Destino
33 Capítulo 33
Notas iniciais
Terminou de secar as mãos no pano de prato, enquanto recebia o olhar curioso de Sasuke.
– O que foi?
Perguntou, o olhando.
– Nada, só estou curioso para saber o que vai cozinhar.
Mordeu o lábio inferior, também estava curiosa com o que iria cozinhar. Sorriu nervosa, voltando a mexer nos legumes, não deveria ser tão difícil assim cozinhar, ou era o que achava.
– Onde está o avental?
– Segunda gaveta.
– Obrigada.
Abriu a gaveta do armário franzindo o cenho ao ver o avental.
– Preto e liso? Não deveria ser com florezinhas alegres?
Em resposta o moreno arqueou a sobrancelha, o que a fez entender que isso significava um lindo e sonoro “não seja irritante”.
– Você é tão do contra.
Murmura emburrada colocando o avental.
– E você é irritante.
Diz se aproximando de Sakura, desamarrando o avental da mesma, amarrando em si.
– O que está fazendo?
– Deixa isso comigo, você cuida de comprar os alimentos e eu de cozinha-los.
– Não confia em mim para cozinhar?
– Não.
– Isso é injusto.
Sakura diz cruzando os braços, exibindo um bico fofo.
– Tenho que relembrar dos seus desastres culinários? Eu posso começar pelo brigadeiro e...
– Não precisa! – Exclamou irônica. – Mas eu quero ajudar.
– Pode cortar os legumes, consegue isso? – Sasuke provoca com um sorriso de canto.
– Engraçadinho. – Diz batendo com o pano de prato no moreno.
– Isso é agressão domestica.
– Começa a cozinhar e cala a boca.
– Sempre um doce.
Sakura sorri começando a cortar os legumes, pelo menos isso não era uma tarefa tão difícil a seu ver.
– Uma coisa que ainda não entendi: Como ficou sabendo que iria morar aqui?
Sorriu irônica, lhe lançando o olhar mais obvio.
– Ino.
– Ino.
Concordou rindo, era tão obvio que tinha sido ela que não sabia como Sasuke demorou a sacar.
– Mas não fique bravo, ela fez isso com a melhor das intenções.
– Eu sei, Ino é minha parceira.
– Sua parceira em me enlouquecer.
– Com certeza, isso eu não nego.
– Como você é sonso, homem! – Exclamou, ouvindo a risada de Sasuke.
Nunca admitiria isso alto, mas amava a risada de Sasuke. A forma como suas covinhas eram visíveis lhe dava um ar fofo, e até mesmo adorável.
– Depois do almoço irei te levar para conhecer um lugar.
– Que lugar? – pergunta, comendo uma rodela de tomate.
– Deixa de ser curiosa, saberá quando chegar a hora.
– Então vamos apressar isso, Senhor lentidão.
– Claro, Senhorita apressadinha.
Riu continuando a cortar os legumes, enquanto trocava provocações com Sasuke.
– Está fantástico, não é que você cozinha bem mesmo. – Sorriu ao provar da comida de Sasuke, sua língua parecia dançar com os sabores.
– Eu disse que meus dotes são bons.
Oh, querido, você nem imagina...
Balançou a cabeça, recriminando seus pensamentos. O que raios estava lhe acontecendo?
– E comer assistindo filme é bem mais divertido.
– Falou como um adolescente.
– E você fala como se nunca tivesse sido uma, sua velha resmungona.
– Foi uma fase da minha vida tão tediosa quando as outras. – revirou os olhos, não dando muita importância ao assunto.
– E o que esse filme tem demais? Quem conhece um cara em uma semana e na outra está dormindo com ele? – bufou olhando para a tela. – Uma coisa que me irrita nessas histórias hoje em dia, é que a mulher é obrigada a dormir com o cara para eles terem uma relação, o amor não deveria ser maior do que isso?
– Você me perguntando sobre o amor? Achei que não acreditasse. – Sasuke a olhou, enigmático.
– E continuo não acreditando. Mas acho engraçado que essa juventude sai pregando sobre o amor e rotula que se você amar o cara tem que dormir com ele, e que ser virgem é algo ruim. Eu, por exemplo, não tenho problemas em falar que sou virgem. – tomou um gole de seu suco, continuando. – Eu acho que as pessoas tem que parar de se preocupar com a opinião de terceiros, e que a mulher tem que entender que ser virgem não é algo ruim.
– E qual sua opinião?
– Eu acho que você deve se guardar para o seu casamento. – disse simplesmente, voltando a comer, não percebendo o sorriso de canto de Sasuke.
– Mas espera, você disse que não acredita no amor, e que nunca irá se casar. – Sakura sorriu, bebendo seu suco.
– Exatamente, mas quem sabe alguém me faça acreditar que casar é algo bom.
Piscou, sorrindo, voltando a comer. Deixando o moreno perdido em seus pensamentos, mas tendo a certeza que faria Sakura ver que o amor era algo que ambos precisavam para preencher seus corações quebrados.
–*–
– Estou pronta.
Estava ansiosa, queria saber onde Sasuke a levaria, e o porquê dele não está pronto ainda. Arrumou a alça de sua bolsa que caía de seu ombro, mexendo os pés.
– Sasuke, vai demorar?
– Porque tanta pressa?
Levantou o olhar contemplando Sasuke, que naquele momento poderia ser confundido com um deus grego. Sasuke tinha uma beleza irritantemente incrível. Os contornos fortes de seu rosto, mas ao mesmo tempo suaves lhe davam um ar sensual, e viril. Sasuke exalava testosterona. Seus olhos tão negros quanto à penumbra da noite pareciam lhe chamar como um doce convite perigoso para o mais profundo mistério. Oh, e como adorava um mistério...
Desceu seu olhar para os lábios carnudos de Sasuke, lembrando-se da sensação de tê-los beijados. A doce sensação de ter aqueles lábios tentadores e sensuais sobre os seus. Lembrava-se perfeitamente do gosto daquele beijo, e que beijo. Um gosto exótico, um gosto nunca antes provado, e sabia que ao provar daqueles lábios nada lhe era mais fascinante.
Percorreu seu olhar sobre Sasuke, fitou seu pescoço alvo descendo para os três botões abertos na camisa social branca do moreno, como um convite tentador. Controlou seus ímpetos de toca-lo, de sentir o mesmo calor de antes contra a palma de sua mão ao tocar o peito de Sasuke. Mordeu o lábio inferior tentando se controlar, ao sentir Sasuke se aproximar de seu corpo, trazendo consigo seu perfume afrodisíaco. Sasuke era de uma beleza exótica, uma beleza fascinante, como se tivesse sido esculpido.
– Está belíssima, irritante.
Ah, querido, não tanto quanto você...
Controlou-se para que seus pensamentos continuassem em sua mente, e que as palavras não escorressem livremente por seus lábios, ou teria um grande problema.
– Oh, god! Sasuke Uchiha me elogiou, já posso sentir-me a mulher mais sortuda do universo! – Exclamou, divertida. Em resposta ganhou um olhar entediado de Sasuke, que logo se transformou em um enigmático.
Sentiu seu corpo retesar, ao ver Sasuke aproximar seu corpo quente do seu. Fechou os olhos ao sentir o nariz do moreno roçar contra seu pescoço, inspirando seu cheiro.
– Seu cheiro é viciante, Senhorita Haruno.
Abriu os olhos encontrando o olhar enigmático de Sasuke. Respirou fundo, contando até dez em busca de seu alto controle. Oh, Deus! Sasuke iria enlouquecê-la. Estava caindo perfeitamente em seu feitiço, já conseguia sentir o laço do destino lhe puxando para Sasuke, e droga, não podia se render assim.
Desviou o olhar do rosto de Sasuke, descendo por seu corpo, e que corpo. Sorriu de canto ao ver o terno do moreno.
– Obrigada, Senhor Uchiha. Mas onde está a gravata?
– Odeio gravatas.
– Oh, que pena. Perdeu a chance de protagonizar no centro dessa sala a cena mais clichê, mas o irônico é que não sei dar nó de gravata. – Ironizou. – Fica para uma próxima, pois claro não quero desaponta-lo.
– Vamos, irritante.
Sorriu ao perceber que tinha contornado a situação perfeitamente, Sasuke não tinha percebido o quanto aquela aproximação tinha mexido consigo, e definitivamente não lhe daria esse gostinho.
Sasuke com certeza iria desistir de tentar desvenda-la, não iria render-se tão facilmente.
–*–
– De jeito nenhum!
– Pare de ser irritante, e saia do carro.
– Sem chance, Sasuke!
– Não estou entendendo o porquê desse alarde todo.
Cruzou os braços lhe lançando um olhar irônico. Não podia acreditar na pergunta absurda que Sasuke acabara de fazê-la. Como ele a levava para conhecer sua empresa vestido como um nobre, e não a avisava? Ao olhar para seu vestido preto soltinho, suspirou, por mais que sua roupa estivesse boa, Sasuke estava divino.
– Não é justo! Você está impecável, enquanto eu... – Não terminou sua fala, fechando os olhos, suspirando.
– Está linda, Senhorita Haruno. – Sasuke a olhava intensamente, abrindo a porta para que saísse. – Não é a roupa que te faz estonteante, mas sim você. – Diz segurando sua mão, á tirando do carro.
Mordeu o lábio inferior, impedindo seu sorriso de alargar por seu rosto. Seu coração jamais tinha batido tão rápido ao ouvir aquelas palavras saírem dos lábios de Sasuke, palavras que ao ver do moreno eram tão simples, mas que para Sakura tinha sido um gesto lindo.
– Ok, conseguiu me convencer. – Murmurou olhando para baixo, tentando esconder a vergonha.
– E se quer saber, só estou usando roupa formal porque faz parte do meu trabalho. – Sasuke sorriu de canto, piscando.
Sorriu, revirando os olhos, Sasuke conseguia diverti-la. Essa constatação no começo a assustou, mas aos poucos fora se acostumando. Sasuke era divertido, por mais que às vezes parecesse um velho rabugento, tinha seu lado divertido, e percebeu que gostava desse lado, era uma camada de Sasuke que lhe era interessante.
– Então, essa é a famosa empresa Uchiha. – disse olhando em volta, realmente era tudo muito belo. – Sabe, jamais me acostumarei com o fato de você comandar tudo isso.
– Por quê? – a olhou, confuso, voltando à atenção aos seus funcionários que o cumprimentava, respondendo aos seus cumprimentos.
– Eu já disse, não faz seu estilo. – disse simplesmente, respondendo os cumprimentos dos funcionários de Sasuke em seguida, eles eram mais educados que os funcionários de Sasori.
– Não fazia meu estilo Sakura, talvez devesse parar de viver no passado, e perceber que ambos não somos mais os mesmo.
Entrou no elevador, avaliando aquela frase. Realmente, não era a mesma Sakura de anos atrás, muitas coisas haviam mudado, e uma dessas coisas era a sua crença nas pessoas, e nos sentimentos, não era a garota alegre que um dia fora, e tinha a plena certeza disso. Com Sasuke também parecia que tinha acontecido à mesma coisa, a sombra do antigo Sasuke, o Sasuke que não se importava com nada, e muito menos com o seu bem estar, parecia ter mudado. No fundo, suas duvidas ainda continuavam, queria saber o motivo de Sasuke mudar tanto, porque por mais que ele parecesse melhor, sentia que o moreno estava quebrado. Algo avia o quebrado, só queria saber o que.
– Talvez você tenha razão. – confessou. – Talvez eu esteja vivendo no passado, mas é que o passado parece menos complicado.
– Especifique.
– Eu prefiro ter a imagem de um Sasuke normal, um Sasuke emo e irritante, invés desse empresário cheio de glamour.
Sasuke sorriu se aproximando de seu corpo.
– Eu gosto disso, gosto de saber que eu sou uma pessoa normal para você. Não quero que me veja como esse cara. – disse apontando para as roupas formais que usava.
– Então não se preocupe, continuarei te vendo como um emo irritante.
Sorriu batendo seu dedo de leve no peito de Sasuke, se virando para sair do elevador, mas ao virar sentiu seu sorriso sumir pela vergonha, ao ver dois funcionários de Sasuke parados os olhando.
Os dois homens pareciam embasbacados com a mulher a sua frente, não só por sua beleza inquestionável, como o seu modo de agir com seu chefe. Jamais haviam visto Sasuke Uchiha de maneira tão descontraída, muito menos na empresa. Mas logo desviaram seus olhares da mulher a sua frente, ao receberem um olhar nada satisfeito de Sasuke, enquanto enlaçava a cintura de Sakura.
– Vamos, irritante. – sussurrou em seu ouvido, a guiando pela cintura, deixando os dois homens para trás ainda mais surpresos com sua ação.
Às vezes sentia uma imensa vontade de socar aquele rosto esculpido e terrivelmente sedutor de Sasuke. Como ele mexia daquele jeito com ela? Não sabia onde enfiar sua cara de tanta vergonha ao ver os olhares daquele homem, e a ultima atitude de Sasuke conseguiu constrangê-la por completo. Porque ele tinha que ser tão incrível com ela? Não conseguia mais controlar a sensação quente que se apoderava de seu peito ao ser tratada daquela forma cuidadosa, e provocativa pelo moreno.
– Boa tarde, rose. Mais tarde leve aqueles relatórios para eu assinar. – Sasuke disse para o que parecia ser sua secretaria.
– Boa tarde, Senhor Uchiha, os levarei com os contratos de Gaara. – respondeu ao moreno, recebendo um aceno de cabeça.
– Boa tarde, Senhorita. – a mulher lhe sorriu, gentilmente.
– Boa tarde. – devolveu-lhe o sorriso, seguindo Sasuke para entrar em sua sala.
Sorriu entrando na sala de Sasuke, se jogando em seu sofá.
– Adorei seu sofá. – sorriu, cruzando as pernas num rápido movimento, movimento esse que Sasuke fez questão de acompanhar.
– Percebi.
– Você também tem uma cafeteira, saudades da minha.
– Você e seu vicio pela cafeína.
– Olha, para quem passa madrugadas acordada escrevendo, o café é um amigo e tanto.
Sasuke sentou-se em sua cadeira, olhando-a atentamente.
– Porque desistiu de ser escritora?
Desviou o olhar de Sasuke para um ponto fixo na parede, pensativa, respondeu:
– Eu não desisti. – Deu um sorriso suave, que aos olhos de Sasuke pareceram um sorriso triste.
– Mas veja bem, quando terminei minha faculdade, Jesse me indicou a editora de Sasori. – entrelaçou os dedos sobre os joelhos, olhando para Sasuke, e percebeu ver uma sombra em seus ônix ao pronunciar os nomes de seus antigos algozes. – No começo eu era ingênua, e Sasori parecia se alimentar de minha ingenuidade. Prometera analisar meus manuscritos, tudo mentira. – Suspirou, sorrindo irônica. – No final aquele inferno só me serviu para ir a eventos chatos, e descobrir como Sasori era um lobo em pele de cordeiro.
Sasuke ouvira todo seu relato, com um olhar indecifrável, parecia ler sua alma.
– Quero que venha trabalhar para mim, Sakura.
– Sasuke...
– Eu sei, você não quer misturar as coisas, mas a quero trabalhando ao meu lado.
O olhou, mordeu o lábio inferior, por mais que a ideia fosse boa, realmente não queria misturar as coisas.
– Com licença, aqui estão os contratos, Senhor Uchiha.
– Obrigado, Rose.
Sasuke agradecera a mulher, mas seu olhar continuava em Sakura. Um olhar tão intenso que fazia algo remexer em seu interior. Logo rose se retirara. Ao olhar para os papeis nas mãos de Sasuke resolvera mudar de assunto.
– Esses contratos que está assinando com Gaara, significa que são sócios?
Perguntou, sua curiosidade falara mais alto, e desde que escutou rose falando o nome de Gaara, quis saber se eram sócios.
– Sim. – o moreno respondera monossilábico, voltando sua atenção aos papeis.
– Há quanto tempo é sócio de Gaara?
Seus olhos continuaram presos ao rosto de Sasuke, avaliando suas reações, mas ficava difícil quando o moreno permanecia enigmático. Apesar de estar numa “trégua” com Sasuke, não tinha deixado de tentar descobrir o que tanto o moreno escondia.
– Há algumas semanas. – respirou fundo, o olhando.
– Sasuke...
– Sim?
O moreno levantara o olhar dos papeis, para seu rosto.
– Você já conhecia Gaara?
Apesar de se sentir incomodado com a pergunta, o moreno não deixou transparecer. Sakura não poderia saber que sua volta não fora um encontro do acaso, mas que na verdade algo planejado por ele. Ela não poderia saber que encontrou Gaara há alguns anos atrás, e muito menos, que planejara o reencontro deles.
– Não.
Apesar da mentira, sua face continuava enigmática. Aprendera há muito tempo a esconder suas emoções, e não seria agora que vacilaria. Seus olhares se cruzaram, esmeraldas cheias de duvidas, e de desconfiança, contra ônix tão cheios de mistérios e lampejos de dor. Passados conflituosos, futuros incertos. Lembranças inundavam suas mentes, os deixando mais vulneráveis.
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