Destino
2 Capítulo 01
Notas iniciais
Chapter One
Cheguei no meu muquifo, apelido carinhoso que eu mesma dei ao meu apartamento. Fechei a porta atrás de mim enquanto jogava a minha bolsa em um canto qualquer naquele sofá velho:
— Mamãe eu estou com fome — disse em seu tom de voz manhoso.
— Você só me trás prejuízo — falei enquanto ia até a geladeira e pegava em seu interior uma madeira com leite misturado com achocolatado em pó, então entreguei para ela.
Não tinha pena dela, talvez deva ser pelo fato de eu ter sofrido quando era pequena ou talvez pelo fato de eu nunca querer ter tido ela. Caminhei até o pequeno banheiro e tomei um banho rápido, para logo após voltar ao meu quarto e colocar apenas uma camiseta branca e um shortinho preto curto. Voltei para a sala e vi que a garota brincava com um ursinho surrado. Eu nunca comprei nada para ela, os ursinhos que ela tinha eram presentes de clientes. Que sempre tentavam me agradar, porque dizendo eles eu era irresistivelmente irresistível.
Peguei no armário da cozinha um litro de vodca e uma caixa de sapatos velha, que dentro continha minhas seringas cheias. Sentei no chão, com as costas contra a parede e comecei a beber pelo gargalho da garrafa e depois apliquei a primeira dose da droga em meu ante braço. Continuei a beber, e a beber e logo apliquei uma segunda dose da droga em mim mesma novamente. Já via tudo a minha volta rodar, sentia a minha cabeça latejar e a garota ficar me chamando e chamando, e com isso eu balbuciava para ela calar a boca. Escutei um barulho forte e vi algumas pessoas entrar em meu apartamento, eu já deveria estar alucinando:
— Haruno Sakura viemos aqui para levá-la — foi à única coisa que eu escutei vindo de uma mulher loira a minha frente para logo após apagar completamente.
.
.
.
Comecei a abrir os meus olhos lentamente quando eu acordei, para que eu me acostumasse com a claridade daquele quarto em que eu estava. Sentei na cama e coloquei uma das minhas mãos sobre a minha cabeça, então sentia algo pinicar em meu antebraço, era o fio do soro. Reparei melhor e assim notei que eu estava em um quarto de hospital:
— Ah, você acordou — a mesma mulher loira que eu vi antes de desmaiar entrou naquele quarto.
— A onde eu estou? Como eu vim parar aqui? — afinal eu não estava tendo uma alucinação.
— Você está no meu centro de reabilitação. Seu vizinho a denunciou dizendo que se prostituía, se drogava e se embebedava de álcool, para piorar cuidava em situações precárias de uma menina de três anos.
— Droga! — praguejei sabia que aquele cara não era de confiança, eu sempre o pegava me vigiando às vezes — Aonde ela está?
— Em um abrigo para crianças, com o mesmo caso que o dela. Se você conseguir se reabilitar poderá tê-la de volta, mas só depois que arranjar um emprego antes.
— Hm, posso ir embora então?
— Você não escutou nada do que eu disse? — seu tom de voz já havia se alterado, ela já estava visivelmente irritada — Você está em um centro de reabilitação para se recompor, ou seja, você vai ficar aqui sem drogas, sem álcool e principalmente sem se prostituir por tempo indeterminado. Até você voltar a ser uma pessoa recuperada, desse jeito você é um perigo a sua filha e principalmente a si mesma, já que se não tivéssemos chegado a tempo você teria morrido, por uma crise de overdose.
— Você não pode estar falando sério?!
— Eu sou uma pessoa séria Haruno. Vai ser melhor assim — fiquei em choque, Senji irá me matar assim que descobrir que eu saí do programa dele — Melhor descansar mais um pouco — falou por fim então bufei irritada, isso não poderia estar acontecendo.
Suspirei entediada, havia acordado há poucos minutos e não sabia o que fazer para sair dali. A velha havia me assegurado que não tinha como eu fugir do centro, que não era nem para mim tentar. Maldição, como eu iria sair de lá? Levantei da cama e olhei pela janela, percebi que eu deveria estar uns dois ou três andares do chão, e do lado de fora daquele lugar havia um vasto jardim, com lindas árvores que estavam com as suas flores desabrochadas, era uma imagem linda de se ver e pelo jeito eu não estava mais na minha antiga cidade:
— Com licença — uma garota de longos cabelos azulados entrou naquele quarto com um jeito tímido — Meu nome é Hyuuga Hinata e vim levar você para o seu quarto e depois apresentar o centro para você.
— Prazer Hinata eu sou Haruno Sakura. Você também esta de reabilitação aqui?
— Não eu sou apenas voluntaria. Meu namorado é neto da diretora então eu o ajudo.
— A velha loira?
— Cuidado Haruno-san, Tsunade-sama não gosta de ser chamada de velha.
— Pode me chamar de Sakura — a interrompi, assim a vi ruborizar.
— Desculpe... Sakura-san, pode me acompanhar?
— Claro — saí de frente da janela e passei a seguir garota tímida.
Meu quarto ficava no quarto andar daquela mansão, era o ultimo e pelo jeito eu iria dividi-lo com alguém. A Hinata me disse que seria a Yamanaka Ino, mas ela não estava ali no momento. Meu quarto era grande, tinha uma cama de cada lado e uma mesa no meio separando as duas, havia um enorme closet do lado direito e do lado esquerdo uma porta, a onde era o banheiro. A Hyuuga também me disse que eu tinha algumas roupas novas que Tsunade me dera. Acho que ela realmente foi com a minha cara.
Passei praticamente a manhã toda conhecendo aquela mansão, ela era enorme tinha um monte de salas e quartos. Tinha sala de jogos, piscina externa e interna. Tinha biblioteca com um enorme sofá no formato em “C” e no centro na parede uma lareira. Aquele lugar era mesmo luxuoso, haviam muitas coisas para se fazer, não teria como ficar entediado ali. Hinata me levou para conhecer a parte externa da mansão, o jardim era mais lindo pessoalmente com as flores de cerejeira cobrindo todo aquele chão. Havia uma horta em que poderíamos fazer uma plantação só nossa, mas pelo que eu pude perceber aquele casarão ficava no meio do nada, por além das mediações eu só via arvores e o caminho que era em frente da mansão e que se estendia além de seus portões.
As regras naquele centro eram simples, não fuja, não se drogue, não beba e não se prostitua somente isso. Ah! Minha garganta já estava coçando por algum tipo de álcool e o vicio de drogas também já estava incomodando.
O Sol já estava a pino então Hinata me levou para refeitório. Acho que até babei porque havia uma grande variedade de comida ali, nunca havia comido tão bem em toda minha vida. O que eu reparei naquele lugar era que ele só tinha tamanho, mas que não existiam muitas pessoas ali.
Depois do almoço Hinata me mostrou mais alguns lugares e disse que eu poderia ter visitas uma vez na semana, mas que poderia ligar para os meus parentes três vezes na semana, isso seria bom se eu ainda tivesse uma mãe e um pai, claro se o meu pai fosse algo que prestasse.
Havia reuniões durante a tarde, com psicólogos e com outras pessoas alcoólatras, ou dependentes químicos. De certo modo me senti bem no meio daquele povo, eles estavam ali por algum motivo e muitos vinham levando a mesma vida que eu, mas a diferença era que eu era a única com uma filha para criar. Aos poucos eu parava para pensar e cheguei ao ponto em que eu me sentia nojo de mim mesma e raiva, porque deveria ter sido mais forte em relação as minhas dificuldades e principalmente, deveria ter cuidado melhor da minha pequena:
— Hina-chan! — escutei alguém gritar atrás de nós e assim que me virei persegui que um cara loiro vinha atrás de nós.
— Naruto-kun — ela pronunciou o seu nome com o seu jeito tímido enquanto corava levemente.
— Yo! Essa é a nova interna?
— Sim, Tsunade-sama a trouxe ontem.
— Prazer sou Uzumaki Naruto! — apresentou-se esboçando um largo sorriso. Então ele era o namorado dela?
— Haruno Sakura.
— Muito bem Saky-chan! — nossa que intimidade ele nem me conhece direito e já vai me dando apelidos — Espero que tenha gostado daqui, minha oba-chan se empenha muito em mudar a vida das pessoas.
— É eu pude notar.
— Naruto! — falou enquanto vinha a passos pesados em nossa direção — Quem é oba-chan aqui?!
— Você é claro — colocou as mãos a trás da cabeça e fez bico — Afinal é mãe do meu pai, ou seja, a minha oba-chan — ele disse a ultima palavra pausadamente enquanto sorria então pude ver uma veia saltar na testa de Tsunade, para logo após ela socar o seu neto no topo de sua cabeça.
Hinata queria parar a discussão entrando no meio dos dois, mas a coisa só ficou mais engraçada e enquanto eles se matavam eu só via tudo de camarote só rindo.
Estava anoitecendo eu voltei para o meu quarto e lá estava a tal da minha colega . Ino estava arrumando algumas coisas sobre a sua cama e parou para me fitar, assim que eu abri a porta:
— Oi! Então você é a minha nova colega, a Sakura.
— Sim Haruno...
— Eu já sei e você também deve saber o meu nome — sorriu enquanto mexia em algo no bolso de sua calça — Você fuma? — então percebi que ela tirou um maço de cigarro do bolso da calça e me ofereceu logo em seguida.
— Sim — falei animada pegando um cigarro então a segui até a pequena varanda que tínhamos no quarto.
— Consegui me livrar do álcool e das drogas, mas menos disso aqui.
— Hm eu só estou começando aqui.
— Você vai gostar. Conhecemos pessoas muito boas aqui, inclusive a Tsunade, ela considera todos como seus filhos. Ela é gente fina, só não vá contar do cigarro para ela.
— Vai ser o nosso segredinho — rimos cúmplices.
Passamos um bom tempo falando de nossas vidas, descobri que seu eu quisesse Ino poderia me trazer alguma bebida ou qualquer outra coisa, já que o “ficante” dela era um dos internos, mas era meio rebelde e conseguia coisas para nós que não eram permitidas ali.
De certo modo eu não iria pedir nada para ela, por enquanto, eu iria tentar mudar, mas só tentar. Talvez eu viveria de outro jeito e poderia ficar junto da minha pequena. Mesmo que eu tenha ficado apenas algumas horas conversando com aquelas pessoas e sentindo aquele ambiente agradável, algo dentro de mim já queria mudar para melhor.
Fale com o autor