Notas iniciais
Sorry pela demora ;.;

Annie POV

Acordo com o sol em minha cara e viro para o outro lado, caindo no chão e gemendo de dor logo em seguida, já que eu tinha ido de cara no chão. Beijinho de bom dia. Haha.

— Meu Deus! O colégio! — me levantei num pulo, abri a porta com força e corri para o meu quarto.

Meio que receosa, abri a porta devagar e me assustei ao entrar. Meu quarto estava totalmente revirado, minhas roupas jogadas no chão, enfim, tudo jogado. Mas o que mais me chamou a atenção era um papel com letras recortadas de revistas, que estava em cima da minha cama.

"Fique longe dos nossos oppas, aquilo ontem foi só uma brincadeirinha, espero que não fique chateada".

Eu disse que fãs eram assustadoras.

Amassei o papel e joguei fora, desisti da ideia de ir à escola hoje e passei o dia inteiro arrumando meu apartamento, não havia nem comido nem trocado de roupa. Cansei demais ontem e hoje, mas ainda bem que o Jung... ai meu deus! Por que estou ficando envergonhada por causa de uma coisa como aquela? Só de lembrar já sinto o rosto quente. Eu deveria ir era pra um convento, me livrar das impurezas que esse mundo nos oferece.

— Ei Annie! Annie! Eu sei que você está aí! — batidas e gritos incessantes ecoaram no cômodo.

— Já vai. JÁ VAI! — corri e abri a porta para a pessoa entrar.

— Por que não foi hoje? — me entregou duas sacolas brancas e se sentou em uma cadeira — Uau. Isso está realmente limpo.

— Passei o dia arrumando. E o que é isso? — levantei as sacolas.

— Faça nosso jantar, e rápido, que eu estou morrendo de fome!

— E eu que nem comi hoje!?

— Coma o dobro agora. — deu de ombros.

— Haha. Folgada. Levanta já essa bunda magra daí e venha me ajudar. — ela fez uma cara de irritação sem igual, mas veio mesmo assim.

— E o que vamos fazer? — perguntou emburrada.

— O que tem aqui dentro? — coloquei as sacolas em cima da pia e comecei a tirar as coisas de dentro.

— Hmm... pão, muito presunto, muito queijo, tomate, ketchup, maionese, biscoito, batatinha...

— Vamos fazer sanduíche então. — separei o que iríamos precisar.

— Eu quero kimchi. — levantou a mão.

— Então faça. — dei de ombros e comecei a fazer os sanduíches com ela resmungando do meu lado.

Quase uma hora depois já estávamos limpando a mesa para comermos, era pra termos feito a comida mais rápido, mas sabe como é né... sempre tem que ter aquela típica guerra de ingredientes para termos que limpar tudo depois.

— Ei garota! — Mio me deu um tapa forte nas costas e eu quase caí.

— O que? — eu tentava controlar minha surpresa e irritação com o ato.

— Estão batendo na porta, não ouviu?

— Ah... não. — abri a porta, ainda mantendo contato visual com a peste, que apenas ria.

— Oi, sobre... — arregalei os olhos assim que pus os olhos na criatura que batia na porta, e logo a fechei com força.

— O que foi? -Mio veio até mim, parecendo assustada.

— N-Nada não... — tranquei a porta, sorrindo amarelo para ela.

Ai não. Não. Ela não pode vê-lo, por favor vá embora... Vai...

— Por que fechou a porta assim!? Ei! Saia agora! — o idiota gritava do outro lado da porta.

— Quem é, Annie?

— Ninguém! — grunhi.

— Deixe-me ver. — tentou me tirar da frente — AH Annie, saia já daí. — me empurrou com força dessa vez.

Caí no chão. Minha cara era de total desespero. Pelo tom calmo da voz só poderia ser o Jin, não sei o que ele queria aqui, mas essa não foi a melhor hora. Mio estava para abrir a porta e eu não tinha reação. O que uma pessoa caída pode fazer para impedir que a porta abra... Sorri e dei um chute na porta, impedindo que ela abrisse, então gritei -eu tinha que fazer ele ir embora ou matar minha nova e única amiga- :

— Vá embora! Eu não quero falar com você!

— Mas A... Me desc- — disse a pessoa do outro lado da porta.

— Não quero saber! Não me venha com essas desculpas! Já estou cheia disso! Tá tudo acabado ok?!

Mio me olhava aflita.

— Você tem... tinha — se corrigiu. — e não me disse? — sua expressão ficou assustadora. — Vou descobrir agora quem é.

Chutando minha perna, ela abriu a porta de vez e eu desesperadamente tentava me levantar, mas tropecei e cai de novo. Fechando a porta, a traidora ajudou-me a ficar de pé com uma expressão triste -não mais que a minha-.

— Ele já foi...

Suspirei aliviada.

— Vamos comer agora? — tranquei a porta por precaução e nos sentamos no sofá.

— Hm... Não vai atender a porta de novo? — arqueou uma sobrancelha, e eu fiz igual. Será que não iam parar de me atormentar?

— Não pode! — corri e bati minhas costas com tudo na porta.

— Sai da frente. — tentava inutilmente me empurrar. Eu não sairia dali por nada.

A pessoa do outro lado da porta batia na pobrezinha com tanta força que eu pensei que quebraria.

— Annie, você está ai?

— Não! — gritei quando Mio conseguiu me descolar da porta.

— Se não está pra quê respondeu? Idiota. Só vim pegar aquilo que eu lhe emprestei ontem a noite, nada de mais.

— Ontem... A noite...? — ela me olhava surpresa, embaraçada e muito corada. — Você ainda é menor de idade, sabia? — me censurou.

— Abre essa porta!

— Eu devolvo depois! Parem de me atormentar! — eu estava para arrancar até o ultimo fio do meu cabelo.

— Mas eu quero agora! Estamos indo à uma seção de fotos e esse é o...-

— Se não sair eu não sei o que posso fazer com ele... — o cortei.

Eu tentava esconder o pânico na minha voz. Sempre que ela levava a mão ao trinco, eu a puxava, batia... Seria pior ainda se ela abrisse a porta. Não, super normal. Eu passei a noite com os membros de BTS e usei eles para fazer o que eu bem quis e um deles me emprestou sua querida jaqueta... Isso acontece todo dia... Não! Isso não acontece todo dia! Eu já estou sendo caçada por ninjas mascarados, A.R.M.Ys em fúria e não queria outra louca atrás da minha cabeça.

— Deixa de ser infantil, Annie! Você ficou com um cara ontem sendo que tem... tinha um namorado. Cara de pau... — balançou a cabeça negativamente para os lados, mas logo um sorrisinho estranho brotou em seus lábios. — E ai?

— E ai o que?

— Como é namorar duas pessoas ao mesmo tempo? — aproximou-se de mim.

Não sei se meu rosto estava vermelho de vergonha ou de raiva... Acho que dos dois.

— Pra sua informação eu não tenho namorado, nem ficante, nem nada do tipo! — comecei a pular em círculos, grunhindo de raiva.

Um brilho passou por seus olhos castanhos, primeiro pensei que fosse coisa da minha imaginação, mas logo seus olhos encheram-se de lágrimas, que caiam vagarosamente, borrando sua maquiagem.

— Eu tenho tentado agir como uma americana para que você se sinta mais apegada a alguém, eu até pesquisei sobre isso! Eu sou sua amiga, não sou? Sua única amiga. Por que esconde tanta coisa de mim? Se não gosta, por que não diz logo na minha cara?! — as lágrimas caíam mais forte. Meu coração estava partido também. Ela estava certa, a única pessoa que eu posso confiar é ela e mesmo assim...

— Mio... — minha voz fraquejou. Eu iria chorar?

Ela abriu a porta e correu com a cabeça baixa. O máximo que pude dar foi alguns para fora do quarto.

— O que houve? Annie? — Suga colocou a mão em meu ombro e eu a tirei com brutalidade.

— É tudo culpa de vocês! Se não fosse...! Urgh! — bati os pés no chão com força. Que cômico. A culpa não é de ninguém além de mim...