Destino

1 Capítulo único


Notas iniciais
Oi, gente. Eu sempre fui completamente apaixonada pelo relacionamento de Nick e Jess. Depois de assistir o décimo primeiro episódio da quarta temporada de New Girl eu simplesmente sabia que tinha que escrever algo. Foi isso que eu escrevi.

Quando Jessica Day entrou no seu loft ela não esperava encontrar ninguém.

Mesmo assim, lá estava o seu ex-amante e atual colega de quarto Nick. Ela fechou a porta atrás de si e se dirigiu em direção ao sofá.

– Nick? – Ela perguntou, com um tom de dúvida na voz – O que você está fazendo aqui?

O garoto parecia tão surpreso quanto ela. Jess deveria estar em Londres. Deveria estar com a família de Ryan, jantando e trocando presentes natalinos. Deveria estar com o namorado, não com Nick.

– Eu quero saber o mesmo. – Ela sentou no sofá ao lado do garoto – Onde está Ryan?

– Em Londres. – A garota notou a expressão confusa no rosto do amigo e continuou – Eu fui para lá, ele veio para cá. Quando eu cheguei lá meu celular descarregou, – com isso, Nick teve uma leve idéia de onde aquela história acabaria – então eu voltei para minha casa esperando encontrar ele e ele foi para a casa dele esperando me encontrar. No fim, decidimos que o destino simplesmente não queria que nós ficássemos juntos nesse Natal.

Nick soltou um riso abafado e balançou a cabeça fazendo um gesto negativo, mas ainda manteve um sorriso no rosto.

– Destino, é?

– Ele pode ser um grande idiota às vezes.

Com isso, os dois riram. O garoto olhou para Jess e pensou no quanto ele lutou para que ela não ficasse sozinha numa data tão importante. De alguma forma, o grande idiota do destino resolveu que eles deveriam estar nessa sala e, assim, mesmo que ela não estivesse com Ryan, ela não estava sozinha.

– Mas e quanto a você? Por que não está em Chicago?

– Porque eu já voltei de Chicago. – Ele percebeu que essa explicação não era boa o suficiente. – Bem, eu fui para Chicago, dei alguns abraços na minha família e voltei.

– Simplesmente voltou? – Ele afirmou com a cabeça ­­– Por quê?

Ele pensou na resposta. O motivo pelo qual ele tinha voltado ainda não estava muito claro para ele. Ele percebeu, assim que entrou no avião, que não se sentiria bem passando o natal com a família e longe dos amigos. Não, todos deveriam estar juntos. Por isso, pensar que Jess estaria em Londres e que Coach estaria com sua família simplesmente parecia errado.

Então, logo após ter chegado em casa, entregou os presentes e dirigiu até o aeroporto. Comprou a passagem, esperou quarenta minutos até embarcar e voltou para LAX. Pegou um táxi, teve um argumento com o taxista que envolvia o sistema solar, parou em um bar, comprou cerveja, foi até o loft e lá estava ele. Duas garrafas e uma garota ao seu lado. Uma garota que provavelmente estava muito triste porque o destino pode ser um grande idiota às vezes.

– Acho que não estava no clima do feriado.

– Mas estava no clima de comprar cerveja e ficar sozinho em casa por três dias seguidos?

Com isso, ele soltou um grunhido e Jess percebeu que ele estava fazendo sua típica “cara de tartaruga”. Nick hesitou e quando abriu a boca para dizer que “sim, eu amo a solidão e estou num relacionamento secreto com bebidas alcoólicas” ele parou e a fechou novamente.

– Eu já te contei que quando eu tinha nove anos eu dei cereal para um sapo e ele morreu? – Disse, por fim, fazendo com que a menina suspirasse num tom de reprovação.

– Nick, você está mudando de assunto.

Ele se levantou e caminhou apressadamente em direção à porta repetindo a palavra “não” inúmeras vezes.

– O que está acontecendo? – Ela correu e se colocou na frente do garoto, impedindo que ele saísse do apartamento

Nick levou a mão até a cabeça tentando novamente pensar em uma desculpa. Passaram-se 10 segundos até que ele finalmente desistiu. Tomou mais um gole da garrafa que ainda estava em sua mão e deu um leve tapa no seu próprio rosto antes de respirar fundo e colocar a cerveja na mesa.

– Isso está acontecendo, – disse enquanto apontava para o rosto da colega de quarto – você está acontecendo.

– Eu estou acontecendo? – Ele acenou sem tirar os olhos dela – Isso faz parte de algum tipo de ritual que você inventou?

Ele percebeu que não sabia como fazer isso. Não sabia como dizer a ela que ele não havia inventado nenhum ritual porque ela perguntaria mais uma vez o que estava errado e toda a confiança que apareceu do nada iria embora tão rápido que ele não perceberia.

Então Nick pensou na primeira vez que tinha a beijado. Ele estava esperando a hora certa (afinal, ele sabia que um dia aconteceria e que era apenas uma questão de tempo) e quando um jogo ordenou que os dois fizessem isso, algo pareceu errado. Não era justo que o primeiro sinal de que sentiam algo um pelo outro viesse através de uma aposta entre colegas bêbados. No final da noite, ele simplesmente sentiu que estava na hora. Sendo assim, ele a puxou pelo braço e não pensou.

Era isso que ele precisava fazer: precisava não pensar. Mas agora ele estava pensando. Analisando tudo o que poderia acontecer dependendo de como essa conversa que estavam tendo agora acabasse.

Num breve momento, ele lembrou que Jess tinha um namorado quando o primeiro beijo aconteceu. Ela eventualmente terminou com ele e Nick sabia que era sua culpa, mas ele não se sentiu mal. Amava-a e sabia disso. Sempre soube.

Mas esse era um caso diferente. Jess estava namorando Ryan, o professor britânico que, Nick precisava admitir, tinha uma ótima barba. Eles viviam esse relacionamento proibido enquanto escondiam-se das autoridades do colégio. Era excitante, era perigoso, era algo que só existia em filmes e na vida de prostitutas que se apaixonam pelos clientes. Nicholas sabia disso.

Mas, naquele instante, enquanto a garota mais bonita e desastrada do mundo ficava em pé diante dele, impedindo que ele fugisse e que tudo isso fosse evitado, ele não pensou em Ryan. Nick esqueceu que eles estavam juntos.

Nick poderia ser um pouco egoísta às vezes.

– Jessica, por favor. Pare.

Foi um pedido que a garota não entendeu. Ela procurou todos os motivos pelos quais ele poderia estar agindo do jeito que estava. Talvez fosse apenas a cerveja falando mais alto. Ela olhou para o chão e tentou contar quantas garrafas vazias estavam espalhadas por ele. Não encontrou nenhuma além daquela que há pouco ele havia guardado.

– Parar? Há algo errado?

Ele riu, mas apenas brevemente.

– Muitas coisas estão erradas. A primeira coisa que está errada é que Schmidt esqueceu de levar o lixo pra fora e esse apartamento está com um cheiro horrível. Ah, nossa televisão quebrou e isso também está muito errado. – Ela revirou os olhos, mas ele não parou de falar e ela não o interrompeu – Sabe o que mais está errado? O grande e maldito idiota do destino disse que você deveria estar aqui. Você não deveria estar aqui, não enquanto seu namorado está na casa mais cara de todo o Reino Unido. Você deveria estar com ele e não comigo!

Foi depois disso que ela finalmente começou a entender do que tudo aquilo se tratava. E, mesmo assim, ela negou. Ela jogou fora todo e qualquer pensamento de que ele poderia estar com ciúmes. Eles não eram mais um casal. Ela estava livre para ter um namorado.

– Nick, não. – Foi tudo que ela conseguiu dizer. Ela desviou o olhar e segurou as lágrimas que ameaçavam cair, chorar naquele momento seria estúpido.

– Jess, – ele gentilmente colocou a mão no rosto dela. Ela não reclamou, não mandou que ele parasse. – eu ainda não sei muito bem o porquê de termos terminado.

– Não é melhor assim? Não saber pode ser bom.

Quando ele se inclinou para beijá-la, nada mais importava. Ele não estava mais pensando que iria estragar tudo. Ela não estava mais pensando em Ryan. O beijo foi calmo e gentil. Ela colocou os braços ao redor do pescoço dele e ele manteve uma mão no rosto e outra na cintura da garota.

E eles não pensaram.

***

Quando Jessica Day entrou em seu loft ela não esperava passar a noite com seu ex.

Mesmo assim, lá estava ele ao seu lado na cama. Ela acordou pensando em todos os eventos da noite anterior. Percebeu que ela nunca deixou de amar Nick. Percebeu que agora tudo seria diferente. Percebeu que precisaria terminar com Ryan no dia que ela pegou dois aviões para que eles ficassem juntos.

Percebeu que o destino realmente era um grande idiota.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!