Destino
1 Decisão
O anel cintilava em seu dedo. Era lindo, ornamentado. Símbolo do amor que ele sentia por ela. Annemarie, porém, via o pequeno mimo com ódio. Não gostava de seu noivo.
Mexia as mãos brancas e pequenas, estava inquieta. Amanhã se casaria, não sabia mais o que fazer. Debruçara-se na sacada de seu quarto, como se tivesse esperança de que alguém a socorresse do destino que seus pais haviam traçado para si, mas sabia que ninguém a salvaria.
Respirou fundo. Seus cabelos cor de fogo dançavam no mesmo vento frio que cortava seu rosto. Não pode impedir que as lágrimas corressem até cair em seu colo. Seu coração estava tão frio quanto o ar que a rodeava.
Provavelmente essa seria a última vez que veria aqueles campos floridos inundados pela calmaria do inverno. Tentava guardar em sua mente aquela imagem tão bela e solitária de árvores sem folhas esperando ansiosamente pela primavera contrastando com suas irmãs correndo felizes pelo chão coberto de neve. Aquela não seria mais sua casa. Abandonaria o lar por outro no qual queria fazer parte. Sabia que seu casamento seria uma farsa e que não se acostumaria com a ideia de dividir a cama com um homem que não amava.
“Você irá ama-lo” – Lembrou de sua mãe tentando demonstrar uma doçura que não era típica quando veio lhe dar a notícia do casamento arranjado. Sabia que a filha estava sofreria e sabia melhor ainda que não poderia contrariar as vontades e ambições do marido. “Ele será um bom marido, te dará tanto conforto quanto seu pai lhe dá hoje”
Não queria o conforto que seu futuro marido lhe proporcionaria mas também não gostaria de viver na miséria. De qualquer forma, não havia nada que poderia ser feito. Era submissa ao pai e continuaria a ser assim com seu marido.
Involuntariamente mais lágrimas caíram. Preferia ir para algum convento e servir a Deus até o fim de seus dias.
– Freira! – Ela pensou de súbito. Arregalou os olhos e olhou sorrateira para os dois lados, como se alguém pudesse ler o que havia em sua mente. — Por que não pensei nisso antes?
Não tinha tido tempo para armar um plano. Nunca se rebelara contra seus pais. Nunca até agora.
– Tenho apenas que tentar fugir essa madrugada, enquanto os guardas estão bêbados por conta da festa de ontem. – O rei era, de certo modo, megalomaníaco. Havia feito uma festa para todo o reino antes mesmo de sua filha se casar. — Se algum deles me reconhecer, não me deixarão passar. Essa é minha única chance – E permaneceu olhando para fora.
O céu já se dissolvia em negro quando Annemarrie ouviu a serviçal a chamando para o jantar. Aquela seria sua refeição sob aquele teto.
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