Destinados Pela Magia
16 Uma Burrice ..... Um Desentendimento
Notas iniciais
Pov. Thalia
Aquele idiota do Nico. O que pensa que estava fazendo quando me beijou naquela festa?! Desde o beijo, algo estranho vem acontecido dentro de mim... Talvez seja apenas fome.
Se ele pensa que eu sou como essas garotas que você pode fazer o que quiser está muito enganado. Mas eu vou resolver isso hoje, e ele que me aguarde. A aula atual é de poções, e como eu sou boa nessa matéria, mantenho minha mente focada apenas nas palavras que eu direi para Nico, já que tais devem ser muito bem planejadas.
Hoje tínhamos aula de vassoura com o “professor” Nico. Quero deixar claro que de professor ele não tem nada.
Bateu o sinal... Finalmente, hora de acertar as contas. Ao sair da classe em que eu estava, me direcionei para o campo de treinamento com vassouras e logo avistei Nico.
Meu coração disparou e não consegui dizer nada, nenhuma das palavras que pensei que diria. Eu não entendo... estava tão segura de que chegaria aqui e partiria pra cima dele para quebrar sua cara, mas eu não consegui fazer nada, simplesmente passei cabisbaixa, sem olhá-lo, e senti meu rosto ficar quente e vermelho. Tive a impressão de que ele nem percebeu a minha presença, e apesar de ficar um pouco chateada com isso, tentei me convencer de que assim seria melhor e que o que me impediu de falar com ele foi a raiva.
A aula inteira passei no fundo, calada. Quanto menos eu me destacar melhor.
Eu não estava conseguindo me entender... quando estou perto dele me sinto segura, porém frágil. Ao mesmo tempo fico com raiva, pois ele é o único garoto que me faz sentir assim. Que merda Nico. Não me deixe tão confusa.
A aula terminou. Pensei em ir embora e esquecer a noite da festa, fingir que nunca havia ocorrido beijo nenhum, mas isso não era do meu feitio. Eu não iria fugir.
–Nico!- Grito, enquanto ando em sua direção. Chego bem perto dele, mas começo a afastar-nos da multidão empurrando seu peito com as duas mãos para que os outros não escutem. – Por que fez aquilo?
–Do que você está falando?- ele me olhou com uma expressão duvidosa. Sínico.
– Não se faça de idiota, você sabe muito bem do que estou falando. Anda!... estou esperando a sua explicação. O que foi aquilo na festa? — eu disse cruzando os braços.
– Eu...
–Você?! – comecei a ficar irritada.
–Eu realmente não sei do que você esta falando, me desculpe. — Só então percebi. Na festa, ele estava bêbado, provavelmente não iria se lembrar de nada... Eu não sabia que ele estava tão bêbado assim. O impacto dessa ideia me atingiu em cheio, e pensei que se estivesse sóbrio nunca teria me beijado.
– Não precisa se desculpar. Sou eu que não estou falando coisa com coisa por aqui. — disse descruzando os braços. Dei um sorriso amarelo, tentando disfarçar a vontade de enfiar a minha cabeça em um buraco.
Fui andando em passos apressados até que sinto o garoto me puxar pelo braço e dizer:
– O que aconteceu na festa?
– Você realmente não se lembra de nada? Nada mesmo? — Eu disse olhando fixamente em seus olhos. Eu não sei por que, mas eu queria que ele se lembrasse do beijo. Eu queria, com todas as minhas forças que ele se lembrasse.
Ele abaixou a cabeça e balançou-a em sentido negativo.
– Você só... derrubou ponche em mim. Você podia ao menos ser um bêbado educado, já que nem me pediu desculpas. – eu sempre mentira muito bem, e o garoto pareceu acreditar.
Não entendia, isso era anormal. Como ele pode não se lembrar de um beijo?! Será que havia beijado outras garotas no dia? Também não entendia essa revolta dentro de mim... eu estava tão confusa. Chacoalho minha cabeça, tentando fazer as coisas terem sentido e voltarem ao normal, mas nisso acabo esbarrando com um garoto, apenas me desculpei sem olhá-lo e sai andando, ainda cabisbaixa, até que ouço:
–Thalia... — era a voz de Percy
– Oi...- disse meio sem graça.
– Tudo bem? – ele me pergunta se aproximando.
– Claro. Por que não estaria? — e lá vou eu mentindo novamente.
– Você nunca pede desculpas quando tromba com alguém. Normalmente, você grita para pessoa prestar atenção.
– Ah... – Percy realmente me conhece bem. — Só estou com um pouco de dor de cabeça, não precisa se preocupar.
–Está mentindo... — ele me olhou fixamente e eu apenas abri levemente a boca.
–Não, eu não estou mentindo. – falei, calma.
– Poxa... Thalia, sou seu irmão, te conheço bem e sei que está mentindo. — ele disse colocando sua mão em meu ombro — E também, existo para escutar seus problemas, afinal quantas vezes você já não me escutou, e apenas fez o que uma irmã faria, me consolou, mas agora é a minha fez, agora sou eu que devo agir como irmão mais velho e escutar você, e consolar-te e você, como irmã mais nova tem que confiar em mim, assim como confiei em você todas as outras vezes.
Não sei o que aquelas palavras fizeram comigo, mas senti ter um apoio naquele momento, e por mais fechada que eu fosse, senti que podia contar com ele.
Algo estava apunhalando o meu coração, e senti que apenas Percy poderia fazer aquela dor parar. Nesse momento sinto os braços de Percy me envolverem em um abraço... Um abraço que não precisava de palavras nem de nenhuma outra coisa. Por mais que a sensação de confusão não tivesse passado, já tinha me feito sorrir, o que eu achava impossível naquele momento.
– Eu vou perguntar novamente. — ele me olhou diretamente nos olhos. — Está tudo bem com você, Thalia?
Eu não sabia como responder, se dissesse que não ele começaria uma série de perguntas, mas se dissesse que sim, ele provavelmente ficaria chateado.
–Não Percy, eu não estou bem. — disse desviando o olhar, mas conseguir perceber que ele deu um leve sorriso. Rapidamente, conclui minha frase, com um tom quase desesperado. – Mas... por favor, por favor... Não faça perguntas sobre isso.
Eu não queria que Percy pensasse que ele não tinha minha confiança, pois ele tinha. Na verdade, ele era a pessoa em quem eu mais confiava, mas nesse momento o assunto parecia estranho, já que nunca conversei com Percy sobre outro garoto e não queria que fosse agora que iss...
– Tudo bem, não precisa se preocupar, eu espero até que você esteja preparada para falar sobre esse seu problema. — ele disse colocando uma de suas mãos em minha cabeça, e bagunçando meus cabelos.
– Bom, eu tenho que ir. Te vejo mais tarde, maninha.
– Até. – sorri de lado e comecei a vagar pelos corredores, esperando o sinal da próxima aula.
Pov. Nico
Mentir para Thalia foi a coisa mais complicada que eu fiz em tempos. Só de ver sua expressão de tristeza, quase não aguentei e contei a verdade a ela.
Fui um covarde, estava com medo de enfrentar Thalia depois do beijo. Tinha medo de saber das consequências dos meus atos Não consigo pensar em outra coisa a não ser naquele beijo.
Se eu estava bêbado? Sim, eu estava, mas consigo me lembrar perfeitamente da maldita festa.
Ouço o sinal tocar e me direciono para a sala de aula. Chegando lá, vejo todos sentados, inclusive Thalia, que por uma brincadeira do destino, tinha aula comigo, já que o professor da classe dela faltou e por isso juntaram as turmas.
Sentei-me na primeira carteira e a aula inteira foi tranquila. Quando o sinal tocou, vejo Thalia se levantar de cabeça baixa e caminhar até a porta de saída. Nisso, ela esbarra com Drew, uma das meninas mais metidas e barraqueiras da escola e que adora chamar atenção. Isso não vai dar certo.
– Olha por onde anda garota! Por acaso é cega? Meu brilho te cegou, foi? — Drew dizia em voz alta para que todos ouvissem, e ela conseguiu. Vários olhares caíram sobre as duas.
– Ah, me desculpe. Eu achei que era um mendigo. — Thalia disse levantando a cabeça e mostrando um sorriso irônico.
Aquela era a Thalia que conhecia, a garota imprudente e que sempre bate de frente, como se não tivesse medo de nada e ninguém. Eu devia aprender mais com ela.
– Quem você pensa que é pra me responder, garota?! Ponha-se no seu lugar, ainda é uma novata, e ainda por cima pertence a classe dos Mortais. Acha mesmo que eu, uma Imortal, deveria ter que me rebaixar ao seu nivelzinho? Odeio ter que ver a cara de vocês, inferiores.- Drew dizia revirando os olhos.
– Classes não significam nada. O importante é a inteligência... Opa! Acho que você não sabe o que essa palavra significa!
– Ora, sua .....- Drew ergueu a mão para bater em Thalia, mas eu me levantei rapidamente e me intrometi, segurando no braço de Drew e impedindo que ela terminasse sua ação.
– Chega Drew. Pra que procurar confusão? – disse enquanto apertava o braço dela.
– Ah, agora você vai fica do lado desse projeto de vadia? — Drew falava enquanto olhava com desprezo para Thalia.
– A única vadia aqui é você, Drew. – Thalia disse, extremamente calma agora. Ela olhava para as unhas, como se a cena não fosse do seu interesse.
– Nico, olha o jeito que ela fal...- Drew foi interrompida pelo o professor que entrou na sala já nos olhando diretamente, afinal a nossa briga era o espetáculo principal.
– Então... — ele falava nos olhando diretamente, como se esperasse uma explicação.
– Professor, eu entrei na sala e essa garota chegou me empurrando, dizendo que eu não deveria me meter com ela por que ela é a mais melhor dessa escola – Drew dizia para o professor tentando tira o seu da reta.
–“Mais melhor” Drew? Talvez você devesse passar mais tempo estudando e menos brigando, certo? — naquela hora uma vontade imensa de rir me tomou, mas consegui controlar. Como ela podia ser tão burra?
– Desculpe... — Drew disse meio sem graça – mas foi isso mesmo que aconteceu, não foi pessoal? — ela apontou para os alunos que assistiam a discussão desde o começo, e surpreendentemente todos balançaram as suas cabeças afirmativamente.
– O que, mas isso tudo é uma palhaçada, bando de alunos mentirosos, eu nem sequer olhei na cara dessa garota, ela que começou fazendo o draminha ridículo dela só porque nos esbarramos! – Thalia dizia indignada com aquela situação. Nem eu mesmo estava acreditando que todos os alunos concordaram com Drew, só por que tinham medo do que ela podia fazer.
– EU?! — Drew disse apontando para si mesma, tentando disfarçar.
– É, você! Vocês vão mesmo apoiar essa palhaçada?! – falei, olhando para os alunos. Eles se entreolharam preocupados, e murmúrios começaram. As garotas pareciam aflitas.
– Certo, já entendi. — o professor se manifestou em meio à discussão. — Thalia e Nico, como castigo vocês limparão o patio dos fundos da escola. – só pude ver Drew dando uma risadinha e um olhar vingativo pra mim e Thalia. – E Drew, você escreverá uma redação sobre Os três Porquinhos e o Lobo Mal, para ver se melhora sua linguagem... De no mínimo 5 folhas.
– O que?! Mas professor...- Drew disse, mas foi interrompida pelo Sr. Johnson.
– Sem mais discussões, agora voltem aos seus lugares, à aula já vai começar. Alias, antes que eu me esqueça... para os dois castigos: sem magia.
Tudo aquilo passou, e já era hora do término das aulas e todos iriam descansar menos eu e Thalia.
Cheguei um pouco mais cedo do que o horário marcado, mas Thalia já estava lá.
Ela parecia uma verdadeira dona de casa, pois estava com um short jeans preto que ia até a metade da coxa, uma blusa azul marinho simples, seu cabelo estava preso por um lenço que formava um arco. Ela ainda usava luvas amarelas chamativas de limpeza. Vê-la assim... era impossível não rir.
Soltei uma gargalhada alta, que chamou sua atenção. Ela se virou pra mim:
– Algum problema, Di Ângelo?
–Não... Claro que não. – apesar disso, continuei a rir.
– Isso é um castigo, e não um circo. E venha logo ajudar, porque a culpa é em parte sua. – Ela disse revirando os olhos.
– Desculpe, já vou ai te ajudar.
–Ótimo.
Me arrumei e fui ajudá-la na limpeza.
– Pronto... — disse me posicionando na frente dela
– Ta... pega aquele balde pra mim. — Ajoelhei e apanhei o balde, mas quando levantei para entregá-la, acabei, acidentalmente, tropeçando e derrubando parte da água em suas pernas, molhando da sua cintura pra baixo.
Nesse momento, sua boca formou um “O”, e ela disse:
– Meus shorts! — ela disse me olhando com uma expressão de raiva.
– Ah foi sem querer. Mas relaxa, é água, vai secar. Agora vamos...
– Vou te mostrar o “sem querer”...- nisso Thalia puxa um balde pra perto de si e joga em mim, molhando meu cabelo e praticamente toda a minha roupa. – Agora você está estiloso. – ela começo a rir.
– Ah você vai ver só... — peguei outro balde e virei em sua cabeça, ensopando-a.
– Agora você pegou pesado! Tinha sabão ai, Nico! Droga, meu olho! – ela se virou de costas com a mão no rosto, e eu me aproximei.
– Thalia, me desculpe, eu não... – ela se virou rapidamente pra mim, e pra minha surpresa, esta tinha um balde na mão. A água rapidamente me atingiu, e eu não pude deixar de reprimir um sorriso. Eu havia sido enganado?!
Foi assim que uma guerra de água entre crianças começou. Apesar de muitos tombos, xingamentos, e risadas, foi divertido.
Depois de terminar de “lavar” o pátio, sentamos no chão e começamos a conversar. Thalia podia ser uma garota imprudente, durona, impaciente e cheia de esquisitices, mas eu gostava dela.
– Então, vamos embora?- ela disse se levantando e dando o primeiro passo dentro do pátio ainda não seca, nisso ela desliza um pouco e acaba caindo e tento segura-lá, mas nós dois vamos para o chão. Acabo em cima dela, com as mãos apoiadas no chão e uma de minhas pernas no meio das dela, levando a uma posição não muito adequada.
Quando vi ela daquele jeito, uma imensa vontade de beijá-la subiu para a minha cabeça, é como se os lábios de Thalia chamassem por um beijo, fui me aproximando dela e ao mesmo tempo fechando os olhos, não estava conseguindo me controlar, era como se meu corpo não estivesse me obedecendo, seguindo seus próprios instintos e quando nossos lábios iam se tocar:
– Não! — Thalia grita.
– o que foi? – abro os olhos e fito-a, assustado.
– Não quero você perto de mim! — ela disse olhando no fundo dos meus olhos, como se tentasse ver o que se passava na minha cabeça.
– Na festa você queria, não é? Aceitou o beijo sem reclamar. — foi então que percebi a burrada que eu tinha dito.
– O quê!? – Thalia disse se levantado. — pensei que não se lembrasse!
– Do que?- tentei me fazer de besta mesmo sabendo que não adiantaria.
–Fale comigo direito! Por que mentiu pra mim aquela hora?
– Escuta, Thalia, me desculpa...
–Não quero ouvir suas desculpas. Quero saber a verdade. Você queria tanto esquecer aquele beijo que simplesmente apagou ele da sua memória e fingiu nunca ter acontecido? – era impressão minha ou ela tinha os olhos marejados?
–É claro que não, eu só...- como eu iria dizer para ela que fiquei com medo da sua reação? Aquilo seria idiotice.
– Não acredito que meu primeiro beijo foi com um verdadeiro idiota! – ela passou por mim andado em passos apressados.
– Thalia, espera! — disse puxando-a pelo braço.
– O que foi?
– Aquele foi o seu primeiro beijo?- ela apenas soltou-se de mim e saiu correndo. Sabia que não adiantaria nada ir atrás dela, já eu não saberia o que falar.
– Eu sou um idiota! – gritei, com as mãos na cabeça e chutei um balde que estava ao meu lado. – Droga!
Não acredito. Como eu pude ser tão idiota, tão covarde?!
Todos esses pensamentos entraram na minha cabeça, mas teve um que se recusou a sair. O único que me deixava uma luizinha de felicidade:
“Eu tinha sido o primeiro para Thalia.”
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