Destino
1 A força
Dois anos após a morte de Xena, Eve acabou voltando para a Grécia e ia ao encontro de Gabrielle em Potidaea, porém, ao chegar no local teve a triste noticia de que a Barda Guerreira havia morrido alguns meses antes. Triste com a noticia Eve resolve passar uns dias na casa de Lyla para poder conforta-la, reencontrando também Sarah e seu marido. Eve acabou ficando por alguns meses e acabou conhecendo um jovem rapaz, com o qual se casou e passou a viver junto.
Um ano após ter se casado Eve engravidou e, como se fosse coincidência, Sarah também. Ambas deram a luz na mesma época a duas lindas meninas. Kerina, filha de Eve, tinha os cabelos pretos e os olhos profundamente azuis e June, Filha de Sarah, os cabelos loiros e os olhos de um verde quase que esmeralda. Kerina e June foram criadas juntas desde que nasceram até seus cinco anos de idade e era quase impossível separa-las. Um certo dia Eve ouviu a voz e o chamado de Eli, o mesmo a alertou de que um grande perigo se aproximava de sua filha e sem pensar muito, ela avisou seu marido e ambos resolveram sair de Potidaea o mais rápido possível. Arrumaram suas coisas e partiram.
...
Eve, Kerina e Cleon, marido de Eve, sempre se mudavam, nunca paravam em um só lugar e para proteger sua querida filha ela foi obrigada a ensina-la a se defender, assim que essa completou seus dez anos de vida, mesmo que isso fosse contra a sua natureza.
Kerina aprendia rápido e surpreendia cada vez mais sua mãe com a habilidade e a destreza que possuía, mas nunca perdia a graciosidade e o brilho inocente no olhar, para ela aquilo era apenas uma brincadeira. Eve tomava todo o cuidado para não induzi-la a querer mais que aquilo, ensinou apenas a manejar um cajado de forma que pudesse se defender sem derramar sangue.
Alguns dias depois seu ponto de parada foi em um pequeno vilarejo aos arredores de Atenas, onde se instalaram e permaneceram por quatro dias e três noites. Tudo estava calmo e em paz, mas isso não durou muito.
No inicio da quarta noite sons de espadas e pessoas gritando podia ser escutado, o caos estava sendo espalhado por aquela pequena vila. Todos saíram rapidamente da pensão e logo se depararam com um enorme exercito que estava derrubando a cidade. Eve parou e observou o traje dos soltados e a bandeira que carregavam, as quais ela conhecia bem, eles pertenciam a Ares. Cleon ajudou alguns aldeões a fugir e começou a lutar com alguns dos guerreiros na intenção de abrir espaço para que Eve e Kerina fugissem.
— "Corra! Eve, Corra, tire Kerina daqui, AGORA!"
Gritava Cleon enquanto lutava com todas suas forças para segurar três guerreiros que investiam contra ele. Kerina estava assustada, mas não chorando, observava toda aquela matança fixamente, Eve a puxava para que saíssem logo dali e ia pega-la no colo, mas não antes de ver seu pai ser bruscamente apunhalado pelas costas por alguém que apareceu em um brilho de luz.
Um homem alto de cabelos pretos e barba, com um sorriso sombrio nos lábios e com a espada cravada no peito de Cleon, que escorregava sem vida para o chão. Esse se virou a tempo de olhar diretamente nos olhos azuis de Kerina, que estava o observando com lagrimas nos olhos enquanto era carregada por sua mãe.
Eve tentava se afastar o máximo que podia, entrando pela mata ao redor do pequeno vilarejo, mas antes que todo o som desaparecesse por completo ela pode ouvir claramente a voz de Ares, irônica, animada e em bom tom, seguido de uma risada medonha.
— "É bom revê-la, Xena!"
Eve congelou por um tempo e sentiu um breve arrepiou ao ouvi-lo dizer aquilo mas não parou, continuou correndo mata à dentro com Kerina no colo. Ela parou a beira de um lago, sentou-se e abraçou a menina caindo em prantos enquanto esta ainda estava em total estado de choque, apenas algumas lagrimas caiam de seus belos olhos azuis.
...
Cinco anos se passaram após Cleon ser morto e Eve fugir com Kerina. Nunca paravam de viajar, até que um dia Eve adoeceu. Estavam próximas as terras das amazonas e por fim resolveram se aproximar, la ela seria tratada e cuidada devidamente e Kerina estaria em segurança.
Com o passar dos anos Eve se surpreendia mais e mais com Kerina pelo quão parecida com Xena ela era. Durante suas viagens Eve contou a Kerina sobre todas suas aventuras, incluindo é claro as Amazonas, Xena e Gabrielle. Eve até então buscava entender porque Ares havia chamado Kerina de Xena, mas apenas deixou isso passar por um tempo, o que importava era a segurança de sua menina.
Assim que se aproximaram da fronteira duas amazonas mascaradas pularam na frente delas querendo explicações do porque invadiam suas terras. Eve, mesmo com certa dificuldade, explicou a elas de quem era filha e logo que citou o nome das heroínas e o seu próprio as Amazonas se curvaram e se apressaram a leva-las até sua rainha Layla, uma mulher alta de cabelos ruivos, olhos verdes e trajava roupas de couro de animal, que estava sentada em uma grande cadeira, rodeada por varias outras mulheres com roupas semelhantes, porém, todas de mascaras. As Amazonas que haviam encontrado Eve e Kerina apresentaram as duas de forma cordial e logo a rainha se levantou e foi até o encontro de Eve, que estava apoiada em Kerina, a comprimentou.
— "Eve, filha de Xena, batizada como uma amazona por nossa rainha Gabrielle e seguidora de Eli. Seja bem vinda, você e sua filha podem ficam o tempo necessário. Varys, leve ambas a seus aposentos e por favor, chame a xamã para cuidar de Eve."
Após suas palavras uma das mulheres que estava ao lado direito da cadeira se aproximou e retirou a mascara. Eve sorriu ao perceber a semelhança, Varys era uma jovem de aproximadamente a mesma idade de Kerina, um ou dois anos mais velha, cabelos negros e olhos castanho iguais aos da amazona que tentou mata-la e que logo virou uma grande amiga, Varia. Varys as guiou até uma cabana não muito longe dali e logo se retirou antes que Eve tivesse a chance de perguntar se ela seria a filha de Varia, mas não teve a necessidade da pergunta.
Não muitos minutos depois Varys voltou junto a xamã que não era ninguém menos que a própria Varia, a qual sorriu ao reconhecer Eve e se aproximou lentamente da cama onde a mesma havia se deitado, acariciou levemente os cabelos dela.
— "Quanto tempo... velha amiga."
Eve sorriu ao poder rever Varia e logo olhou para Varys que estava parada na porta da cabana e desviou o olhar para Kerina, sentada na ponta da cama. Varia seguiu o olhar de Eve, parando e congelando ao ver Kerina. Ficou vários minutos a observando e depois voltou a olhar pra Eve com um sorriso desconcertado no rosto e ao mesmo tempo confuso. Varia pediu para que Varys levasse Kerina para conhecer o lugar enquanto ela cuidava de Eve, Varys e Kerina obedeceram e saíram, deixando ambas sozinhas.
— "Não é possível..." — Varia balbuciou logo após que as meninas se retiraram do lugar.
— "Eu também achei que não podia ser mas, Ares esta nos caçando e não consigo ver outro motivo pra isso Varia. Não tem como ter outro motivo. Ele a chamou... ele a chamou pelo nome." — Eve respondeu agitada.
Ambas conversaram por um tempo, era confuso entender que Xena havia reencarnado na filha de Eve, em tão pouco tempo, mais estranho ainda é saber que Eli não pronunciou nada sobre isso, nem mesmo a preparou para isso, apenas disse que ela corria perigo, o qual Eve descobriu que se tratava de Ares, mas ela nunca havia imaginado que sua própria filha pudesse ser a reencarnação de sua mãe.
Após uma longa conversa enquanto Varia examinava e cuidava de Eve, a mesma acabou pegando no sono e Varia saiu da cabana, indo procurar por Varys e Kerina que não haviam voltado ainda. Andou por muitos lugares até encontrar Kerina, fora da aldeia e ajoelhada no chão, com uma espada ensanguentada ao lado do corpo de Varys que estava a sua frente. Kerina não chorava, apenas estava paralisada ali. Varia em desespero aproximou rapidamente puxando Kerina pelo braço mas antes que pudesse dizer qualquer coisa se ouviu vários gritos que vinham da aldeia das amazonas. A amazona se virou e soltou o braço da menina bruscamente e correu para a aldeia, Kerina automaticamente foi atras.
Ao chegar, o local estava cheio de guerreiros lutando com as amazonas, ninguém sabia de onde eles haviam surgido e como haviam entrado ali. Kerina parecia nem estar vendo a batalha, dirigiu-se lentamente e instintivamente para a cabana onde estava sua mãe, parou na porta da cabana e a abriu a tempo de ver Ares parado ao corpo de Eve com uma adaga cravada em seu peito, nessa hora Kerina apenas andou lentamente até Ares e olhou para o rosto do mesmo.
— "Você, vem comigo querida."
Disse ele sorrindo enquanto abraçava e logo desaparecia junto com a menina. Sua tropa se retirou e quase um terço das amazonas haviam sido mortas. Varia lutou bravamente e sobreviveu. Assim que viu as tropas se retirando correu em direção a cabana de Eve e a unica coisa que viu foi seu corpo morto sobre a cama com a adaga ainda em seu perto e nenhum sinal de Kerina. Um grupo de busca foi feito para encontrarem Kerina, mas não acharam nenhuma pista de onde ela poderia estar, Varia apenas conseguiu pensar no pior:
ARES.
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