Destino
5 Capítulo 5
– Meu deus, como é bom ouvir sua voz. Estou super preocupada!
– Com o que querida? Sua mãe já chegou em casa Gabriela?
– Não pai. Era isso que ia te dizer, ela falou que ia chegar aqui às 18h e até agora não chegou! Será que aconteceu alguma coisa? – falei segurando o choro
– Estou a uns 8 quarteirões da casa da sua mãe, daqui 5 minutos chego!
Desliguei o telefone. A casa estava tão silenciosa que conseguia ouvir meu coração acelerando. Comecei a falar sozinha andando pela cozinha desesperadamente atrás de alguma coisa para me ocupar.
–Será que aconteceu alguma coisa? Ai Gabriela, cala boca, você só sabe pensar negativo. –pa- rei em frente a geladeira. Estava falando sozinha, igual doida. Até que ouvi a campainha – Pai!!!
Abri a porta correndo e vi quem era, acho que fiz uma cara de assustada porque ele falou:
– Desculpa aqui aparecer essa hora, é que eu precisava falar com você...
– Ben. – O interrompi. “Cara, preciso parar de interromper as pessoas” pensei. – Você precisa ir em bora. Agora.
– Olha, eu sei que você deve estar brava é só que... Me ouve por favor.
– É serio Ben, agora não é uma boa hora. Na verdade, é uma péssima hora e não to com tempo pra explicar.
–Filha! – Meu pai me viu e saiu correndo em minha direção até que ele percebeu. – Ben?
–Oi Paulo.
–Ben, já te falei que não é uma boa hora. Por favor.
– Não querida, ta tudo bem. Você precisa de alguém pra ficar do seu lado agora e acho que Ben seria uma boa companhia.
“Valeu pai, valeu mesmo” Pensei revirando os olhos.
O telefone do meu pai tocou e me mostrou na tela que era a mamãe.
– Atende logo pai! Não fica parado!
O Ben estava quieto, não dizia nem uma palavra, só ficava me encarando. Depois de uns cinco minutos no telefone meu pai desligou e me olhou com uma cara triste.
–Filha... – ele deu uma pausa longa engolindo a seco – sua mãe teve um acidente de carro.
Ben olhou assustado e ficou me encarando com aqueles olhos azuis. Como não disse nada, meu pai tossiu e falou:
– Eu vou ir no hospital, quero que fique aqui Gabi. Por favor, Ben, você pode ficar aqui cuidando dela enquanto eu vou?
–Eu vou junto.
–Filha você fica.
– Não! Ela é minha mãe! — acho que devo ter gritado, porque eles me olharam assustados.
No carro, eu chorava, chorava muito. Estava assustada, cansada, cheia de pensamentos e me sentia sozinha.
Entrando no hospital já tinha parado de chorar, mas meu rosto continuava vermelho. Senti Ben colocando os braços em volta da minha cintura, me sentia segura com ele. Permanecemos andando assim por um tempo. Depois voltei a realidade e falei saindo de perto dele, andando mais rápido:
–Ainda temos muito que conversar.
Cheguei ao quarto da minha mãe, meu pai falava com o medico ao lado da porta. Ela estava com os olhos fechados, parecia estar dormindo, mas logo se abriram quando ouviu a gente chegar.
–Gabi... – Só pela voz mostrava que ela estava fraca.
–Mãe, o que aconteceu? – voltei a chorar
– Fecha a porta querida, deixe-me ficar sozinha um pouco com você.
–Ben, você pode esperar do lado de fora por favor?
–Claro. – ele saiu fechando a porta.
–Querida – ela tentou enxugar minhas lagrimas mas não conseguiu chegar suas mãos até meu rosto.
–Mãe, você está fraca demais. Não se move, ta bom? Eu to bem aqui. – Disse pondo minhas mãos em cima das dela.
– Preciso te contar uma historia.
– Uma historia mãe? Agora? Você não prefere falar o que aconteceu?
– Tudo bem, acho que não consigo conta com detalhes, então vou resumi-la. – Ela deu um suspiro e continuou – Eu e seu pai, querida, tínhamos voltado. E era essa uma das surpresas que iria te falar no nosso jantar. Mas quando eu sai do trabalho liguei para seu pai e o convidei para jantar conosco, mas ele falou que estava no restaurante Boolier acabando um jantar com uns amigos. – ela deu outro suspiro – Então resolvi fazer uma surpresa e aparecer lá. Só que quando cheguei vi que ele estava jantando, a luz de velas, com aquela mulher, mãe do seu amigo Gustavo inclusive. Eu fiquei muito mal filha, peguei o carro, comprei acalmantes e depois comecei a beber. Só que voltei a dirigir. Foi burrice, eu sei. – vi que saia lagrimas dos seus olhos enquanto falava isso – Bati o carro em um poste, o jeito que eu bati, fez o carro rolar e ficar de cabeça pra baixo. Por pouco não quebro o pescoço.
O medico entrou na sala e me encarou enquanto eu chorava. Pediu para falar comigo. Me levantei e fui para fora do quarto.
– Eu sinto muito Gabriela. Mas tenho que te contar uma coisa.
– Diga.
– Vamos precisar desligar as maquinas.
Parecia que tinha levado um choque, como assim desligar as maquinas? Eles não podiam fazer isso! Era minha mãe!
– Ela está muito ruim. Você prefere que ela continue nesse estado ou prefere que ela descanse logo?
“Não posso ser egoísta, tenho que fazer o melhor para ela”, pensei. Olhei para Ben que estava ao meu lado com uma cara arrasada e voltei a olhar para o medico.
–Tudo bem. Posso só falar com ela?
– Claro.
Entrei no quarto, fechei a porta e cai no choro. Minha mãe pediu para eu me acalmar, que ela sempre estaria ao meu lado. Mas não podia acreditar nisso, que nunca mais veria ela. E só de pensar doía, imagina viver isso. Não dava.
– Filha, por favor... – ela não conseguiu terminar a frase.
– Mãe, eu te amo. Eu te amo muito. Desculpa por qualquer coisa. Você é a melhor mãe do mundo – estava chorando muito.
–Eu te amo muito também queria, você sempre será o meu bebe. Sempre. E isso nunca vai mudar. Eu vou estar com você em todos os momentos da sua vida. Você é a coisa mais importante pra mim. – ela deu uma longa pausa – Olha, no meu quarto tem umas coisas que eu ia te fazer uma surpresa, quando você estiver pronta, vá lá.
O medico entrou na sala de novo. Olhou pra mim e pra minha mãe. Dei a mão para ela e assentimos com a cabeça. Quando meu pai entrou deu para ver Ben sentado do lado de fora em uma cadeira.
–Adeus querida, eu te amo...
Pi Pi Pi Pi... Ela tinha ido. Não acreditei.
Andando de volta ao carro percebi que Ben estava segurando minhas mãos. Não liguei, não estava me sentindo bem, alem de tudo o que tinha acontecido estava me suando, me sentindo zonza, fraca.
~o~
Acordei na minha cama com o despertador para aula. Precisava ir. Era prova. A única coisa que me lembrava quando cheguei na casa do meu pai e Ben se despediu, pedi para ele não contar a ninguém.
Tomei um banho e puis qualquer roupa. Meu pai continuava dormindo, nem pensei em acordá-lo. Peguei meu celular na bancada e deixei um bilhete falando que estava indo para escola.
– Biela!!! Você sumiu ontem, o que aconteceu?
– Depois te conto Gus...
– Porque você ta com essa cara?
– Licença, gabi, pode conversar sobre ontem? – O Ben tinha chegado e nunca fiquei tão grata de vê-lo, estava quase chorando no meio do pátio.
–Ontem? – Gus olhou pra mim
– Desculpa Gus, depois eu te explico tudo, preciso mesmo ir...
– Quer saber, vai lá Gabriela. Vai com o seu ex-melhor amigo, aquele que te machucou muito. Não me importo.
– Fala sério Gustavo!
Ele foi em borá.
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