Destinação
10 We already know that.
Notas iniciais
POV Justin
Já era madrugada e nada de Brian chegar ou ao menos me telefonar para me dar notícias suas. Eu estava com uma sensação muito ruim no peito e aquilo tava me deixando com medo, e bastante frustrado. Mas agora chega! Eu preciso acha-lo nem que pra isso eu..
Escuto o barulho de alguém entrando no loft, vou a passos largos na esperança que seja ele. E era! Graças a Deus ele estava bem e suado?!
– Onde você estava? — Perguntei com a mão no meu nariz.
– Não importa, agora eu to aqui e preciso de um banho. — Ele falou sem nenhum tipo de expressão. Ele passou por mim, caminhando estranhamente, como se tivesse sido.. fodido por um cabo de vassoura ou algo assim.
Nunca vira Brian assim, essa expressão é nova. O acompanhei até o banheiro e vi a dificuldade do mesmo para tirar a roupa e me ofereci para ajudar, mas ele me empurrou com dificuldade para fora do banheiro e fechou a porta.
Eu não sabia como e o que falar, algo havia acontecido e ele não quer conversar sobre isso. Sendo que estou aqui por ele, ele poderia ao menos considerar, eu sempre o ajudei em tudo. Bati na porta meio receoso, e então comecei a ouvir o barulho do chuveiro. Ele não iria querer conversa agora. Melhor preparar algo pra ele comer então.
POV Brian
Ter Justin de volta era tudo que eu queria, e eu consegui. Lembrar de seu rosto em cada segundo foi o que eu sempre fiz e foi o que me ajudou a manter forças durante esse dia, eu finalmente tinha me dado conta do quanto eu amo esse loiro.
Fiquei em baixo do chuveiro enquanto deixava a água cair no meu corpo, eu fedia, eu estava sujo, eu estava cheio de porra do Chris Hobbs, eu não havia como tirar isso de mim tão facilmente. Aquele filho da puta me fodeu até cansar.
Pela primeira vez não consegui acabar com a raça de alguém, pela primeira vez me senti fraco, me senti um adolescente iludido, me senti uma garotinha indefesa e, sinceramente, não desejo isso para ninguém. Essa é uma das piores sensações do mundo.
Virei de frente para a parede e encostei a mesma lá, inclinei meu corpo e voltei aos meus pensamentos. Uma das coisas que percebi durante isso é que não é tão traumatizante como eu temi que seria. Outra coisa é que não quero mais ver a cara de Chris Hobbs, ou a do Jones Whickler novamente, sendo que este último ainda irá me pagar caro pelo que fez.
Uma terceira percepção foi que nisso que esses idiotas fizeram comigo, eu pude perceber que meu sofrimento momentâneo me lembrou Justin, infelizmente ou felizmente falando. Me lembrou suas expressões de tristeza, raiva, tudo por minha causa, por tudo que o causei a ele, tudo que o fiz sentir sem que quisesse, porque desde o começo eu sabia que ele era suficientemente capaz de me fazer sentir o que ninguém me fez sentir até hoje, o amor.
Desde o momento em que aquele twink apareceu na minha vida, eu sabia que iria ter ele na minha vida para sempre, nem que eu não quisesse. Por mais que eu negue, ou que eu não demonstre tanto, eu o amo com todas as minhas forças. Meu pensamento já não é mais um segredo quando o assunto é Justin Taylor.
E por isso eu não iria contar nada do que aconteceu, nada que ele mereça saber e reviver. Nada que o faça lembrar de Chris Hobbs, nada que o faça sofrer aos meus olhos novamente. Iria inventar uma desculpa qualquer sobre hoje e ele acreditaria. Voltaria para mim e ficaríamos tentando a sorte aqui em Pittsburgh. Tê-lo de volta é um mal-bom-necessário, e eu havia me dado conta disso.
Peguei o sabonete e me ensaboei com cautela, tirando a maioria do odor e da sujeira que tinha adquirido hoje. Queria que ele ficasse de uma vez, queria provar a ele que sou capaz de ser uma pessoa melhor, queria que ele continuasse vindo de NY para cá, e queria visita-lo todos os fins de semana em NY, e ainda quero. Não quero que desista de seu sucesso, quero que ele conquiste tudo o que quiser, e que venha definitivamente para meus braços depois, quero mantê-lo perto sempre que possível.
Esse é o plano, que dará certo. E ele irá de concordar. Depois de tirar o sabonete do corpo, fechei o chuveiro e me enxuguei com cuidado, fiz um breve alongamento e durante o mesmo, senti um cheiro de comida. Ele estava cozinhando, como sempre fazia, sentia falta dele cozinhando para mim, porque a comida dele é a mais especial.
Sai do banheiro e vesti algumas roupas. Deitei na cama logo depois e olhei para o teto do loft, aquela neblina sensual fazia parte de mim e de Justin e nunca deixaria de fazer parte. Fechei meus olhos, respirando pausadamente para disfarçar o cansaço e pensando em alguma desculpa antes que ele viesse com seu típico questionário indireto. Já sabia o que dizer mais ou menos.
POV Jones
Quanta grana!!! O Hobbs se certificou bem do meu pagamento e era exatamente o que tínhamos combinado. Se bem que pra dar esse troco no Brian, eu teria que receber uma boa quantia mesmo. Mas, a essa hora, ele deve estar na pior, já que Hobbs não perdoa mesmo.
Ainda estava viajando no ônibus em que os caras me colocaram, a estrada tava bem escura, já era noite e o motorista já tinha idade, era bom que sempre ficasse ligado na estrada. Ou o pior aconteceria. Não mesmo.
Resolvi me recostar na poltrona e fechei os olhos, já estava cansado desse dia, no próximo já queria estar no meu destino, ganhando a vida e alguns caras para foder e ser fodido, já que o Taylor me fez ter um gosto por isso. Não demorei muito e entrei na inconsciência.
POV Justin
Havia feito sopa de galinha para Brian comer. Ele parecia precisar disso. Não estava bem e provavelmente estava faminto. Recordei, de forma infeliz, a última vez que havia feito essa sopa para ele. Havíamos discutido pelo fato dele remover um testículo e me privar dessa doença que ele teve. Me lembro como se fosse hoje, e tenho certeza que agora, o motivo era outro.
Levei a sopa em um prato até o 'quarto', o vi deitado como se tivesse dormindo ou algo assim, coloquei o prato em cima da cabeceira e me sentei perto dele. Ele se mexeu na cama e abriu os olhos cor de avelã que me fitavam do jeito que eu gosto, intensamente. Deixei escapar um sorriso de lado.
– Eu fiz uma sopa, você deve estar com fome.. — Anunciei, observando qual seria sua reação.
– Estou sim, com muita fome na verdade.. — Ele se colocou a sentar na cama lentamente, parecia que alguém o tinha triturado. Me levantei e peguei a sopa, entreguei o prato para ele. E me pus a observá-lo comer.
– Brian, o que aconteceu hoje? Porque me pediu para que ficasse em lugar seguro? — Perguntei por impulso, não queria que o silêncio tomasse conta do ambiente e estive preocupado demais com ele hoje, precisava saber.
– Sabe o Whickler? — Ele me perguntou e eu assenti. — Ele me ligou dizendo que estava com você e eu fiquei preocupado. Por isso, os gritos ao telefone, por isso a preocupação em manter você seguro, porque depois fui acertar minhas contas com ele.
– Que FILHO DA MÃE! Porque ele fez isso? Como assim acertar as contas? — Me levantei incrédulo, esse Whickler era pior do que eu imaginava, que idiota que eu fui de ter trepado com ele!
– Eu não sei porque ele fez isso, mas fez. Acertei minhas contas com ele, dando-lhe uma.. — Ele comeu um colherada da sopa. — ..bela surra e mandei ele sumir dessa cidade, me certifiquei disso. Isso acabou com minha coluna, por isso a lentidão para sentar e tudo.. — Ele comia rapidamente, parece que não comeu o dia inteiro.
– E se ele voltar, Brian? O que vamos fazer? — Me sentei novamente ao seu lado, pensando no terror que seria esse merdinha voltar a infernizar nossas vidas.
– Ele não vai, Justin, eu prometo. — Ele terminou de comer e me entregou o prato. Coloquei na mesa que havia ao lado da cama, e olhei para Brian. Não sabia o que dizer.
– Justin, eu pensei bastante hoje a respeito de nós e decidi que quero você de volta da minha vida. — Ele continuava a me olhar intensamente.
– Como? — A atenção que até antes eu não dava totalmente a Brian, voltou e o olhei sem entender, não acreditando.
– Eu quero você de volta na minha vida. Você deve saber como é ficar longe de quem você quer por perto e não poder fazer isso. Eu não quero me sentir dessa forma, não mais. — Ele fechou os olhos e os abriu novamente, mais cheio de vida, mirando os meus olhos. — Volta pra mim, sunshine?
Eu não sabia como reagir, ou o que falar, ou o que pensar, como eu iria ter sucesso em NY, como eu iria vender meus quadros, espalhar meu trabalho? Será que ele havia pensado nisso? Ele mesmo me mandou ir para a cidade ganhar a minha vida e agora me pede para voltar. Não sei se estou ficando louco, imaginando coisas.
– E Nova Iorque? — O questionei, confuso.
– Você não precisa sair de lá, nos finais de semanas nos vemos em Britin, como deveria ser o combinado.. — Ele falou de forma simples, como se fosse óbvio. E era, muito óbvio.
– Se eu entrar na sua vida novamente, não vale me pedir para sair dela novamente. — Deixei bem claro a minha condição, porque eu faria de tudo para fazer o resto.
– Você nunca saiu dela, essa é que é a verdade.. — Ele me puxou para cima dele e os nossos lábios se encontraram de forma feroz.
Havia uma necessidade nesse beijo que eu nunca vira, Brian falara tudo que eu sempre sonhei em escutá-lo falando, era como se hoje fosse necessário para que ele me aceitasse de volta em sua vida. Seja como for, eu voltei para meu moreno e não há nada melhor do que isso nesse momento. Dessa vez, eu sentia que tudo iria dar certo.
POV Brian
E como de costume, acabamos nus na cama depois de uma foda, que não era bem apenas uma foda. Era a nossa foda. Agora é uma nova fase a qual eu irei finalmente ficar com meu loiro. Sem desculpas e sem obstáculos, porque tudo se torna pequeno comparado a ele.
Finalmente teria meu twink de volta. E tudo dera certo agora. E dará mais futuramente, porque não haveria mais solidão, mais confusão, mais problemas, mais nada. Apenas eu e Justin, em Britin, aqui, em NY ou em qualquer lugar, nos desejando, nos amando, sempre variando em diferentes circunstâncias, mas nunca deixando a neblina sensual passar.
Tinha de comemorar, exatamente onde tudo teria bem mais sentido do que aqui no loft, e esse lugar, hoje estaria cheio de caras quentes, atrás de uma foda, ou uma companhia para dançar em meio a efeitos e glitter caindo em cima de todos. Babilônia que nos espere.
Arrastei Justin junto comigo para o clube e como sempre, ele estava cheio. Justin me levou imediatamente para a pista de dança, que com certeza, é o que ele mais sentira falta, já que adorava dançar, ainda mais comigo. Segurei em sua cintura e lutei contra a dor da minha coluna para dançar com meu loiro, esse sacrifício era necessário.
Logo depois fomos beber alguma coisa e situar o caminho do quarto dos fundos para uma foda dupla, reconstruindo alguns momentos que tive com ele nesse lugar. Justin jamais deixara de ser meu raio de sol, ou o dono do meu sorriso de cada dia com seu brilho natural. Ele só fortalecia isso a cada segundo que passava entre nós.
Depois de aproveitarmos bastante no clube, saímos do mesmo e o parei bem em frente aquela esquina. A esquina que o vi pela primeira vez, fixei meu olhar para lembrar novamente ele encostado nos poste cinza, olhando para mim. Senti que sunshine olhava para mim e soltou a minha mão, ele foi correndo para o poste.
Pisquei meus olhos algumas vezes e o vislumbrei novamente no poste, com uma roupa diferente, claro, mas com o mesmo olhar, mesma pretensão e então caminhei da mesma forma como fui até chegar nele novamente e lembrar da nossa primeira conversa. Mantive uma expressão de tesão como de primeira vez.
– Como você está? Muito ocupado esta noite?
– Apenas.. vendo os bares, sabe? Boytoy.. Meathook..
– The Meathook, sério? — Expressei diversão. — Então você gosta de sado-maso?
– Claro. — Ele falou com seu olhar sexy.
– Pra onde você está indo?
– Nenhum lugar especial.
– Eu posso mudar isso. — Esbocei um sorriso, confiante. Isso era tudo.
– Você já mudou, Brian Kinney. — Ele continuou o diálogo, permaneci o fitando. — Mudou desde o momento que nos falamos pela primeira vez aqui, desde que você me levou para o loft, me masturbou e depois nós transamos. Você mudou a partir do momento que cuidou de mim e ao mesmo tempo pisou em cima de mim para ver o quanto eu aguentava ser o seu seguidor de fã clube. Você mudou a partir do momento que disse que me amava. Você mudou, principalmente, agora. — Ele colocou sua mão no rosto. — Agora que voltamos ao começo, ao começo dessa nova parte da nossa história, a essa parte que não terá mais erros, e sim acertos devido aos erros do passado. É a partir de agora que tudo começa, ainda melhor, Britin agora, antes e sempre. Eu te amo.
Sem me dar ao menos um tempo para esboçar algo ele me beija, me beija na frente de todos ali, me beija no lugar onde começamos, e começamos novamente, no lugar que sempre será nosso, no lugar onde agora pessoas nos aplaudiam e ao mesmo tempo torciam para que dessa vez desse certo. O garanhão da babilônia e o adolescente que fisgou o coração desse garanhão estavam ali, mais fortes e diferentes do que nunca. Dessa vez era Brian e Justin da Avenida Liberdade. Dessa vez era pra sempre.
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