Destino
2 Início das dores
Notas iniciais
São três da manhã, pensa Guilherme ao ver a tela do seu celular, preso no suporte no para brisa do carro, involuntariamente ele boceja sem emitir som, ele coloca uma mão na boca e depois retorna a mão ao volante, sem fazer barulho, para não acordar sua esposa, que está no carona e seu pequeno filho que dorme todo torto na cadeira infantil.
— Como ele consegue dormir assim, só de ver já sinto dores. — Falando consigo mesmo, Guilherme observa seu filho pelo retrovisor e acha graça. A visão de paz do seu filho dormindo deu ânimo para continuar a viagem, ele estava dirigindo a algumas horas, depois de um final de semana bem agitado o cansaço batia forte, seus olhos estavam pesados, quando ele passa pela placa informando que a 100 metros a direita é a entrada para Estrada do campinho e seguindo em frente outra placa informa: Madureira ou Centro do Rio.
— Mais uma hora no máximo estaremos em casa. — Sussurrou novamente Guilherme.
A Avenida Brasil neste trajeto é escura e pessimamente mal iluminada, passando por várias áreas que estão em escuridão total. Guilherme segue o seu caminho, quando é despertado de seus pensamentos pelo ronco alto de sua mulher, ele olha rir.
— Descansa meu amor, esse fim de semana foi ótimo na casa dos meus amigos. Nós estamos passando por uma crise mais eu sei que você me ama e eu vou te amar até que a morte nos separe.
Guilherme retorna atenção para estrada, mais o silêncio da madrugada, o vento gélido da noite, que adentra pela pequena fresta da janela do motorista, os poucos carros que passam ao seu lado o som do carro na estrada, como uma pequena sinfonia, uma trilha sonora que acalenta o seu ser sozinho na escuridão da estrada e na quietude do interior do carro. Todos esses fatores só ajudam a aumentar o seu sono. O sono e impiedoso como um gladiador e Guilherme está perdendo esta batalha, sua cabeça balança quase como um pendulo indo para frente e ele se esforçando para trazer a cabeça para trás e manter os olhos abertos, em um balé perigoso, que ele luta contra, mais sua cabeça parece ter vida própria.
— Senhor me ajuda a ficar acordado. Pede em oração, quase uma lamentação implorando ajuda divina, seus olhos cruzam com o seu filho dormindo pelo retrovisor e usando o restante da sua força de vontade ele mantém a cabeça ereta e olhos abertos, neste instante vê ao longe os raios serpenteando o céu e iluminar as nuvens, criando um contraste de luz e trevas no céu negro como breu. Um forte trovão ecoa de forma tão repentina e barulhenta como uma enorme explosão. O estrondo foi tão repentino que Guilherme leva um grande susto, seu coração acelera a mil, a adrenalina vai as alturas.
— Obrigado Senhor! Eu pedi, pelo menos serviu para despertar. Pensa Guilherme, com as batidas do coração a mil. Olhando para o lado sua esposa resmunga algo e volta a dormir e ao olhar pelo retrovisor seu filho continua dormindo o sono dos justos, um sorriso surge em seu rosto involuntariamente, seu filho sua grande e maior alegria, seu orgulho.
— "É pensar que ele irá completar cinco anos daqui a quinze dias. Nossa como o tempo voa, mais parece que foi ontem que eu descobrir que seria pai, as manhãs acordando todo dolorido por não mover um músculo, com medo de acertar a barriga dela ou na hora do parto segurando as calças para não cair, pois estava usando dois números acima do meu, já que não tinha o meu tamanho ou mesmo de pegá-lo pela primeira vez e carregá-lo, aquela bolinha de carne que cabia na palma das minhas mãos, leva-lo para enfermaria do hospital, com todo o cuidado do mundo com medo de cair ou de escorregar enquanto estivesse carregando-o". — Tantas lembranças pensa Guilherme com um sorriso bobo no rosto, aos poucos o susto foi passando e as batidas do seu coração normalizando. Sua mente divaga e a chuva começa a cair de forma forte e impiedosa, Guilherme diminui a velocidade para evitar acidentes. A chuva fica mais forte e a pouca iluminação da estrada que existia apagou de vez.
— Putz! Era só o que faltava. — Resmunga Guilherme.
A chuva cai impiedosa e a água bate tão forte no para-brisa que dá a impressão que estão atirando baldes d'água, algumas gotas geladas entram pela fresta da janela atingindo seu rosto e seu pescoço fazendo Guilherme se arrepiar todo, em contrapartida acabou ajudando-o a ficar acordado. Guilherme volta a olhar para a esposa e tira o cabelo de seu rosto, seus lindos cabelos negros, agora lisos, ela acorda, olha para ele com um olhar carinhoso.
— Onde estamos? — Pergunta Emanuela ainda sonolenta.
— Estamos passando por Campo Grande mais uma hora e estaremos em casa.
— Desculpa meu amor, sei que ando muito estressada nos últimos dias e não fui a melhor esposa neste fim de semana, mais prometo que amanhã tudo será diferente. — Emanuela pega seu celular ver seu WhatsApp, digita algo vira para o lado e volta a dormir. Guilherme olha e a observar.
— "Como eu te amo. O que seria da minha vida sem você?" — Pensa ele. Sua mente viaja para a época que ele participava do grupo jovem na igreja.
Macaé – 12 de julho de 2002
Teatro municipal de Macaé, era a primeira vez que Guilherme ia no encontro nacional de Jovens da igreja, era um momento único onde era possível conhecer jovens de todo o Brasil, ver os novos talentos, fazer amizades e encontrar com amigos que ele só falava por telefone ou internet quando dava. Embora ele tivesse computador a maioria de seus amigos não, as vezes eles marcavam para jogar online utilizando alguma lan house, mais como era uma diversão cara para a maioria de seus amigos não dava para eles fazerem sempre. Guilherme estava na arquibancada vendo a apresentação das bandas de diversas igrejas, quando iniciou a apresentação dos grupos coreográficos entra o grupo jovem da baixada fluminense, foi quando ele a viu pela primeira vez, a beleza de Emanuela o deixou sem palavras seus lindos cabelos negros ondulados, sua pele morena que brilhava como se ela tivesse acabado de se bronzear e seus lindo olhos verdes esmeralda. Seus movimentos pareciam ser realizados em câmera lenta, a beleza e suavidade de cada passo o deixaram de boca aberta, era como observar um pendulo de um hipnotizador, o tempo parou para Guilherme, naquele momento era como se toda a plateia tivesse sumido ele não ouvia nenhum som, ao seu redor só existia ele o observador e ela. Do alto da arquibancada ao olhar para ela e sua dança, Guilherme imaginava ser o próprio Zeus observando as oferendas da Musa Terpsícore*
— Não baba não meu amigo. Falou Dinho batendo no queixo de Guilherme fechando a sua boca.
De forma abrupta Guilherme foi retirado dos seus devaneios voltando a realidade ao lado de seus amigos.
— Não enche, pela saco. — Retrucou Guilherme, tirando a mão de Dinho do seu queixo.
— Qual é meu irmão, tá apaixonadozinho? — Falou Dinho, colocando as mãos na cintura e fazendo pose e mexendo a cintura como se fosse uma senhora, Cris, Pipoca e negão começaram a rir.
Dinho era o palhaço do grupo o showman, conseguia fazer graça com tudo, era impossível não rir em sua presença. Não tinha um que não gostasse dele, era um sucesso com as garotas, com jovens, com as crianças e até os mais velhos gostavam dele. O verdadeiro amigo da vizinhança. Por sua vez Guilherme era quase a sua contrapartida, extremamente tímido, grande dificuldade de dizer não, um sonhador, era normal encontrar ele com olhar vazio para o nada dormindo acordado, seus amigos pegavam muito no seu pé por causa das suas viagens fantásticas, embora fosse totalmente passivo, era um bom amigo o tipo de cara que você pode contar sempre. Mais isso não impedia que todos aprontassem com ele. Talvez por isso eles se davam tão bem.
Guilherme olhava para ele e tentava segurar o riso. Negão ficou ajoelhado como se fosse pedir a mão de Guilherme em casamento e começou a cantar com a voz bem fina parecendo uma mulher:
"Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar de encontro ao vento
Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
Te encontrar num sonho lindo
Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido..."**
Guilherme ficou vermelho como tomate. Logo todos estavam prestando atenção aquele grupo de amigos tão escandalosos e devido a algazarra que eles estavam fazendo todos começaram a se interessar no que ocorria ali. Negão continuou cantando até ter a boca fechada por Guilherme que de tanta vergonha seu rosto faltava pegar fogo. Negão era o cantor do grupo, ele costumava falar que a vida seria muito mais legal se tivesse trilha sonora, toda a sua família trabalha com música ele vive musica dia e noite, sua mente parecia uma enorme jukebox, ele sempre tinha a música certa para cada situação.
— Chega Negão! Ela é bonita mesmo. Pronto acabou a....
— Quer conhecer? — Falou Dinho, interrompendo Guilherme e apontado para a menina.
— Não! Sim! Quero dizer. Calma aí, não é assim. — Falou Guilherme de forma indecisa e temerosa, com Dinho. Ele queria mesmo era dar um fora e acabar com toda aquela palhaçada para encerrar logo o assunto.
— Chega! Parou! Está decidido! Vamos te apresentar. — Disse Dinho batendo no peito e fazendo pose apontando para a dançarina. Guilherme arregalou os olhos espantado ele não esperava essa reação de Dinho. Veio em sua mente outras ocasiões que Dinho o fez passar vergonha. Tudo que Guilherme gostaria agora era que o chão se abrisse e traga-se ele.
— Ferrou congelou de novo. — Falou Dinho cutucando a testa dele.
— Hoje ele está dando Tilt*** , direto. — Comentou Chris com negão.
— Você conhece ela? — Questionou Guilherme, retornando de seus pensamentos.
— Não! Nunca vi na vida. Mais é daí? Isso é fácil de resolver.
Então durante esse momento de calmaria Negão, aproveita que a mão de Guilherme não está mais em sua boca e volta a cantar com a voz mais fina e feminina que ele consegue imitar.
"Eu só quero você
E mais nada
Eu só quero você
E mais nada..."****
— Pessoal vocês já estão exagerando, olha a pagação de mico. — Falou pipoca o mais sensato do grupo. Todos falavam que ele tinha espirito de velho. Mais todos ouviam ele, mesmo que fosse para zoar. Pipoca era o cara que sempre que alguém contava alguma história ele já tinha passado por algo igual ou parecido, ou ele conhecia alguém, ou alguém que conhecia alguém que já tinha acontecido o mesmo.
Rapidamente Negão muda a música, coloca a mão na boca como se estivesse segurando um trompete e começa a emitir o som como se realmente estivesse tocando um. Negão parecia o Cadete Larvelle Jones***** , além de ótimo cantor ele conseguia imitar uma variedade quase infinita de pessoas, sons ou animais.
De repente Dinho, Negão e Chris começaram a rodar Guilherme e a cantar em uníssono:
"Mina,
Seus cabelo é "da hora",
Seu corpão violão,
Meu docinho de coco,
Tá me deixando louco..."******
Todos que estavam ao redor deles aderiram a cantoria e começaram a cantar com o grupo de amigos. Em pouco tempo todo o teatro cantava junto. A situação se tornava cada vez mais inusitada. Guilherme já não tinha mais reação seu rosto já estava incandescente e o suor brotava de seus poros ele parecia que ia se liquefazer devido a tamanha vergonha e nervosismo que estava passando.
— Solicito aos jovens na arquibancada silêncio para prosseguirmos com a apresentação dos grupos. — Ecoou a voz do apresentador do evento pelo auto falante.
Um silencio mórbido surgiu no local, seria possível ouvir o som de um alfinete atingindo o chão.
— PAREI! PAREI! PAREI! — Grita Dinho, enquanto levanta os braços balançando, respondendo ao apresentador.
— Tinha que ser você Dinho! Falou o apresentador.
— Sr. Geraldo! Saudades do senhor. — Fala Dinho abrindo os braços como se fosse abraça-lo.
Sr. Geraldo era velho conhecido de Dinho e seus amigos. Um senhor caucasiano com seus cinquenta e muitos anos, gente boa, sempre foi um grande conselheiro da juventude, ótimo contador de história e causos dos seus tempos de missionário.
— Vocês poderiam, encarecidamente deixar a programação seguir sem maiores incidentes.
— Mais é claro Sr. Geraldo, mais antes o Sr. poderia perguntar para a nossa amiga da cor do pecado ai da coreografia o nome dela?
— Por que você não faz essa pergunta pessoalmente a ela depois da apresentação.
— Poxa Sr. Geraldo dá uma ajuda aí. Não é para mim e sim para o Guilherme sabe como ele é? Ajuda nós.
— Por favor minha Jovem, pode responder, senão ele vai fazer algo louco novamente. — Falou Sr. Geraldo com a jovem dançarina. Ela pega o microfone da mão do Sr. Geraldo e responde:
— Meu nome é Emanuela.
— Obrigado! E que nosso amigo aqui. — Dinho agarra Guilherme pelo pescoço quase uma gravata, para impedir que ele fuja.
— Como estava dizendo nosso amigo aqui está apaixonado por você acho que é amor à primeira vista, ele só precisa saber se você está solteira e se ele tem alguma chance com você.
— Todos prestavam atenção naquele momento, Sr. Geraldo pega o microfone.
— Está bom chega, está passando dos limites, vamos todos voltar para seus lugares e continuar a programação.
— Calma ai Sr. Geraldo! Deixa ela responder. — Pediu Dinho.
Todo o público aderiu a suplica de Dinho, e começaram a gritar e a bater palmas:
— DEIXA, DEIXA, DEIXA, DEIXA, DEIXA!!!
— Não precisa responder se não quiser. — Falou o Sr. Geraldo para Emanuela.
Ela não sabia ao certo que fazer, ela olhou para suas amigas que a incentivavam para dizer sim, todo o público gritando para ela responder. Emanuela não era do tipo que se envergonhava mais ali naquela situação com centenas de pessoas olhando para ela. Seus olham para esse garoto louco que movimentou toda essa bagunça e olham para Guilherme, seus olhares se cruzam pela primeira vez. Emanuela pega o microfone novamente e o silencio impera mais uma vez no teatro. Guilherme engole a saliva mais parecia estar engolindo uma enorme pedra, suas mãos estão extremamente molhadas de suor. Já passava mil coisas pela sua cabeça. "Como eu fui parar aqui? Vou tomar o maior toco da história! Vão lembrar para sempre desse fora. Vou ser conhecido como o cara que tomou o fora na frente de um milhão de pessoas. "
— Estou solteira! Mais prefiro conversar diretamente com ele, sem público depois da apresentação.
— Meus Deus não acredito! — Balbuciou Guilherme.
— Nem eu! — Falou pipoca.
Todos comentavam ela aceitou, caraca ela aceitou e o publicou explodiu em aplausos e gritos.
— Satisfeito Sr. Dinho, posso dar continuidade a programação ou o Sr. vai ser o cupido de mais alguém?
— Valeu! Valeu! Te amo Sr.Geraldo. — Gritou Dinho. Sr. Geraldo deu continuidade a apresentação.
Guilherme foi caminhando com cara de bobo e um sorriso que não saia de seu rosto. Algumas pessoas gritavam:
— Vai garanhão.
— Aahhhh! Eu queria um gatinho desses para mim.
— O que aquela gata viu nesse mongoloide.
Guilherme esperou no corredor que ia para o palco, quando ela veio na sua direção.
— Oi eu sou Emanuela, qual é o seu nome?
VROOOOOOOOOMMMMMMMMMMMMM!
Fez o carro passando por eles dando ré, a situação foi tão repentina que Guilherme pisou no freio com toda força para evitar bater.
— QUE FOI TÁ MALUCO, NEM DIRIGIR VOCÊ SABE MAIS. — Gritou Emanuela depois que seu corpo foi jogado para frente e o movimento e parado pelo cinto de segurança.
Guilherme tenta manter a direção do carro que desliza na pista molhada e para no acostamento.
Com todo o barulho João acordou chorando.
— Eu não tive culpa esse maluco dando ré em plena Avenida.
— O QUE?
Mais antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa um outro carro passou por eles dando a ré.
— Volta, volta, volta. Gritou o motorista dando ré!
Mais antes de fazer qualquer coisa dois caras aparecem na frente do carro parado e apontam armas para eles.
— PERDEU PLAYBOY! — Grita o primeiro marginal.
— VAZA, VAZA. — O segundo abre a porta do motorista e dá um tapa na cara de Guilherme e o puxa para fora do carro, jogando Guilherme no chão.
— Vaza meu irmão, vou te matar, desgraçado. — Grita o marginal do lado do motorista apontado a arma para a cabeça de Guilherme.
— Calma pelo amor de Deus, pode levar tudo, mais não faça nada com minha família. — Fala Guilherme ajoelhado com as mãos levantadas implorando para seu algoz.
Emanuela nervosa sai do carro desesperada. Ela tenta tirar João da cadeirinha mais não consegue o nervosismo só piorar as coisas.
— Meu filho, deixa eu pegar meu filho. Balbucia as palavras enquanto chora ele se dirige para a porta traseira atrás do banco do motorista e tenta desesperadamente solta-lo, enquanto faz isso o bandido chuta as suas costelas fazendo ele cair. Mesmo com muita dor ele levanta.
— Pelo amor de Deus, deixa eu pegar meu filho! Implora Guilherme enquanto as lagrimas de desespero caem de seus olhos junto com a chuva. Ele entrar no carro e consegue retirar João e sai com ele no colo correndo para o acostamento.
— Sujou caralho! Alguém chamou os homi.
— Fudeu! Fudeu! Fudeu! Fudeu! Fudeu! — Grita outro marginal.
Neste momento na pista contraria para duas viaturas da polícia militar. Um negro alto de cabeça raspada e todo bombado vem correndo na direção deles gritando:
— PEGA ESSE CARRO TAMBÉM, TERMINA O SERVIÇO E VAMOS DÁ NO PÉ CARALHO.
Guilherme com o João no colo tenta correr para longe a chuva forte atrapalha a visão, ele olha mais não consegue ver Emanuela. João chora incontrolavelmente.
— Cadê a mamãe, papai? Cadê a mamãe?
— Calma filho, papai vai te proteger, calm....
BANG!!!
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