Destinados à Payre

17 Uma rosa branca para Angel


Notas iniciais
Mais um capítulo!! E esse está bem "gordinho" eheheheh Me empolguei na tagarelice entre a Angel e o Choi kkkkkkk Bem, espero que gostem e poooooooooooooooooooooor favooooor comentem!! Gente, isso devia constar nos Direitos Humanos, não comentar fics é crime contra a dignidade humana!!! ahahahah

{Payre}

Noor olhou para o lindo homem adormecido na cama. Traçou com a ponta dos dedos as escuras sobrancelhas, os lábios cheios e o queixo firme. Os longos cabelos castanhos do Rei, usualmente presos em uma trança grossa, estavam soltos e deslizavam por sobre os travesseiros, tão alvos quanto a pele do Monarca. Satisfazia enormemente sua vaidade ser a amante do Rei de Sylesth, mas era também um prazer por si só dividir a cama com alguém tão viril, cobiçado por tantas outras mulheres do palácio, e fora dele. Embora Erak fosse sério e um tanto ríspido, era bastante sensual. Apenas não era muito carinhoso fora do quarto. Mas ela não se importava com isso. Noor também não tinha qualquer outro interesse por ele, se não o prazer de desfrutar seu corpo.

Passando a mão pelo peito amplo e despido, sentiu os olhos dele sobre ela. Fingindo que não havia percebido ele despertar, continuou sua jornada, seus dedos, agora exibindo longas unhas prateadas, tocaram os músculos da barriga masculina e seguiram em direção ao que estava escondido pelos lençóis.

–- Minha bela Especialista, procura algo em particular ou está apenas explorando o território, sem qualquer propósito especifico?

–- Majestade, sabe como tenho uma natureza muito curiosa.

–- Curiosa e criativa.

–- Isso o desagrada?

Erak puxou uma mecha dos cachos azuis da bela Oberoh, a fazendo sorrir em resposta.

–- Jamais. Acho essa mistura fascinante.

Percebendo que havia atingido seu objetivo, quando o sentiu estremecer, Noor jogou longe o lençol que o cobria parcialmente e deitou-se sobre ele. Montou o corpo forte e ergueu-se, exibindo de forma provocante, o seu próprio corpo nu. A sua pele pálida brilhava como o mais belo dos cristais de gelo de sua terra natal, Nagtar. Mas ela não parecia de forma alguma com algo frio. Suas curvas exuberantes, seus longos e volumosos cabelos crespos, em tom de azul, quase cinzentos, lhe davam uma aparência etérea e as pupilas azuis dos olhos brancos, estavam dilatadas, mostrando a excitação que ela sentia por estar no controle daquele jogo de sedução.

E a excitação só aumentava com o toque das mãos fortes de Erak sobre seu corpo. Ele apertava seus seios com força, quase machucando, mas mais dolorida era a ânsia que sentia com o toque dos dedos experientes sobre seus mamilos sensíveis. Era enlouquecedor. Quase sucumbindo diante de tantas sensações, Noor levou a boca até a dele, a mordendo com certa violência, e cravando os dedos por entre os cabelos macios de Erak.

Quando se afastou e observou os olhos cinzentos do Rei, nublados de prazer, foram olhos azuis turquesa que viu. Os olhos que o Predestinado exibiu aquele dia na piscina ao abraçar a humana. Aquilo a deixou enlouquecida. Atingindo o ápice do prazer, em meio aos movimentos frenéticos e aos gemidos de gozo, viu deitado diante dela, o homem de frios olhos azuis e cabelos negros como a noite. Já não cravava suas unhas nos músculos da pele pálida do seu companheiro de cama, mas em uma outra pele, igualmente firme, porém dourada. Enquanto gemia o nome de Erak, com voz rouca e sem fôlego, na sua cabeça gritava “Alexis!”, com todo o ardor que era capaz.

Quando tudo acabou, Noor saiu da cama sem olhar para o Rei, e esse não pareceu se importar com seu distanciamento. Ele simplesmente voltou a dormir. Noor, também pouco se importando com a indiferença do amante, foi em direção à porta. Não queria olhar para a cama, pretendia manter a imagem da sua cabeça. Queria conservar a fantasia de que tinha estado com o Predestinado naquele momento. Como fazia com cada homem que dormiu nos últimos três anos. Desde que virá Alexis com uma mulher pela primeira vez.

***

{Terra}

Mona viu a garota se aproximando de Choi com uma rosa branca. Admirava a coragem da menina, pois a escola inteira sabia que aquela garota seria perseguida pelas demais admiradoras do rapaz por semanas. Bem, ir ao Baile com ele, pelo visto, valia o sacrifício.

Ela viu Choi sorrir lindamente para a dona da flor e depois dizer algo no ouvido dela, que pareceu deixá-la muito feliz, pois a garota arregalou os olhos e praticamente saltitou pelo corredor, entre os colegas que saiam das aulas. Provavelmente Choi havia aceitado o óbvio convite de acompanhá-la ao Baile. Ele era assim, aceitaria a primeira proposta que surgisse. Aquilo tinha acontecido no ano anterior também, quando ela havia recusado o convite dele. Mona parou de fingir que mexia no seu celular e começou a se afastar. Se as idiotas que o achavam uma perdição soubessem desse detalhe não ficariam tão hesitantes em convidá-lo.

Quando virou a cabeça para o lado, viu que Choi caminhava na sua direção. Respirando fundo, já se preparou para manter o máximo de paciência possível, pois não podia se dar ao luxo de ter um chilique com ele, no meio de todas aquelas pessoas que passavam por eles. E não tinha dúvidas de que ele iria zombar dela pelo episódio daquela manhã, como seu irmão havia feito.

Ao perceber que ele estava mais perto, fez questão de erguer orgulhosamente o queixo em desafio, mas ele apenas passou do seu lado, em direção à menina que havia acabado de lhe entregar a rosa branca. Mona reparou que ele tinha uma rosa vermelha nas mãos. Choi estendeu a flor para a garota que riu alto quando ele apontou para os vasos dispostos na frente dos restaurantes do Centro de Lazer. Certamente ele tinha roubado a flor de algum deles.

Sentindo algo estranho, Mona parou. Não era a primeira vez que via o rapaz com alguma menina e, para ser honesta, não era a primeira vez que aquilo a incomodava de alguma forma. Mas era a primeira vez que Choi não havia se aproximado dela. Mesmo depois das mais acaloradas discussões entre eles, ele mantinha seu jeito descontraído, a chamando de “minha bela Monalisa”. Pelo visto a forma como o tinha rechaçado o afetou mais do que o normal. E ela sabia o motivo. Não foram suas palavras, seu olhar cheio de raiva ou o descrédito de que algo entre eles poderia acontecer. Tinha sido a flor. Ter destruído a Coreopsis o fez tratá-la daquela forma.

Erguendo o olhar ela se viu encarando os olhos castanhos de Choi. Mas não seu costumeiro sorriso. O sorriso caloroso que a havia encantado da primeira vez em que eles se viram há três anos...

–- Ei, você é nova aqui, não é?

Mona observou o belo garoto oriental que se sentou do seu lado na sala.

–- Sim, sou.

–- Eu me chamo Choi. Qual é seu nome?

–- Monalisa... Mona Scillie Dewis.

–- Ah, Monalisa, como “Mona Lisa” de Da Vinci?

–- Eu prefiro Mona.

Choi sorriu com tanta ternura que ela não pode deixar de sorrir também.

–- Mas você é tão linda como a famosa pintura.

Constrangida ela corou e ele sorriu ainda mais lindamente.

Deixando as lembranças de lado, Mona evitou os olhos do rapaz e foi em direção ao restaurante onde Leonard provavelmente já estava a esperando. Não podia se deixar levar por aquilo, pelos sentimentos que ele provocava nela. Seu pai jamais aprovaria alguém como Choi e ela nunca se permitiria ser menos do que a filha perfeita do futuro presidente americano.

***

Angel estava passando pelos corredores do Centro de Lazer, aonde a maioria dos alunos ia para almoçar, pois ali estavam os melhores lugares para comer, quando viu do outro lado de um pequeno jardim interno, a odiosa Monalisa com seu detestável primo, almoçando. Os dois estavam conversando, bem alegrinhos, chamando a atenção dos demais alunos. Deus do céu, aqueles dois realmente pareciam feitos um para o outro!

–- Olha, eu sei que vocês são primos e tudo, mas cara, queria dar um soco naquele namorado da Barbie!

Angel olhou para o lado e viu o rapaz oriental de óculos chamado Choi. Embora não fosse normal para ela, acabou respondendo:

–- Vai ter que entrar na fila. E parentes tem prioridade sobre o rosto, lamento, mas terá que se contentar com outra parte qualquer.

–- Sem problemas, eu sempre dou preferência para os golpes na altura do estômago. Acho másculo.

A garota inclinou a cabeça para o lado, observando o rapaz de cima a baixo.

–- Másculo? Parece-me mais uma escolha lógica. Percebeu que ele tem mais de um e oitenta de altura, certo? E você...?

Choi fez uma expressão de completo ultraje, também a analisando.

–- E você? Como pretende acertá-lo na cara? Vai pedir pra que o querido Leo se abaixe?

–- Geralmente basta acertar os grandões no meio das pernas para que a altura seja ajustada ao meu tamanho.

O rapaz sorriu e ela percebeu o quanto ele era bonito. Estilo nerd com corpo definido, como ela pode notar pela camisa justa que ele usava. Seus olhos castanhos também eram bem atrativos, cílios longos e grossos destacavam a cor, que lembrava chocolate. Reparou até mesmo na pequena pinta que ele tinha ao lado do olho esquerdo. Angel suspirou. Isso só podia ser “efeito Alexis”, agora ela estava notando as pessoas mais do que teria feito antes de conhecê-lo.

Ainda encarando o rosto do garoto, viu uma mancha vermelha se espalhar pela face sorridente. O que era aquilo? Ele estava ficando vermelho?

Ela não tinha notado que, além de observá-lo abertamente por vários minutos, para fazê-lo tinha erguido o rosto de forma que o boné não mais a ocultava. E Choi estava mais uma vez impressionado com a aparência da garota. E inusitadamente constrangido por ser alvo dos misteriosos olhos violeta.

–- Vejo que ainda esta agindo como uma aluna normal. Tão normal que já está até interagindo com seus colegas.

Angel ouviu a fria voz atrás de si e virou-se, mas antes notou o olhar de Choi desviar rapidamente para o outro lado. Quando encarou Alexis, ele estava com uma expressão estranha dirigida ao rapaz de óculos, que sorriu como resposta. Mas o sorriso lhe pareceu meio hesitante, quase temeroso.

–- Estava ficando meio entediada, sem falar que posso ter ideias ainda mais incríveis se estiver participando da rotina escolar. – quando Alexis a olhou meio cético, ela acrescentou – Como vou poder fazer uma guerra de comida se não frequentar os locais onde a galera come?

–- Guerra de comida? Posso participar? Eu já tenho até o alvo perfeito! – Choi, parecendo recuperar-se, seja lá do que o havia afetado, olhou para o casal que ainda conversava entre risos, através dos alunos que passavam.

–- Já falei. Como parente tenho prioridade.

–- Prioridade com relação ao rosto. Não me importo nenhum pouco se o macarrão que eu jogar for parar na cabeça dele.

–- Posso completar acertando uma travessa de almondegas naquela cara de boneco.

–- E um delicioso suco de uva na camisa toda engomadinha.

–- Não podemos esquecer a sobremesa. Ele merece toda nossa atenção e carinho. Quem sabe um mousse?

–- Hum, não. Acho que não combina com o resto da refeição. O que acha de um Petit Gâteau de chocolate?

–- Com sorvete!

Angel riu alto, batendo palmas de animação.

–- Quem é o alvo? – Alexis estava visivelmente irritado com a animação percebida entre os dois.

–- Leo! – Angel e Choi responderam em uníssono.

Eles se entreolharam e gargalharam alto, chamando a atenção de quem passava.

–- Quem é “Leo”? – Alexis olhou diretamente para Angel, ignorando abertamente a presença do outro colega, numa atitude que Angel achou até meio infantil.

–- Meu querido primo Leonard Lancaster. – ela respondeu fazendo uma careta de desgosto.

Alexis arqueou as duas sobrancelhas, enquanto também observava o casal formado por Mona e o primo de Angel.

–- Alguém se esqueceu de me passar essa informação. – ele murmurou quase que para si mesmo, mas a garota escutou e logo indagou:

–- Como assim? Por que alguém teria que informá-lo sobre isso?

O Príncipe voltou os olhos na sua direção.

–- Porque não é nenhum segredo para a Direção da escola que eu estou, digamos, cuidando dos seus interesses.

–- Bisbilhotando a minha vida, você quer dizer.

–- Não posso fazer isso, lembra? Temos um acordo.

–- Que acordo?

Alexis e Angel viraram na direção de Choi que fez a pergunta. Os dois parecendo bem irritados. O rapaz ergueu as duas mãos para o alto, em sinal de rendição.

–- Ok, esqueçam. – ele olhou para os lados, tentando escapar da situação – Não estão com fome? Quem sabe nós...

Angel não foi capaz de ouvir o resto da pergunta, pois Alexis pegou sua mão e praticamente a arrastou por entre os colegas, para o mesmo restaurante no qual Mona e Leonard almoçavam. Ela notou de relance as expressões de espanto de todos e ar assassino da acompanhante do primo quando os viu. Bem, aquilo lhe deu certa satisfação, mas não o suficiente para amenizar sua ira. O que ele pensava que estava fazendo com ela?

–- Sr. Pernas Longas, tem uma pessoa aqui que não foi agraciada com membros tão compridos, embora seja perfeitamente capaz de andar sem precisar ser praticamente carregada pela mão!

Alexis a ignorou e continuou no mesmo ritmo.

–- Se eu tropeçar, juro que vou dar um jeito de fazer com que caia junto comigo!

Ele não parou, mas respondeu:

–- Se tropeçar eu a seguro. Porém duvido que isso aconteça, não com esses seus reflexos de felina.

Com seu espirito endiabrado, sedento por calamidades, Angel movimentou os pés de forma a tropeçar um no outro. Não fez qualquer tentativa de impedir que seu corpo fosse em direção ao chão, mas mal perdeu o equilíbrio, pois Alexis passou um braço por cima dos seus ombros, continuando a levá-la, cada vez mais para o fundo do restaurante. Quando chegaram à única mesa que ela tinha visto vazia, ele a fez sentar, então puxou uma cadeira da mesa do lado para si mesmo.

Angel notou que aquele era um local muito bom, algumas plantas permitiam certa privacidade e do outro lado havia apenas uma janela, do teto ao chão, que permitia uma vista maravilhosa de um dos lagos da ilha. Também chamou sua atenção a existência de apenas um lugar para sentar, quando em todas as outras mesas, tinha quatro ou mais cadeiras disponíveis.

–- É aqui que costuma fazer suas refeições?

Alexis olhou na direção de um garçom que passava, um pouco afastado de onde eles estavam, mas que mesmo assim, prontamente foi na direção deles, ignorando os outros alunos que faziam sinais para ele. Isso a fez lembrar-se do que tinha lido sobre a família do Príncipe. Os mais ricos do mundo. Bem, o coitado do garçom jamais iria fazer um sinalzinho de “já vou” para alguém como ele.

–- Gosto de comer aqui. – finalmente Alexis respondeu a sua pergunta. — É mais tranquilo e a comida é excelente.

–- E pelo visto tem um lugar Vip, com seu nome escrito em letras garrafais e brilhantes. – ela apontou para a mesa entre eles. – Mas sempre come sozinho?

Naquele momento o garçom chegou. Eles fizeram seus pedidos. Alexis nem piscou, mas o funcionário do restaurante ficou claramente surpreso com a quantidade de pratos que ela solicitou. Assim que ele se afastou, o Príncipe se recostou na luxuosa cadeira estofada, apenas um detalhe de todo aquele ambiente requintado que os cercava, e indagou um tanto divertido:

–- Está querendo saber se costumo almoçar com garotas, nesse cantinho discreto?

–- O quê? Resolveu bancar o gostosão pra cima de mim? – ela fez questão de deixar transparecer em seu rosto o máximo de indiferença. – Imagino que, estando sempre cercado por tanta gente, seja difícil evitar o tempo todo a aproximação dos colegas, principalmente das garotas.

Ele a fitou, inclinado levemente a cabeça para a esquerda, um sorriso se abrindo.

–- Vejam só, sinto uma certa possessividade nessas palavras.

Angel bufou, cruzando os braços.

–- Quem arrastou quem agora a pouco pela mão, mesmo?

–- Eu apenas estava com fome. – Alexis fez um ar inocente.

–- Claro. Nada a ver com o garoto que eu estava conversando. Aliás, agora entendo porque você é amigo dele.

–- Não chamaria isso de amizade.

–- Deixa de ser tão ranzinza, o rapaz é uma figura e parece se preocupar com você. Ele estava praticamente de guarda àquela vez, na frente da sua sala.

Alexis ficou pensativo.

–- Choi tem seus momentos. Mas na maioria das vezes é apenas um maluco sem noção alguma.

–- Um maluco bem bonitinho. – ela provocou.

O príncipe deu de ombros, mostrando uma indiferença claramente estudada.

–- Se você acha um baixinho daqueles, atraente.

–- Bem, eu também sou pequena. Ia facilitar bastante, para beijá-lo...

Antes que Angel pudesse concluir, o Príncipe a cortou de forma brusca:

–- Até um cego percebe que ele só tem olhos para a Monalisa.

–- Ah, mas reparou como, pela segunda vez, ele ficou todo vermelho olhando pra mim?

–- Isso não quer dizer nada. – Alexis teimou. – Esse é um efeito normal.

–- Como assim? – agora ela estava bastante curiosa com esse comentário.

Alexis esticou-se sobre a mesa e tirou o boné dela. Os cabelos dourados que estavam presos sob ele, se soltaram em ondas por suas costas.

–- O garçom está vindo. Fique olhando para ele.

Intrigada Angel observou o garçom se aproximar com a refeição deles. Enquanto ele organizava a mesa, ela fez o que Alexis sugeriu, ficou o encarando o tempo todo. Logo reparou que o rapaz estava ficando com as orelhas vermelhas e que, sempre que podia, a observava pelo canto do olho. Numa dessas olhadas, ela sorriu para ele. Foi uma má ideia. Ele derrubou no chão os pratos que tirava do carrinho. Sorte que estavam vazios. Pedindo mil desculpas, se afastou quase correndo, prometendo trazer outro.

–- O que foi isso? – ela fitava para o príncipe com os olhos arregalados de surpresa.

–- Isso foi o efeito que você causa nas pessoas. Mesmo as garotas, parecem se encantar com a sua aparência. Vi isso acontecer em todas as vezes que exibiu seu rosto sem público. – Alexis tomou um gole do seu suco. – Eu passo por isso às vezes, mas o seu caso chega a ser peculiar. Você é realmente linda – ele falou de forma casual – então acho que as pessoas tem uma predileção por aparência angelical, como a sua.

–- Achei que isso tinha amenizado com o tempo. – Angel comentou, quase para si mesma, tão absorta que não se deteve no claro elogio que ele fez a ela.

Toda a pressão que sofria por ter uma beleza tão marcante era o motivo de usar as roupas que vestia, principalmente o boné ou o capuz. Mas não esperava que a reação das pessoas continuasse a mesma de quando era criança. Olhando para o espelho que havia em uma parede próxima, notou que muitos dos alunos os observavam, nem tocando na comida. E, era notável que os garotos, e algumas meninas também, a encaravam de forma ininterrupta. Percebeu os olhares de inveja, de admiração, de raiva.

Lembrou-se de sua infância, de quando tinha apenas nove anos e já sabia de sua doença e do ódio de sua família. Antes de tentar tirar a própria vida pela primeira vez. Havia uma menina, um pouco mais velha do que ela, na escola. Tinha uns onze anos e ainda assim, pareceu querer ser sua amiga. Angel estava tão carente, se sentindo sozinha longe da sua única amiga, Hye Kyo, que deixou que a menina se aproximasse. Passou a gostar dela e a acompanhava por todos os lugares da escola. Então um dia, estava no banheiro das meninas, quando ouviu que falavam dela. E era a sua amiga.

Não era nada do que imaginava. A garota ria para as outras dizendo que a “bonequinha” era excelente para conseguir a simpatia dos professores. Ela era vista como uma garota muito legal pelos meninos e professores por conseguir ser amiga da garota retraída da qual ninguém conseguia se aproximar, embora todos ficassem encantados com a aparência. Mas às vezes era um saco. Ela era muito chata. Parecia uma boneca mesmo, sem vida alguma. Não era a toa que a família não a visitava e que ela passava os feriados e as férias na escola. Assim que desse ia se livrar dela.

Depois disso, Angel tentou evitar a tal garota, mas não conseguiu e ela irritou-se com suas tentativas de se afastar. Quando Angel tomou coragem e disse que ela era apenas uma falsa amiga e que não queria estar com ela, a garota mais velha lhe deu uma bofetada. Então, naquele momento, tudo veio a tona. As palavras do avô, a morte dos pais, o seu sentimento de culpa, a sua doença, as palavras da primeira amiga que tentou ter, que quis confiar. Aquela garota mentirosa, mentirosa como todos que conhecia. Mesmo sendo bem menor, Angel pulou sobre ela, socando e gritando. Sua superioridade só durou o tempo que a ex-amiga demorou em se recuperar do susto. Quando isso aconteceu, ela jogou Angel no chão e a chutou, fez questão de acertar sua cara, enquanto a amaldiçoava por ter aquela aparência.

Angel foi deixada na grama do pátio da escola, machucada e sangrando. Jurou que não confiaria mais nos outros. Não queria estar perto das pessoas, não queria contato com ninguém. Tentou isso arduamente, mas os colegas e os professores não a deixavam em paz. Então ela batia e apanhava muito. Até que aprendeu a bater mais forte. Forte o suficiente para se vingar da garota que tinha batido nela, naquela que tinha sido sua amiga. Quando acabou, a outra estava como ela havia ficado há um ano. Ferida e sangrando.

Angel pensou que sentiria prazer com sua vingança, mas tudo que sentiu foi um vazio, um imenso vazio. Percebeu pela primeira vez a falta de propósito da sua vida, a falta de expectativas para o futuro. Sentiu pela primeira vez que não valia a pena estar ali. Tinha apenas dez anos e já se sentia cansada de existir. Foi quando, às escondidas, entrou na cozinha da escola e tentou se matar com uma faca.

–- Eu odeio isso. – havia apenas raiva nas palavras dela o que fez Alexis franzir a testa.

–- Por quê?

–- As pessoas são umas falsas. Superficiais e interesseiras.

–- São mesmo.

Ela viu o garçom voltar, ele colocou o prato no lugar e saiu rapidamente dali, fazendo uma rápida mesura.

–- Mas acho que precisa aprender a lidar com elas de outra forma. – Alexis continuou, fazendo com que a garota o encarasse. – Uma forma menos dolorosa para você mesma.

–- O que quer dizer?

–- Parece que está há muito tempo fugindo e se escondendo.

–- Não, eu evito as pessoas, não me escondo delas.

–- E qual a diferença?

–- Ora, tenha paciência! E você? É tão bam-bam-bam, mas onde estão seus amigos? Cadê a “turma do Alexis”?

–- Não existem pessoas próximas a esse ponto. Admito que incentivo esse distanciamento. Contudo, não permito que o fato de não confiar nas pessoas, me faça andar como um fantasma por ai, com medo de que me olhem e me admirem.

–- Isso por que você é um Príncipe. Você não entenderia. – Angel começou a comer seu macarrão. Como ele poderia entender o que ela tinha passado? Sua infância, suas perdas, sua doença. Conhecia um pouco da história dele, a coisa toda do rei e da amante era realmente chocante, mas ele ainda tinha um pai. Droga, ele ainda tinha um futuro!

–- Eu entendo sim. Não pense que me conhece apenas porque leu sobre mim na Internet. – ele pareceu um pouco irritado. – Quando você estiver disposta, poderemos trocar figurinhas sobre nossas histórias. Imagino que as suas são bem mais “raras”, mas creia, as minhas têm seu glamour também.

–- Que ideia encantadora. Comparar passagens trágicas das nossas vidas. Não me admira que não tenha amigos.

–- Digo o mesmo sobre você. Alguém tão centrada em si mesma deve ter dificuldades em ver ao seu redor.

–- Disse o Sr. Popular.

–- Bem, eu sou mesmo popular.

–- Você tem é um bando de puxa-sacos.

–- Está com inveja do meu carisma?

–- Seu carisma se chama “Realeza” e “Dinheiro”.

–- Também sou bem bonito. E inteligente. Não vou citar o resto porque não goste de me gabar.

–- Meu Deus! Como conseguia comer aqui apenas com uma cadeira? Onde sentava esse ego todo?

Furiosa, Angel passou a atacar seu prato de macarrão, deixando bem claro que não queria mais conversar.

Os dois passaram a comer em silêncio, com eventuais trocas de olhares irritados.

–- Tem molho na sua testa. – Alexis quebrou o silêncio, depois de vários minutos.

Angel quase arrancou a pele ao passar o guardanapo.

–- E na bochecha direita.

Mais indignada ainda, limpou novamente.

Após mais alguns minutos, ele comentou, olhando para o seu queixo, fazendo sinal com o guardanapo.

–- Percebo agora porque “evita” almoçar com as pessoas.

O olhar dela era assassino.

–- Percebo agora porque você não tem amigos e almoça sozinho.

–- Ora, Choi não era o meu amigo? E não estou almoçando sozinho nesse momento.

–- Claro, teve que praticamente sequestrar uma vítima desavisada. Para chamá-la de covarde e, praticamente, deixar claro que ela come como uma porca. – ela baixou a cabeça e resmungou entre dentes. – Ainda se diz um príncipe, mais parece um sapo.

–- Mas é uma porquinha adorável.

As palavras dele fizeram com que ela levantasse os olhos na sua direção. O sorriso que Alexis lançou, fez o coração de Angel disparar. Percebendo a distração dela, ele se levantou e se afastou da mesa. Achando que ele tinha simplesmente ido ao banheiro ou se mandado, para não passar mais vergonha na companhia dela, Angel terminou de beber o seu suco, para poder ir embora.

Estava tão distraída, pensando nas palavras do Príncipe a respeito das coisas sobre ele que ela desconhecia, que demorou em notar o burburinho crescente no restaurante. Olhando ao redor, reparou que ninguém olhava pra ela, menos mal, dessa vez algum outro idiota seria a vítima daquela cambada toda. Mas ficou curiosa sobre o que todos olhavam tão impressionados, seguindo os olhares também ficou sem fala.

Alexis vinha em direção a sua mesa. Ela sabia o significado das rosas brancas. Que receber uma dessas flores era o mesmo que receber um convite para o Baile. Mas ele não vinha com uma singela rosa branca nas mãos. Ele trazia um buquê, enorme!

Naquele momento ela esqueceu os alunos, esqueceu o lugar onde estavam. Só via o rapaz que andava na sua direção, com o mais lindo buquê de flores que ela já vira. Só percebia o belo príncipe que caminhava diretamente para ela, com seus incríveis olhos azul turquesa, fixos nos seus, e o mais encantador dos sorrisos estampados na face. Sem sequer parar para pensar, ela correspondeu o sorriso.

Quando Alexis chegou onde ela estava, estendeu as flores dizendo:

–- Gostaria que fosse ao Baile comigo. Não precisa responder agora. – ele fez uma leve careta. – Acho que é até melhor que não responda agora.

Segurando o buquê, com certa dificuldade, em função do tamanho, ela inalou o perfume adocicado e delicado das inúmeras rosas, notando que eram botões perfeitos, mas ligeiramente menores que o normal, o que deixava o arranjo ainda mais belo. Apesar de tudo, ela não pode deixar de retrucar:

–- Você é realmente um exagerado. Quantas rosas têm aqui?

–- Sessenta e oito.

–- Nossa! E por que tantas?

–- Porque esse é um número de dias que se passaram desde que a vi pela primeira vez.

Por essa Angel não esperava. Sabia que estava com a boca aberta em espanto, mas poxa, quem não ia ficar em “pause total” em uma situação dessas?

–- Você é louco.

Alexis a ajudou a carregar as flores enquanto saiam do restaurante, deixando para trás as mais variadas caras de espanto, e criando novas, com a passagem deles.

–- Ah, mas eu avisei quando a conheci que isso podia acontecer. Por sua culpa.

Notas finais
Se você leu até aqui, mas já não está curtindo tanto a história, a culpa não é minha. Eu não SABIA que estava ficando ruim/chato/outras opções, porque você NÃO COMENTOU! Viu, é importante deixar um review eheheheheheh