Destino
17 Desencontros
Notas iniciais
—Droga Em... não terminou de falar. Emma em um ato impensado, mas muito desejado, levou os lábios até os de Regina.
Regina mesmo pega de surpresa movimentou delicadamente os lábios, a loira que os havia grudado, aceitou o ritmo lento que Mills colocou.
Regina subiu as mãos pelos braços de Emma, até eles encontrarem seus ombros e ficarem depositados ali. Emma apertou um pouco mais a cintura da morena, e pediu passagem com a língua, a morena entre abre os lábios e aceita essa “invasão” da loira, o beijo é delicado e carinhoso. A falta de ar se faz presente e o beijo é parado lentamente.
Os lábios se separam e os olhos automaticamente se abrem e se procuram: verde e castanho, se entendendo, se compreendendo e mais que isso, se conhecendo como se fosse a primeira vez.
A única coisa que passava na cabeça das duas naquele momento era o quanto aquilo era o certo, como se tudo pudesse se resolver ou consertar com aquele simples contato. É como se tudo ao redor não fizesse mais parte daquele momento, só existia Emma e Regina.
Emma solta o ar lentamente, a morena repete o gesto e antes que qualquer coisa pudesse ser dita ou feita ouve-se a voz de Mulan, fazendo com que toda a áurea que existia se desfizesse e Emma retornasse a realidade abruptamente.
—Podem parar de se agarrar que eu cheguei. Disse a oriental sorrindo e foi aí que percebeu a reação de Emma, como se fosse um susto tremendo.—Calma Ems, é sua casa, você pode... Não terminou de dizer, foi arrastada para fora pela própria loira.
Emma ao ver o que tinha feito, arregalou os olhos, e olhou para a amiga, sem pensar duas vezes, saiu andando rapidamente e a puxando para fora.
Regina fechou os olhos assim que perdeu o contato visual, soltou todo o ar preso que tinha, quando viu que Emma estava indo, tentou segurar sua mão, mas apenas conseguiu um leve encostar de dedos e assistiu Emma sair da cozinha, mais rápido do que ela julgou ser possível.
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Emma estava com o coração a mil, tinha cruzado uma linha enorme entre ela e Regina. Droga! Brigava-se com ela mentalmente, como foi estúpida de avançar esse sinal.
—Ei...Ei.. Chamou Mulan puxando o braço para que a loira lhe desse atenção.— O que houve? Interrompi uma reconciliação? Ou algo do tipo. Perguntou se sentindo idiota por ter atrapalhado, afinal sua amiga parecia “transtornada”.
—Eu beijei ela. Disse Emma a olhando e começou a andar de um lado para outro, foi aí que percebeu que tinha chegado ao seu quarto. — Droga, eu beijei ela. Murmurou mais para si mesmo.— Como eu pude fazer isso? Balançava a cabeça de um lado para o outro, como se negasse sua própria atitude.
—É, eu vi. A oriental disse encarando-a confusa. —Sabe, pessoas que tem uma casa e moram juntas? E tem dois bebês a caminho e tals? Chama-se isso de relacionamento e isso quer dizer que não tem problema você beijar ela. Falou sarcasticamente.
—Você não entende, como sempre eu ferrei tudo. Emma parou e passou as mãos em seus cabelos, depois colocou a mão na cintura e balançou a cabeça negativamente, soltou o ar e recomeçou a andar.
—Emma, o que está acontecendo? Qual o problema de você beijar a sua namorada? Perguntou fazendo a loira parar e a encarar.
—Esse é o problema. Disse Emma.— Eu preciso te contar uma coisa. Emma suplicava por entendimento pelo olhar.— Nós meio que... Contou todo o ocorrido até ali, Mulan passava de brava, para desacreditada, para surpresa, para voltar a ficar desacreditada. — Então foi isso, agora eu a beijei. Disse jogando-se na cama. —Ela deve está me odiando, pior: acho que quer me bater nesse momento. Falou como uma criança medrosa.
—Bom, devo lhe dizer que isso sim é uma estória e tanto. Foi a única coisa que Mulan conseguiu dizer.
—Regina vai me bater e você tá me odiando, que dia lindo. Murmurou aborrecida. — Não sei o que prefiro, apanhar de Regina ou você ficar me odiando. Disse por fim, colocando o braço sobre o rosto.
—Para de dizer que ela vai te bater, que drama. Pediu a oriental e se jogou ao lado da amiga.— E eu não estou odiando você, quer dizer, você não mentiu para mim, em nenhum momento afirmou que estavam juntas, talvez eu esteja chateada por você não ter me falado tudo logo de cara. Disse a amiga.
—Você ia ficar assim e fora que você meio que foi culpada. Falou Emma e olhou para o lado, vendo Mulan arquear a sobrancelha.—O que? É a verdade! Defendeu-se e sentou na cama.— Você estava orgulhosa de mim, porque tinha conseguido uma “família”, ninguém tinha ficado orgulhosa de mim, então meio que não quis perder isso. Explicou-se.
Mulan sentou ao seu lado e bateu em seu ombro com força, fazendo Emma reclamar.—Você é estúpida? Perguntou a amiga.— Eu sempre tive orgulho de você e não foi por causa do lance da família, foi pela pessoa que você é, Emma. Disse a fitando.— Você é a melhor pessoa que conheci em toda a minha vida, e isso ninguém vai mudar, não era orgulho, porque isso já tenho, era felicidade, porque eu achei que você tinha superado aquele medo bobo de se envolver, e se deixar apaixonar, sabe! Viver essa paixão, mas mesmo assim se não tivesse conseguido, eu sentiria orgulho de você, afinal, você é Emma Swan, a garota que se joga na frente dos outros. Expôs. — Agora, pare de choramingar e desça para conquistar a sua paixão. Disse animada e se levantando.
—Paixão? Mas do quê tá falando? Pergunta a loira ficando em pé também e quando entende o que amiga está dizendo, levanta-se sorrindo nervoso e negando.— Não, não e não. Disse a loira. — Regina minha paixão? De onde tirou isso? Disse mostrando-se apreensiva.
—Da ceninha de menina adolescente que acabou de beijar pela primeira vez que você fez? Questionou Mulan e quando Emma fez uma cara de indignação continuou. – Nem vem com essa cara de “tá louca”, você se apaixonou e ela também, é por isso que não é difícil de acreditar no envolvimento de vocês. Esclareceu a oriental. — Agora deixa de dar uma de mulherzinha escandalosa e desce para conversar com ela, quem sabe hoje mesmo vocês não ficam oficiais de verdade? Pergunta mexendo as sobrancelhas com divertimento.
—Você é louca, isso sim. Disse Emma parecendo irritada agora.— Sabe muito bem que eu não me apaixono por ninguém. Falou pegando sua jaqueta. – Foi um impulso, faz tempo que não saio com ninguém, deve ser isso, preciso me distrair. Disse indo até a porta.
Mulan a seguiu e puxou pelo ombro.— Não seja idiota. Falou estressada. — Vai colocar tudo a perder por medo e por uma estória idiota do seu passado? Perguntou a oriental.
—Não é medo. Gritou Emma assustando a amiga. —É a verdade, eu sempre disse que não servia para isso e continuo não servindo. Disse por fim e saiu pela porta do quarto.
Desceu rapidamente as escadas, não olhou para o lado e nem para lugar nenhum que não fosse a porta, não queria correr o risco de ver Regina e precisar dizer algo, foi até a porta e saiu a batendo atrás de si.
Mulan saiu do quarto e desceu as escadas, encontrou Regina lá encarando a porta, sentada no sofá, como se estivesse perdida, resolveu ir falar com ela, não queria que a morena desistisse.
Regina notou que a oriental se aproximava, e antes que a amiga de Emma dissesse algo ela falou sorrindo sem graça.
—Emma não reagiu bem não é? Ganhou um afirmativo com a cabeça. — Contou tudo? Questionou suspirando.
—Sim. Confessou e sentou ao lado de Regina.— Ela é muito, digamos “sensível”, no passado sofreu por uma paixão, que eu diria platônica e ainda tem todo esse lance de não ser aceita pelos pais. Falou olhando para frente, mas resolveu olhar para a morena agora. –Ela acha que não merece viver uma paixão, então afasta qualquer pessoa que lhe desperte isso, então tenta ter paciência com ela? Pediu a Mills.
—Também não sou boa nisso. Soltou um riso nervoso.
—Então vocês são perfeitas uma para outra. Fala abrindo um sorriso de lado. — Emma sofreu muito, não só pelos outros, mas por suas próprias cobranças, ela vale a pena. Disse a amiga. — Só precisa parar de ser cabeça dura.
—Eu sei que vale. Confessou Regina.— Prometo tentar ter paciência. Falou sorrindo, porque sabia que seria mais do que tentar, ela estava disposta a ser muito paciente.
—Isso já é um começo. Falou empurrando de leve a morena.— Agora vem, vamos tomar café, porque eu interrompi mais cedo. Sorriu sem graça.
Regina balançou a cabeça e se pôs de pé. A oriental passou pela sua frente e antes de terminar de entrar na cozinha, olhou para porta e suspirou, desejando que Emma voltasse logo para casa.
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Após o café da manhã com Mulan, Regina estava deitada em sua cama suspirando. Não acreditando que tinha caído nessa situação, foi se apaixonar por uma pessoa mais medrosa que ela, só ela mesma para ter tamanha sorte. Jogou-se para trás e pegou o travesseiro da loira, seu perfume ainda estava ali, recriminou-se por parecer apenas uma boba apaixonada. Não tinha decidido ser Regina Mills? Claro que tinha, mas com Emma não dava para manter esta decisão. Se fosse com qualquer outra mulher, a loira já estaria com o rosto vermelho e a ardência que um tapa ia lhe causar. Mas não era qualquer outra mulher.
Ela foi pega de surpresa por Emma Swan, mas já estava ensaiando mentalmente várias formas de dizer que sentia algo por ela e quando o beijo aconteceu, achou que aquela era a melhor forma. Sabia que Emma também sentia algo, diz que mulher sabe dessas coisas, quando alguém sente algo por ela, bom ela nunca tinha sentido isso, mas agora parecia saber qual era a sensação que tanto ouviu, parecia que ela sabia do medo que a loira tinha, afinal, ela também estava.
Quer dizer, não com medo, mas apavorada, em um mundo certo, elas se apaixonariam, iriam namorar, casar, morar juntas, ter os filhos e no meio disso ter as terríveis DR’s, mas não. Elas tiveram que começar com a gravidez, as brigas, morar juntas e depois se apaixonar. Agora parabenizava-se, tinha que ser a do contra mesmo.
Regina até pensou em deixar por isso mesmo, qual o problema? Afinal a loira havia fugido, ela poderia muito bem fingir que nada aconteceu e levar a sua vida, mas pela primeira vez ela sabia que isso não ia acontecer.
Não! Ela ainda iria querer a loira, e ainda iria sentir um frio na barriga quando acordar e a vir pela cozinha, ou depois da corrida, ou nas leituras dos livros de gravidez e suas caretas a cada descoberta, ou sobre toda aquela empolgação e proteção sobre os bebês que estavam em sua barriga, Regina sabia que Emma era a pessoa, aquela que você vai viver o resto da vida juntas e vai ser eternamente feliz com isso.
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Emma Swan, não foi procurar diversão, pelo contrário, foi buscar refúgio. Bateu na casa da mãe, onde todos correm quando tem problemas, onde você sabe que por mais que tenha suas diferenças, elas vão estar lá e te amar incondicionalmente. E, neste momento,Emma procurava apenas isso.
A Sra Swan abriu a porta e foi imediatamente abraçada pela loira. Emma não era disso, de abraços e pedidos silenciosos de ajuda, mas pela primeira vez sua cabeça girava e ela não sabia o que fazer ou pensar, sua única opção era um lugar onde ela sabia exatamente que teria paz.
Nada de perguntas ou conselhos, apenas um abraço e silêncio.
A Sra Swan abraçou a filha, mais apertado que um dia imaginou que abraçaria, não perguntaria nada, não questionaria, a relação delas não era assim. Elas apenas estavam ali uma para outra. E sem falar nada, trouxe a loira para dentro de casa, sentou-a no sofá e foi fazer a melhor coisa que faria para agradar sua filha. Chocolate quente com canela.
Emma o tomou calmamente, tentando não pensar em nada e ao mesmo tempo em tudo, sabia que não era boa para relacionamentos, não, na verdade sabia que era péssima para isso, ela se classificava como a pessoa errada para qualquer tipo de pessoa que poderia aparecer em sua vida, ainda mais Regina.
Com a morena ela sabia que era ainda mais delicado, sabia que como ela, a morena tinha suas feridas. E Emma não queria a ferir mais, não a Regina que ela sabia que não merecia sofrer por mais ninguém.
Assim que terminou seu chocolate quente foi para seu antigo quarto, lá ainda tinha sua cama, deitou-se nela e suspirou, ok, aquele dia iria ser longo.
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Regina passou o dia inteiro pensando em Emma. Assim que chegou, procurou por ela e não achou, nem ela e nem Mulan, foi a cozinha, preparou algo leve, se alimentou e retirou-se para seu quarto. Sua intenção era ficar esperando Emma chegar, mas não havia nenhum sinal da loira, Mills desistiu, ainda mais depois que ouviu Mulan chegar sozinha.
Quando Regina acordou, a primeira coisa que pensou foi em Emma, bem não foi diferente do seu último pensamento na noite anterior. Tomou um banho e se trocou, desceu as escadas, no final delas sentiu um cheiro inconfundível, das panquecas que a loira fazia. Um sorriso abriu-se instantaneamente e ela acelerou os passos para a cozinha.
Assim que colocou os pés na cozinha e viu que não era a loira, seu sorriso morreu e ela suspirou alto, fazendo sua presença ser notada.
—Desculpe. Pediu Mulan, não só pela invasão da cozinha, como por perceber o desânimo, sabendo que ela provavelmente pensou ser Emma.
—Sem problemas. Murmurou a morena e sentou-se no banco do balcão e encarou a oriental, fazendo um pedido silencioso por respostas.
—Ela provavelmente está em algum lugar seguro. Diz a primeira coisa que veio a sua cabeça e quando viu que a feição de Regina não melhorou resolveu acrescentar. — Emma gosta de você, gosta muito, mas ela tem um certo receio, ela pode estar sendo uma idiota agora, fugindo disso tudo, mas eu tenho certeza de que ela vai voltar e se desculpar. Disse sorrindo de lado.— Espera, talvez se desculpar não, mas vai tentar te agradar. Abriu um sorriso maior ainda, quando Regina sorriu de seu comentário.
—Com certeza! Desculpa não é seu estilo. Regina disse com um sorriso discreto.
—Não. Falou a oriental. — Mas você é. Disse e pegou a mão da morena. — Sei que já disse ontem, mas tenha paciência, Emma tem um certo problema com admitir sentimentos, para me deixar entrar foi um sacrifício, imagina como deve estar sendo fazer isso com você. Disse olhando com ternura para a morena. — Ela pode estar sendo uma “burra” agora, mas vai por a cabeça no lugar, você só precisa colocar em mente que ela tem mais medo do que qualquer outra coisa. Defendeu a amiga.
—Eu entendo. Disse sincera. – Vou ter paciência e deixar ela com o tempo dela. Explicou-se.
—Eu fico feliz. Disse sorrindo para Regina. — Sei que você é o final feliz dela. Disse sorrindo
Regina abriu um imenso sorriso e concordou com a morena.— Como não sei se ela volta hoje novamente eu vou para a casa de Tinker, você pode deixar avisado a ela? Pergunta.— Preciso contar a ela toda a verdade.
—Pode deixar. Disse a oriental piscando, mesmo sem saber quem era a pessoa que Regina estava falando. Serviu a morena, sabendo que se não cuidasse direito da namorada que era de mentira, mas seria a futura namorada de verdade, Emma ficaria irritada.
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Emma acordou e não quis pensar muito. Logo estava pronta para mais um dia de trabalho. Saiu junto com o pai. Passou o dia inteiro lendo e revisando contratos, e também revisando os treinamentos para os seguranças de sua empresa. A loira tinha decidido que trabalho era a melhor solução.
Acabou o dia e ela ainda não tinha coragem de voltar para casa. Regina não havia ligado e Mulan a ligava a cada dez minutos. Resolveu que dormiria na casa dos pais novamente.
Passou a noite em claro. Logo cedo recebeu uma mensagem de Mary, avisando que hoje não iria de jeito nenhum aceitar que elas não fossem correr, afinal, como a loira não estava em casa no dia anterior, tinha cancelado a corrida.
Fazia dois dias que ela não via Regina e isso a deixou extremamente ansiosa, e irritada e inconformada. Já sabia que não tinha cabimento ficar fugindo da morena, ela era uma adulta e agora tinha responsabilidades e uma delas era cuidar de Regina e dos bebês, não poderia mais falhar.
Viu na mensagem da amiga uma oportunidade, ela correria e depois voltaria para casa, não sabia se falaria ou não sobre beijo e sentimentos, mas pelo menos estaria de volta para seu lar.
Saiu rapidamente da cama e correu para fora do quarto. Desceu as escadas, e viu sua mãe na cozinha, foi até ela e beijou seu rosto, avisando que voltaria para casa, sua casa com Regina. Novamente não houve perguntas.
Emma entrou no carro e dirigiu até lá, parou, desceu e entrou em casa, ainda era cedo. Foi até a lavanderia e pegou suas roupas. Não queria acordar nem Regina nem Mulan.
Trocou-se e foi para fora novamente, encontrando uma Mary White, empolgada e sorrindo a esperando.
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A corrida foi feita por mais tempo do que Emma esperava, Mary realmente estava muito animada, tanto que mesmo com a chuva a amiga não desistiu e continuou todo o percurso que elas tinham combinado.
Chegaram em casa ensopadas. Emma ofereceu uma roupa seca para amiga não molhar todo o carro enquanto ia para casa.
Mary agradeceu e sorriu, e lembrou-se que não viu o carro da morena.— Cadê Regina? Já foi trabalhar? Perguntou. — Não vi o carro dela lá fora.
Emma franziu a testa e agora que parou para pensar não se lembra de ter visto o carro da morena. — Deve já ter saído, as vezes ela madruga na clínica. Disse por fim, não era totalmente mentira, apenas era algo que aconteceu poucas vezes.
—Verdade, ela ama o que faz. Disse a amiga.— Emma, troca de roupa, se você permitir, enquanto cai toda essa chuva eu vou preparar algo para nós. Ofereceu.
—Sempre querendo me engordar. Disse rindo e lembrando-se, da época de escola que sua mãe não estava e seu pai trabalhando que a amiga falava a mesma coisa.
—Tem coisas que não mudam. Disse sorrindo e apontando para que Emma subisse logo.
A loira subiu e apenas trocou de roupa, pensou em tomar banho, mas não queria deixar Mary sozinha, afinal Mulan ainda estava em casa e ainda não queria que a amiga da escola visse a amiga do exército.
A loira desceu com um conjunto de moletom. Na cozinha Mary estava preparando uma vitamina para elas. Tomaram o desjejum juntas entre risadas e histórias do passado.
Quando deu sete da manhã, Mary disse que precisava ir, afinal tinha que se arrumar e ir trabalhar. Emma se ofereceu para levar ela até o carro, já que não ouvia mais o barulho de chuva.
As duas saíram a porta e quando Swan percebeu que ainda chovia fraco, resolveu acompanhar a amiga com seu guarda chuva até seu carro.
Swan acabou conversando mais um pouco com Mary no carro, afinal a morena começou a falar sobre seu assunto preferido: Regina.
Quando já fazia dez minutos que estavam naquele papo, a morena disse que precisava ir mesmo e se despediu.
Emma como viu que a chuva havia parado, acabou esquecendo o guarda chuva no carro da amiga. A loira desceu sorrindo largamente depois que a amiga havia afirmado que Regina nunca pareceu tão feliz.
Foi até a porta de casa e empurrou a maçaneta, não conseguiu, tentou novamente e nada, resolveu bater na mesma, afinal poderia ser Mulan que tinha trancado a porta sem saber que ela voltaria ou estava novamente em casa, então começou a bater na porta.
Na terceira batida ouviu uma voz, que ela tinha certeza absoluta que não era de Mulan.
—Vai embora. A voz soou irritada.
—Regina? Emma pergunta com as sobrancelhas erguidas.
—Não, papai noel. Disse irônica.
Emma bateu novamente.
—Eu já disse para ir embora. Disse agora com a voz além de irritada a loira percebeu magoada também.
—Eu sei que fui uma idiota, mas não precisa me trancar para fora de casa, não podemos conversar? Tipo está chovendo novamente e aqui não tem nada para me proteger.Pediu.
—Por que não vai com a dona desse sutiã? Gritou e jogou a peça pela portinha do correio.
Emma abaixou e pegou a peça no chão e analisou.— Isto não é meu. Disse com convicção.
—Meu também não. Disse Regina e agora ela parecia furiosa.— E como Mulan foi embora ontem com as coisas dela, com certeza dela também não é. Disse ainda mais irritada. —Não acredito que foi capaz de fazer isso. A voz saiu embargada, não estava apenas irritada, mas muito chateada também.— Quer saber, eu não quero conversar com você. Disse voltando a soar braba.
—Espera, se não é seu, nem meu e muito menos da Mulan, então é de quem? Perguntou alto ainda não entendo a situação toda.
Regina não respondeu e sentiu-se mais furiosa ainda com Emma. Sabia que a loira estava com medo, mas não imaginou que agiria assim. Traria alguém para casa delas e... Porcaria, não queria nem imaginar o que tinha acontecido, resolveu se afastar da porta e ligar a música, não queria mais ouvir Swan.
Emma ainda estava tentando entender o que estava acontecendo, foi quando a ficha caiu e seus olhos arregalaram. Bateu na porta mais vezes enquanto dizia. “ Não é nada disso que você esta pensando”. Mas Regina nem ao menos parecia estar ouvindo.
Sentou-se na escada do lado de fora e bufou. Tinha certeza que agora tinha estragado tudo, Regina não acreditaria que ela não sabia de quem era aquele sutiã. Emma repreendeu-se mentalmente diversas vezes antes de bolar um plano.
Pensou rapidamente quais locais ela poderia forçar para entrar. Pensou, pensou e pensou até que se lembrou de que Mary havia aberto a janela da cozinha. Correu até a lateral da casa e depois até a janela, preparou-se e subiu, pulando finalmente para dentro de casa.
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Regina estava sentada no sofá, se martirizando por estar apaixonada por uma mulher imatura, idiota e...e...e... não sabia como definir Emma naquele momento. Trazer alguém para casa delas, sim era delas, foi a coisa mais estúpida que ela poderia ter feito e que a magoou profundamente, sabia que não podia cobrar nada, mas esperava pelo menos uma conversa.
Suspirou e afundou a cabeça nas mãos. Foi assim que ouviu o telefone, pensou em deixar a pessoa desistir, mas depois do décimo toque insistente atendeu.
—Mills...(...)... Ah, oi Mary...(...)...Emma não está...(...)...Claro que deixo recado...(...)... Você esqueceu? ...(...)...Sim, sim eu aviso para ela guardar para você...(...)...ok,ok. ...(...)... Tchau. Disse a morena desligando rapidamente.
Correu até a entrada e abriu a porta, foi até o inicio das escadas, mesmo se molhando não se importando com isso, quando ia dar mais um passo para descer a mesma sente uma mão a puxando.
—Sai da chuva, vai ficar doente. Disse a loira a puxando ela delicadamente para dentro.
—Como...mas... Regina tentava falar e articular algo, mas nada saía.
—Eu pulei a janela, preciso saber como invadir, afinal fui do exército. Disse sorrindo torto. — Vou tomar um banho e desço para conversarmos. Anunciou não deixando espaço para uma resposta.
Regina se sentiu uma idiota por ter pensado que a loira faria isso e mais idiota ainda pela cena de ciúmes que havia feito, queria conversar com Emma, mas aquele não era o momento. Não quando ela mesma estava com os hormônios a flor da pele e envergonhada. Então fez o mesmo que a loira a dois dias atrás. Pegou suas coisas e fugiu, mas diferente de Emma, ela afirmou que voltaria, claro que por mensagem e que elas conversariam mais tarde.
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Emma havia lido a mensagem e até se sentiu mais segura quando a conversa foi adiada, não sabia o que falar, apenas que queria conversar e resolver tudo entre elas.
Como Regina não estava, a loira resolveu ir trabalhar também, não antes de ligar para a amiga e saber porquê ela havia ido embora.
O dia pareceu passar tão ou mais lento que os outros dois dias, tanto para a Mills quanto para a Swan.
Emma foi a primeira a entrar em casa, subiu, tomou um banho e depois foi preparar algo para jantarem, seu coração estava a mil, sentia suas mãos suarem e tremer. Sentia-se exatamente como Mulan havia dito, uma adolescente.
Preparou tudo com carinho e cuidado. Quando terminou tudo, sentou-se no balcão da cozinha e abriu um vinho. Tinha decidido relaxar e o que seria melhor que vinho? Cerveja, mas não tinha, então seria o vinho mesmo.
Olhou para o relógio, terceira taça de vinho, Regina estava atrasada. Tirou o celular da jaqueta e nenhuma mensagem ou chamada. Suspirou, pensou se a morena estava lhe dando o troco, depois repreendeu-se, Mills não era disso, pelo menos ela esperava que não.
Quinta taça de vinho, ok, agora ela não sentia mais ansiedade, mas sim uma tranquilidade e uma leveza conhecida, sabia que era o álcool agindo, mas não conseguia parar, aquilo estava lhe dando coragem. Agora poderia dizer que amava Regina sem medo, pelo menos naquele instante, não pensava no resto.
Garrafa vazia e nada da morena aparecer. Emma já estava irritada, bêbada e frustrada. Sentiu-se uma idiota por criar expectativas, sabia que não seria correspondida. Apagou com dificuldades as velas que tinha colocado na mesa, depois da...da... não sabia que número de taça, mas tinha feito tudo perfeito e levara um bolo.
Levantou-se com dificuldade e começou a recolher tudo, já era dez da noite e nada da morena, pensou em ligar, mas não queria parecer desesperada, o que estava.
Quando estava pegando o prato de Regina já, ouve o barulho da porta. Seu coração volta a acelerar e suas mãos tremem.
Senta-se rapidamente e tenta debilmente acender novamente as velas, não consegue e desiste. Coloca um sorriso bobo no rosto e espera.
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Regina estava xingando todo mundo. Tinha saído tarde já da empresa e ainda tinha que enfrentar um transito que consistia em um bando de curiosos que atrapalhavam o resgate de fazer seu trabalho. Um acidente havia ocorrido, ela não sabia como nem o que tinha se chocado contra o que, mas queria estar em casa. Se era egoísmo não pensar nas pessoas envolvidas? Era, mas ela precisava resolver a sua vida e não tinha tempo para ser boazinha.
Ficou presa até as nove horas da noite naquele trânsito e ainda faltava um bom pedaço até sua casa. Quando estacionou na garagem, parou para respirar um pouco e arrumar-se. Pensou no que poderia dizer a Emma, mas nada se formava em sua cabeça, então resolveu ser algo diferente do que era normalmente, tinha decido ser espontânea.
Olhou-se no reflexo novamente do retrovisor e desceu. Levou junto dela uma sobremesa que havia escolhido. Parou na porta e respirou fundo e a abriu.
Viu a luz da sala de jantar e deixou suas coisas no caminho. Quase correu para o lugar que sabia que Emma estava. Parou na porta e viu Emma sentada na cadeira, com um sorriso nos lábios, braço cruzado na frente do corpo e bochechas vermelhas.
—Oi. Disse entrando devagar na cozinha.
—Oi. Respondeu Emma e soltou os braços do lado do corpo e ficou de pé, não deixando de tropeçar um pouco.— Demorou. Cobrou por fim.
—Trabalho e trânsito. Disse se aproximando para ter certeza do que achou ter visto.— Está bem? Perguntou ao ver Emma tentar acender a vela novamente e falhar.
—Sim. Disse sorrindo alegremente. — Apenas... bom... é...droga...que porcaria...fica acessa... ela não queer ficar acessa....aah quer saber.... deixa para lá. Jogou os fósforos na mesa e correu para puxar a cadeira. — Você está cheirosa. Disse sorrindo.
—Emma. Disse Regina chegando perto dela.— Você bebeu? Perguntou a olhando com curiosidade e sentando na cadeira que Emma ofereceu.
— Não estou bêbada! Diz negando com a cabeça e rindo afetadamente. — Jamais fico bêbada. Falou indo para seu lugar e quase errando sua cadeira. — E você? Perguntou a olhando.
—Não posso beber. Disse arqueando a sobrancelha. — Que garrafa é essa? Pergunta apontando para a garrafa vazia na mesa.
—Isso? Pergunta pegando na mão e a encarando. — Era para brindar com nossa comida, mas você demorou. Soou infantil e fez um bico.
—Desculpe. Pediu sinceramente. —Mas você bebeu tudo sozinha? Perguntou ainda não acreditando nisso.
—Sim? Soou mais como uma pergunta. — Deixa isso para lá. Falou meio tropeçando nas palavras.— Como foi seu dia? Disse bocejando.
—Acho que deveria ir se deitar. Disse Regina vendo que Emma não estava bem. — Vem. Ofereceu se levantando e esticando a mão para a loira.
—Nãoooo. Disse Emma e fez ela se sentar novamente.— Você precisa comer e eu preciso dizer que estou apaixonada por você e o quanto isso me assusta, e que é bonita, e também dessa sua cicatriz e desse seu sorriso, e espera você precisa comer antes. Disse decidida e nem percebendo o que tinha dito.
—Mas.... Regina tentou protestar mas Emma a calou com seu dedo indicador e sorriu animada.
—Primeiro a comida e depois conversa. Disse mostrando o prato a sua frente.— Mantive coberto para não esfriar. Disse retirando a tampa de alumínio que mantinha a temperatura da comida.
—Obrigada. Disse Regina e não pode se negar a começar a comer, estava morrendo de fome.
Depois que terminou de comer. Emma disse que pegaria a sobremesa, mas a morena insistiu e disse que ela mesma faria isso, mandando a loira sentar no sofá.
Emma sentou no sofá e se encostou, logo adormecendo, juntando o álcool e a noite mal dormida, só poderia resultar em uma Emma “acabada”.
Quando Regina viu aquela cena sorriu, pelo jeito “fofo” que Emma estava no sofá. Ela queria conversar, queria muito na verdade, estava louca para fazer isso, ainda mais depois que Swan disse que precisava falar sobre sua paixão, mas não acordaria a loira agora, elas tinham o dia seguinte para colocar tudo ás claras.
Cutucou a loira e a fez subir, Emma entrou em seu quarto e se jogou em sua cama. Regina riu do jeito espaçoso da loira. Trocou-se e deitou-se ao lado de Emma, sabendo que teria uma ótima noite de sono e se tudo desse certo, uma boa conversa na hora da manhã.
Seu sorriso aumentou mais ainda quando sentiu Emma passar seus braços pela sua cintura e a puxar, apertando seu corpo contra o da loira.
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