soube quando uma senhora corria atrás dele com uma vassoura em mãos "Zoro, maldito, venha cá pra enfiar isso na sua bunda!!".
Já Zoro soube do dele, quando assinou seu nome para participar de uma rifa que o marimo estava organizando.
— O seu nome é "Sanji"?
— Ora, você sabe ler.
— Tomar no cu, sobrancelha enrolada!!!
"Sobrancelha enrolada" ele continuou o chamando disso mesmo sabendo seu nome. Deu de ombros, Sanji também continuou o chamando de marimo.
Chegou no endereço e resolveu tocar a campainha, o rosto de Sanji começava a se esquentar, pensando em qual desculpa dar para estar ali. A porta foi aberta pelo marimo, que pestanejou os olhos confusos. Pensou se estava vendo coisas.
— Sobrancelha enrolada?
Sanji fitava o chão quando ouviu sua voz (que pareceu até agradável para os seus ouvidos), mas levantou o olhar para fitá-lo.
— Que bom que está vivo.
Zoro fez uma cruz em gesto.
— Cruz credo, por que estaria morto?!
— Um ônibus podia... ei, me convida pra entrar.
Zoro o encarou em silêncio e não deu passagem.
— Por que está aqui? Pensei que não queria mais me ver.
Sanji rosnou com o tom debochado do marimo e chutou a porta pra não chutar a cara dele.
— É... você é burro? Que tipo de amigo pede isso ao seu amigo?
Seu rosto estava vermelho, a sola do tênis ainda na porta e Zoro riu, deixando-o mais constrangido.
— Sabia que era um cara legal.
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