Destinados...?

21 Preocupação


Myung-Hee tomava chá diante da mulher simpática que a convidara para conversar. Lembrava-se de Bum falando sobre a tia, ela – pelo que o rapaz contara, sofria de abuso doméstico. Algo que a baixinha já vira acontecer diversas vezes.

Recordava que o garoto não compreendia porque a senhora não abandonava o marido, mas, sabia que aquela, normalmente, era como as coisas aconteciam. O abuso, então o pedido de perdão por parte do abusador, o pedido aceito por parte do abusado, novo abuso... Cada vez mais íntimo, cada vez mais violento.

“Um ciclo sem fim...” – refletiu a garota tomando um gole do chá.

Myung-Hee detestava que sentissem pena dela, quando descobriam que era vítima de abusos sexuais devido a sua condição, mas, não conseguia evitar sentir pena dos outros. Considerava-se hipócrita nesse aspecto.

— Então... Como disse, não sei exatamente o endereço... – falou a garota, lembrando que Bum já lhe dera ele, contudo, devia estar anotado em algum papel em seu quarto: — Talvez devesse desenhar um mapa para você? – a pequena sorriu.

— Nossa! Adoraria! Não vai ser muito trabalhoso? – respondeu a senhora comendo um pedaço do bolo que pedira.

— Claro que não! – a baixinha disse se virando para a mochila: — Como eu disse, ele tá morando com o Oh Sangwoo agora... E se você não conseguir visitá-lo, pode vê-lo na formatura, vai ser no salão da universidade, no dia quinze de janeiro... – ela abriu a mochila, retirando um dos cadernos.

— Você é muito gentil... – disse a senhora.

— Ele vai ficar muito feliz em saber que você deixou o seu marido. – a pequena começou a desenhar.

— Hm. Não esqueça que eu quero surpreendê-lo com a notícia, sim? – o sorriso da senhora aumentou.

— Claro, pode deixar. — Myung-Hee não conseguiu deixar de reparar que, mesmo sorrindo, aquela mulher parecia muito triste.

“Devem ser os anos de abuso...” – pensou a baixinha, pegando também uma das canetas do estojo.

Ficou um tempo refletindo sobre a folha em branco, começando os traços calmamente.

“Hm... Depois da parada, tem uma rua aqui...”.

— Myung-Hee!

A pequena saiu de sua concentração, virando-se para a voz familiar que lhe chamava. Yangmi parecia exausta. Vestia um casaco grosso, seu rosto estava vermelho devido à respiração descompassada, carregava uma bolsa cheia de botons, em um com dois rapazes se podia ler “Neon Sign Amber”, enquanto em outro que tinha um limão desenhado, lia-se “Isso é vida.”.

— Por que não respondeu as mensagens? – perguntou zangada a morena de cabelos com pontas azuis.

— Mensagens? – a baixinha verificou o celular, que possuía mais de vinte mensagens não visualizadas: — Nossa... É que eu estava conversando... – olhou de canto para a senhora.

— Me deixou preocupada! – afirmou convicta Yangmi: — Quase morri do coração. Bom, pelo menos, agora já sabemos que o GPS funciona...

— Sério? Você usou isso?

— Mas é claro! Não me respondeu!

— Pensei que a gente tinha combinado que você só usaria em último caso... – Myung-Hee disse séria.

— Vinte mensagens não visualizadas... Óbvio que eu ia ver o que aconteceu! – respondeu ainda mais séria Yangmi.

Myung-Hee deu um leve bufo enquanto se afastava para a namorada sentar: — Yangmi, esta é Yoon Jeong-Hui.

— Ah...- a morena fitou a senhora: — Prazer em conhece-la. – disse formalmente, cumprimentando.

— O prazer é meu. – respondeu a senhora com um sorriso singelo.

— O que está fazendo? – Yangmi olhou para o papel em que Myung-Hee se concentrara nos últimos minutos.

— Um mapa. – a baixinha respondeu sorrindo, mostrando o desenho: — Mas, com você aqui, acho que dá para falar o endereço. Com certeza, você sabe.

— Endereço? Que endereço...? – a morena ainda fitava o desenho, tentando se localizar dentro dos rabiscos.

— Do Sangwoo! A Senhora Yoon Jeong-Hui, quer ver o Bum. – a pequena sorriu.

Yangmi fitou séria a namorada e depois a senhora: — Não. Óbvio que não. – disse pegando o desenho e finalmente reconhecendo o todo: — Não vou dar o endereço, e nem você dará esse mapa. – ela o dobrou, colocando dentro da bolsa que estava em cima de seu colo.

— Quê? Por quê? – disse indignada a baixinha.

— Porque o Sangwoo é territorialista, somente pessoas que ele conhece podem ir vê-lo.

— Mas, eu já fui lá...!

— Com autorização! – respondeu séria a morena.

— Mas ela quer fazer uma surpresa para o Bum! – a baixinha cruzou os braços.

— Então, daremos o telefone do Sangwoo, ela liga para ele e fala da surpresa! Você não pode dar o endereço, muito menos eu.

— Você só pode estar de brincadeira... – a pequena sacudiu a cabeça negativamente, perplexa.

— É claro que não estou. – Yangmi cruzou os braços.

— Quer dizer que qualquer um que quiser ver o Bum, terá de passar pelo “pente fino” do Sangwoo?

— Óbvio. – afirmou à morena: — Pelo menos, se quiser ver ele na casa deles.

— Mas ela é tia do Bum! – a pequena ficou ainda mais indignada: — Isso é injusto! E... – mas, antes que terminasse de falar, Yangmi já se pusera de pé, derrubando as xícaras de cima da mesa, a própria bolsa, assustando as pessoas ao redor e, literalmente, rosnando para a senhora a sua frente.

— O que você quer? Como achou a Myung-Hee?

As veias do pescoço da morena saltavam e seu olhar de fúria surpreendeu à namorada, que desde a luta contra os mercenários que Taeyang contratara, nunca vira Yangmi naquele estado. A senhora se encolheu um pouco na cadeira, obviamente amedrontada com a atitude agressiva da alpha.

— Yangmi! – a baixinha segurou o braço da morena: — Você a está assustando...

— E daí? – perguntou irritada a garota: — É para ela sentir medo... – ela rosnou as palavras: — De preferência, é para ela ficar totalmente acuada a ponto de não pensar em fazer nenhuma besteira, como se aproximar de você ou do Bum novamente.

— Do que você está falando...? – Myung-Hee sentia-se perdida naquela conversa.

—... Acho melhor eu ir... – disse a senhora, pegando a própria bolsa que colocara na cadeira ao lado e levantando.

— Não! Espera...! – a baixinha tentou chamar a mulher que partia: — Yangmi!

A morena respirou fundo: — Ela sequestrou o Bum da última vez que falou com ele. Aliás, que sorte a sua, hein? Olha logo quem você foi encontrar... – a morena se abaixou, pegando sua bolsa que caíra no chão. Ao levantar, se desculpou com o atendente que limpava os locais que sujara ao derrubar as coisas.

— Ela o quê? Como eu não sabia disso? – perguntou exasperada a pequena.

— Não sei... Talvez o Bum não quisesse falar sobre o assunto... – sugeriu Yangmi, ajudando o atendente com as xícaras quebradas.

A baixinha suspirou profundamente. Definitivamente era a cara dele não falar sobre isso...

“Sim... Esconder um sequestro de sua melhor amiga é realmente uma ideia genial, Bum.”.

Quando conheceu o ômega e percebeu que ele não se abria por nada, a pequena sentiu-se frustrada. Contudo, atualmente, já estava acostumada. Sabia que ele era assim.

“Mas, teria poupado saliva com ela...” – respirou fundo, pegando o celular e escrevendo um grande “IDIOTA!” para Bum. Enviou sem piedade e não explicaria sobre o que se tratava. Ele que adivinhasse porque estava zangada.

“Para aprender a não ser estúpido. Como pôde esconder isso de mim?”. – refletiu a baixinha, respirando fundo.

— Mas o Sangwoo te contou... – de alguma forma, aquilo a irritava mais.

— Ele estava preocupado que ela voltasse. Então, me contou, até descreveu a criatura pra mim... Mas, fiquei tão aliviada em te encontrar, que nem prestei muita atenção, e só percebi quando você disse que era tia do Bum... – ela colocava os cacos no lixo que o atendente trouxera.

Myung-Hee corou, desviando o olhar de Yangmi. Não tinha ideia que podia preocupa-la tanto... Passou os dedos entre os fios de cabelo. Ainda não deixara a garota mordê-la. Por mais que sentisse algo único toda a vez que a encontrava.

“Talvez no fundo... Tenho mais medo do que quero admitir...” – fitou de canto a garota de pontas azuladas que, descoordenadamente e sem graça, se desculpava e pagava o prejuízo do local ao gerente.

— Me leva até os dormitórios? – perguntou Myung-Hee.

— Claro. – respondeu Yangmi, colocando a carteira na bolsa e fechando-a.

As duas garotas saíram da cafeteria e andaram tranquilamente até o carro de Yangmi. Contudo, quando chegaram, Myung-Hee se apoiou na namorada.

— Que foi? – perguntou a morena, preocupada.

— Não sei... Fiquei com sono do nada... – a pequena bocejou: — Muito sono...

Yangmi abriu a porta do carro e Myung-Hee sentou, adormecendo em seguida.

— Ei! Ei!!! – a morena tentou acordá-la: — Mas... Quê? – Yangmi piscou diversas vezes, fechou a porta e entrou pelo outro lado. Tentou acordar novamente a baixinha, mas a pequena apenas murmurou e se virou, ignorando-a.

Yangmi ficou calada, observando Myung-Hee por alguns instantes. Se alguém tinha sono leve, era a baixinha. Já sabia disso.

“Definitivamente, ela não adormeceu naturalmente.” – respirou fundo, encostando a cabeça no volante. Nunca esteve tão feliz por terem inventado o GPS.

Sangwoo havia lhe contado como a senhora sequestrara Bum. Conforme o que o alpha havia dito, o ômega ficou com sono e acordou na casa dos tios...

“Ela ia pegar a Myung-Hee...” – a morena fechou a mão ao redor do volante.

De repente, outra preocupação ocupou sua mente: — Espera... – olhou de canto a pequena: — Eu não tenho como te deixar nos dormitórios, não posso entrar lá... – a morena percebeu que falava sozinha e suspirou: — Ótimo. – se esticou no banco, refletindo: -... Bom. Você vai para minha casa então... – ligou o carro, começando a dirigir e pensando em como ia explicar Myung-Hee a louca de sua mãe.

“Tenho que me mudar logo...”.

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Bum se observava diante do grande espelho montado em uma das salas de aula. Diversos alunos andavam de um lado para o outro, nervosos e ansiosos pela manhã que viria.

O ômega olhou bem para a imagem diante de si. Não acreditava que estava vestindo a beca...

“Não parece real...” – refletiu, observando cada detalhe da vestimenta.

Depois, fitou seriamente a amiga que conversava com outros colegas da classe.

Myung-Hee tivera que ajustar o tamanho de sua beca – fazer uma bainha, pois a mesma era mais comprida do que pensara. A garota estava com uma pequena parte do cabelo trançado, enquanto que o resto se via em ondas cacheadas que caíam sob os ombros.

Suspirou enquanto ajeitava o capelo sobre a cabeça. Ela o estava evitando e ele ainda não descobrira o motivo. Apenas sabia, que por alguma razão desconhecida, ela o considerava um idiota.

Pegou o celular da mochila e olhou o número de Sangwoo, dando um pequeno suspiro. Tivera uma noite muito agradável, viram séries, comeram pipoca, ficaram abraçados e foram dormir. O problema, realmente, foi pela manhã.

Tiveram de sair cedo, devido à prova de toga, mas... — Bum passou a mão no pescoço, nervoso. Não conseguira tirar os olhos do alpha. Cada detalhe do loiro o atraía como um ímã. Teve de tomar um banho tão gelado, que parecia ter dado uma passada rápida no polo norte. Além disso... — o pequeno observou a janela da sala. O cheiro de Sangwoo... Parecia impregnado em sua alma. Não saberia explicar, contudo, sentia-o mais forte...

“Deve ser a proximidade do cio...” – pensou, suspirando profundamente.

Já passara diversos cios pensando no rapaz, sempre quando estudava com o mesmo e o via, um ou dois dias antes do início daquela tortura, tinha vontade de agarrá-lo. Era um fato. Mas, sempre, sempre conseguiu se controlar com maestria. Contudo, àquela manhã quase perdera o controle... Foi difícil se afastar e se despedir, quase implorou para que o alpha passasse aquele momento com ele... O que era extremamente ridículo.

Sentia-se ansioso e carente.

“Que droga...” – fitou momentaneamente o teto e suspirou.

Olhou novamente o celular. Sangwoo disse que pegaria os atestados necessários para seu cio, então, não precisava se preocupar em sair da prova de toga mais cedo. Poderia tirar todas as fotos necessárias, sem pressa. Respirou profundamente, voltando a observar a amiga.

“Primeiro, preciso resolver isso...” – se levantou, aproximando-se de Myung-Hee.

A garota inicialmente o ignorou, mas, depois de duas tentativas, finalmente lhe contara o que acontecera e o motivo de estar tão chateada. Ficara um pouco chocado a princípio, não acreditava que sua tia tinha ido tão longe.

— Sinto muito não ter te contado... – disse com sinceridade.

— Às vezes penso se você realmente confia em mim Bum. Isso, definitivamente, era importante. Como assim você foi sequestrado, e não me contou? – ela parecia mais magoada do que zangada.

—... – Bum fitou os pés: — É que... Não queria pensar nisso... – ele segurou o cotovelo esquerdo com a mão direita, desconcertado: — Não gosto de me lembrar deles... Nem que... – ele se calou.

— Nem que o quê? – perguntou tensa a pequena.

— Nem que ela é realmente assim... Acho... Que não queria pensar que ela fez aquilo... Sabe... – mordeu a parte interna da boca, nervoso: — Eu gostava dela. – seus olhos marejaram: — Quando era criança e entrei naquela casa imensa, cheia de pessoas estranhas, ela foi a mais amistosa. Mais que meus parentes... Ela cuidava de mim... Pensar que... Pensar que ela só me usava é... – ele desviou o olhar.

Myung-Hee suspirou profundamente: — Entendi. – disse sóbria: — Bom, acredito que superamos isso, não? – ela sorriu: — Vamos esquecer esse assunto e nos concentrar no dia de hoje! E... – ela passou um lenço no rosto do ômega: — Sem chorar!

— Não estou chorando... – Bum respondeu desviando o olhar.

A baixinha riu: — Está bem, desculpe, devo ter visto errado. Ah! Graças a isso, passei a noite na casa da Yangmi... – Myung-Hee contou.

— Quê? – Bum corou: — E vocês...? – perguntou sem graça.

— Não. – a pequena riu mais: — Sua tia me dopou... – o ômega fez uma cara assustada, contudo, a pequena deu de ombros: — Só acordei de manhã... Mas, acho que a mãe dela não foi muito com a minha cara... – confessou.

— Eh? Por quê?

— Sabe quando te olham dos pés a cabeça e fazem aquela cara de “só isso?”, pois é... – a baixinha suspirou.

—... – Bum não sabia muito bem o que dizer.

— De qualquer forma, a gente foi embora antes de eu realmente conversar com ela... – Myung-Hee respirou fundo, fitando os outros colegas: — Melhor terminarmos de nos vestir, ou vamos ficar pra trás. – sorriu para Bum: — Vamos nos divertir, ok?

— Ok... – respondeu o pequeno.

Faltavam apenas alguns detalhes, como colocar a capa e Myung-Hee trabalhar arduamente lhe maquiando as olheiras. Quando terminaram de se arrumar, começaram a seguir as ordens dos produtores responsáveis pelas fotos e filmagem.

Não foi tão divertido, mas, definitivamente, foi muito emocionante e cansativo.

Primeiro tiveram de sair correndo com o resto da classe para uma foto em movimento – repetiram a corrida, pois uma das colegas tropeçou no salto e caiu.

Depois, tiveram de se posicionar entre os colegas para uma foto mais formal. Então, se arrumar com o canudo, para a foto do convite e quadros que iriam expor com cada um dos formandos. Por fim, seguraram balões para fotos extras.

Quando chegou meio dia, Bum estava exausto, enquanto via metade da turma chorar pelo fim daquela etapa...

“Se estão assim agora... Na colação de grau, vão estar como...?” – refletiu o pequeno.

Contudo, não conseguia negar que parte de si também queria chorar... Foram quatro anos ali. Quatro longos e exaustivos anos de estudo... Suspirou, sentando em um dos bancos que se encontrava na frente do prédio em que estudara durante todo aquele tempo.

— Vou sentir falta... – murmurou: — Mas... Que bom que terminou... Estou cansado... – o pequeno falava, já sem a beca, mais para si e não notando que era ouvido pela baixinha que sentava ao seu lado.

— Está reclamando do quê...? – queixou-se a pequena: — Meus pés estão latejando por causa do salto... Você, pelo menos, não teve de usá-los... – resmungou Myung-Hee: — Por que não posso ser mais como, não sei, a Namie Amuro? Que fica duas horas em um show, dançando de salto, e sai como se nada tivesse acontecido? – ela fazia movimentos circulares com os pés e tinha no semblante um evidente beicinho de dor.

— Por que ela treina diariamente para isso, e você gosta tanto de usar saltos, quanto de fazer dietas? – respondeu brincando o ômega.

— Ei! – riu a pequena, suspirando em seguida e depois observando o amigo: — A... Como é o nome dela? A loira da sua manada...

— Yura...? – disse Bum, lembrando-se da garota.

— Isso! Ela usa saltos, todos os dias. Pelo menos, todos os dias em que a vi. Como ela aguenta? – refletiu a pequena.

— Está com inveja agora? – Bum riu baixinho.

— Sim. Muita. Confesso. – disse Myung-Hee, rindo junto com o amigo. Ela então pausou o riso e fitou o pequeno: — Seu cio é essa semana, não?

Bum olhou Myung-Hee, corou um pouco, baixou o olhar e depois passou a mão no cabelo: — É... – respondeu sem graça.

— Tá nervoso? – a pequena questionou sorrindo.

— Hm? Por que estaria...? – Bum não compreendeu muito bem o motivo da pergunta.

— Porque é seu primeiro cio com o Sangwoo! Claro! – o sorriso da morena aumentou.

Bum gelou. Não havia contado a Myung-Hee sobre a decisão do alpha, e na realidade, temia contar. A garota era bastante radical em certos assuntos, o que lhe dava uma noção bem clara do que ela pensaria se dissesse que Sangwoo decidira não passar o cio com ele...

— Hã... – começou a pensar em alguma desculpa, talvez mudar de assunto fosse uma boa ideia.

Mas foi tarde. A pequena percebeu a hesitação e desfez o sorriso, ficando extremamente séria: — Ele vai, não é?

— Quê? – Bum tentou se fazer de desentendido.

— Passar o cio com você. – respondeu sem pestanejar a baixinha: — Ele vai, não é? – ela enfatizou a questão.

O ômega permaneceu em silêncio.

Myung-Hee levantou, ignorando a dor aguda de seu pé, que piorou muito com o movimento repentino: — Você só pode estar de brincadeira! – exclamou indignada: — Como assim?

Bum não podia, de fato, revelar o verdadeiro motivo de Sangwoo, então apenas respondeu o que lhe parecia o mais óbvio: — Bom, ele não quer filhos...

Aquilo não pareceu acalmar a pequena, pelo contrário, ela surpreendentemente, estava ainda mais irritada. Seu semblante já denunciava uma fúria crescente.

— Como é?! Que ele compre o supressor mais recente! – ela parou de falar, segurando o ar por alguns instantes: — Qual o seu problema? – o questionou num misto de irritação, preocupação e raiva: — Você pode ser o ômega mais controlado do universo, mas já não se trata mais disso! Não tem como você suprir isso com força de vontade, você foi marcado, é loucura!

— Myung-Hee, se acalme... – pediu Bum.

— Me acalmar? Bum! Como você pode aceitar isso? Eu já vi casos em que o ômega marcado passou o cio sozinho, e foi horrível!

Myung-Hee já trabalhara em diversos locais diferentes. Como um parque temático – onde se vestira, todos os dias, com a fantasia de um coelho bem gordo e peludo, mascote do local; uma farmácia – onde fora atendente e uma clínica de recuperação ômega – onde fora auxiliar de limpeza.

“Não posso o deixar passar por aquilo...!”. – pensou a garota aflita.

— O que tá acontecendo? – Yangmi perguntou, preocupada, ao chegar com a manada. Vestia um longo casaco preto e carregava sua mochila cheia de botons, em um deles lia-se “Konbini-kun”. Percebendo o estado alterado da namorada, aproximou-se da mesma: — Você está bem?

— Estou! O problema é o Bum! – respondeu indignada a baixinha.

— O que houve? – Sangwoo olhou com receio para o rapaz que ainda estava sentado no banco.

— Não houve nada... – disse Bum, levantando-se.

A pequena observou o loiro, e então caminhou até ele. O alpha parecera realmente preocupado, talvez o ômega apenas aceitara calado passar por aquilo – o que seria bastante típico dele. Sangwoo podia não saber o quanto era complicado, doloroso e problemático, passar por um cio sozinho.

“Principalmente marcado.” – pensou Myung-Hee.

— Sangwoo! – ela começou, fazendo Bum fita-la em um óbvio “Não faz isso”, que ela ignorou solenemente. Se o amigo não abria a boca, ela o faria: — Você tem que passar o cio com o Bum! – disse com firmeza.

Houve um silêncio um tanto constrangedor.

— O Sangwoo não vai passar o cio com o Bum? – questionou Taehyun, fitando Yura. O rapaz vestia um casaco preto com uma listra branca na ponta e capuz, que era exatamente o oposto do casaco branco com uma listra preta e capuz, da loira ao seu lado.

— Não sei. – disse a garota loira perplexa. Só então percebendo o absurdo da questão: — Como eu saberia Tae? Ouvi tanto quanto você... – respondeu Yura, cruzando os braços.

— Sei lá... Você sempre sabe... – o ruivo deu de ombros.

— Bom, tem lógica, o Sang nunca quis filhos mesmo... – Young disse, se metendo na conversa. A garota estava de cabelo preso e um sobretudo amarelo escuro.

— Isso não é complicado? Nunca conheci profundamente um ômega, mas, dói se eles passam os cios sozinhos, não? – Chung-Ho deu uma pausa, usava uma jaqueta larga de couro escuro. Virou-se para Jihoon: — Como é com seu irmão? – perguntou distraidamente ao lembrar que o rapaz tinha um gêmeo ômega.

— Hm... Quando ele está interessado em alguém e não é correspondido, parece realmente doloroso. Mas, sempre pensei que a dor dos cios passava depois de marcado... – Jihoon vestia um casaco Woolrich, cinza com capuz.

— Meu pai sempre passa os cios com a minha mãe. – refletiu Dongyu. O gordinho trajava um casaco marrom e luvas pretas: — Ele sempre arranja uma forma de encaixar os horários. Já até cancelou viagens de negócios para estar em casa nesses momentos...

— Se é para evitar filhos, não foi lançado um medicamento novo com uma taxa maior de eficiência...? – perguntou Jieun, que vestia um casaco grosso cor-de-rosa, olhando para Young, que fez uma expressão onde se podia ver estampado “Não faço ideia.”.

— Cada ômega é diferente, por isso, não dá para ter certeza se será ou não, doloroso para Bum. – disse ponderadamente Seung. O rapaz usava um casaco azul marinho e calça jeans pretas.

Myung-Hee permaneceu calada, ouvindo os alphas. Chocou-se com tanta desinformação.

— De qualquer forma, a decisão é deles, não?

Quando a baixinha ouviu isso, quase deu um grito de raiva. O fato da frase ter sido dita por Yangmi, apenas fora um agravante.

— Já chega! – disse severa, Myung-Hee. Ela olhou Taehyung e Yura: — Se pedi para ele passar o cio com o Bum, significa que ele decidiu não fazer isso. – ela fitou Chung-Ho: — Sim. Dói passar o cio natural sozinho. É terrível. – ela virou-se para Jihoon: — A dor piora, e muito, quando o ômega é marcado, não melhora. – observou então Dongyu: — Seu pai é um exemplo, seria maravilhoso se todos os alphas fossem assim! – encarou Jieun e a Young: — Sim, saiu um medicamento novo. Os efeitos colaterais são piores, mas a chance de gravidez é reduzida a dez por cento. – falou então séria para Seung: — Cada ômega é diferente, mas, tenha certeza absoluta, que é unanimidade o fato de ser muito, muito, muito ruim, passar um cio natural sozinho, principalmente se marcado! – mirou à namorada: — A decisão me pareceu bastante unilateral, para ter sido tomada pelos dois! – por fim, a pequena voltou a olhar Sangwoo: — Vai ser um pesadelo para o Bum! – disse em suplico: — Você não pode fazer isso, é crueldade!

Sangwoo ficou um momento em silêncio, então suspirou: — Nós já tomamos nossa decisão.

— Ora, seu! – Yangmi teve de segurar Myung-Hee, que por pouco, não avançou no líder alpha: — Seu egoísta! – a garota disse furiosa: — Como você tem coragem de fazer isso? Já não basta rejeitar o vínculo?

Todos da manada começaram a se olhar, confusos. Com exceção de Yangmi, que tentava afastar a namorada.

— Me solta! Eu quero acabar com a raça dele! – pediu a baixinha se movendo bruscamente, enquanto tentava soltar-se.

— Você não tem como fazer isso... – Yangmi suspirou, arrastando mais a garota.

A única dificuldade que Yangmi tinha, estava na imobilização, pois Myung-Hee se mexia muito. Contudo, além de baixinha, assim como qualquer outro ômega, a garota era fraca. A cena seria cômica, se a pequena não estivesse furiosamente perigosa.

— Talvez eu devesse dizer algumas verdades desse alpha estúpido e egocêntrico! Como o fato dele não ter mor—

— MYUNG-HEE! – Bum interrompeu com um grito.

A pequena o encarou, mordeu o lábio inferior da boca com força, e por fim, olhou o chão. Respirando fundo: — Me solta, Yangmi. – disse séria.

— Não é melhor a gente sair primeiro... – respondeu a morena com pontas azuis.

— Se você não me soltar, agora, nós teremos uma conversa bem grave, e você não irá gostar nada dela. – respondeu seriamente Myung-Hee.

Yangmi se chocou com a atitude da pequena e a soltou.

Myung-Hee andou até o banco, pegando sua mochila.

— Sabe, Bum... – ela fitou o amigo, séria: — Há certas coisas que não podemos, simplesmente, aceitar. Mas, pelo visto, você terá de passar por isso para entender. Espero, de verdade, que você fique bem. – a garota abriu a mochila, pegou um porta-cartões, abriu, retirou um e levou até Sangwoo: — Espero que tenha, pelo menos, a decência de ligar para este número quando ver o que causou. – ela entregou o cartão.

— Clínica de Recuperação Ômega? – Sangwoo questionou confuso.

— Hospitais sempre estão lotados nas áreas ômegas reservadas para recuperação de cios complicados. Esta clínica é a melhor opção. Se você não estiver disposto a gastar, é só me ligar. Ela fechou a mochila.

— O Bum não vai precisar de uma clínica. E, caso ele precise, obviamente, eu pagaria. – Sangwoo normalmente não aceitava tantos insultos, mas, Myung-Hee, de certa forma, era uma pessoa privilegiada. Além de melhor amiga de Bum, ainda era o interesse amoroso de Yangmi, então, tentava se controlar.

A baixinha deu um sorriso irônico: — Se você acha que ele não precisará da clínica, passando o cio sozinho, está enganado. E, outra coisa, como eu saberia que você está disposto a pagar? Desde que entrou na vida do Bum, tudo que vejo você fazer, nos momentos que realmente importam, é magoá-lo e decepcioná-lo. – ela colocou a mochila no ombro, deixando todos com o silêncio e saindo.

Foi seguida por Yangmi, que se despediu rapidamente e saiu para tentar contornar a situação com sua baixinha-zangada-dramática favorita.

Bum segurou a mão de Sangwoo. Entendia a preocupação de Myung-Hee, mas... – ele fitou o alpha de canto, o loiro ainda encarava o local que a pequena estivera há instantes atrás – ficaria ao lado de seu namorado dessa vez. Mesmo que doesse e fosse difícil... A pessoa que amava fora sincera e pedira compreensão nessa questão – apertou a mão do alpha mais forte, fazendo-o fita-lo.

“Dará tudo certo. Você verá...” – Bum sorriu para o namorado.

Sangwoo se preocupou. Mesmo que o ômega estivesse sorrindo... Será que Bum não fora totalmente honesto? Sabia que Myung-Hee era um pouco dramática, mas, a garota estava mortalmente séria e agoniada.

— Isso foi tenso. – disse Taehyun, respirando fundo.

Bum se afastou de Sangwoo, aproximando-se da manada. Sentia-se estranho perto do alpha... E isso era ruim. O simples cheiro do loiro o embriagava... Sabia que era o cio, mas, estava realmente forte. Sua vontade era liberar seus feromônios e ver a reação dele... Contudo, algo lhe dizia que era diferente de quando queria provoca-lo...

“Isso... Não sei como definir isso...” – pensou o ômega, confuso com as próprias sensações. Não era sexo que queria.

“Não estou me entendendo...” – suspirou o pequeno, tentando não pensar nisso e prestando atenção na conversa dos alphas.

Sangwoo observou Bum, estranhando suas atitudes. Quando o pequeno disse que ficaria bem, estava falando a verdade, ou, apenas bancando o forte? Aquilo era agoniante. Odiava sentir-se agoniado.

“Merda. Se ele não guardasse tanta coisa pra si, eu não ficaria assim...” – Sangwoo passou uma das mãos no cabelo. Também não podia condenar o rapaz, não era como se fosse um livro aberto...

— Sem querer me envolver, mas, já me envolvendo... Talvez você devesse comprar o remédio novo, Sangwoo. – Seung comentou, cruzando os braços.

— Concordo com ele. – Yura disse séria.

— Pessoal, o Sangwoo já falou que a decisão é deles. Melhor não nos metermos... – Jieun comentou entediada.

— É... Mas, pareceu sério... – Young fitou Bum, seu semblante revelava certa preocupação, o que surpreendeu Jieun.

— Vou ficar bem. – Bum tentou tranquilizar a todos: — A Myung-Hee é... – ele refletiu sobre uma palavra que não soasse ruim, mas... Só conseguia definir a amiga de uma forma: -... Dramática. – o pequeno deu um sorriso tímido: — Não se preocupem.

— Certo. Por que não vamos todos almoçar no restaurante? – perguntou Jihoon, tentando amenizar a situação.

— Você sabe que os restaurantes daqui são absurdamente caros. Até para o padrão alpha! Só você e essas duas – Chung-Ho apontou com a cabeça para Jieun e Young: — Para comerem lá todo dia!

— A Yura também poderia, se quisesse, mas, ela prefere comprar sapatos. – refletiu, Taehyun.

— Cada um com suas prioridades. – respondeu prontamente Yura.

— Aff, quanto drama. Vamos fazer assim, já que eu quero que todos nós almocemos juntos, eu pago, que tal?

— Feito! – disse sem hesitação Chung-Ho.

— Estou incluso? – Dongyu questionou incerto.

— Claro! – respondeu rindo Jihoon.

Dongyu sorriu, animado. Não estava acostumado a lhe oferecerem comida de graça, sem ser na casa de seus pais. Definitivamente, aproveitaria a oportunidade.

Sangwoo observou a cena calado, na verdade, não conseguiu responder mais do que monossílabos durante o almoço inteiro. Apesar de Bum aparentar completa tranquilidade, e o vínculo lhe garantir que o pequeno não estava preocupado ou aflito.

“Pelo menos, o que é possível sentir do vínculo, garante isso...” – suspirou o alpha.

Aquilo era irritante. Criou as barreiras no vínculo por não se sentir preparado para algo tão absurdamente profundo, contudo, de forma muito nítida, sentia falta de compreender completamente os sentimentos de Bum. Queria entende-lo em sua plenitude... Mas... Saber que ao quebrar aquelas barreiras, ele também lhe entenderia... Ele também poderia vê-lo... — um suspiro exasperado saiu de seus lábios.

O grande problema, se quebrasse as barreiras e finalmente descobrisse se Bum realmente estava bem com tudo aquilo ou não, era que se quisesse refazê-las, não conseguiria. Não por não ter capacidade de fazê-lo, mas... – ele fitou o pequeno, que dava um sorriso tímido ao aceitar a sobremesa que Dongyu escolhera – não teria coragem.

“Não poderia magoá-lo de novo... Daquele jeito...”.

Nunca esqueceria a dor nos olhos do ômega, no dia em que vínculo se concretizara e ele criou as barreiras. Não queria vê-lo com aquela expressão nunca mais.

— Acho que devemos ir. – disse com um sorriso para o moreno: — Ou você irá se atrasar para o serviço.

Bum concordou, terminando a sobremesa e saindo com Sangwoo, após se despedir da manada. Caminharam tranquilamente até o carro.

— Você está distante... – comentou Bum, já sentado no carona, enquanto fitava o namorado colocando o cinto de segurança.

— Hm? Talvez um pouco... – Sangwoo ligou o automóvel, começando a dirigir: — Consegui seus atestados... Estão na minha mochila, pode pegá-los. – ele apontou para o banco traseiro.

Bum se virou, pegando a mochila do loiro e começando a procurar os atestados: — Tenho sorte do meu serviço permitir levar atestados e não descontar... – murmurou o pequeno.

— Achei que era lei fazer isso... – respondeu o alpha, dobrando em uma esquina.

— É... Mas, a maioria tenta burlar... Como é difícil conseguir um bom emprego, a maior parte dos ômegas não reclama... – comentou o moreno: — E tem o salário descontado, mesmo todo mundo sabendo que é impossível trabalhar durante o cio...

— Hm... – Sangwoo ia responder, mas, ficou calado.

Bum olhou o alpha, estranhando a atitude, então corou: — Tá... Dependendo do emprego, não é impossível... – murmurou muito sem graça.

O alpha riu.

O ômega se perdeu na risada do loiro. Sentiu a própria respiração ficar mais pesada... Intensa... Corou ao perceber que estava liberando feromônios de forma a provocar o homem ao seu lado.

Sangwoo olhou para Bum chocado “Mas, que diabos!” – sentiu o corpo inteiro estremecer e estacionou o carro: — O que você tá fazendo? – questionou surpreso.

— Eu... – o ômega corou ainda mais, notando que estavam na esquina da creche, abriu a porta: — Desculpe! – saiu, fechando a porta e correndo em direção ao serviço.

Não tinha ideia do porque ter feito aquilo. Fora instintivo... Mas, não entendia o motivo. Por que queria provocá-lo, se não queria transar com ele? Não entendia. Estava confuso. Entrou na creche, indo direto para o vestiário colocar seu avental de maçãzinhas.

Sangwoo observou Bum correr, ficando completamente calado. O cheiro do rapaz estava impregnado no carro inteiro... Se ficasse ali, teria uma ereção. Abriu todas as janelas e saiu, batendo a porta e esperando do lado de fora.

O que fora aquilo? Bum nunca o provocara daquela maneira... E... Um pouco antes de ter de largá-lo no emprego? Estranho. Respirou o ar puro do lado de fora por um tempo, tentando esquecer todas as sensações que os feromônios do menor lhe provocavam.

“Merda Bum... Que porra você estava pensando?”.

Já haviam tido alguns momentos antes dele ir trabalhar, mas, nunca fora usando aqueles feromônios, sempre fora algo mais natural... Que simplesmente ocorrera...

“Droga...” – o alpha estava falhando em esquecer o cheiro do ômega.

Respirou fundo mais algumas vezes, antes de finalmente, ficar calmo e poder ir trabalhar.

Bum brincou com as crianças o dia todo, avisando-as que ficaria o resto da semana longe, o que fez Sun-Hee ficar zangada. Ele trabalhava ali, não tinha o direito de não ir. Era a opinião da pequena. Também entregou os atestados, teria de fazer horas extras para compensar, mas, nada que já não estava acostumado.

Quando seu expediente terminou, encontrou-se com Sangwoo – que lhe aguardava no carro, e pediu para fazer algumas compras. Passaram no mercado e Bum comprou a comida e água necessária para os dias de seu cio.

Durante todo o tempo, evitou falar sobre o incidente da tarde e evitou se aproximar demais do loiro. Ao chegarem a casa, fez um jantar rápido e pediu para dormir no andar de cima... Onde, possivelmente, seria seu ninho.

Sangwoo concordou, um pouco frustrado. Dormiram separados naquela quarta.

Bum teve uma péssima noite. Acordou cedo...

O alpha nem ao menos dormiu. Estava estressado.

Quando desceu para preparar café, Bum se deparou com Sangwoo recolhendo o jornal, e, sem conseguir se controlar, abraçou-o, beijando-o. O alpha, pego de surpresa, apenas pressionou o pequeno contra a parede, sem interromper o beijo.

Bum queria sentir mais o cheiro de seu alpha. Deslizou as mãos para dentro da camisa tocando o abdome definido e todas as curvas daquele homem. Com seu corpo pressionado contra o do loiro, pode constatar o volume crescente na calça de Sangwoo.

“Ele está excitado... Completamente excitado... Eu...” – mas seus pensamentos foram interrompidos. De repente uma única vontade, que agira como um balde de água fria, o atingiu em cheio.

“Preciso fazer meu ninho.”. – finalmente entendera porque queria deixar Sangwoo excitado.

Queria provoca-lo, para que ele passasse o cio consigo. Não queria sexo naquele exato instante, mas, mesmo assim... Queria confirmar que o alpha ficaria ali. Engoliu a seco. Seus instintos, às vezes, eram cruéis.

Afastou o alpha de si, surpreendendo-o.

— O que foi? – perguntou confuso Sangwoo.

Bum baixou o olhar. Não sabia como explicar... Só precisava sair dali e começar a montar seu ninho. Como diria que a provocação fora instintiva? Quando prometeu que concordava em não ficarem juntos naquele cio... Permaneceu em silêncio, olhando para baixo.

Sangwoo suspirou, resignado. O moreno exalava feromônios enlouquecedores, do nada, beijava-o, do nada, e simplesmente parava? Também do nada.

— Se você não falar, não irei entender. – disse se afastando um pouco e encarando o pequeno ômega.

— Meu ninho... – sussurrou o menor.

—... Agora? – perguntou um pouco incrédulo. Aquilo era sério? Ele queria montar o ninho, naquele exato instante?

— É... – o moreno baixou mais o olhar.

Sangwoo respirou fundo. Não estava realmente de acordo, mas, nunca iria forçá-lo. Afastou-se, dando espaço ao jovem. Precisava de um banho... Com urgência.

— Tudo bem. – disse por fim: — Não vou forçar, e não é como se nunca mais fossemos fazer isso...

Bum observou o alpha e seu coração se afligiu... Aquela frase, aquele semblante... Estava muito parecido com Yoonjae.

“Não...” – o pequeno sentiu seu corpo inteiro enrijecer, enquanto sua mente, de forma não muito sadia, se preenchia com as dolorosas lembranças das vezes que o ex concordara em parar, mas, que na verdade, se provara uma grande mentira.

“Não vou perdê-lo, também, por causa disso...”. – sem pensar, colocou os braços ao redor do pescoço do alpha e voltou a beijá-lo, intensamente. Não estava, verdadeiramente, com vontade de fazer aquilo, mas, não queria que Sangwoo procurasse outra pessoa, não aguentaria isso... Já o sentira transando com outro antes, quando não estavam juntos, se sentisse isso novamente agora...

Sangwoo piscou, confuso. Bum o beijava com voracidade, contudo... “Tem algo estranho, diferente...”.

O que mais queria, no momento, era que o ômega mudasse de ideia e eles voltassem ao que estavam fazendo, exatamente o que parecia acontecer. Entretanto, o corpo inteiro do moreno se encontrava tenso e de algum modo, tudo parecia falso.

“Ele está se forçando...” – Sangwoo não entendia o motivo do ômega fazer aquilo. Uma parte sua queria continuar, beijar a marca que fizera naquele pescoço, chupar o mamilo rijo, sentir o líquido lubrificante descer por entre aquelas nádegas macias... Podia fingir não sentir o leve tremor de desconforto do jovem... Podia apenas continuar e satisfazer suas próprias vontades, afinal, fora o moreno que iniciara aquilo... De novo, e do nada.

“Qual a porra do problema dele hoje? Mas que merda.” – o afastou de si.

— Por que está fazendo isso, se não quer? – perguntou levemente irritado, aquilo tudo era muito frustrante e confuso.

— Não quero que vá atrás de outra pessoa... – confessou o pequeno.

—... – Sangwoo surpreendeu-se com a resposta. Primeiro o ômega o provocara do nada, daí, decidiu que não queria, pois precisava montar seu ninho, mas, ficou com medo por que pensou que ele iria traí-lo? Estava acompanhando certo, ou perdera alguma coisa no caminho? Suspirou profundamente. Sabia que ômegas ficavam estranhos antes de cios, contudo, nunca imaginou que era tão intenso. Tentou manter a calma: — Você acha que vou te trair?

—... Eu te provoquei... E... Do nada veio à vontade do ninho... Não é como se eu pudesse controlar, mas, não quero te deixar frustrado. Não acho que você me trairia... Mas, não quero dar razões... – Bum sentia-se diferente. Estava mais carente, confuso e inseguro que o normal. Não que não fosse assim em alguns momentos, contudo, estava enfaticamente dessa forma.

“Me sinto ridículo...” – pensou o menor.

—... Eu não sou assim, Bum. Se algum dia você me deixar frustrado a ponto de eu ir atrás de outra pessoa, você vai ficar sabendo.

— Como na vez que você disse que ia passar a noite fora?

—... Aquilo foi... – o loiro passou a mão no cabelo: — Um blefe. Mas, é... De certa forma... – o fato era que, mesmo quando quis trair o pequeno, não conseguiu. E a cada dia que passava, sentia-se mais apegado e a simples possibilidade de perdê-lo por traí-lo, se tornara cada vez mais eficiente em evitar que o fizesse.

“Mas, é bonitinho ver ele com medo de que aconteça...” – o alpha ergueu o queixo do menor com a ponta dos dedos, fazendo-o olhar para ele.

— Eu entendi... – murmurou o pequeno, corando com o olhar intenso do loiro.

— Está tudo bem. Não farei isso com você. – encostou seus lábios nos de Bum pressionando-os e movimentando-os com força e habilidade, penetrando sua língua em seguida e o sentindo suspirar, agora sim, de prazer. Aquilo o fez sorrir.

“... Eu amo você...” – o próprio pensamento assustou Sangwoo. Fazendo-o se afastar.

— Seu ninho... – disse como desculpa para a interrupção bruta.

—... – Bum concordou com a cabeça, ainda corado devido ao último beijo.

— Hã... Vou tomar um banho. – Sangwoo saiu depressa, deixando um atônito Bum para trás. Passou no quarto, pegando uma toalha e uma muda de roupa, indo em seguida para o banheiro.

Tirou a roupa, ligando o chuveiro no gelado e indo para debaixo dele. A água fria acalmou seus nervos, apesar de não diminuir sua excitação. Não iria pensar no que acabara de descobrir... Já era confuso demais sem aquela nova informação...

Olhou para baixo, vendo a ereção já dolorosa. Começou a se tocar.

A primeira imagem em sua mente foi Bum em sua cama... Úmido... Receptivo... Apertado...

Gemeu grave e baixo, aumentando a velocidade de sua mão.

O som que preencheu sua mente foi a voz sensual do moreno, implorando para que fosse mais fundo, mais forte... Os gemidos que o ômega sempre tentava manter controlado, mas que no fim, preenchiam o quarto inteiro...

O alpha gemeu mais alto com a lembrança... Seus olhos desfocando-se...

O cheiro... Aquele cheiro indescritível... O cheiro que há poucos minutos sentira, provocando-o...

O corpo. A voz. O perfume. O ômega... Seu ômega... Seu par...

“Ele é meu.” – o pensamento veio acompanhado de um grunhido rouco e selvagem, enquanto o gozo sujava a parede e o chão do banheiro.

Respirando com certa dificuldade, o alpha tentava acalmar seu coração disparado. Percebendo, só então, que seus caninos estavam salientes e suas garras haviam crescido.

Estava pronto para passar o cio com o seu ômega, como um alpha.

“Não...” – Sangwoo conseguia sentir seus instintos começando a dominá-lo.

“Não mesmo...” – começou a concentrar-se ao máximo, recolhendo as garras com dificuldade, juntamente com as presas. Suas mãos tremiam – e não era pela água gelada. Seus instintos gritavam, recusando-se a deixá-lo em paz.

“Não vou fazer isso...” – ofegava devido à força para manter-se sob controle: — Não vou machucá-lo...

Respirou fundo, ao perceber que tinha voltado, completamente, ao normal.

Demorou um tempo para recuperar sua força, só então conseguindo terminar seu banho. Desligou o chuveiro, secou-se e vestiu-se, saindo do banheiro. Em seguida, levou as roupas sujas para a lavanderia e, por fim, foi ver o que Bum estava fazendo.

Encontrou-o abraçado na coelhinha branca que ganhara no parque, sentado na escada.

—... ? O que houve?

O pequeno o fitou, começando a falar um pouco sem graça: — Queria... Pedir uma coisa... – murmurou, mexendo nas orelhas da coelha, evidenciando ainda mais sua timidez.

— Fala... – incentivou o alpha.

— Eu... Poderia montar o ninho no seu quarto?... Onde normalmente dormimos... – apertou mais forte as orelhas da coelhinha.

— Nosso quarto... – corrigiu Sangwoo, vendo o efeito desejado. Bum corara até as orelhas com a afirmação.

—... É... – afirmou o pequeno, querendo se esconder.

— Claro. Mas, por quê...? – sua curiosidade ainda iria matá-lo, contudo, não conseguiu evitar a pergunta.

— É onde seu cheiro está mais forte... – respondeu o menor: — Me sinto mais seguro lá...

Sangwoo teve de se controlar, novamente, seu alpha interior estava plenamente satisfeito com aquela resposta, e mais do que isso, desejava pegar o ômega e levá-lo para o quarto, onde... Queria ajudá-lo a montar o ninho... Aquilo... Era estranho...

— Entendi. – disse simplesmente.

— Você... – Bum baixou o olhar, incerto: — Poderia retirar os móveis pra mim?

— Hã? Claro. – o alpha saiu do transe provocado pela sensação estranha e foi para o quarto. Não eram muitos móveis, por isso, não demorou muito em finalizar a tarefa.

Logo o pequeno chegou com a sacola. Sangwoo fitou com curiosidade, mas, se retirou, não queria atrapalhar...

Bum corou um pouco, queria pedir para o alpha ficar... Seus instintos desejavam isso... Contudo... Ao mesmo tempo...

“Ele não quer uma família... Ajudar em um ninho deve ser um incômodo.”. – refletiu.

Pegou então o colchonete, deixando-o no centro do quarto. Era onde teria seu cio.

Depois, abriu a sacola, começando a retirar alguns agasalhos de seu avô, sempre os usara como o círculo mais distante, que lhe dava a sensação de proteção... Entretanto... Ao sentir o cheiro deles, algo em seu estômago, embrulhou.

“Não pode ser...” – começou a retirar todos e cheirá-los...

Não... Nada daquilo servia...

“Por quê?” – desde que começara a fazer seus ninhos, sempre usara eles...

Olhou então para a coelhinha, sentiu novamente seu cheiro...

“Sangwooo...” – era sua resposta.

Pegou os três ursinhos que recebera de presente, colocou-os um em cada extremo do quarto. Sentiu-se melhor... Mas, precisava de mais.

Levantou, abrindo a porta: — Sangwoo...? – questionou, olhando para os lados.

O alpha estava na sala, sem prestar, de fato, atenção na televisão: — Sim? – perguntou, olhando o pequeno.

— Posso pegar algumas roupas suas?

—... Claro... – respondeu o alpha: — Eu acho... – completou baixo, meio hesitante.

O jovem já não mais ouvia, foi até o armário do alpha, pegando todas as roupas que tinham o cheiro mais forte. Posicionou-as entre os ursinhos, formando um imenso círculo.

Sentiu-se satisfeito depois de mudar, dezessete vezes, os ursos de lugar e ajeitar as roupas mais vezes do que conseguiria recordar. Às vezes eram as cores que não lhe agradavam, às vezes, a posição... Nesses momentos, Bum permitia-se ser guiado apenas e exclusivamente, por seus instintos. Somente com essa etapa pronta, pode começar a seguinte.

Retirou o ursinho marrom de sua mãe, e alguns cachecóis de sua avó de dentro da sacola. Os espalhou de forma a se encaixarem, como uma mandala, nas roupas já posicionadas de Sangwoo, e formarem o segundo círculo, nesse ponto, também pode usar algumas das roupas do avô. Essa parte foi mais fácil, apesar de longa...

Após isso, pegou algumas almofadas, formando uma espécie de barreira entre a parte já feita e o que ainda colocaria. Por fim, espalhou as peças finais de Sangwoo – que pegara emprestado, na parte interna, mais próximo do centro, onde estava o colchonete.

No fim de tudo, nunca esteve tão exausto. O dia em si, fora cansativo... Respirou fundo.

Ainda faltavam detalhes... Olhou pesadamente para o colchonete. Essa parte, não era instintiva, era mais uma questão higiênica. O cobriu com diversos lençóis limpos. Era, realmente ruim, fazer movimentos desnecessários durante o cio, mas, precisava fazer isso ou tudo virava uma nojeira. Ter vários lençóis permitia a mudança rápida – e todos tinham de ser impermeáveis, ou o suor passava e não adiantava nada.

Colocou travesseiros sobre ele, sorrindo. Observou um pouco ao redor e refletiu que precisava de dois locais próximos dele, contudo, afastados entre si...

Entre duas almofadas que formavam a “barreira” entre os círculos de fora, e o interno, abriu um espaço estratégico. Ali ficaria a bolsa térmica com os potes com a comida – que eram, basicamente, frutas e bolachas. Nada muito pesado. Nunca tinha ânimo ou energia para comer. E, junto com os potes, garrafas com água. Afinal, não queria morrer de sede e era muito complicado levantar para buscar qualquer coisa, durante o cio.

Já na parte oposta, abriu outro espaço entre as almofadas, colocando sua caixa com brinquedos sexuais. Sentia-se sempre estranho colocando-a ali. O ninho era feito para se constituir uma família, era impossível formar uma família com aqueles brinquedos, então, seu primeiro instinto era deixar aquela caixa de fora. Contudo, era igualmente impossível passar um cio sem alguém ou sem aquilo.

Suas mãos tremeram levemente ao pensar que Sangwoo não estaria ali... Tentou evitar ao máximo aquele sentimento de abandono crescente em seu peito, mas...

Sacudiu a cabeça negativamente. Já havia tomado sua decisão... Respirou fundo.

Deitou-se sobre o colchonete. Fechando os olhos. A sensação era agradável... Sentia-se seguro e confiante. Ignorou a pontada dolorosa com, novamente, o pensamento que passaria aquele momento sozinho e sorriu.

Olhou para seu ninho satisfeito, lembrando – infelizmente – que faltava só um detalhe.

Na universidade, como os banheiros eram coletivos, os ômegas tinham de usar banheiros químicos portáteis durante o cio – e deixa-los num canto do quarto, dividindo o ambiente com o ninho. Bum odiava isso...

Na realidade, já houvera muitos pedidos ao reitor, mas, sempre diziam que teriam de fazer um prédio inteiramente novo, se quisessem se adaptar as “necessidades ômegas”, e que isso era, financeiramente, inviável. Suspirou.

Por sorte, na sua nova residência, o lugar que se sentia mais seguro, era ao lado do banheiro... Então, só precisava criar um “caminho” até o local para não tropeçar, quando precisasse ir até lá...

“Quando eu sair, também terá o cheiro de Sangwoo... Então, não será ruim... Toda a casa é território dele, afinal...” – refletiu o ômega enquanto separava o pequeno caminho.

Ouviu a porta bater e corou.

— Hã... Bum, já está tarde... – falou Sangwoo: — Como minhas habilidades na cozinha são notáveis, eu pedi comida chinesa... Você vem?

— Vou sim... – respondeu incerto o pequeno.

— Ok.

—... – Bum sentiu seu coração bater acelerado: — Sangwoo...!

— O quê?

—... – o ômega hesitou, olhando para os lados, seu ninho estava pronto, e queria mostra-lo ao alpha, mas... E se ele rejeitasse? Ou se não fosse de seu interesse...? Não saberia o que fazer... Respirou fundo, juntando sua coragem: — Você... Quer entrar...? – sua pergunta fora apenas um sussurro, que sinceramente, não tinha certeza se Sangwoo ouvira.

O alpha fitou a porta, surpreso com o convite. Queria sim, entrar... Na realidade, nunca fora tão complicado controlar sua ansiedade, contudo, algo lhe dizia que seria ainda mais difícil manter seus instintos dominados, se abrisse aquela porta. Refletiu por alguns instantes. Com um pouco de hesitação, virou a maçaneta.

O ninho de Bum era surpreendentemente bonito. Mais organizado do que sua imagem mental projetara. Sempre soube que ninhos envolviam roupas e objetos estranhos, então, sempre imaginou o caos... Mas, olhando de cima, as roupas eram encaixadas, não atiradas, as cores se entrelaçavam, formando um degrade suave, os ângulos eram delicados – observando atentamente – o ninho lembrava uma flor.

— É... Lindo...

O comentário fascinado de Sangwoo fez Bum corar tão violentamente, que o pequeno teve de baixar o olhar, sem coragem de continuar observando-o.

— Obrigado... – sussurrou tímido.

O loiro olhou o ômega e ia dar um passo em sua direção, quando ouviu a campainha, saindo do transe.

— A comida. – disse, se afastando rápido e saindo para atender.

Bum observou o alpha se afastar e sacudiu a cabeça, levantando. Seu cio ainda nem iniciara, mas, já não conseguia evitar querer ficar ao lado dele...

“Acho que vai começar antes...” – pensou.

Saiu do quarto, fechando a porta e dando de cara com Sangwoo, que trazia os pratos com as comidas.

Jantaram silenciosamente. A tensão era palpável.

Bum levantou, lavou a louça e começou a preparar os potes com os alimentos que precisaria.

O fato de Sangwoo observá-lo, o deixava ainda mais tenso... De alguma forma, sentia que não conseguiria fazer tudo que precisava, antes do calor atingi-lo.

Foi para a bolsa térmica, colocando os potes e guardando junto, as garrafas com água. Levou aquilo rapidamente para seu ninho.

O cheiro de Sangwoo o preencheu ao entrar no quarto. Gemeu...

“Sabia...”. – pensou o pequeno, colocando a bolsa no lugar que reservara.

Saiu do quarto e, antes de entrar no banheiro, falou: — Meu cio... – disse começando a sentir seu corpo aquecer enquanto olhava o alpha: — É... Melhor você sair... – murmurou, entrando no local.

Tomou um banho de água gelada, que parecia morna ao tocar seu corpo. Aquilo o ajudava nas primeiras horas. Saiu enrolado na toalha, percebendo que o loiro estava parado diante da porta de entrada.

Os olhos dos dois se encontraram. Bum, não queria, realmente, provoca-lo... Mas... Uma coisa era seu lado racional, outra, completamente diferente, era seu lado ômega. E ele acabara de descobrir que seu lado ômega não concordara com o acordo firmado. Deixou cair a toalha no chão, não se importando, com sua nudez. Abriu a porta do quarto e entrou... Antes que liberasse seus feromônios ainda mais intensamente do que já fazia.

Fechou a porta atrás de si, e deitou no centro do ninho. Respirava devagar... O calor começou a toma-lo lentamente. A água não adiantara dessa vez...

“Me sinto... Estranho...” – lágrimas surgiram em seus olhos.

Sangwoo abriu a porta atrás de si, saindo da casa rapidamente, e fechando-a com brutalidade em seguida. A visão do garoto nu, diante do quarto onde estava o ninho... Queimava em sua mente.

O perfume dele... – respirou fundo. Não conseguia sentir nada, do lado de fora... Sabia que provavelmente isso duraria pouco, mas...

Sentou-se na varanda. Fechou os olhos, concentrando-se no vínculo...

Bum estava sentindo-se triste e sozinho...

O garoto já lhe avisara que poderia se sentir assim, e que não era para se preocupar. Era normal...

Não tinha certeza quanto tempo se passou, só... Não conseguia sair dali...

O vínculo variava as sensações, mas, nada parecia muito claro.

Até que um alerta surgiu em sua mente. Dor. Bum estava com dor. Só que ela não se assemelhava a descrita pelo pequeno. Parecia... Grave, brutal, cruel... Conseguia senti-la perfeitamente... E isso o assustou.

Se ele, com as barreiras, sentia a dor daquela forma visceral, Bum...

Ouviu um grito, vindo de dentro da casa.

— Bum!