Destinazione

6 Ó doce verão


Notas iniciais
Olá queridinhos, como vão? Mudos como sempre, aposto (mudos porque leem e não comentam.), mas deixando isso para lá, hoje temos um capítulo água com açúcar, mas que começa a revelar duas coisas importantes, hm. Bem, sem dar spoilers, acho bom vocês começarem a ler a fic da Jubs, vai ser bom para entenderem capítulos futuros: http://fanfiction.com.br/historia/533470/O_Preco_da_Honra/ E sem música nesse capítulo, seus mal criados!

Depois de dias de cavalgada, sendo guiados pelos mapas precisos de Mário, chegaram à Valence, uma cidade grande e importante para a França na época. Mas como todas as grandes cidades do mundo, suas fronteiras abrigavam a parte mais pobre e era o lugar que o grupo sempre procurava, pois chamariam pouca atenção. O verão os alcançara e a chuva daquela tarde os obrigou a buscar abrigo numa pequena estalagem na estrada. Os cavalos cansados da viagem foram deixados num estábulo não muito grande, mas confortável para os animais.

Conforme os dias de viagem se estendiam, mais próxima se tornava a relação de Maya com os Assassinos, conversas fluíam e o senso de humor dos Auditore sobrepujava qualquer mau humor que pairasse sobre o grupo. A estrada era tranquila, vez ou outra lidavam com um grupo de ladrões, mas nada demais comparado com as lutas que travavam.

Naquela tarde quente de julho, o grupo se dispersou, cada um procurando algo que os distraísse, alguns lendo, outros conversando. Maya aproveitou a distração dos demais para sair do estabelecimento, gostava da chuva e de sentir o cheiro da terra molhada. Os longos períodos que passavam na estrada a deu tempo suficiente para sofrer e superar o luto. Na maioria do tempo se pegava pensando no que viria pela frente e nos estranhos sonhos que costumava ter sobre os objetos aos quais Ezio se referiu. Se eles realmente existiam, talvez os sonhos não fossem apenas fruto de sua imaginação e sim uma mensagem, mas nada era claro o suficiente para ela. Maya subiu no telhado baixo da estalagem, deixando a chuva bater em seu rosto e molhar seus cabelos, pegou-se pensando em Ezio naquele momento, ele era um bom amigo e passavam ótimos momentos juntos, contando histórias ou inventando algum jogo que os distraísse. Ela havia descoberto a origem da cicatriz em seus lábios e a triste história que o havia guiado para o caminho dos Assassinos. Ele a contou sobre suas brigas constantes com os Pazzi, sobre o trabalho no banco da família e suas aventuras amorosas, a maioria delas fazia Maya rir da cara de pau do homem. Ela gostava de ouvi-lo contar sobre suas aventuras no início da juventude e também sobre as missões perigosas que empreendeu desde que se tornara um Assassino. Maya lhe contou sobre o tempo difícil em Veneza, vivendo com os ladrões e lutando para sobrevier ao inverno, falou sobre quando decidiu sair da cidade para tentar viver em um lugar melhor e quando Paolo a encontrou depois de conseguir certa fama nos vilarejos ao norte da Toscana. Contou-lhe sobre as missões que eram confiadas a Paolo e ela, fazendo assim com que sua reputação crescesse entre os Assassinos, sobre como fugia da presença de Ezio na Guilda e de tudo o que aprendeu nos dez anos como aspirante.

O tempo que passavam juntos começava a despertar pensamentos na mente de ambos, mas principalmente na de Ezio, já naturalmente fértil quando se tratava de mulheres. Cansado de não fazer nada em seu quarto, foi procurar Maya.

– Sua amiga está do lado de fora, onde eu não sei. – foi a resposta que recebeu ao perguntar para um dos funcionários.

Ezio saiu da estalagem, procurando por Maya ao redor do lugar, mas não podia ver muito longe por conta da chuva forte. Então se lembrou da mania que a ruiva tinha de ficar em cima dos telhados, sempre que a procurava em Moteriggioni ela estava no topo de uma torre. Escalou até o topo do estabelecimento, usando as janelas como apoio e então a viu sentada com o rosto erguido para o céu, aparentemente gostando de estar toda molhada. Ele se aproximou em silêncio, sentando-se ao lado dela.

Buona sera Ezio – ela o cumprimentou, ainda com os olhos fechados. Os cabelos molhados pesavam, desfazendo os cachos rebeldes e deixando-os mais escuros.

– Aprendeu a ver com os olhos fechados signorina? – ele perguntou com humor na voz.

Maya riu, passando a mão pelo rosto para tirar a água dos olhos e então o olhou – Quem mais viria atrás de mim em cima de um telhado?

Ezio assentiu – Nesse caso está certa. O que faz aqui fora? Gosta tanto assim de chuva?

– Sim. Uma das únicas memórias boas que tenho de minha infância é de quando o verão trazia as chuvas quentes no final do dia e então Rosa, Ugo e eu costumávamos sair para brincar. Era um dos poucos momentos felizes que nos eram permitidos. – ela sorriu – E você, o que faz aqui?

– Vim atrás de um momento feliz... – ele respondeu num tom sério, numa tentativa clara de flerte, mas Maya não era a melhor pessoa para responder à um, ela riu, virando o rosto provavelmente corado. – Me conte dos sonhos sobre os deuses. – Ezio se antecipou, evitando o silêncio que certamente se estabeleceria entre ambos.

– Ah, bem... – ela pareceu hesitar por um momento – Eu ouço a voz de um homem às vezes, ele conta histórias sobre dias antigos, muito antes da humanidade e sobre uma catástrofe que destruiu a raça deles. – Maya suspirou, olhando outra vez para Ezio, como se tivesse medo de continuar. Ele ergueu as sobrancelhas, como se a incentivasse. – Ele diz que são os criadores da humanidade. Em muitos dos sonhos vejo artefatos iguais ao que você carrega na bolsa, em alguns vejo lugares como o templo que Mario descreveu... Mas nada parece real, entende?

– Talvez tudo se explique durante nosso caminho... É apenas uma questão de tempo até descobrirmos mais sobre esse assunto – Ezio parecia um tanto desinteressado naquilo no momento.

Maya olhou em seus olhos que pareciam perdidos ao longe, ganhando sua atenção imediata – Está tudo bem?

– Sim... – ele respondeu vagamente, sentindo um leve arrepio percorrer o corpo ao encontrar o olhar da ruiva – Estava me lembrando de alguém... – sorriu discretamente.

– Posso perguntar de quem? – Maya indagou com um tom simpático, não queria se intrometer nos pensamentos de Ezio, mas gostava de saber sobre seus pensamentos e sentimentos.

– Cristina Calfucci – disse enquanto parecia se perder nos olhos verdes que o encaravam, mas Maya logo desviou o olhar, soltando um suspiro.

“Talvez tivesse sido melhor não ter perguntado” Maya pensou. Por pior que fosse em notar ou revidar os flertes de Ezio, adorava aqueles momentos, se sentia próxima dele, íntima até. Por vezes se deixava imaginar algo além da amizade recente que tinham e até ria de si mesma quando se pegava sentindo ciúme das histórias amorosas que ele a contava. Maya sabia – da boca do próprio Ezio – que seus sentimentos por Cristina eram fortes, mesmo depois de seu casamento e morte, ele jamais a havia esquecido, ouvir naquele momento que ele pensava nela a deixou frustrada e embora tentasse não demonstrar isso, Ezio notou.

– Desculpe... – ele falou, voltando o olhar para a paisagem nublada.

– Ao menos sei por que me olha com interesse. – ela disse de modo frio.

Ezio respirou fundo, se sentando de frente para Maya e olhando em seus olhos – Eu não procuro Cristina em você. Se eu de fato ainda sentisse tanta necessidade dela, morreria em luto.

Maya franziu o cenho – Isso não melhora a situação... – suspirou, se levantando – Vamos entrar antes que acabemos doentes.

Talvez ele devesse explicar o momento, mas ela não dava sinal de que o deixaria falar sobre aquilo, Maya tinha certo dom em se fechar para o mundo quando sentia necessidade e esse era um desses momentos. Ele a seguiu, descendo do telhado e entrando na estalagem em silêncio.

Mário estava sentado em uma das mesas ao lado da escada que levava ao andar superior, ele acompanhou Maya subir os degraus completamente molhada, voltou o olhar para Ezio ao ouvir a porta de um dos quartos se fechar. Analisou o sobrinho completamente encharcado. – Sem sorte com as mulheres ultimamente?

– Acho que estou passando muito tempo com o senhor, tio. – ele respondeu com humor. – Talvez eu tenha dito a ela algo não muito esperto. – ele estreitou o olhar, pensativo. Descobriria algo que revertesse a situação.

– Quando se diz respeito às mulheres, você tem certo dom. – o tio falou com um sorriso – Vá se aquecer meu filho, vai acabar ficando doente.

Ezio assentiu, subindo até o quarto que ocupava e preparou um banho quente, vestindo roupas secas.

A amizade de Ezio e Maya não se abalou pelo ocorrido daquele dia, mas nenhum dos dois tocou mais no assunto, embora ambos sentissem vontade de se explicar. As três semanas seguintes passaram lentamente, a travessia da França demandou cuidado e a atenção de todos, afinal existiam estradas perigosas comandadas por gangues e era exatamente o que o grupo procurava evitar. A missão deveria ser realizada sem chamar a atenção, evitando olhares curiosos e bocas que pudessem levar a informação aos Templários.

A chegada a Londres se deu em um dia quente e ensolarado de verão. Era uma bela cidade, cheia de construções ricas e ruas de pedra lapidada, mas nada se comparava ao enorme casarão construído no centro de Londres, o maior palazzo da época, chamado de Palácio de Westminster onde se reuniam os mais importantes líderes da Inglaterra.

Após muito estudarem e discutirem sobre a busca pelo primeiro templo, o grupo de Assassinos resolveu se instalar em um bairro fora da cidade, encontraram uma fazenda abandonada. Apesar de velha, a casa estava em boas condições, dormiam em camas feitas com feno e forradas com cobertores, nada perto do conforto que teriam em Monteriggioni, mas sacrifícios eram necessários para a causa.

Quanto mais perto de um dos templos, mais a maçã os revelava. A última vez que Ezio colocou as mãos no objeto, ele os revelara coordenadas do templo que buscavam. Estava localizado em um lugar não muito improvável, mas extremamente difícil de ser acessado; no Palácio Westminster.

Após quase uma semana inteira de planejamentos e vigília sobre o palácio, além do roubo bem sucedido de um mapa de seu interior, o grupo se preparava para entrar silenciosamente naquele lugar tão bem guardado quanto um forte. Eles sabiam o posicionamento dos guardas e suas rotinas, bem como a troca de turnos e as brechas na segurança caso algo desse errado. Maya entraria pelo antigo sistema de esgoto, composto por algumas galerias subterrâneas, mas em sua maioria, canos apertados demais para que os homens conseguissem passar. Se aproveitariam da troca do turno noturno para não serem vistos, mas apesar de todo o planejamento, tinham Paola do lado de fora no caso de qualquer imprevisto. Ela criaria uma confusão para distrair a atenção dos guardas, deixando o caminho livre para os companheiros.

Na noite daquela quarta-feira, perto da meia noite, o grupo de Assassinos que passara o dia na cidade, se separou. Maya seguiu para o leste, entrando nos túneis abandonados que davam acesso ao antigo esgoto, enquanto Ezio, Mário e Antonio seguiram para o norte, para a parte mais alta do muro que cercava o palácio e contava com a proteção de uma lagoa funda. Era um dos locais menos vigiados, já que os guardas contavam com a altura das pedras e a profundidade da água para sua proteção, infelizmente para eles, Assassinos tinham o dom para escaladas difíceis. Paola se manteve escondida em uma praça mal iluminada, apenas aguardando qualquer sinal que indicasse problemas.

O túnel pelo qual Maya seguia era tão escuro que ela era obrigada a carregar um pequeno lampião, tendo certa dificuldade em caminhar abaixada para evitar as teias de aranhas e o teto baixo, o lugar era digno de uma história de terror; malcheiroso, escuro e infestado de animais peçonhentos, além do constante “pingue-pingue” das muitas infiltrações causadas pelas chuvas de verão. Depois de muito caminhar, ela chegou a um beco aparentemente sem saída, exceto pelo cano estreito e cheio de plantas pelo qual ela teria que rastejar para chegar ao interior do palácio. Ela respirou fundo, afastando os pensamentos sobre o que eventualmente encontraria ao longo do caminho, deixou o lampião — que seria impossível de carregar – no chão e então pulou na parede, se segurando na borda do cano, puxou-se para cima e respirou uma última vez o ar “puro” da galeria, esgueirando-se pelo espaço minúsculo.

O trio de Assassinos usou um minúsculo pedaço de terra entre o muro e a lagoa para chegar ao ponto onde a guarda era menos reforçada, esperariam até que o sino da igreja soasse e então começariam a escalada. Tinham precisamente dois minutos até que os soldados se posicionassem. De acordo com o mapa roubado, logo atrás do muro havia uma pequena entrada de serventes que dava acesso a um dos quartos dos empregados, era onde eles deveriam se esconder até que a primeira ronda dispersasse os soldados da área, então Maya entraria pelo antigo esgoto, subindo por um túnel que acabava dentro do banheiro de um dos quartos no andar térreo, abrindo a porta pelo lado de dentro.

O plano correu perfeitamente bem, apesar de os Assassinos terem certa dificuldade para caminhar mais do que alguns metros sem que alguma ronda passasse por perto, mas depois de conseguirem driblar a segurança, acabaram entrando por uma janela lateral.

– A porta estava sendo vigiada – Maya se explicou, sussurrando enquanto eles se escondiam nas sombras de pilares altos e largos. As roupas uma vez brancas estavam completamente sujas de terra e poeira.

De acordo com o mapa e as informações fornecidas pela maçã, o templo ficava no subsolo do palácio. Não havia tanta segurança do lado de dentro, o que facilitava muito a vida do grupo que se movia nas sombras e no mais perfeito silêncio. Entraram em uma sala aparentemente usada como escritório, ampla e com vários móveis de madeira ornados com detalhes em ouro, as janelas grandes eram protegidas por longas cortinas vermelhas e a brasa na lareira indicava que o ocupante havia saído há não muito tempo.

Debaixo do enorme e pesado tapete, havia um pequeno alçapão quase imperceptível, Ezio o abriu, revelando uma escadaria escura para debaixo da terra. Um por um os Assassinos desapareceram na escuridão, reunindo-se no que parecia ser uma ampla câmara. A maçã passou a emanar uma luz dourada fraca, mas suficiente para iluminar um caminho que se estendia a frente deles, Mário foi o primeiro a caminhar em sua direção, seguido por Ezio, Maya e Antonio. Conforme andavam, mais luz a maçã emitia, como se fosse algum tipo de sinal, até que então chegaram ao final do corredor, um beco sem saída.

Mário bufou impaciente. Maya cobriu a mão com a manga da camisa e então pegou a maçã das mãos de Ezio, erguendo-a a frente dos olhos. O que a primeira vista parecera rabiscos na parede, se revelaram um tipo de escrita que nenhum deles conseguia ler, aos poucos a escrita foi se juntando, formando uma espécie de desenho que brilhava assim como a maçã e logo a parede se dividiu em duas partes, se abrindo para o lado de dentro e revelando uma câmara pequena, sustentada por pilares. No centro da sala havia um pedestal não muito alto, estava marcado pela mesma escrita da porta e sobre ele descansava um objeto feito do mesmo material da maçã. Era dourado e entalhado com desenhos de círculos, mas ele não brilhou ou demonstrou qualquer reação ao templo e ao objeto na mão de Maya. Foi a vez de Mário cobrir a mão com a manga de sua vestimenta, pegando o bracelete. Esperaram que algo acontecesse, mas não houve nada. O grupo aguardou por alguma mensagem ou sinal de alerta, mas tudo era tomado pelo completo silêncio. Ao virarem as costas, o som do tilintar do que pareciam sinos soou, mas não veio de fora e sim de dentro do templo, não havia uma imagem desta vez, apenas a voz que Mário reconheceu ser da deusa Minerva a quem vira uma vez graças a maçã.

“O caminho que trilham é perigoso e inimigos os perseguirão com intenções nada benéficas. Mas este é o caminho certo que levará a paz a toda a humanidade. Os templos são locais de extrema importância e foram deixados por minha raça para que pudéssemos ajudá-los a trilhar este caminho, mas receio que seja tarde para nós, com o tempo o poder de meu povo enfraqueceu e tudo o que resta são os artefatos dos quais vocês já tem conhecimento. Sós eles não significam mais do que belas peças, mas juntos eles podem proteger seu mundo de um grande mal”

Foi tudo o que ouviram e então logo em seguida o silêncio tomou conta do grupo novamente. Eles se entreolharam, procurando por uma explicação, mas não havia uma e o tempo se esgotava rapidamente. A luz da maçã se apagou e então Maya a devolveu para Ezio que a colocou na bolsa em seu cinto. Caminharam pelo corredor escuro até chegarem de volta ao alçapão e saíram no escritório ainda vazio. A sorte esteve ao lado dos Assassinos naquele dia como jamais estaria novamente. O caminho até a janela foi fácil e a saída pelo jardim, embora tenha sido atrasada pelas constantes patrulhas, não contou com imprevistos, o grupo desceu pelo muro alto, contornando o palácio e chegando até a praça onde encontrariam Paola. O sucesso da missão foi comemorada com abraços silenciosos, afinal o plano ainda era não chamar a atenção, saíram da cidade conversando em sussurros até chegarem à fazenda.

– Sendo honesta, achei que seriam pegos... – falou Paola.

– Ora, ninguém pode conosco. – Antonio respondeu num tom alegre, se gabando e rindo em seguida.

Apesar da alegria, todos estavam cansados e sentiam um peso sobre os ombros, noites não dormidas precisavam ser repostas e agora com a missão bem sucedida, tinham a consciência limpa para se deitarem em paz. A noite estava quente e a grama verde era iluminada pela luz da lua cheia, Maya caminhou alguns metros até um pequeno lago de água cristalina, depois de rastejar por canos de esgoto, estava mais do que convencida a tomar um banho. Se livrando das vestes sujas, ela mergulhou na água ainda morna pelo dia quente, estava distraída com os próprios pensamentos e não notou a aproximação de alguém com passos leves e silenciosos.

– Estou interrompendo? – ela se assustou com a voz, virando-se na direção de seu dono, abaixando-se na água para cobrir o corpo nu, não que a água transparente ajudasse.

– O que faz acordado? – perguntou enquanto fingia não vê-lo se livrar das botas e dobrar a calça, se aproximando do lago e sentando-se perto dela.

– Achei que seria uma boa hora para colocarmos certa conversa em dia. – Ezio foi direto.

Maya suspirou se aproximando da borda onde ele se sentara. – Sobre aquele dia no telhado... – ela hesitou por um momento – Queria pedir desculpas pelo súbito ataque de ciúmes, sei que não tem obrigação de subitamente sentir algo em relação a mim e nem vice-versa.

– É mesmo? – ele a olhou – Pois eu estava vindo pedir desculpas por não ser mais claro com relação ao que sinto por você.

As palavras de Ezio deixaram Maya sem resposta, ela permaneceu apenas olhando em seus olhos acinzentados, esperando por uma conclusão. Ele suspirou.

– Bem, já somos bastante crescidos para entender olhares e sei que entende os meus assim como entendo os seus. Peço perdão por ter-me expressado daquela forma, eu jamais me interessaria por uma mulher pelo fato de ela me lembrar uma antiga paixão. – Maya desviou o olhar naquele momento, sendo obrigada a voltar a fixar seus olhos em Ezio que segurou seu rosto delicadamente. – Quero que entenda o porquê de eu ter pensado nela naquele dia. Nenhuma mulher jamais me despertou tais sentimentos e naquele momento em que estivemos juntos eu me peguei pensando no futuro que eu havia imaginado antes da reviravolta em minha vida, depois de tudo o que aconteceu aqueles sonhos pareceram simplesmente não existirem mais, mas você conseguiu trazer aquele sentimento de paz novamente, me fez sentir que há toda uma vida à frente, você desperta o melhor em mim, Maya. – ele a olhava fixamente, mas ela não sabia o que responder diante daquela declaração. Ezio suspirou.

Maya sentia o coração disparado, jamais imaginou que ele conseguiria colocar um pedido de desculpas dentro de uma declaração sobre seus sentimentos e ainda convencê-la. Mas não havia motivos para negar que ela sentia o mesmo. Uma sensação estranha tomava seu estômago sempre que Ezio se aproximava ou lançava-lhe um olhar mesmo que discreto, não conseguia disfarçar o rosto corado quando ele a tocava por qualquer razão e não havia qualquer motivo que a impedisse de tomar o impulso e se apoiar na borda do lago, tomando os lábios de Ezio e o puxando para a água como uma sereia que rouba o coração de um marinheiro.

Notas finais
E aí o que acharam? Pois é, que teríamos dois pombinhos todos sabiam, mas como a boa alma que sou, aviso para tomarem cuidado com o nível de apego ao casal. É só um conselho... Espero que tenham gostado, estou aberta a críticas, sugestões, correções e xingamentos a mãe (mentira.). Beijos queridos