Destinados...?
31 Especial: Uma Aula Sobre Gêneros E Evolução
Notas iniciais
Sangwoo abriu a porta da sala de aula. Todos o olharam. O rapaz apenas andou até seu lugar e sentou. O ano escolar começara há pouco tempo e já considerava tudo extremamente entediante. Um garoto de cabelos castanhos escuros se aproximou.
— E ae! – disse o rapaz com um sorriso.
Sangwoo ignorou. Não gostava dele, vivia falando que queria entrar em sua manada, mas, sinceramente, não via nenhuma vantagem em tê-lo por perto. Mal se conheciam... Não sabia o que aquele garoto vira nele pra ficar o tempo todo tentando conversar.
Por enquanto só aceitara continuar com Kaa Yangmi – remanescente de sua primeira manada, Park Yejun e Kim Hyeon-jun. Os dois últimos entraram há pouco... Tinham famílias influentes, mas, sinceramente, os considerava extremamente irritantes.
— Eu falei oiiiii – o rapaz se pôs na frente do moreno.
"Acho que o nome dele é Bai Taehyun..." – refletiu.
—... – Sangwoo fitou o outro seriamente: — Quer sair da frente?
— Você é tão mau... Quase machuca meu coração. – respondeu o Taehyun.
A professora entrou e o monitor – ou seria monitora, Sangwoo nunca tinha certeza sobre aquela pessoa – levantou, falou o cumprimento e todos se curvaram diante da educadora em sinal de respeito e depois sentaram.
— Abram seus livros na página cinquenta e dois. Hoje, apesar da aula ser de história, falarei um pouco de biologia e iremos entender porque existem tantas diferenças entre os gêneros. Alguém poderia me dizer, quais são esses gêneros? – ela fez uma cara de tédio, como se tivesse feito à pergunta mais óbvia do mundo. Notando que ninguém se pronunciava, foi até a chamada e falou um nome aleatoriamente: — Bai Taehyun.
O rapaz levantou: — Hã, alphas, ômegas e betas.
— Certo. – a professora não fez menção de que ele poderia sentar, então o garoto permaneceu em pé: — Agora me diga, qual a maior diferença entre eles.
Taehyun pigarreou: — Existem muitas diferenças professora...
— Eu perguntei a maior.
O rapaz gelou, refletiu e respondeu: — O cio? Apenas os ômegas possuem cio.
—... Certo. E entre alphas e betas? – ela o fitava friamente.
—... O tom de comando e as marcas? Alphas possuem o tom de comando e podem marcar, criando vínculos diferentes conforme fazem isso, betas não. Aliás, nem ômegas.
Taehyun sabia que não podia alegar que eram os feromônios, pois todos os três possuíam. Eles agiam de formas diferentes, mas mesmo assim, existiam dentro dos três gêneros.
— Certo. E o que os betas têm de vantagem?
O garoto ficou calado por alguns instantes, não tinha ideia... Betas tinham alguma vantagem? Coçou a nuca, desconcertado, acabou vendo Yura que fazia um leve movimento com as mãos, como se criasse um escudo em volta de si, ela tentava lhe dizer algo...
"AH" – lembrou o rapaz.
— Eles são mais resistentes e não morreriam, caso um alpha usasse o tom de comando neles, mesmo pertencendo a uma manada, mas também sofrem. O corpo deles tem uma espécie de barreira natural. Por isso é difícil marcá-los como manada.
— Falando em manada, quanto tempo é necessário para ser obrigatória a renovação da marca dentro de uma?
— Hã... Em alphas elas são renovadas todo o ano. Uma vez por ano é o suficiente, e quanto mais antigo o alpha é na manada, mais esse tempo se "expande.". Já betas a marca deve ser renovada a cada seis meses, e esse tempo nunca aumenta. Ele, durante todo o tempo que estiver na manada, deve ter a marca renovada de seis em seis meses.
— Onde são feitas as marcas? – a professora parecia interessada em fazer o jovem alpha ficar em pé.
— As marcas de manada são feitas com as presas no pulso, quando é um alpha. No pescoço, quando é um beta. Não tem como marcar um ômega como manada... Eles só são marcados no pescoço, e se um alpha morde ali, a marca é perpétua e ele se torna seu parceiro.
— Você está esquecendo-se de uma marca...
O rapaz pensou: — Ah! Sim, também tem como marcar com as unhas no pulso... Isso é somente entre alphas, não tem como marcar um beta ou ômega assim, e no caso, a pessoa marcada se torna um fahise.
— Qual a diferença da marca do pulso feito com as presas da feita com as unhas? – ela perguntou séria.
—... Com as unhas é mais humilhante?... – disse incerto o jovem.
A turma soltou algumas risadinhas, Yura bateu a mão na testa, em uma face palm, e a professora o fitou ainda mais séria.
Taehyun refletiu rapidamente sobre o assunto, lembrando-se de um livro de biologia que lera: — Ah!!! É que o material genético é diferente! – ele disse rapidamente, fazendo os risos pararem: — Quando um alpha marca, ele transmite parte de seu material genético para o marcado. É assim que se cria o vínculo. O material enviado pelas unhas é diferente dos das presas.
— Por que é diferente? – perguntou a professora sem piedade.
— Porque se liga a partes diferentes do cérebro. A renovação da marca de um fahise é anual... E a dor que um fahise sente com o tom alpha, pode ser até dez vezes maior que alguém da manada marcado com as presas. Tanto que marcar como fahise era uma conhecida forma de tortura.
— Que graças aos nossos amados governantes, ainda não se tornou ilegal. – a ironia escorria dos lábios da professora: — Portanto, ainda podemos ter alphas transformados em fahise até os dias de hoje, com a desculpa que grandes líderes alphas exigem isso como prova de fidelidade para se entrar em suas manadas. – ela fez uma pausa significativa: — Vão por mim, crianças, se um alpha pede como prova de fidelidade, você ser o fahise dele, então ele não é um grande líder. – ela voltou a olhar Taehyun: — E quanto tempo demora, para as marcas se completarem?
— Bom, a marca do vínculo perpétuo de um alpha com um ômega, demora sete dias. A de manada demora de um a dois dias, e a de fahise, apenas poucas horas. – o garoto começou a desconfiar que a professora tivesse uma atração especial por ele, para não deixá-lo sentar...
— E as submanadas?
— É bem complicado um líder alpha conseguir fazer isso, mas, basicamente... Se eu sou líder de uma manada, e sou marcado por outro líder de outra manada. Eu me torno parte da manada dele e os membros da minha manada, se tornam submanada dele. Eu tenho conexão com todos da manada dele como membro e posso liderar a minha manada normalmente. A manada que lidero só tem conexão entre si, mas deve obediência a mim e a ele. E ele tem dentro da mente dele a própria manada e a minha. Muitos alphas já enlouqueceram tentando criar submanadas...
— Por isso, submanada não é comum. Mas é um tipo de organização utilizado em que meio?
— Submanadas são utilizadas principalmente dentro de máfias.
— Você acabou de dizer que o líder alpha que possua uma manada e uma submanada quase enlouquece, como a máfia lida com isso?
— Eles treinam suas crianças para manterem o controle e criarem barreiras mentais...
— Quais as consequências desse "treinamento"? – ela falou a última palavra com certo escárnio.
— Bom, algumas crianças alphas morrem no processo... As que não morrem, normalmente ficam com diversos traumas devido à exposição precoce a ômegas no cio, que faz parte do treinamento...
Nisso começou um burburinho na turma e a professora teve que pigarrear para fazê-los se calarem.
— Se alguém tem dúvidas, pergunte.
Uma garota ao fundo ergueu a mão e falou: — Professora, como funciona esse treinamento exatamente?
A educadora permaneceu em silêncio por alguns instantes: — Entendo a curiosidade de vocês, mas, tirando as informações que alguns membros da máfia soltaram para diminuição da própria pena, pouco se sabe sobre esse processo. – ela pigarreou: — Sabemos que envolve deixar as crianças, antes da puberdade, ter contato com ômegas no cio. Também sabemos que envolve treinamento físico intenso... Mas, todos os rituais, não se tem uma ideia muito clara. – ela disse como se encerrasse um assunto: — Agora, como nós classificamos nosso sexo na biologia? – ela voltou a olhar Taehyun que permanecia em pé.
—Hã... – o rapaz hesitou um pouco, mas falou: — Aqueles que possuem um pênis são classificados como homens e os que possuem uma vagina, como mulheres. Os que possuem os dois normalmente são chamados remanescentes. – disse seriamente.
— Por curiosidade, e a classificação de nosso sexo, socialmente falando...
— Bom, daí tem os homens, as mulheres e os deltanos.
— O que seriam os deltanos?
— Aqueles que não se sentem nem mulher, nem homem... Eles variam entre um e outro, apesar de biologicamente pertencerem a um dos sexos ou biologicamente pertencerem a ambos os sexos.
— Certo. – falou a professora, fazendo sinal para ele sentar.
O rapaz respirou fundo, sentando. Recebeu um polegar erguido discretamente da monitora – no caso, Yura, e sorriu.
A professora foi até um computador, ligado a um projetor no final da sala.
— Sendo assim, concluímos que nós nos classificamos de duas formas. Conforme nosso sexo e nosso gênero. Por isso, podemos ser um homem alpha, ou um homem beta, ou ainda, um homem ômega, o mesmo ocorre com as mulheres. Outra coisa importante a se salientar, é que podemos fazer a cirurgia transgenital, modificando nosso sexo e ainda nos tornando plenamente funcionais, contudo, nunca conseguiremos mudar de gênero.
Uma aluna miúda ergueu a mão, a professora assentiu e a garota perguntou: — Significa que ninguém que nasceu ômega poderá se tornar um alpha, mas, se você nasceu homem, poderá se tornar uma mulher, certo?
— Hm, não gosto do termo "se tornar", acredito que a pessoa apenas adeque o corpo a como se sente. Ou seja, ela já é. Contudo, sua resposta está correta. Agora, explicarei o porquê daqueles que se sentem dentro de ambos os sexos se denominam, socialmente, deltanos.
Um rapaz ergueu a mão e a professora fez sinal para ele falar: — Professora, por que existe essa classificação "social", é meio idiota, não?
A mulher deu um longo suspiro, definitivamente, nesses momentos, ela se questionava porque decidira ser educadora, não tinha lá muita paciência: — Porque, por mais incrível e extraordinário que isso pareça... – ela falou levemente irônica: — Há pessoas que sentem disforia sexual*, ou seja, elas não sentem que seu corpo se adeque a sua mente. Então, a classificação social leva em consideração como a pessoa se sente, e não como ela nasceu.
— Que besteira. – murmurou o rapaz: — Bando de anormal...
— Anormal é você! – falou Taehyun, obviamente irritado.
— Ah, sim, tinha esquecido que a gente tinha uma aberração dessas na sala. – ele olhou para Yura: — Que tá namorando um babaca. — virou-se para Taehyun.
Taehyun fez menção de levantar, mas Yura o parou com o olhar.
Calmamente, a própria garota virou de costas, encarando o rapaz que dissera todas aquelas coisas: — O que foi, está com ciúmes? – falou piedosamente: — Sei que você é apaixonado por mim, mas, quantas vezes terei de repetir? – ela inclinou levemente o rosto, sua voz era cortante: — Nem se fosse o último homem da Terra.
Houve um "Uoooooo" generalizado na turma, o que fez a professora pigarrear alto.
— Já chega. – disse séria: — Mais um som e tirarei da sala. Fui clara? – todos ficaram em silêncio absoluto.
Sangwoo observou toda a cena com curiosidade. Então, era isso? O monitor da classe – monitora, vai saber – sofria disso...? O que a professora disse mesmo...? Disforia sexual*? – se sentiu meio confuso, erguendo a mão.
A educadora ficou surpresa, Sangwoo não era de fazer perguntas: — Sim?
— Como se chamam? Pessoas com essa disforia? – questionou seriamente.
— Transexuais. – ela respondeu: — Homens transexuais, por exemplo, nascem biologicamente com genitais femininas, mas, sentem-se homens. Mais do que isso, eles são homens no corpo errado. -–ela tentou explicar de forma simples, para melhor compreensão dos jovens: — Disforia, é a palavra oposta a euforia, ou seja, vocês conseguem se imaginar eufóricos, não? Agora, invertam essa sensação. Esse sentimento sufocante oposto, se chama disforia. Pessoas que nascem transexuais costumam sentir essa sensação todos os dias.
Muitos alunos olharam diretamente para Yura, fazendo a professora pigarrear novamente.
— Bom, além dos transexuais, também há as pessoas que não se sentem encaixadas dentro de um sexo apenas... Elas não sentem essa disforia, contudo, elas não sentem como se apenas um dos sexos se adequasse a elas. Alguns dias, se sentem como homens, outros, como mulheres. Ou, às vezes, como nenhum deles. Eles se autodenominam deltanos. Entenderemos de onde veio esse termo a seguir... Ah! Só mais uma coisa... – ela começou a arrumar o projetor no fundo da sala: — Também existem pessoas que não se sentem adequadas dentro do seu sexo, como os transexuais, contudo, a disforia que sentem é menor... Elas não veem necessidade de mudar seu sexo biológico, normalmente, esses também se designam deltanos. Só para esclarecer. – o projetor ligou, mostrando um texto com imagens.
*~*~*~*~*
Há muitos séculos, a Quimera habitava o mundo, ela desapareceu com o passar dos séculos, contudo, gerou duas cadeias de evolução, criando duas espécies distintas.
Abaixo do texto, um animal desenhado. Ele andava sobre duas patas, com o corpo semelhante a um homem – contudo mais peludo e curvado, com presas afiadas – por onde parecia escorrer um líquido, garras saindo de seus pés e mãos, orelhas semelhantes a dos felinos sob a cabeça, um rabo com a ponta afiada. O olhar da criatura se assemelhava a um leão feroz e era particularmente perturbador.
A Biologia usa toda a cadeia de nomes representativos dentro da evolução (espécie, gênero, subtribo, tribo, etc), contudo, a matéria de História adere à conhecida nomenclatura por gênero feromenal, ou seja, o gênero ligado aos feromônios do indivíduo, que foram os registros físicos mais visíveis das mudanças históricas.
*~*~*~*~*
"Nós saímos disso?" – pensou Sangwoo enquanto fazia anotações.
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A primeira espécie é registrada historicamente como δ (Delta).
Nisso havia um desenho que mostrava passo a passo da Quimera evoluindo para a espécie Delta. No fim, a fera perdera as garras, pelos, rabo e ganhara uma aparência andrógina. O ser desenhado no fim tinha um olhar tranquilo e pacificador, totalmente diferente de sua origem.
A espécie Delta é conhecida por ter mantido a característica da Quimera de unificação dos dois sexos existentes – homem e mulher. Entretanto, perdido as que a tornava feroz – como as garras e rabo. Contudo, como parte de sua evolução, sua inteligência era muito maior e seus instintos mais apurados.
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Nesse slide em particular, outro aluno ergueu a mão e a professora o deixou falar.
— Professora, ali diz que os Deltas perderam a maioria das características da Quimera, mas, mantiveram as presas... Por quê? Para comer melhor os animais? Mas, daí o mais lógico não seria eles terem garras também?
— Na verdade, eles se alimentavam mais de vegetais. Não eram exímios caçadores, por assim dizer. As presas foram mantidas, conforme alguns pesquisadores, porque eles marcavam os parceiros.
— Tipo os alphas? – perguntou o rapaz curioso.
— Sim. Contudo, se acredita que a marca que faziam era semelhante, apenas, ao vínculo perpétuo.
O slide mudou.
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A segunda espécie é registrada historicamente como γ (Gama).
No desenho abaixo havia a evolução da Quimera para Gama. Em certa altura, a criatura se dividia, continuando a evolução. No fim, a imagem masculina continuava com presas, garras e rabo – em menor proporção, mas evidenciados, era menos peluda e andava totalmente erguida. Já a imagem feminina tinha curvas mais acentuadas, seios, presas, garras e rabo. Contudo, era proporcionalmente muito menor que o masculino. Ambos mantinham o olhar selvagem.
A espécie Gama é conhecida por ter mantido a característica selvagem da Quimera. Tornando-os exímios caçadores. Entretanto, perdido a unificação de seu sexo, dividindo-se em dois. Seus instintos eram mais ligados à caça e luta, e seu cérebro significantemente menor que os Deltas, apesar de já ser provado que eram inteligentes.
As lutas entre as duas espécies era assídua, o que tornou os Deltas nômades – por serem mais fracos, se mudavam para sobreviver.
Contudo, em algum momento da história, os homens Gamas começaram a cruzar com os Deltas – a teoria mais aceita é que eles começaram a utilizar o sexo como recompensa da vitória sob o inimigo. Apesar dos Gamas serem extremamente selvagens, e possivelmente deixarem os Deltas para a morte, alguns deles sobreviveram.
Do cruzamento entre os Deltas e os homens Gamas, nasceram os primeiros Alphas.
Apesar dos Alphas nascerem com sexos distintos, os Deltas os consideravam da mesma tribo.
— Lembrem-se que os termos Delta, Gama, Alpha, Ômega e Beta, foram dados posteriormente, eles não faziam essa distinção.
Os Alphas se tornaram os primeiros guerreiros da espécie. Contudo, havia um problema significativo.
Quando se cruzava um Alpha, com um Delta, nascia um Beta. Ou seja, um guerreiro fraco comparado a um Gama.
E quando se cruzava um Alpha com outro Alpha, também nascia um Beta.
Ou seja, a única forma de nascer Alphas, eram os Deltas cruzarem com os Gamas. Contudo, a cada passo da história isso foi se tornando cada vez mais complicado.
Na imagem, um desenho de várias criaturas lutando, uma tribo contra a outra. A vitória dos Gamas sobre eles, pois a maioria que lutava era fraca comparada a grande quantidade de homens Gamas.
Na tentativa de resolver esse impasse, os Alphas – conforme pesquisas recentes, eles eram os únicos capazes de invadir as vilas Gamas e sair com vida, além de terem herdado a inteligência dos Deltas – começaram a sequestrar as mulheres Gamas.
Contudo, do cruzamento de uma mulher Gama com um Alpha, nasciam Alphas, mas, eram Alphas selvagens e descontrolados.
E como nossa ciência já provou, a violência excessiva apresentada por alguns Alphas nos tempos modernos se deve, exatamente, ao excesso de herança genética por parte dos Gamas.
*~*~*~*~*
Sangwoo fitou a frase diversas vezes... Uma dúvida surgiu em sua mente... Ergueu a mão e a professora permitiu que falasse.
— Tem algum teste para detectar esse "excesso de herança genética"?
A professora piscou algumas vezes: — Você parece ter adivinhado minhas intenções Oh Sangwoo. – ela deu um leve sorriso: — Há sim uma forma de detectar, e na verdade, é bem simples. – ela andou até sua maleta, tirando diversos frascos com um líquido transparente em seu interior: — Trouxe um para cada alpha desta turma. Basta colocarem o dedo dentro, depois de limpá-lo com soro fisiológico... – ela abriu a tampa de um dos recipientes, passou o soro na mão, secou com uma toalha fofa e colocou o próprio dedo dentro do frasco: — Tirarem a garra com cuidado, para não quebrar – ela o fez: — E então ver o resultado. O convencional é uma tonalidade lilás clara até arroxeada. Quanto mais escuro, mais Gama. – ela sorriu. Mostrando que seu resultado fora um lilás escuro.
Ela então começou a passar os frascos aos alunos: — Mas não é pra fazerem agora! – ela olhou zangada para um que já abria o recipiente: — Em casa vocês fazem, agora é aula. Continuando...
Sangwoo olhou o frasco... Um pressentimento muito ruim atingiu seu peito.
"Talvez seja por isso...".
A professora trocou o slide.
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Esses "guerreiros incontroláveis" Alphas foram considerados inúteis à tribo Delta, pois matavam todos, inclusive seus semelhantes. Por causa disso, se tornou proibido – praticamente um tabu, se relacionar com uma mulher Gama.
Contudo, o tempo passava e os Deltas começaram a se extinguir, sem verem muitas alternativas, a tribo decidiu que aqueles que se assemelhavam mais aos seus Deuses, tentariam se relacionar com as mulheres Gamas, mesmo que viessem os descontrolados. Entretanto, os que mais se assemelhavam aos Deuses eram os Deltas puros, e estes, quando se relacionaram com as mulheres Gama, não produziram Alphas descontrolados, produziram Ômegas.
— Observação importante: Apesar de historicamente os Ômegas só surgirem neste momento, há evidências de que na realidade, eles já haviam nascido anteriormente, antes das mulheres Gamas serem raptadas. Contudo, tudo que nascia dentro de uma tribo Gama que não se assemelhava a um Gama era morto. Ou seja, possivelmente, quando os bebês Ômegas nasciam e se percebia que eles não eram iguais aos Gamas, eles eram mortos.
As crianças Ômegas, apesar de serem fracas, foram praticamente adoradas pelos Deltas. Há diversos desenhos do que os historiadores chamam de "Despertar do Instinto Protetor Delta".
Deltas ao dormirem com Ômegas geravam Betas, mas, Alphas quando o faziam, geravam Alphas. O que os fez vencer a guerra.
O problema foi que após a extinção total dos Gamas, os Alphas ainda viam os Ômegas como instrumentos de procriação, enquanto os Deltas desejavam protege-los. A luta se tornou interna e os Deltas perderam, se extinguindo por fim.
Contudo, eles também deixaram uma herança genética para os Alphas. A marca que cria o vínculo com os ômegas.
Após a transição, é notável o quanto um Alpha tem seu instinto protetor alterado.
*~*~*~*~*
— Algumas pessoas mais poéticas... – começou a professora: — Dizem que a marca é o presente e a maldição dos Deltas. Presente para aqueles que encontram a pessoa certa, maldição para aqueles que cometem o erro de morder um ômega que não tinham a intenção. Outros ainda dizem que o presente foi para os ômegas, alguém que pudessem protegê-los. Mas, nada disso importa, afinal, no fim, os Deltas não tinham como escolher o que passar adiante.
Yura ergueu o braço, e a educadora fez sinal para que ela falasse: — Professora, você disse que os Deltas estão extintos, mas, há alguns casos de pessoas que nascem com ambos os sexos...
— Entendo sua dúvida, são os chamados remanescentes. Apesar deles ainda existirem, a quantidade é muito pequena, menos que meio por cento da população mundial. Por isso, apesar dos remanescentes, os deltas são considerados extintos. Mas, mesmo quando eles nascem, geralmente acabam gerando alphas, betas e ômegas.
Uma garota pequena e delicada, que tinha o cheiro doce – que fazia Sangwoo sentir-se enjoado, mas, que a maioria dos alphas locais considerava muito atraente, ergueu a mão. A educadora deu a permissão, e a menina começou a falar calmamente.
— As mulheres ômegas, no início eram confundidas com mulheres Gama, não?
— Sim. – respondeu seriamente a professora: — A principal característica passada de geração a geração sobre as mulheres "tabu" diziam respeito ao cio... Resultado, as mulheres ômegas, principalmente, foram perseguidas loucamente. Muitas eram assassinadas quando entravam no cio. Os homens ômegas tiveram uma "trégua" no início, pois possuíam genitais masculinas, mas, com o passar do tempo, o cio deles começou a ser visto da mesmíssima forma que o das mulheres. – a professora fez uma pequena pausa: — Então, quando ômegas não eram vistos ou tidos como meios de reprodução, muitas vezes sendo escravos sexuais, eles eram perseguidos e mortos por levarem pessoas a "insanidade temporária".
O sinal tocou e ela suspirou.
— Que bom que a vida moderna e as descobertas cientificas nos levaram a ter outra percepção sobre o cio, suas causas e consequências. Na próxima aula vocês devem entregar uma redação explicativa sobre o porquê de apesar de existir a classificação social denominada deltana, e ela ser mundialmente conhecida e utilizada, ela não se refere àqueles que pertencem à espécie Delta. Podem ir.
Sangwoo levantou, calmamente guardou o material e se dirigiu a enfermaria alpha da escola. Ao chegar, pediu gentilmente um pouco de soro fisiológico e depois foi a um banheiro. Tirando o frasco com o líquido do teste dado pela professora de dentro da mochila. Lavou as mãos, secou e abriu o objeto. Respirou fundo. Colocou um dos dedos dentro do recipiente e fez crescer a unha. Esperou um tempo.
Para seu completo choque, o líquido começou a escurecer muito rapidamente. Contudo, logo foi empurrado, deixando o frasco cair na pia e quebrar.
— Merda! – esbravejou zangado, virando-se para ver o que acontecia.
Acabou se deparando com o rapaz que fizera comentários pejorativos a respeito do monitor, o próprio monitor, o rapaz que vivia lhe enchendo o saco, e mais três outras pessoas. Os seis pareciam brigar. Dois seguravam o garoto intrometido...
"Como é mesmo o nome? Bai Taehyun...".
Enquanto outros dois tentavam segurar o monitor.
— Ei! – gritou.
Todos pararam ao ouvir a exclamação de Sangwoo.
— O que vocês estão fazendo? – perguntou o alpha rudemente. Estava irritado.
— A gente ia dar uma lição nesse anormal. – um deles aproveitou a distração de Yura e a pegou por trás, segurando seus braços.
— Yura! – Taehyun tentou se soltar.
— Yura, Yura, Yura... Que idiota! O nome dele é Choi Dong Sun! Mas a gente pode provar de uma vez por todos que não é por acaso que ele tá vestindo o uniforme masculino...
O rapaz se aproximou enquanto Yura se debatia nos braços do outro. Normalmente ela se veria livre daquela situação em poucos segundos, contudo, como a garota já havia iniciado o processo de transição e tomava hormônios, às vezes se sentia extremamente enjoada, e aquele, infelizmente, era um desses dias.
"Merda! Merda!" – pensou apavorada, tentando o seu melhor para erguer o rapaz atrás de si e se livrar da chave de braço. Era forte, sabia disso... Mas, seu estômago doía, sentia cãibras nas pernas... Não estava bem para uma luta...
Sangwoo observou a cena, e por um instante, pensou em sair do banheiro. Nem era para estar ali, já deveria ter ido para a próxima aula, e tudo aquilo não era realmente seu problema. Entretanto, depois de um breve suspiro, parou a mão do rapaz que tinha ar de superioridade, impedindo que ele tocasse no monitor de classe.
"Dong Sun é um nome masculino... Yura feminino...". – pensou brevemente o alpha.
— Como você se chama? – perguntou sério, fitando os olhos da garota presa.
—... Choi Yura. – disse sem muita confiança a monitora, não entendendo o objetivo daquilo. Ele iria debochar dela também?
Sangwoo refletiu rapidamente: — Monitora. Certo. – finalmente sua mente já entendera como tratá-la: — Você não deveria estar aqui, é o banheiro masculino. – ele ainda segurava o braço do rapaz.
Yura corou violentamente, enquanto Taehyun, pela primeira vez desde que fora jogado no banheiro com a garota, parou de se debater e olhou confuso para o outro alpha.
— Não estou aqui por que quero. – ela se sentia estranha. Nunca haviam agido dessa forma... Pelo menos, não alguém que não a conhecia muito bem... Quer dizer que ele entendeu? Assim? De cara? Sem interrogatório? Sem deboches? Ele só...
— Ei! Não tá na cara que é um homem? – o rapaz que tinha o braço segurado tentou argumentar: — Ou você realmente acha que isso aí é mulher? – disse puxando o membro preso sem sucesso.
— Cuidado, é armadilha! – disse debochado um dos rapazes que segurava Taehyun, recebendo um pisão no pé do garoto como resposta.
Sangwoo ficou novamente em silêncio, e em um golpe, virou o braço que segurava, quase quebrando-o: — Acho que ela tem o direito de ser o que quiser. – disse seriamente, enquanto o rapaz urrava de dor: — Manda soltar os dois. Você não é páreo pra mim e sabe disso.
— AH! Soltem-os! – gritou o garoto em meio à dor.
Os três rapazes se olharam soltando Taehyun e Yura.
— Vão embora. – Sangwoo disse em um tom de extremo tédio para os quatro, soltando o braço do líder ridículo daquela manada. Sem nem piscar, saíram correndo.
— Uou! Você é realmente forte! Exatamente como pensei! – disse Taehyun surpreso.
— E você é fraco, exatamente como pensei. – respondeu Sangwoo com o mesmo tom de tédio.
— E eu não sou fraca! – respondeu Yura. Detestava ter passado por aquela situação... Odiava se sentir indefesa.
— Você eu sei que não é. – Sangwoo deu de ombros: — Está com dor, né? Dá pra notar pelo jeito que move a perna... – aquele fora o único motivo que o fizera interferir no assunto. Aquela garota estava com espasmos, pois sua perna tremia levemente, e não parecia ser de medo.
"Provavelmente cãibra..." – pensou vagamente o alpha.
A garota ficou em completo silêncio.
Sangwoo caminhou até a porta: — Se vocês não forem logo, vão acabar se atrasando. Então, não demorem muito namorando. – ele deu de ombros e saiu.
— Por que sempre pensam que a gente tá namorando...? – perguntou Taehyun confuso.
— Ele realmente... Ele... – ela estava um pouco chocada.
— Disse que ele era legal, quer tentar comigo? – o rapaz sorriu radiante para a garota.
— Tentar o quê? – ela correspondeu o olhar, confusa.
— Entrar na manada dele, claro. – ele respondeu como se fosse algo muito óbvio a ser feito.
—... – Yura nunca levou a sério aquele ditado sobre primeira impressão. Mas... Admitia que poucas pessoas lhe davam uma boa sensação de cara, e aquele alpha, acabara de se tornar uma delas: — Vou ser líder dele. – disse séria.
— Quê? Você vai tentar vencê-lo?
— Mas é claro. Ele vai ter que me derrotar. Comigo na minha melhor forma, se quiser que eu faça parte da manada dele, e não ele da minha. – ela cruzou os braços, decidida.
— Uaaa, queria ter essa convicção. – respondeu Taehyun impressionado.
Ambos pegaram suas mochilas, que haviam sido arremessadas para dentro do local e saíram. Definitivamente, estavam atrasados para a próxima aula.
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