Notas iniciais
A primeira parte está na reta final (eu acho eheheh). Então, seria beeem legal se vocês me dissessem o que estão achando do desenrolar até aqui, para que eu possa perceber coisas que talvez ainda não tenha notado. Bem, boa leitura ^^

{Payre}

–- Está tudo pronto para recebê-los?

–- Sim, Majestade. – um dos Curadores respondeu enquanto fazia uma respeitosa reverência para a Rainha Syka.

–- Que ótimo. O momento que tanto aguardamos está próximo. Eu sinto isso. – ela olhou para a parede na qual capsulas de cristal, com aproximadamente dois metros de altura, cheias da mais pura água de Payre, emitiam lindas luzes azuis.

Tudo havia sido construído de acordo com as orientações deixadas pelos Serines. Ali, dentro daquelas capsulas, os humanos e seu filho poderiam se recuperar da viajem até Payre, e seus corpos sofreriam as modificações necessárias para sobreviverem no novo mundo. Para enfim, cumprirem seus destinos.

–- Só não entendo uma coisa, Majestade. – o Eiff olhou pensativo para os equipamentos que havia dedicado um enorme tempo para criar.

–- Fale, Falki.

–- Segundo contam as lendas, a Deusa Ashy abençoou quatro humanos com sua essência. Então, o que levou os Serines a deixarem registrada a necessidade de seis capsulas? Sabemos que uma é para o Predestinado, mas ainda assim, sobra a sexta.

–- Já refletimos tanto sobre isso Falki e a única conclusão disso é que, na nossa situação, tendo que agir baseado em fatos ocorridos há tanto tempo e em registros de seres que nem existem mais, não temos escolha a não ser fazer o que disseram ser necessário, sem questionar. Talvez os Serines tivessem seus motivos, que para nós ainda não fazem sentido. Não podemos esquecer o quanto poderosos e antigos eles eram, até hoje quase nada sabemos sobre eles.

–- O Rei Erak deve se sentir muito frustrado com tudo isso.

A Rainha tocou levemente no cristal, que brilhou em contato com a sua pele. Aquele material havia sido deixado pelos Serines para esse fim. Vendo seu rosto refletido, mostrando seus tristes olhos cinzentos, ela lembrou-se do lindo castelo, feito daquele mesmo cristal, que tinha visitado, no reino de Oyst, há mais de duzentos anos. No dia em que seu amado filho nasceu. No dia em que os Serines foram extintos de Payre. A mais poderosa das raças, misteriosamente, desapareceu, tendo o Rei Serine, Elros, feito seu último sacrifício ao prender Khor. Esse sacrifício impediu que Payre fosse completamente destruída e lhes deu uma chance. Por isso Skya mantinha sua fé, nos Deuses e nos Serines.

–- Todos estão assim, Falki. Mas, muitos pereceram e irão perecer antes de tudo acabar. Enquanto isso, esperamos. Esperamos pelos Escolhidos de Ashy, esperamos pelo Predestinado de Erow, esperamos pela compreensão das palavras da Profecia. Esperamos pela morte. Mas também esperamos pela vida. E mantemos nossas esperanças, se a perdermos, o que nos restará, meu caro Curador?

***

{Terra}

Alexis ficou absolutamente surpreso ao ver Angel entrar na sala de aula, e não foi o único, os outros sete alunos que estavam na sala pareceram bem chocados. O professor parou o que estava dizendo e também observou a garota caminhar entre as mesas, até sentar-se na que estava vaga, bem ao lado do Príncipe.

Ele notou que ela nem se deu ao trabalho de tirar qualquer material da velha mochila, apenas se sentou e apoiou o queixo sobre as mãos, inclinando-se sobre a mesa, aguardando pelas palavras do professor de História. Este, percebendo o estranho silêncio que imperava naquele momento, pigarreou e continuou o que dizia para a turma.

Dez minutos depois Angel estava bocejando. Quinze minutos depois ela estava com a cabeça apoiada para trás na cadeira, olhando distraidamente para o teto. Vinte minutos, e já estava cochilando tranquilamente, com a cabeça deitada sobre a mesa, a aba do boné meio inclinada, permitindo uma visão melhor do seu rosto.

Quando soou o sinal que indicava o término da aula, Angel apenas resmungou e continuou dormindo. Alexis esperou todos saírem, fez sinal para o professor deixá-la daquele jeito, então, quando ficaram sozinhos, deitou a cabeça sobre a própria mesa e ficou olhando para a garota adormecida. Estava há quase duas semanas sem vê-la. Aquela endiabrada havia dado um tempo nas travessuras, ele suspeitava, para evitá-lo.

Talvez não tivesse sido uma estratégia muito inteligente de sua parte provocá-la como tinha feito na última vez em que se viram. Nem deixá-la de sobreaviso sobre as suas intenções. Ele riu quando ela franziu o nariz por alguns fios de cabelo tê-lo tocado. Mas Alexis nunca precisou lidar com uma situação parecida e não tinha por hábito ficar inseguro sobre uma decisão tomada. E já tinha decidido, independentemente das consequências, manteria Angel do seu lado.

Sim, havia dito logo no início que não a queria. Que ela significava problemas e que ele poderia se tornar algo próximo ao que seu pai tinha se transformado, graças aos sentimentos por Saray. Ocorre que, algo fora da sua compreensão, até aquele momento, aconteceu. Aqueles sentimentos enfraquecedores e potencialmente perigosos, foram capazes de fazê-lo rir, ficar com raiva, com ciúmes, com expectativas. De sentir.

Então ele se lembrou do seu pai. Há quanto tempo o Rei não ria, não demonstrava qualquer outro sentimento, que não aquela dureza e desespero pelo que tinha feito à esposa e ao amigo? O Rei, desde a morte de Saray, não vivia. E ele, Alexis, aprendera a fazer o mesmo. Sem ter a oportunidade de sentir qualquer outra coisa. E o que ele percebeu, ao conhecer Angel, é que queria ser o Alexis que existia ao lado dela. Não o covarde que se escondia atrás de uma história que não era a dele. A tragédia dos seus pais não era a sua. Claro que ele foi afetado, mas até que ponto, dependia apenas de suas próprias escolhas.

Sabia que o acordo que tinha feito com Angel seria suficiente para fazê-la preferir permanecer na Alpha. Contudo, ele não queria que ela apenas ficasse ali e sim que ela quisesse ficar com ele. Talvez fosse exigir demais, depois de ter sido tão difícil convencê-la a não ir embora, e ainda ter feito aquela promessa precipitada de não a questionar sobre o passado. Por isso já estava bolando novas maneiras de se aproximar dela.

Naqueles dias que se passaram, desde o incidente na piscina, começou se questionar. Como atrairia uma garota cheia de traumas, pois era óbvio que ela os tinha, sem apego a nada e a ninguém, com um passado bastante conturbado? A ele, por experiência própria até, parecia que poderia ser de duas formas. Deixando-a extravasar todos os sentimentos acumulados. Era, de maneira geral, o que ele já estava fazendo, ao lhe dar carta branca na Alpha. Mas também, precisava lhe dar segurança.

Precisava mostrar a Angel que podia confiar nele. Alexis reconhecia que essa era uma necessidade dele também. Queria confiar nela. Por isso contara a história com a cortesã e um pouco sobre o seu pai. Porque ela havia dito algo sobre si mesma, tinha, ainda que de forma hesitante, e sem querer, confiado nele. E foi isso que mudou tudo. Ali ele admitiu, queria ser o cara que estaria ao lado dela, ouvindo suas histórias, contando as suas próprias, rindo com ela, enlouquecendo com ela. Enlouquecendo por ela.

Suspirando, analisou o rosto da garota adormecida. Era estranho considerar que provavelmente seria mais difícil convencê-la a aceitar o que havia entre eles, do que havia sido convencer a si mesmo sobre isso. Sentia como se, desde que a tinha tocado pela primeira vez, ela não tivesse mais saído da sua pele. E houvesse percorrido, em velocidade aterrorizante, por sua circulação até atingir, em cheio, seu coração. Tudo foi tão rápido que nem sequer tivera a oportunidade de reagir. Aquele pequeno demônio não tinha lhe dado chance alguma de escapar. E agora ele faria o mesmo com ela.

***

Mona viu a pessoa que estava no elevador quando as portas se abriram e praguejou.

–- Minha nossa, irmãzinha! Que falta de educação, já pensou se o estimado Alexis ver a noivinha... Não, espere! Você não é a noiva do Príncipe!

Enquanto observava o idiota rir da própria piada, Mona entrou no elevador e pensou, mais uma vez, no quanto seria prazeroso torcer o pescoço daquela baixinha dos infernos. O incidente com Angel havia acontecido naquela manhã, mal era meio dia e todos já tinham ouvido falar do episódio em que ela tinha sido ridicularizada pela garota.

Mas, o pior foi receber na cara o fracasso do seu plano, cultivado durante aqueles três anos. Três anos desperdiçados, como o próprio Príncipe deixou claro quando rejeitou tão diretamente o seu convite para o Baile. Ainda fervia de raiva ao lembrar-se dos acontecimentos. O Príncipe e sua meretriz a haviam humilhado como nunca tinha acontecido antes.

–- Ora, vejo que alguém não esta muito alegre hoje. Isso tudo porque vai ter que ir com um Zé Qualquer na festa e não com o todo poderoso da escola?

Mona o ignorou, mantendo os olhos fixos no painel que exibia os andares pelos quais passavam, não com a velocidade que ela gostaria. Ren, como o idiota que era, continuou falando:

–- Será que o Príncipe está tão pirado pela Angel que vai ser capaz de convidá-la para acompanhá-lo?

–- Não seja mais imbecil do que já é. Que ideia ridícula.

–- O quê? Acha que ele não faria isso?

A garota mordeu os lábios para controlar seu péssimo humor. Já tinha pensado nessa possibilidade, principalmente depois de tê-lo flagrado assistindo o vídeo daquela bêbada com ares de cantora brega. Mas, mesmo assim, não achava possível o príncipe Alexis ir à festa com ela. Se ele fizesse isso estaria declarando abertamente que eles tinham um relacionamento. Não que todos os casais que compareciam juntos fossem namorados, ou algo assim, como era o caso dela própria. Só tinha aceitado o convite do Leonard para se aproximar e descobrir alguma forma de se vingar da prima dele. Só que o caso do príncipe era diferente. Ele nunca havia sido associado a alguma garota. O mais próximo disso era a relação que ela tinha com ele. E isso era o bastante para deixar bem claro o quanto o Príncipe mantinha longe qualquer interessada nele.

–- Cara, seria muito legal se eles fossem juntos!

A empolgação na voz do irmão chamou a sua atenção:

–- Por que diz isso?

Ren cruzou os braços e se recostou contra a parede do elevador, mantendo um sorriso um tanto perturbador:

–- Acho que a festa ganharia um novo brilho. – ele a encarou – O Rei vai vir, não é? Imagina só que situação, ver o filhinho sempre perfeito com uma garota doidona como aquela – em tom baixo completou – uma homicida-suicida-drogada.

–- Como??

As portas do elevador se abriram e Ren saiu, lançando uma piscadela para a irmã, que o observava em choque.

–- Não saía cedo da festa, irmãzinha! E, sendo a acompanhante do primo, vai ter a sorte de assistir a atração principal de camarote!

Mona saiu às pressas atrás dele, mas sendo bem mais alto do que ela, com suas longas pernas, Ren já tinha se afastado. Frustrada a garota fechou os punhos com força. Do que ele estava falando? O que aquele babaca tinha descoberto? Será que pretendia se vingar da garota por ter batido nele, revelando coisas vergonhosas sobre ela na festa?

Mona sorriu ao imaginar Angel sendo ridicularizada diante de todos no Baile, até mesmo do Rei Hamad. Seria maravilhoso! E o Príncipe também sofreria as consequências, principalmente se cometesse a tolice de ser o par daquela esquisita.

Sentindo que seu dia melhorava drasticamente, Mona seguiu pelo corredor, cumprimentando alegremente os colegas que passavam. Era a primeira vez na sua vida que ficava feliz com algo vindo do irresponsável do seu irmão. Se estivesse certa sobre as intenções dele, teria sua vingança pelo que eles a haviam feito passar e ainda poderia usar o fato para afastar Angel de Alexis.

A garota não tinha dúvidas, ele era arrogante e orgulhoso de mais para continuar ligado a uma pessoa que mancharia tanto a sua reputação. Uma coisa era ser visto com uma garota bonitinha e meio amalucada, outra coisa era estar associado a alguém do tipo mencionado por Ren. O Príncipe mandaria Angel para longe e Mona continuaria com seus planos, agora de forma aberta e sem subterfúgios. Talvez até pudesse tentar alguns dos métodos da garota, Mona pensou rindo.

***

Angel abriu os olhos e estranhou. Estava sentindo o cheiro do sol, mas não seu calor. Então se lembrou, não tinha ido para o telhado naquela manhã. Tinha tido a ideia fenomenal de assistir a aula. E pelo visto não foi lá muito produtivo. Ergueu a cabeça e viu que estava em uma sala vazia. Ou quase.

–- Então, é por isso que não frequenta as aulas? Tem Narcolepsia? Devia ter informado a escola sobre isso.

Angel se ajeitou na cadeira enquanto retrucava.

–- Como estamos engraçados hoje. O que está fazendo aqui? Que feio, o Presidente do GEA matando aula como um reles aluno normal.

Alexis arqueou uma sobrancelha, parecendo divertido.

–- Acontece que estou agindo dentro das minhas funções de Presidente. Estava esperando você acordar para lhe dar uma advertência por dormir durante as aulas.

A garota o fitou com desdém.

–- Lembra que eu nem preciso vir à aula?

–- Bem, entendo que não queira uma mancha horrível dessas no seu histórico, posso...

Os olhos violetas brilharam.

–- Não! Não! Advertência! Advertência! – ela tinha dado um tempo de duas semanas sem aprontar nada. Já estava sentindo falta dos e-mails cheios de reprimendas que o secretário do seu avô lhe mandava, esclarecendo o quanto George Lancaster estava aborrecido com tantas infrações cometidas por ela. Tinha rolado até uma insinuação de tirá-la dali. Até parece que ela aceitaria isso facilmente. Estudar na Alpha era cada vez mais interessante, ela pensou, enquanto olhava de relance para o principal motivo disso.

Angel levantou-se e, antes que pudesse se conter, comentou:

–- Sabia que fazemos aniversário no mesmo dia?

Alexis inclinou a cabeça para o lado, a observando curioso:

–- Não sabia. Como descobriu?

–- Eu estava... Ah... – Droga! Como responderia que tinha descoberto quando pesquisava sobre ele no Google?

O Príncipe sorriu, com certo convencimento:

–- Andou curiosa sobre mim e foi pesquisar na Internet?

–- Não! Nada disso! – ela notou o ar cético na expressão dele e resolveu atacar. – Até parece que não fez o mesmo. Nos primeiros dias já estava sabendo várias coisas sobre mim, até o que eu fazia a noite na escola!

–- É verdade. Andei pesquisando sobre você. Li seu histórico das outras escolas, especificamente sobre as infrações que cometeu, mas não busquei informações mais pessoais. No início por que queria me manter afastado e só tinha interesse em descobrir como me livrar logo de você, depois – ele a encarou firmemente – porque queria conhecê-la por mim mesmo.

–- Nós temos um acordo.

–- Sim, eu não esqueci. E, sério – ele também se levantou – é realmente frustrante essa parte do nosso acerto. Nunca tinha agido de maneira tão desastrosa em uma negociação.

–- Não importa. Não pode mudar de ideia agora.

–- Não posso. – o Príncipe caminhou na direção dela, o que a deixou um tanto nervosa com aquela proximidade. — Mas – Alexis inclinou o corpo na direção da garota, tocando o queixo pequeno e delicado, passando o dedo levemente sobre a covinha que tinha ali – posso ser bem persuasivo para obter as informações que quero.

–- Acha que vou cair nessa? Não seja tão presunçoso.

–- Mon Ange, pensei que já tínhamos superado essa sua falta de honestidade. Sabe que cairia sim.

Angel ergueu mais a cabeça, cheia de indignação, pronta para retrucar, mas seu gesto impensado aproximou seu rosto do dele, de forma que Alexis não precisou se esforçar muito para tocar os lábios entreabertos com os seus, abafando os resmungos que ela já emitia. A garota fez um movimento para se soltar e ele permitiu. Mas mal haviam se afastado e logo Angel o pegou pela gola da camisa, colando sua boca na dele novamente.

Passados apenas alguns segundos, ela o empurrou de leve, pegou a mochila e o boné, que havia caído quando ele a beijou, e seguiu em direção à porta. Mas antes que ela a abrisse, Alexis provocou:

–- Quem diria que a intrépida Angel Lancaster podia fugir de maneira tão vergonhosa.

–- Não estou fugindo.

–- Ah, não?

–- Não. – ela abriu a porta e lhe lançou um olhar por sobre o ombro – Só estou atrasada para a próxima aula. – sorrindo ela completou – Adieu, mon chaton!

Rindo da cara de espanto de Alexis ao ser chamado de “gatinho”, Angel foi em direção à próxima aula. Dessa vez tentaria não dormir.

Notas finais
*cri* *cri* *cri* Sim, consigo ouvir os grilos com o silêncio que está aqui! Geeeeente! Comentários porfavoooor! EU SEI que tem gente aí, o contador ta dedurando vcs, seus fantasminhas preguiçosos!! ahahahahahh